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Sinonímia. Denominacions Pinardia coronaria

In document Flora medicinal de les Illes Balears (sider 136-161)

Como educador a gente pode transformar esta realidade, e eu acredito que nós estamos transformando. É difícil, é lento, mas dá para fazer muita, muita coisa positiva. Por sermos nós mesmos caboclos, valorizamos nossa localidade e lutamos para melhorá-la (PROFESSORA LENE FERREIRA, 2012).

A origem da Vila Maiauatá remonta o período colonial. O surgimento da vila está totalmente relacionado ao surgimento da “festa religiosa de Nossa Senhora de Nazaré que teve seu início no ano de 1900” (LOBATO, 2000, p. 11). No início, o nome da vila era Concórdia; a vila passou a ser denominada de Vila Maiauatá, através do Decreto-lei Estadual nº 4.505, de 30 de dezembro de 1943 (LOBATO, 2000). O nome Maiauatá deriva da palavra

mbaeté, sendo mbae – coisa e eté – valor, portanto, “coisa de valor” (POMPEU, 1998).

Ilustração 16 – Vila de Maiauatá e a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré (ao fundo) Fonte: Jaime Souza

Em sua história, “já foi o maior polo de desenvolvimento do município” (MIRANDA LOBATO, 2008, p. 107), já que sua localização central propiciava a formação do “cinturão

aguardenteiro do município e consequentemente o canteiro agrícola dos canaviais” (LOBATO, 2004, p. 28).

A população que atualmente reside na vila está em, aproximadamente, oito mil habitantes (FERREIRA, 2011), e mantém viva uma forte tradição religiosa, de cunho católico que, assim como a população miriense, se reflete nas diversas festas religiosas (MIRANDA LOBATO, 2008).

O Distrito de Maiauatá é a segunda maior área/distrito de Igarapé-Miri, com aproximadamente 4.391.572.25 metros quadrados e perímetro igual a 265.503 metros quadrados, sendo, no entanto, a maior ilha do município, com grande área de várzea (LOBATO, 2000). O local está a 16 quilômetros da sede do município e está dividido em 25 quadras com aproximadamente 1.022 imóveis (IDEPLAN, 2010).

Entre todos os distritos mirienses, Maiauatá é o mais importante, oferecendo melhor infraestrutura, proporcionando “serviços importantes na melhoria de qualidade de vida, [...] e embora de forma insuficiente, já apresenta condições de trabalho e renda mais próxima da habitação, além da pesca, agricultura e serviço público, pois já existe um sistema de comércio um pouco mais desenvolvido” (IDEPLAN, 2010, p. 44). Essa aproximação com a cidade resultou em aspectos relativamente positivos, como relatados acima. No entanto, apresenta um caráter contraditório. Oliveira descreve tal contradição através de uma experiência similar à Vila de Maiauatá, advertindo que

Assim como ela pode trazer benefícios para a melhoria da qualidade de vida e de trabalho de suas populações, pode, também, contribuir significativamente para o processo de desordenação social (OLIVEIRA, 2008b, p. 39).

A professora Vânia (2012), nesse sentido, reforça a afirmação de Oliveira quando diz que

O aluno do interior é muito influenciado pelos meios de comunicação. Se os meios de comunicação estão influenciando para pintar o cabelo, eles pintam; para falar de uma forma diferente, eles falam. Então, essa influência, muitas vezes, é de uma forma negativa.

A vila está localizada em uma posição estratégica no município de Igarapé-Miri, favorecendo o transporte para a região tocantina e das ilhas adjacentes. Tal facilitação contribui para o desenvolvimento do comércio local (LOBATO, 2000). A região apresenta, ainda, uma quantidade significativa de palmito do açaizeiro (Euterpe oleracea), constituindo- se como um dos fatores que movimenta a alimentação e a economia da população local (LOBATO, 2000). Conforme aponta Ferreira, esta árvore típica na região contribui

para o desenvolvimento econômico de nossa localidade e em consequência, de nosso município, garantindo emprego e renda a mais de 120 famílias, beneficiando aproximadamente seiscentos e quarenta e cinto milheiros (645) de palmito ao mês no período de entressafra [...]. No período de safra [...], esse número [...] de beneficiamento do palmito é muito maior (FERREIRA, 2011, p. 3).

A Vila de Maiauatá faz limite com o rio Meru-Açú; seus afluentes (LOBATO, 2000) e seu solo são caracterizados e formados por áreas de “várzea inundável, ou até mesmo alagável, formando verdadeiros pântanos” (LOBATO, 2000, p. 42). Por isso, utiliza um sistema viário básico, formado por pontes de madeira e/ou concreto, onde a acessibilidade e a mobilidade se dão de forma bastante difícil e perigosa para a população, impossibilitando o acesso de ambulâncias, serviços de coleta de lixo e outros (IDEPLAN, 2010).

Ilustração 17 – Alunos caminhando pelas “ruas e avenidas” de Maiauatá Fonte: Jaime Souza

Destaca-se o fato de que para a população local, tais vias não são pontes, muito menos passarelas, mas são orgulhosamente chamadas de ruas e avenidas. Lobato expressa tal referência quando afirma:

A Vila Maiuatá, vista pela ótica de seus filhos, assemelha-se com a cidade de Veneza, na Itália; com os passeios de madeira constituindo as ruas, sob os quais apresentam-se alagados, com água vinda do Rio Meru-Açú (LOBATO, 2000, p. 51).

A iluminação pública existe e cobre parte da vila, porém é insuficiente (LOBATO, 2000). A coleta de lixo ocorre periodicamente em toda a vila, porém, também insuficiente. A energia elétrica em toda a área é gerada por fiações clandestinas, provocando constantes quedas de energia.

O saneamento básico é precário. A rede de água convive com interrupções periódicas no fornecimento e as residências não apresentam instalações sanitárias, sendo improvisadas e a céu aberto. Evidencia-se que a área é deficiente em espaços públicos de lazer e de serviços. Atualmente, possui poucos órgãos públicos, tais como um posto de saúde, três escolas e uma

praça pública. Não há quadras de esporte, creches e/ou centro comunitário (LOBATO, 2000; IDEPLAN, 2010).

É justamente nesse cenário vivenciado na Vila de Maiauatá que se localiza a Escola Professora Araci Corrêa Santa Maria. Apesar das dificuldades, há luta e esperança para que se promova uma educação de qualidade. Nesse sentido, a Professora Dilza Machado (2012) afirma que

A gente quer mudar a nossa realidade. Não é porque nós moramos numa região ribeirinha que não podemos construir coisas melhores; eles podem ser melhores, e isso se faz em sala de aula; isso é verdade, não é porque estamos no final de uma região da nossa localidade que não podemos ser melhores, alunos melhores e ter uma escola melhor.

Nesse ínterim, a ação pedagógica, realizada por professores em qualquer lugar desse país, passa, necessariamente, pelos desafios que os ambientes escolares apresentam. A escola pública, de fato, encontra-se, em boa parte do nosso país, em situação de precariedade. Portanto, realizar a prática docente exige de nós um olhar para a escola, a nossa escola, a escola onde se realiza a ação pedagógica...

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