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Del II Rettslige utgangspunkter og

5.1 Personopplysningsloven og

As práticas de liderança da EBALV são exercidas pela equipe gestora (ou grupo gestor), formada pela diretora, pela coordenadora de projetos extraclasse, coordenadora pedagógica, administradora e secretária. As atividades em sua maioria envolvem planejamento.

Nesta pesquisa, percebi que a equipe é unida e coesa, pautada na visão por projetos (os projetos pedagógicos). No entanto, apesar de a maioria das atividades não ser novidade (elas são pensadas previamente), alguns membros da equipe gestora não conseguem manter uma rotina e um ordenamento preciso de suas atividades diárias.

Imprevistos acontecem, mas não são fortes o suficiente para consumir a dedicação e a energia que a equipe gestora dispõe para as outras atividades cotidianas e relacionadas ao que foi planejado. Mas uma coisa é certa: na EBALV as funções administrativas (realizadas pela equipe gestora) estão sempre a serviço do pedagógico (eminentemente conduzido pelos professores). Por exemplo, a prestação de contas é feita pela diretora, mas emerge do trabalho pedagógico, assim como acontece com o levantamento dos materiais a serem comprados, pois estes servirão primordialmente aos projetos e à sala de aula: “[...] dentro da escola, todos têm isso muito claro” (entrevistado 4). A participação é uma característica bastante presente na EBALV, por meio da presença dos pais, professores e da comunidade (funcionários e famílias dos alunos, professores e funcionários e demais convidados) nas decisões, na realização de atividades regulamentares (como reuniões da APP – associação de pais e professores – ou do CC – conselho de classe) e nos eventos que a escola promove. A própria escola está sempre criando oportunidades para a integração desses grupos e também se faz presente em outras instâncias da comunidade, como nas reuniões da associação do bairro, apoiando ações das igrejas do entorno, apoiando iniciativas do posto de saúde e do conselho de assistência social.

A diretora atual está há oito anos no cargo e deseja permanecer por mais algum tempo. Ela é orientadora educacional, formou-se nessa área, mas não há orientador nem supervisor na EBALV, porque a PMF (Prefeitura Municipal de Florianópolis) não encaminha substituto para essas funções. Ao assumir a direção da escola, ela foi afastada oficialmente da função de orientação, e a outra orientadora da escola está licenciada para cursar o doutorado. Então a diretora hoje acumula as funções de direção, supervisão e orientação.

Membros da escola e da comunidade fizeram um abaixo-assinado para que ela pudesse continuar no cargo em 2017, uma vez que o mandato de diretor tem a duração de quatro anos e a eleição deveria ocorrer em 2016 (cada unidade educativa organiza seu próprio processo eleitoral). Após a conclusão da eleição para prefeito de Florianópolis, a EBALV contou com a presença de um vereador e do prefeito eleito em sua Feira de Ciências. Nessa ocasião a escola solicitou que mantivessem a atual diretora no cargo e obteve a promessa de que sua demanda seria atendida, pois os políticos eleitos se comprometeram a reconduzi-la ao cargo de diretora.

Identifiquei a partir da análise dos dados, quatro práticas de liderança na EBALV: gestão partilhada, acompanhamento, educação por projetos e readaptação, que são descritas detalhadamente nas seções seguintes. A prática de gestão partilhada consiste em decidir e estabelecer cursos de ação antecipadamente, com uma duração definida, organizar-se para cumpri-los e executá-los, sempre de modo partilhado, chamando os grupos envolvidos para participarem da prática. A prática de acompanhamento trata da assistência que a equipe gestora proporciona ao andamento das atividades pedagógicas. A prática de educação por projetos engloba construir o ensino sob a estrutura dos projetos pedagógicos. E a prática de readaptação abarca a realocação de profissionais afastados, de forma a se manterem atuando na EBALV (em vez de serem encaminhados a outra unidade educativa ou permanecerem de licença.

Cabe resgatar que as ações recorrentes e que correspondem a um padrão ao longo do tempo (CREVANI; ENDRISSAT, 2016) formam as práticas de liderança, bem como os demais componentes de contexto (onde), pessoa (quem), forma (como) e motivo (por que) (CUNLIFFE; HIBBERT, 2016; RAELIN; RAELIN, 2011), os quais são utilizados para descrevê-las.

4.2.2.1 Gestão compartilhada

A gestão compartilhada consiste em tomar decisões e estabelecer cursos de ação previamente, por um tempo determinado (horizonte de tempo definido, planejamento), assim como suas ações subsequentes, organizando sua execução. Uma característica marcante dessa prática é que todas as ações devem ser realizadas de modo partilhado, mantendo próximos os grupos envolvidos na prática.

A EBALV tem como lema a noção de ser: “uma escola que busca novos caminhos”. Esse lema representa a busca por uma gestão

partilhada, que difere da gestão democrática. O fato de se ter uma gestão democrática não significa necessariamente que ela é partilhada, “pois uma gestão democrática é muito trabalhosa, porque a gente pode cair em dois extremos, que é, ou de não ouvir ninguém, ou de delegar tudo pra todo mundo e ninguém fazer nada” (entrevistada 4). E compartilhar a gestão é uma intenção deliberada da EBALV, pautada na divisão de responsabilidades, pois a diretora entende que a gestão deve ser partilhada com os colegas, também articulando o espaço da escola com os outros espaços da comunidade. O resultado disso é que a comunidade reconhece a escola como um espaço dela. A EBALV mantém a diretriz de que está sempre aberta para tudo o que for para o bem da comunidade, e assim se tornou um dos poucos espaços do bairro que ainda não sofreu qualquer tipo de vandalismo.

Abrir o espaço da escola, permitir a realização de atividades comunitárias, mesmo que por iniciativa de grupos específicos (igrejas, centro comunitário, polícia, posto de saúde etc.), faz as pessoas se sentirem parte desse espaço, elas sentem que esse espaço também é delas. A EBALV sempre mantém representantes nas decisões de outros grupos que atuam na comunidade. Isso fez a escola conquistar como amigo um vizinho dos fundos:

[...] ele veio e disse "Ai, eu tenho galinha e tal, a sobra de comida vocês podem dar pra minha galinha?" E eu: "Nós não podemos dar pra ti por conta de uma regra nutricional, mas a gente, porque vai pro lixo, né, o resto de comida, mas a gente bota no balde separado no lixo. Se tu quiseres ir lá pegar, o que a gente pode fazer é separar num outro balde, pra não estar misturado com o lixo". Ótimo, então a gente bota lá e ele vai lá e pega. Mas aí ele cuida da escola. Aí ele levou o telefone [da diretora], daí no final de semana as crianças pularam pra pegar uma pipa, aí ele liga. O vizinho daqui, o outro vizinho de trás, eles cuidam da escola, sabe? (entrevistada 4)

Um valor basilar desta prática, que permeia também as demais práticas, é o senso de grupo e o senso de pertencimento: “[...] a equipe, a escola, o ensino, os servidores comprometidos, os professores que trabalham com comprometimento, com dedicação, que trabalham realmente, que não, como eu falei pra você, faz de conta. Não faz de conta” (entrevistado 2).

O senso de grupo é tão marcante que as pessoas que destoam do jeito de fazer do grupo acabam decidindo se afastar e se desligar da escola. A evidência disso foi a situação que ocorreu com a última supervisora, que fazia parte do quadro funcional da escola. Ela adotava uma postura de ser chefe dos professores, considerava-os subordinados a ela, e não colegas de trabalho. Se algum profissional fosse conversar com os professores sem antes falar com a supervisora, ela entendia que estava sendo “passada pra trás”, isto é, entendia que o profissional estava desconsiderando sua autoridade. Ela apresentava dificuldades no relacionamento interpessoal, com a diretora e com muitos professores. “Era uma supervisora que não conseguia se enquadrar na forma de trabalhar do grupo, porque ela não conseguia perceber o grupo como construtor, sabe?” (entrevistada 4). Nessa época houve bastante confronto, durante cerca de um ano, até que ela pediu para sair da escola, pois chegou a uma situação em que os professores sentiam que eram ouvidos e contemplados pela direção, mas ela não concordava com isso. O grupo continuou e a supervisora saiu.

As atividades da escola acontecem a partir de um planejamento anual, em que é definido o calendário do ano, são definidas as datas importantes, os eventos a serem realizados, os ciclos bimestrais com as datas dos conselhos de classe. É pensado (construído ou revisado) nesse mesmo momento o projeto de gestão, que tem a duração de três anos. Nessa ocasião verifica-se o que já foi feito, o que ainda falta fazer e se há algum novo objetivo. Ao final de cada ano faz-se uma avaliação do que foi feito durante o ano. No decorrer do ano, a cada mês ou bimestre, são realizadas as reuniões pedagógicas, com equipe gestora e professores, em que são trabalhados os pontos do planejamento que cabem naquele período, mantendo o planejamento coletivo da escola: “o que a gente vai fazer na semana da criança, como é que gente vai fazer e fechar o bimestre, questões pedagógicas, a questão do livro didático, a questão do sistema de ensino” (entrevistada 4).

Como desdobramento cotidiano do planejamento, a equipe gestora diariamente procura se inteirar do que ocorreu no dia anterior, de modo assistemático, isto é, por meio de conversas informais. Esta ação e a própria prática da gestão compartilhada são favorecidas pelo uso comum de apenas uma sala para toda a equipe gestora (exceto a secretária, que permanece alocada em uma sala separada, a secretaria). Dessa forma, a equipe gestora verifica as demandas daquele dia e as ações que deverão ser realizadas (naquele dia ou em outro dia) a partir do que ocorreu no dia anterior.

Uma das primeiras ações, diariamente, é conferir se todos os professores estão na escola e, no caso de ausência de professor, verificar qual profissional será remanejado para qual sala, reorganizando-se os horários de aulas e a equipe disponível. Normalmente a diretora faz isso com o apoio da secretária (que realiza essa atividade na eventual ausência da diretora), e que a auxilia no contato com profissionais que não estejam na escola no momento. A EBALV tem por regra jamais dispensar o aluno.

Confere-se diariamente se há alguma documentação a ser enviada para a SME (Secretaria Municipal de Educação) (diretora e administradora) e se há alguma necessidade que apareceu nas salas de aula ou nos projetos pedagógicos (diretora e coordenadora pedagógica). Há conversas espontâneas com os professores presentes (equipe gestora e professores) e se revisa os atendimentos agendados com os pais para aquele dia. Há uma checagem diária das propostas geradas a partir do CC (conselho de classe), quando precisam ser realizadas e como está o seu andamento.

A programação de atividades didáticas de sala de aula (entre professores e crianças) é denominada de planejamento pedagógico. Semanalmente, a diretora se reúne com os professores para verificar as atividades que foram realizadas e programar as próximas. Essa atuação da diretora corresponde à função de supervisão, para a qual a escola não tem um profissional alocado e, por isso essa função é exercida pela diretora. Há uma agenda regular de reuniões e horários de atendimento: às segundas-feiras pela manhã (primeiros anos e inglês), terças-feiras à tarde (projetos extraclasse e educação física), quartas-feiras à tarde (segundos anos), quintas-feiras pela manhã (terceiros anos e música) e sextas-feiras à tarde (quartos anos). O atendimento matutino acontece entre 9h40 e meio-dia, e o atendimento vespertino é realizado entre 14h40 e 17h10.

São momentos em que os professores e a diretora conversam, mas nem sempre se utiliza todo esse tempo para as reuniões e o atendimento. Normalmente são utilizados cerca de 40 minutos para ouvir as demandas dos professores, para saber o que está acontecendo e identificar no que a equipe gestora pode ajudar. Nessas conversas, a equipe gestora constata o andamento dos projetos pedagógicos, e os professores solicitam a sua ajuda para montar atividades com um grupo de alunos, ou auxiliá-los na montagem das atividades, enfim, ajudar os professores na execução dos projetos de sala de aula. Essas são as demandas que aparecem nas reuniões de planejamento com os professores.

Para organizar os afazeres, a diretora faz um planejamento semanal do que deve ser feito naquela semana. No entanto, existem demandas diárias para a equipe gestora, como a Provinha Brasil12, a Prova Floripa13 e as saídas de estudo (atreladas aos projetos pedagógicos), “e aí cada uma toca essas atribuições, e a gente vai conversando e uma ajudando a outra” (entrevistada 4). O trabalho conjunto é um aspecto evidente na atuação da equipe gestora:

Então nós temos aqui uma equipe, somos em quatro pessoas nessa sala [administradora, diretora, coordenadora de projetos extraclasse e coordenadora pedagógica] e a gente vai se dividindo. A gente: “ah, nós temos, pra essa semana, essa festa”. Então o que que tu vais fazer, o que que tu vais fazer, o que que eu vou fazer, e as coisas vão acontecendo. (entrevistada 4) Há um padrão de reportar, para o restante da equipe (todos os membros são mulheres), tudo o que cada membro da equipe gestora faz. A comunicação é contínua e peça-chave para o andamento das atividades.

Caso alguma integrante da equipe gestora esteja sozinha e necessite tomar uma decisão, basta decidir e depois comunicar para as demais o que foi decidido, pois é perceptível o sentimento mútuo de confiança na equipe gestora. As entrevistadas mencionaram que têm sintonia para trabalhar, que se dão bem (não no sentido de amizade fora da escola, mas de harmonia no trabalho):

Não existe disputa de espaço, não é uma coisa que faça parte do nosso dia a dia. Então é tudo muito tranquilo. Ah, ontem ainda aconteceu isso. A administradora disse: “a gente tá com uma situação na cozinha”. Como a diretora estava lá na sala, [a administradora] já chamou o cara da empresa terceirizada, já conversou com ele e disse

12 Trata-se de uma “avaliação diagnóstica que visa investigar as habilidades desenvolvidas pelas crianças matriculadas no 2º ano do ensino fundamental das escolas públicas brasileiras”, composta pelas matérias de Matemática e Língua Portuguesa e aplicada duas vezes ao ano (INEP, 2017).

13 Consiste em um diagnóstico da rede de ensino, avaliando todos os estudantes, nas diferentes áreas do conhecimento. Em 2016 foi aplicada nos dias 3 e 4 de novembro (FLORIANÓPOLIS,, 2016).

pra ele que ia encaminhar isso aí e depois comunicava pra diretora. Então, assim, não tem isso: “precisa falar antes”; não. Assim, nós quatro [coordenadora de projetos extraclasse, coordenadora pedagógica, diretora e administradora] nos damos muito bem, então a coisa vai fluindo. Cada uma faz o seu trabalho, é muito tranquilo, e depois a gente repassa, assim não tem problema, sabe? (entrevistado 4)

“A gente construiu um trabalho de equipe, não é tudo perfeito, né, temos críticas aos trabalhos umas das outras, talvez, mas tudo é com muita tranquilidade...” (entrevistada 4). Mesmo quando ocorrem discordâncias dentro da equipe gestora, há abertura para a discussão e diferentes pontos de vista (há o exercício contínuo de olhar com o ponto de vista do outro), e para conversar sobre alguma atuação de alguma integrante, que destoou do que se espera da equipe:

Nós nos damos muito bem [...] inclusive quando nós discordamos, né. O fato de a gente se dar muito bem não quer dizer que a gente concorde com todas as coisas [...] Esse ano aconteceu isso, assim, num determinado momento, a [coordenadora pedagógica] precisou dar uma chamada [na diretora] e dizer: "Eu acho que não tá legal indo por aqui e tal" e isso foi muito tranquilo, sabe, foi a hora de voltar pro eixo e a coisa tomou o rumo certo. (entrevistado 4) Na convivência com essas profissionais, percebi que cada integrante da equipe gestora procura aprender com a maneira como as demais fazem. Aos poucos, com a convivência e com a experiência, reforça-se uma unidade na equipe com relação a como fazer. Isso contribui para a autonomia individual ao mesmo tempo em que contribui para que a forma de fazer se sobreponha a quem está fazendo, perpetuando-se valores e ações que já têm resultado positivo: “se [a diretora] não estiver, as coisas vão continuar trabalhando com a mesma qualidade. Isso é muito interessante, porque a gente conseguiu construir um trabalho... É claro que existe um cuidado, [...] a gente planeja junto, as decisões relevantes a gente toma todas no grande grupo” (entrevistado 4).

No entanto, o planejamento nem sempre é soberano. No ano de 2016, devido à redução da equipe gestora (por motivo de ausências e afastamentos), houve bastantes demandas emergenciais: “a gente tem muito apagado fogo, sabe, assim, corrido atrás de uma demanda” (entrevistada 4). Por exemplo, a equipe gestora normalmente reunia-se às segundas-feiras, até o ano de 2015, mas no ano de 2016 as reuniões com hora marcada cederam espaço para as conversas emergentes:

Até o ano passado, nós tínhamos o hábito, nós tínhamos um dia de uma reunião nossa. Mas isso esse ano não aconteceu. Tem acontecido de uma forma mais, como é que eu vou te dizer, mais talvez orgânica, mas a gente se reúne, a gente se encontra aqui [na sala da equipe gestora] e senta pra conversar [...] aí de acordo com a nossa necessidade, esse horário se amplia. (entrevistado 4)

As reuniões de CE/APP (conselho de escola/associação de pais e professores) fazem parte da gestão compartilhada, especialmente para que haja um momento institucional para ouvir os pais, que nesta escola são muito ativos:

[...] mas a maioria das escolas que eu trabalhei, a maior dificuldade que a gente tem é de trazer os pais pra dentro da escola. Porque nós precisamos fazer a nossa parte mas a família precisa fazer a dela. Então a gente precisa dessa parceria, porque uma criança, por exemplo, com uma dificuldade na aprendizagem, não é só a escola que tem que dar conta, tem que ver o que é que está acontecendo por trás da situação daquela criança, pra ver o que está atingindo na aprendizagem dele. Então a escola faz ali de tudo pra que a criança aprenda, mas se ela tiver com problema social, um problema em casa, provavelmente nós não vamos atingir o nosso objetivo... (entrevistado 2)

Os pais, que são sempre muito participativos, têm utilizado esses momentos para dialogar e explicitar insatisfações com relação à escola. Houve uma situação, em uma reunião de CE/APP (conselho de escola/associação de pais e professores), que um pai reclamou da

atuação de um professor de segundo ano. Respeitando as questões éticas, a equipe gestora não falou mal desse professor, mas também não minimizou a importância da participação daquele pai:

[...] é claro, que tem uma questão ética, a gente não vai falar mal da professora, mas também não é hora de: "ah, não, a professora sabe o que tá fazendo" e fechar a porta. Não, a gente escuta, sabe, a gente escuta, e se já foi feito alguma intervenção, a gente diz: "olha, nos já fizemos uma intervenção” ou “não foi feito ainda, mas é bom que vocês tragam isso”, e a gente registra e volta pra resolver. Mas os pais usam, sabe, a reunião da APP e do conselho pra trazer essas demandas. (entrevistada 4)

A gestão compartilhada abarca o aspecto avaliativo dos professores. A SME (Secretaria Municipal de Educação) exige a avaliação dos profissionais temporários14.Tal avaliação ocorre anualmente, ou a qualquer tempo, se houver algum problema. A EBALV tem uma comissão de avaliação, formada pela diretora, um representante dos professores (que hoje é a coordenadora pedagógica, que também é professora), e um especialista (que hoje é a administradora). A comissão faz a avaliação com base em um formulário no qual são registrados itens como efetividade, assiduidade, pontualidade, que fazem parte dos critérios de avaliação.

Essa comissão de avaliação, por exemplo, fica de olho nas ocorrências relacionadas aos professores. Em 2016, por exemplo, houve uma determinada professora que se ausentava diversas vezes. Juridicamente, como ela trazia atestado médico, não se justificava solicitar o cancelamento da portaria15 dela. No entanto, pedagogicamente, havia prejuízo para a escola e isso demandava uma ação. Então a comissão de avaliação (em vez da diretora ou da coordenadora isoladamente) a chamou para conversar e trouxe junto o formulário de avaliação como base para a advertência à professora. Essa professora manteve-se até a data final de sua portaria na EBALV.

14 A SME não exige avaliação dos profissionais efetivos.

15 Processo administrativo requerido pela escola à PMF para cessar as atividades do professor(a). Para que o professor volte a ministrar aulas, deverá passar pelo processo seletivo da PMF novamente.

Se há algum problema com algum professor efetivo, essa comissão de avaliação também atua. Em 2016 houve um problema com um determinado professor, que possuía processo civil ativo e isso estava impactando a escola. A comissão chamou o grupo de professores efetivos para conversar e isso ocorreu um dia antes do início oficial das atividades (as férias acabariam no dia seguinte). Mas o grupo é tão coeso que não se incomodou de comparecer a essa reunião. Todos compareceram e foram informados do que estava acontecendo. No decorrer do ano, ocorreram novas reuniões para conversar a respeito do assunto, inclusive para que se tomasse a melhor decisão junto à SME (Secretaria Municipal de Educação), até que essa situação culminou no afastamento daquele professor. Ele foi informado sobre seu afastamento pela comissão de avaliação, pois internamente, na EBALV, tudo que diz respeito aos professores substitutos, designados, ou mesmo efetivos,