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Del II Rettslige utgangspunkter og

5.4 Erstatning for krenkelse av

A percepção de liderança na EBIAS envolve diplomacia, atenção e dedicação para o outro. Saber compartilhar também foi apontado como característica de liderança e conduz o grupo para um objetivo comum; assim como é importante saber nortear o caminho para esse objetivo. Liderança agrega, junta, sugere, se põe no lugar do outro, reconhece erros e aceita mudanças. É comandar, em detrimento de mandar, e saber congregar os diferentes motivos para manter a equipe em movimento e para que permaneça junta. Liderar é trabalhar a criação e a defesa de um ideal, é dar liberdade para a equipe trabalhar e continuar o caminho junto, é descentralizar.

A EBALV percebe liderança como companheirismo e abertura para o diálogo; liberdade para o grupo se expressar e se envolver com seus membros e com o trabalho realizado; transparência, comprometimento com tudo o que se propõe a fazer, não com uma coisa somente: caminhar na direção a que se propôs, trazendo o grupo junto; com jeito, com uma maneira diferente, com diálogo aberto,

conquistando e se deixando conquistar, deixando todos darem sua opinião, escutando o outro. Assim, o grupo ganha força e união e consegue obter resultados positivos, de cumprimento do propósito, do dever, pois houve dificuldades mas o grupo conseguiu cumprir os objetivos. Caso não tenha conseguido cumprir todos os propósitos, dispõe-se a tentar novamente, para cumpri-los no ano seguinte, com transparência. Nessa escola, liderança envolve crenças compartilhadas e confiança no outro, ao invés de ordem ou chefia; é ter motivação para continuar, abertura para falar quando dará certo ou quando considera que não dará; trocar ideias para resolver impasses; é saber pedir ajuda, fazer o grupo comprar a ideia e decidir fazer junto: motivar as pessoas a fazer porque querem fazer (e não porque foram mandadas). Saber lidar com as diferentes situações que aparecem, ter calma, paciência, é dialogar, descentralizar e distribuir tarefas.

Quadro 32 – Comparativo entre os conceitos de liderança em cada escola Conceito de liderança EBIAS EBALV aceitar mudanças agregar atenção comandar conduzir o grupo dedicação descentralização diplomacia ideal liberdade manter junto motivar nortear o caminho objetivo comum pôr-se no lugar do outro reconhecer erros saber compartilhar sugerir

abertura para o diálogo calma companheirismo comprometimento confiança no outro conquista crenças compartilhadas cumprimento do objetivo descentralizar direção

disposição para tentar novamente envolvimento

escutar o outro

fazem porque querem fazer fazer junto

liberdade motivação paciência saber pedir ajuda todos dão sua opinião transparência trocar ideias união

É possível perceber que há mais diferenças do que semelhanças entre as práticas de liderança das escolas. Um olhar mais atento aos detalhes, especialmente às semelhanças, possibilita notar que a institucionalização ou a normatização do sistema de ensino (rede municipal de ensino) faz as escolas se assemelharem, e a maior semelhança está em quem realiza as práticas e nas ações decorrentes, isto é, os papeis formais cuja responsabilidade é coordenar os processos operacionais para que se cumpra o objetivo da escola. O quadro 33 resgata as semelhanças entre os elementos das práticas das duas escolas.

Quadro 33 – Semelhanças entre os elementos das práticas de liderança nas escolas

Elemento da prática Semelhanças

Quem administradora comissão de avaliação coordenadoras diretora equipe gestora/pedagógica pais professores secretária Ação acompanhar aproximar atender auxiliar avaliar chamar comprar conferir conversar coordenar distribuir entrar em contato esclarecer escolher gerar confiança identificar lançar notas mediar organizar ouvir participar planejar promover repassar informações tomar decisões Modo abertura aprendizado mútuo assistência atenção formulário não dispensar aluno projeto pedagógico representação

autonomia confiança conversas disponibilidade experiência formação reuniões senso de grupo senso de pertencimento sistema (software) unidade votação

Motivo participação/envolver a todos

visão do todo

contribuir para o processo educativo e norteá-lo

Contexto 2016 APP ausências crianças greves pais PMF polícia militar posto de saúde professores profissionais Prova Floripa rede municipal sindicato SME terceirizados Percepção de liderança descentralização nortear/dirigir liberdade fazer junto motivar

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Pode-se dizer que, na medida em que os elementos das práticas se particularizam, em que o controle da PMF (Prefeitura Municipal de Florianópolis) é menor ou inexistente, começa a se verificar um espaço maior para as diferenças entre as escolas, nesta ordem crescente de diferenciação: pessoas, ações, modos, motivos e contexto.

Vejo, portanto, que as práticas de liderança podem ou não possuir conexões diretas entre si e que os mesmos elementos podem ter atuação diferente em cada prática, isto é, a mesma ação pode estar em mais de uma prática, o mesmo modo de fazer e as mesmas pessoas podem ser combinados e compartilhados de diferentes formas em cada prática de liderança, e o mesmo item de contexto exerce influência diferenciada sobre cada prática e sobre o conjunto de práticas de uma escola. Uma representação desses aspectos pode ser vista na figura 12.

Figura 12 – Esquema genérico das práticas de liderança nas escolas

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Por fim, o contexto pode ser visto como o elemento que mais exerce influência sobre a dinâmica das escolas estudadas, notadamente no que se refere aos aspectos contextuais não institucionais (bairro, características demográficas). Ou seja, as práticas das escolas se formam mais pelo contexto em que se encontram do que pelo ambiente institucional que as formata.

Percebi que a realidade das escolas que estudei contradizem o que Lima (1998) pontuou acerca de “uma realidade imutável”, imposta pelo modelo escolar vigente. Elas se coadunam com o exposto por Oliveira (2006), pois procuram fazer o que é preciso fazer. Em ambas as escolas pude notar que há um respeito às normas da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e exigências da SME (Secretaria Municipal de Educação) e PMF (Prefeitura Municipal de Florianópolis), por exemplo, que coexiste com uma forma peculiar de gerenciá-las e de realizar suas atividades pedagógicas. Até mesmo as reuniões com os professores para programação dos conteúdos e didática são feitas de maneiras distintas em cada escola.

Com relação às verbas recebidas da PMF (Prefeitura Municipal de Florianópolis) para serem aplicadas em suas operações, o maior desafio é o de gerenciá-las de acordo com as regras de uso dos recursos e prestação de contas. Ou seja, o maior desafio é aplicar corretamente os recursos públicos, seja escolhendo adequadamente o seu destino, seja relatando essa aplicação nas datas corretas, para que novas verbas sejam

disponibilizadas. Mesmo assim, é importante criar e acionar outras fontes de arrecadação para conseguirem realizar contratações e compras que são necessárias mas não são cobertas pela PMF (Prefeitura Municipal de Florianópolis). Assim, o êxito da EBIAS e da EBALV não depende de conseguirem aumento de orçamento, mas, como apontado por Lima (1998) ou Batista Filho e Cabrera (2008), de utilizar apropriadamente os recursos em benefício do imperativo social das escolas (DRUCKER, 1986).

Pelas histórias relatadas e pelas falas dos sujeitos, as duas escolas que estudei têm credibilidade diante de suas comunidades (cada uma em seu bairro), contradizendo o exposto por Marques, Pelicioni e Bicudo Pereira (2007), Batista Filho e Cabrera (2008), Faria Filho (2010), Bittar e Bittar (2012), segundo os quais as escolas são precárias. Vejo a necessidade de expor mais o trabalho sério realizado por elas e não as responsabilizar de modo unilateral pela preparação das crianças e jovens. A família do aluno também possui responsabilidade pela sua formação e preparação cidadã.

Neste estudo, pude perceber aspectos negativos na formação do professor, excessivo aparelhamento das escolas e sua ideologização (OLIVEIRA, 2006), nas frequentes ausências dos docentes e na realização periódica e frequente de greves (aspectos que marcaram as dinâmicas de ambas as escolas em 2016), bem como a influência significativa do sindicato sobre os professores e, consequentemente, sobre o funcionamento das escolas.

Apesar disso, tanto a EBIAS quanto a EBALV estão criando maneiras próprias de se desenvolver, primando pela participação e pela autonomia. Vejo que elas podem valorizar ainda mais suas competências e assim fortalecer sua gestão, conforme recomendam Batista Filho e Cabrera (2008).

A valorização das competências passa por sustentar a gestão partilhada, que já é realidade nessas escolas. Ambas possuem práticas de liderança que envolvem suas equipes e independem da figura da diretora, ainda que esta exerça influência sobre as dinâmicas geradas e sobre a forma de se conduzir as práticas. Assim, por mais que as práticas de liderança sejam descentralizadas, a figura da diretora estará presente como um referencial de conduta e de responsabilidade para os integrantes das equipes de liderança, ratificando Cabrera, Oñate e Alfaro (2005), mas se diferenciando do que foi afirmado por Lück (2009).

Ouso dizer que vejo na abordagem da liderança como prática uma forma de valorizar o que já é feito nas escolas estudadas. E perceber o que já é feito nas escolas é encontrar um pouco de cada uma das

principais abordagens de liderança escolar: nas reuniões pedagógicas entre as equipes de liderança e os professores (liderança instrucional); na gestão participativa e na formação de vínculos (liderança transformacional); na percepção de que os alunos não são mais os mesmos (em razão de seus interesses, acesso à informação e sua relação com as tecnologias de informação – celulares, tablets e notebooks) e demandam diferentes estratégias educacionais em um contexto social diverso (liderança moral); a fusão ou o intercâmbio entre gestão escolar e liderança (liderança gerencial); na cultura da pluralidade e da inclusão (liderança pós-moderna); na colaboração entre integrantes da equipe de liderança com as demais pessoas e instituições com as quais a escola se relaciona (liderança interpessoal); nas diferentes situações de conflito, marcadas por sua imprevisibilidade (liderança contingencial); na tomada de decisões em conjunto com a comunidade (liderança participativa); na interação, autonomia e senso de união da equipe de liderança (liderança compartilhada); ou ainda na atuação de uma liderança fluida e emergente, que pode ser exercida por diversas pessoas e é descentralizada (liderança distribuída).