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Del II Rettslige utgangspunkter og

6.4 Voksne med begrenset eller

Entre os anos de 1990 e 1995, Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff desenvolveram a abordagem da Tríplice Hélice com elementos basilares dos estudos de Lowe (1982) e Sábato e Mackenzi (1982), ampliando a díade indústria-governo na sociedade industrial para uma crescente relação triádica entre indústria-governo-universidade na Sociedade do Conhecimento (RONGA; ETZKOWITZ, 2013; STANFORD UNIVERSITY, 2015).

A teoria desenvolvida coloca a universidade como indutora das relações com as empresas, representando o setor produtivo de bens e serviços e o governo que tem o papel de regulador e fomentador da atividade econômica. Com essa nova relação e ação dos três atores, tem- se o aumento da produção de novos conhecimentos, da inovação

tecnológica e do desenvolvimento econômico. Esse modelo teórico tem a finalidade de esclarecer como esses atores interagem e impulsionam o desenvolvimento local e regional sob as lentes da economia do conhecimento (ARANTES; SERPA, 2012; LEYDESDORFF; ETZKOWITZ, 1998; SUPRIYADI, 2012).

Com a lente da Tríplice Hélice, a inovação é vista como resultado de um processo complexo e dinâmico de experiências nas relações entre ciência, tecnologia, P&D nas universidades, nas empresas e nos governos (THERG-BRAZIL, 2015).

A interação entre as hélices universidade, governo e empresa auxilia na identificação e tratamento dos problemas que surgiram com as grandes mudanças econômicas, institucionais e intelectuais que a sociedade do conhecimento originou.

Os pesquisadores do Triple Helix Research Group – Brazil (THERG, 2015) afirmam que a convergência dessas hélices ocorre em níveis e causam “[...] transformações internas em cada esfera; influências das organizações de uma esfera sobre a outra em decorrência dos relacionamentos existentes; criação de novas estruturas devido à sobreposição ocasionada pela interação das três hélices; e um efeito recursivo desses três níveis”.

O relacionamento estabelecido através da rede de interação criada pela Tríplice Hélice gera intenções, estratégias e projetos que ampliam os próprios valores e colaboram para atingir as metas estabelecidas. Os atores de cada hélice têm grande autonomia de ação, entretanto há um compromisso entre esses atores que, concomitantemente, têm a responsabilidade de assumir novos papéis diante da dinâmica econômica. Dessa forma, a interação proporciona benefícios para todos os envolvidos, tanto para a universidade como para o governo e as empresas (THERG-BRAZIL, 2015).

O conceito da Tríplice Hélice indica uma relação de reciprocidade entre os atores envolvidos em diferentes níveis de conhecimento, tendo como elemento norteador e fomentador a inovação (SUPRIYADI, 2012). Desenvolve-se esse conhecimento de forma dinâmica no interior das organizações, o qual transborda pelas fronteiras institucionais gerando riquezas, causando mudanças nas relações entre universidades, centros de P&D, indústria e governo local, regional, nacional e transnacional. O modelo da Tríplice Hélice vem sendo atualizado ao longo do tempo; no modelo I, o governo envolve a universidade e a indústria e direciona a relação entre eles; no modelo II, as três entidades apresentam-se com fronteiras claramente identificadas e sem áreas comuns de atuação; no modelo III, as instituições atuam de

maneira sobreposta, gerando instituições híbridas pelas suas interfaces (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000). Na Figura 1 é possível observar essa evolução.

Figura 1 - Modelos da Tríplice Hélice I, II e III

Fonte: adaptado de Etzkowitz e Leydesdorff (2000)

No modelo original da Tríplice Hélice, o governo é o órgão central que define as estratégias e atividades dos demais segmentos que estão ligados à inovação. No modelo II ocorre maior estabilização entre as atividades de cada ator envolvido no processo de inovação; entretanto, há um nível de pouca de interação, pois atuam isoladamente com encontros mais pontuais. O modelo da Tríplice Hélice III implica um objetivo em comum com a intersecção entre os atores envolvidos visando construir um ambiente que promova a inovação científica e tecnológica (ARANTES, SERPA, 2012). Essa ação se dá com a participação trilateral dos atores com foco direcionado ao desenvolvimento econômico baseado no conhecimento e nas conexões estratégicas entre empresas, institutos de pesquisa e academia.

O estudo conduzido por Etzkowitz e Leydesdorff (2000) aponta que a ciência possui um grande potencial para fomentar o desenvolvimento. O modelo da Tríplice Hélice identifica as relações entre universidade, indústria e governo e as transformações internas em cada uma dessas esferas. Esse modelo, conforme mostra a Figura 2, é representado por uma espiral com três hélices que se entrelaçam por meio de múltiplas interações entre as três esferas por elas representadas: a universidade, a empresa e o governo.

Figura 2 - Modelo da Tríplice Hélice

Fonte: adaptado de Etzkowitz, Leydesdorff (2000)

Países, principalmente dos continentes europeu e americano, estão buscando, na teoria da Tríplice Hélice, bases para fortalecer ambientes inovadores com a participação de todos os atores e contando com a parceria dos governos para promover recursos financeiros de forma direta e indireta. A união entre os pesquisadores e os empresários, juntamente com representantes do governo, possibilita desenvolver empreendimentos com atividades científicas e tecnológicas entrelaçadas. A união das forças e competências dos atores que compõem a Tríplice Hélice é capaz de alavancar o desenvolvimento socioeconômico e, por conseguinte, inferir positivamente na melhoria da qualidade de

vida da população e no desenvolvimento da sociedade (LEYDESDORFF; ETZKOWITZ, 1998; MELLO, 2004; RONGA; ETZKOWITZ, 2013).

A Tríplice Hélice proporciona não apenas a interação entre os atores que a compõe, mas, também, provoca uma mudança interna nos mesmos. Etzkowitz e Leydersdorff (2000) afirmam que essa mudança apresenta-se nas universidades quando a instituição deixa de ter foco somente no ensino e abre-se para a pesquisa de natureza aplicada. As ações do governo ampliam-se e beneficiam-se de alianças em nível regional, nacional, ou internacional, e as empresas avançam nas questões sobre o lucro, não focando mais apenas em retorno financeiro, mas alargam seus horizontes quanto aos vários tipos de valor e sustentabilidade.

Para Vaccaro et al. (2011), o efeito idealizado dessa interação é a promoção sistemática da inovação, acarretando desenvolvimento econômico de uma região ou país de abrangência desses atores.

Os estudos sobre a teoria da Tríplice Hélice proporcionaram a ampliação do olhar sobre o processo de inovação, identificando novas necessidades, barreiras e possibilidades. Essa ampliação ascendeu à teoria, criando-se uma quarta hélice, a Quádrupla Hélice, que argumenta a necessidade de inclusão da sociedade civil nesse processo.

Em seus estudos sobre a Quádrupla Hélice, Monteiro (2013) destaca a necessidade de inclusão da sociedade civil no processo de inovação, pois esta é considerada coprodutora de inovação e seu papel é tão importante quanto as instituições de pesquisa, o governo e as empresas. A interação desses quatro atores resulta em impacto sobre as empresas inovadoras e no crescimento econômico.

A participação da sociedade civil promove uma abordagem democrática da inovação através de estratégias de desenvolvimento e tomada de decisão que são compartilhadas entre as principais partes interessadas, resultando em políticas e práticas socialmente responsáveis (CARAYANNIS; CAMPBELL 2012). Essa participação encontra ressonância nos conceitos e direcionamentos dos trabalhos de inovação social, pois esta também comunga a ideia da participação política de grupos, do aumento na compreensão e participação sociopolítica dos cidadãos buscando direitos e deveres que resultem em melhoria das necessidades humanas (NOVY; LEUBOLT, 2005). A inovação social assim como a teoria da Quádrupla Hélice buscam atender às necessidades sociais e criam relações sociais capazes de fortalecer o processo inovativo direcionado a elevar a capacidade de agir da

sociedade (JULIANI, 2015; MONTEIRO, 2013; MURRAY; CAULIER-GRICE; MULGAN, 2010)

As redes de interações formadas pela Quádrupla Hélice, representadas na Figura 3, evidenciam a socialização do conhecimento entre seus atores.

Figura 3 - Quádrupla Hélice

Fonte: elaboração própria.

O conceito da Quádrupla Hélice é recente, não muito bem estabelecido, mas já amplamente usado em pesquisas e políticas ligadas à inovação. Segundo Arnkil et al. (2010), existe uma ampla quantidade de conceitos que poderiam ser classificados como tipos de Quádrupla Hélice; entretanto, todos consideram o quarto ator dessa rede a sociedade civil. A defesa dessa participação nasce de pesquisas que abordam a inovação como elemento direcionado para o usuário como fator essencial para o sucesso das organizações.

As organizações necessitam ter alternativas para obter vantagem competitiva e, portanto, estão empreendendo grandes transformações em seus processos de inovação e modelos de negócios a fim de entregar produtos e serviços com diferenciais de qualidade para o mercado. Essas novas estratégias de inovação muitas vezes envolvem modelos de

negócios cada vez mais abertos, com um maior enfoque na compreensão das necessidades dos consumidores e participação direta dos usuários em várias fases do processo de inovação (MONTEIRO, 2013).

A emergente sociedade do conhecimento e da inovação trazem implicações em ações que são realizadas individualmente, pois nenhum agente inovador isolado tem recursos e habilidades suficientes para se desenvolver. A interdependência dos atores é que imprime o diferencial na economia da inovação. A interação e a cooperação proporcionam a complementaridade entre si, resultando em uma economia que induz ao crescimento econômico (ARNKIL et al., 2010; MONTEIRO, 2013).

Diante da teoria apresentada, e em especial da relevância da participação da sociedade civil no processo de inovação, os habitats de inovação incorporam os elementos componentes da quarta hélice, pois são estruturas basilares para as atividades com foco nas novas tecnologias, gerando desenvolvimento socioeconômico nas regiões onde são instalados.

De modo geral, os habitats de inovação, com nomes, características e objetivos diferentes, trilham um mesmo caminho, a busca pela melhoria na qualidade de vida das pessoas, das organizações e, consequentemente, da sociedade.