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Sangens plass og status i forhold til bandinstrumenteringen

In document Kjønn på spill – kjønn i spill (sider 164-167)

5. Musikkundervisningens hegemoni: Pop, rock og bandinstrumentering

5.5 Sangens plass og status i forhold til bandinstrumenteringen

O professor deve oferecer insumo suficiente e adequado ao estágio no qual o aprendiz se encontra. Segundo Ellis (2003, p. 5) “insumo são amostras de língua às quais o aprendiz é exposto e sem as quais a aprendizagem da língua não pode ocorrer” 65. Em se tratando de aprendizes surdos cuja L1 é viso-espacial, esse insumo merece uma atenção diferenciada para que surta o efeito que se pretende obter, a aprendizagem ou o desenvolvimento da linguagem do aluno surdo. No contexto específico desta pesquisa, trata- se do desenvolvimento das habilidades de leitura e da escrita em Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos.

Sendo todos os alunos surdos participantes desta pesquisa bilaterais profundos, segue-se que nenhum deles possa assimilar insumo oral, portanto todo insumo dirigido a ele deve ser escrito uma vez que a L2 que se está ensinando a esse aluno é a modalidade escrita do Português brasileiro. Dessa forma o professor regente oferece o insumo e o intérprete educacional apenas media entre a modalidade oral do Português para Libras e vice-versa, noutras palavras, o professor intérprete recebe o insumo oral em Língua Portuguesa e o processa para a Libras.

65 (...) input (…) is the sample of language to which a learner is exposed. Language learner cannot occur without some input.

Sendo assim, o fato de a professora Ana escolher determinado texto extraído da Internet e exibi-lo através do seu lap top para toda a turma revelaria algo de sua abordagem? O texto a seguir, na verdade, é um tipo de transcrição da fala com o intuito de mostrar para o telespectador os erros ortográficos e prosódicos cometidos pelos participantes de um programa da TV, o reality show Ídolos, sem a menor preocupação da emissora quanto à capacidade dos telespectadores, ouvintes ou surdos, conseguirem acompanhar a legenda. Para usar esse texto como insumo a professora deverá adequá-lo às necessidades lingüísticas de sua turma de inclusão.

Dessa maneira, parece não servir como insumo adequado no contexto em questão uma vez que mais tarde será exigido dos alunos surdos que façam inferências do texto apresentado, porém como inferir se não se pode interpretar porque não se consegue entender o insumo oferecido? Se essa variante do português já é desafiadora para qualquer aluno desse contexto o que se dirá de uma transcrição de fala e de uma tentativa de sinalização tradutora para Libras?

Excerto 5 66

Hino Nacional do Brasil interpretado por participantes do reality show brasileiro Ídolos e utilizado pela professora na aula, preservando-se a forma mostrada na legenda do vídeo.

1Ouviru dos Piranga a mázis práááááááácida 2De um povo heróidumbraço respulanti 3E o céu da liberdade em raios frííííííííígidus

4Brilhou no sol da Pátria nesse instanti 5Se o Senhôôôôôô-ôr dessa ugualdadi 6Conseguimos conquistar um braço forti

7Entosseio ó liberdadi

8Renasci cum nosso prepo a nossa morti 9

OH PÁTRIA AMADA, IDOLATRADA, SALVE, SALLLLLVE!

10Dos filhos desse sós e mais gentils...(?) 11Pátria amada, Brasil!

Ao fazer uso dessa legenda a título de insumo a professora dá uma evidência de sua crença sobre o ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, ou seja, surdos e ouvintes aprendem da mesma forma, portanto, o mesmo insumo serve aos dois grupos indiferentemente, para o contexto estudado.

Mas talvez a professora acreditasse que o seu colega tradutor, ali presente, interpretaria o texto. E ela estava certa. O texto foi interpretado, contudo a jocosidade que a

transcrição das falas empresta ao texto, isso representa imenso desvio sendo por ora apenas explicado. Esse último fato parece ser outra evidência, dessa feita para a crença de que a interpretação é suficiente para que os seus alunos surdos aprendam. Porém, como interpretar para a Libras a hilaridade da passagem “Ouviru dos Piranga a mázis práááááááácida”, na linha 1, ou mesmo a graça advinda da troca entre “sós/solo”, na linha 10? Isto não é possível, pois a graça está na oralidade e o letramento enquanto atividade de textualização em si mesma não é suficiente para revelar essa graça nesse contexto de inclusão.

O texto apresentado acima, conforme se disse antes, não é exatamente a modalidade escrita da Língua Portuguesa, é sim a transcrição da fala de participantes jocosos desclassificados pelo reality show. É Conveniente se introduzir uma distinção entre amostra de língua e insumo propriamente dito. O que a professora apresentou a seus alunos foi uma amostra de língua, em termos laboviano uma amostra de um socioleto, que não é exatamente a língua ensinada nas escolas, pois a língua que se ensina nas escolas é a chamada variante padrão, ou norma culta, ou língua oficial, mas não é exatamente insumo. A partir do conceito de insumo de Rod Ellis (op. cit.) depreende-se que insumo são amostras da língua ensinada, portanto pode-se dizer que todo insumo é uma amostra de língua, mas nem toda amostra de língua é insumo para a língua ensinada.

Os alunos ouvintes que assistiam ao vídeo tanto compreendiam o que ouviam como compreendiam a que se referia a transcrição na legenda. Já os alunos surdos não ouviam como também não compreendiam aquele outro tipo de Português que aparecia na base da tela do computador de colo. O insumo ofertado não estava levando os alunos surdo do estágio i para o estágio seguinte i+1, na teorização de Krashen (op., cit. pp. 21-22):

(...) uma condição necessária (...) para passar de um estágio i para o estágio i+1 67 é a de que o adquirente compreenda o insumo que contenha i+1, em que “compreender” significa que o adquirente está concentrado no sentido e não na forma da mensagem. [logo] Adquirimos através da compreensão de linguagem que contém estruturas um pouco além do nível atual da nossa capacidade (i+1). Isso é feito com o auxílio do contexto ou informações extra-lingüísticas. (...) Quando a comunicação é bem sucedida , quando o insumo é compreendido e há o suficiente dele, i+1 terá sido automaticamente apresentado. 68

67

i é como Krashen chama o estágio em que o aprendiz de língua se encontra no momento e i+1 é a expressão para o próximo estágio, o estágio para o qual o professor tentará conduzir o seu aluno.

68 Tradução livre do excerto: (...) a necessary (...) condition to move from stage i to stage i+1 is that the acquirer understand input that contains i+1, where “understand” means that the acquirer is focused on the meaning an not the form of the message. (…) We acquire by understanding language that contains structure a bit beyond our current level of competence (i+1). This is done with the help of context or extra-linguistic information. (…) When

Pode-se depreender do exposto acima que não foi apresentado insumo adequado para os alunos surdos. O que se apresentou foram formas transcritas que não fizeram sentido para os alunos surdos daquele contexto e que, portanto não foram eficientes em levá-los ao nível seguinte, i+1.

Ana revela indícios de uma abordagem de ensinar Português a alunos ouvintes. Para ensinar os seus alunos surdos ela parte dessa abordagem anterior à experiência de ensinar turmas inclusivas e por isso não percebe que seus aprendizes surdos deveriam acompanhar visualmente o desenvolvimento do conteúdo, por meio de um cursor, por exemplo, a leitura que a professora vai desdobrando, fazendo avançar, quadro a quadro, de qual texto ela está partindo para ensinar. Outra questão é que se usar um socioleto como insumo é contraproducente para o contexto estudado.

A graça do texto apresentado no excerto (5) está na compreensão de alguns pontos, de algumas palavras do uso de falantes menos escolarizados. Essas palavras ou “amostras de língua” não se mostram adequados, ao menos ainda, para o ensino de língua a aprendizes surdos pelas razões descritas em (2.3.1, Cf. SACKS op. cit. e QUADROS op. cit. et seq.).

Para os alunos surdos desta turma valeria muito a aplicação de um insumo que fosse mais adequado ao nível lingüístico deles com acesso prévio ao texto aplicado.69 Claro que esses fatos têm outras implicações para o processo de ensino e aprendizagem que serão focados nas seções seguintes. Os pontos de força levantados nesta análise de abordagem se entrelaçam e qualquer ruptura num dos elos compromete toda a cadeia. O conjunto deles majoritariamente reforça a abordagem da professora, predominante neste contexto dados os indícios que foram trazidos pela análise.

communication is succefull, when the input is understood and there is enough of it, i+1 will be provided automatically.

69

O programa Letras/Libras descrito em (2.4.4 e 2.4.4.1) em seus exames de seleção tem aplicado testes de língua portuguesa de forma diferenciada para candidatos surdos e ouvintes. Os textos para os candidatos surdos são textos cuja linguagem está adequada à realidade dos surdos que procuram ingressar nas universidades brasileiras, mas são oriundos de um sistema educacional que não privilegia suas reais necessidades lingüísticas o que culmina na maioria das vezes, principalmente no caso de surdos bilaterais, profundos e/ou pré-lingüísticos, em reprovação.

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