Descripció botànica Hàbitat
30. Pistacia terebinthus
Uma pesquisa na web fornecerá uma série incontável de dados e informações significativas sobre Paulo Freire. Entre outros, apresentam projetos, obras, relatos de experiências, influências, informações etc. sobre a vida do educador. Concomitantemente, inúmeras obras de Freire foram e estão sendo traduzidas para dezenas de idiomas. Atualmente, vários institutos e cátedras sobre Paulo Freire surgem em vários países do mundo, entre eles Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Peru e Colômbia. De fato, segundo o Instituto Paulo Freire, já há uma rede internacional que integra pessoas e instituições, distribuídas em mais de 90 países, em todos os continentes, com o objetivo principal de dar continuidade e reinventar o legado de Paulo Freire. Tais constatações asseguram-nos acerca da influência que Paulo Freire exerceu e ainda exerce. Seus pensamentos, mesmo após sua morte, demonstram que, com seu trabalho, há esperança de construir uma pedagogia da libertação nos dias atuais.
Suas obras (FREIRE, 1986; 1996; 2011), invariavelmente, contribuem na perspectiva da educação popular, para a alfabetização e a conscientização política de sujeitos oprimidos e opressores. No entanto, as obras de Paulo Freire não se limitam a esses campos. Ele, por si mesmo, escreveu mais de vinte obras. Todavia, como é próprio do seu pensamento, escreveu inúmeras outras obras numa relação dialógica com educadores brasileiros e estrangeiros (FREIRE, 1986; GADOTTI, 2007). De fato, é difícil enumerar a quantidade de obras que destacam Freire e suas concepções de educação.
Freire escreveu sozinho, escreveu com outros e outros escreveram sobre ele e sua forma de pensar o ato educativo (GADOTTI, 2007; INÊS SOUZA, 2010). Não pretendemos, de forma alguma, esgotar o assunto. Aliás, parece-nos impossível que isso ocorra quando se
fala de Paulo Freire. Nossa intenção é apontar, ainda que limitadamente, algumas de suas obras que marcaram uma geração e se constituem como referência necessária para analisarmos a ação dos educadores, foco desse estudo.
Sem dúvida, sua obra mais importante foi Pedagogia do Oprimido1, escrita no exílio chileno. Freire propõe uma pedagogia relacional entre educador, educando e sociedade. Destaca-se o fato de que a obra é dedicada aos “oprimidos”; no entanto, não é para eles, mas deles, onde eles são os autores do ato de aprender a ler e escrever (FREIRE, 2011). Aliás, Paulo Freire “nunca se propôs falar em nome do povo, mas construir as alternativas junto com ele” (INÊS SOUZA, 2010, p. 53). O livro continua notório entre educadores no mundo inteiro, e é um dos fundamentos da pedagogia crítica.
Outras obras, escritas a partir de suas experiências e dos contextos em que se encontrava, merecem destaque, entre elas: Educação como prática da liberdade (2000), Ação
cultural para a liberdade (1982), Educação e mudança (1981), A importância do ato de ler
(1982), Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido (2000), A
educação na cidade (2000a), Política e educação (2000b). De fato, é complicado definir e
escolher, arbitrariamente, quais de suas obras são mais ou menos importantes. O fato é que em todas Freire parte de uma concepção do ato educativo voltado para o oprimido, para os “esfarrapados do mundo” (FREIRE, 1996, p. 14), na busca de uma educação que os liberte e os faça sujeitos do seu próprio saber.
Constata-se o fato de que, nas muitas obras de Paulo Freire, três focalizam, prioritariamente, a temática da ação pedagógica, a saber: Medo e Ousadia – O cotidiano do professor (1986), Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa (1996) e Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar (2009). No entanto, mesmo assim, em
suas outras obras, Paulo Freire destaca o processo educativo de forma dialética, relacional, envolvente, integrada, que envolve uma pluralidade de fatores, entre eles a ação pedagógica. É possível, então, ler seus princípios e concepções a partir de uma releitura do, para e com o professor em sua tarefa educativa.
Outros autores lêem e relêem Paulo Freire, realizando, a partir de seus escritos, inúmeras inferências sobre o ato educativo. Entre outros, devidamente relacionados nas referências, destacamos: Arroyo (2010), Francisco Souza (2002), Brandão (2005, 2010), Gadotti (2006, 2007), Oliveira (2003; 2006; 2007ª; 2007b; 2008ª; 2008b; 2009; 2010ª; 2010b; 2010c) e Inês Souza (2010).
1 Há indícios de que o livro “Pedagogia do Oprimido” já foi traduzido para mais de 20 idiomas, e, em inglês, já ultrapassou a tiragem de 500 mil exemplares.
Paulo Freire tornou-se uma inspiração para uma geração de professores, especialmente em países latinos e africanos. É, portanto, a partir de suas reflexões que pretendemos investigar como Freire percebia a ação pedagógica e a forma que ele, dialogicamente, desenvolvia e percorria uma caminhada coletiva, com o professor, e não para ele. É uma educação que não pode se desenvolver no “isolamento, no individualismo, mas na comunhão, na solidariedade dos existires” (FREIRE, 2011, p. 105).
Várias categorias são contempladas por Freire em suas obras. Aspectos como diálogo, libertação, contextualização, ousadia, ética, amor, entre outros, são assuntos constantemente abordados (FREIRE, 1996, 2011). Estas expressões caracterizam um estilo que é inerente ao autor. É impossível separar, dicotomizar, fragmentar ou dividir tais conceitos. Todas as categorias estão sempre em relação; portanto, se “tomadas isoladamente não dizem nada do método” (FREIRE, 2011, p. 13).
É, dessa maneira, um mosaico de múltiplas relações, um vaivém dos seus temas. Às vezes, pode parecer repetitivo e/ou redundante, já que Freire nunca parte do zero. Suas ideias, sempre em relação, são retomadas, aprofundadas e desenvolvidas constantemente (INÊS SOUZA, 2010). A repetição existe, mas ela é intencional, já que “nenhuma palavra é, em seu texto, colocada ao acaso, nenhuma expressão é injustificada, assim como nenhuma repetição é redundante, excessiva ou desnecessária” (VASCONCELOS e BRITO, 2009, p. 22).
É por isso que, enquanto fala, por exemplo, sobre uma educação libertadora, faz-se necessário falar sobre o diálogo. Quando se fala do diálogo, esse surge porque houve uma postura ética. Se há ética, é porque foi fundamentada no amor. O amor só se concretiza porque realiza uma educação libertadora. Enfim, como se percebe, os temas estão em relação, são interdependentes, indissociáveis.
Nesse sentido, a concepção de educação para Freire é abrangente, indo além dos ambientes escolares. Oliveira (2003) indica que, em Freire, educação é um ato político; é um processo de conscientização crítica; é um ato libertador; é um ato que pretende a humanização; é um ato de problematização e transformação da realidade social; é um ato de respeito, ética e compromisso; é um ato de indignação e esperança, tornando-se, assim, “uma pedagogia do oprimido, instrumento de desalienação e de libertação de homens e mulheres que passam a refletir sobre a sua condição de explorados” (OLIVEIRA, 2003, p. 25), passando, então, a serem sujeitos, e não mais meros receptores da educação.
Ratifica-se, dessa forma, a importância da concepção dialética, própria de Paulo Freire. Ele, em suas próprias palavras destaca que “é preciso deixar claro que, em coerência com a posição dialética em que me ponho, [...] percebo as relações mundo-consciência-
prática-teoria-leitura-do-mundo-leitura-da-palavra-contexto-texto” (FREIRE, 2000, p. 106). Portanto, a dialética para Freire se estabelece na relação dos seres humanos, entre si e com o mundo, e é esta relação que
possibilita a sua característica existencial de “sujeito” do conhecimento, da história e da cultura. É um sujeito que existe no mundo e com o mundo, [...] situado em um contexto histórico-social estabelecendo relações dialéticas com os outros seres (OLIVEIRA, 2003, p. 23).
É a partir dessa concepção que, então, pretendemos discorrer por algumas categorias inerentes a Paulo Freire na perspectiva da ação pedagógica e seu legado para o ato educativo; no entanto, cientes de que apesar de uma divisão necessária, para uma melhor estética e didática, as categorias estão sempre em relação e inter-relação. Sendo assim, quando discorrermos sobre um aspecto, certamente outros serão contemplados, concomitantemente.