Igarapé-Miri é um município paraense, situado a 78 quilômetros da capital do Estado, na mesorregião do Nordeste Paraense, microrregião de Cametá, com as seguintes coordenadas geográficas: 01º97'30" de latitude e 48º95'35" de longitude, contendo uma área
territorial de 2000,7 quilômetros quadrados, possuindo 58.023 habitantes, com crescimento de 10% em relação ao censo de 2000, de acordo com informações do IBGE (2010).
A cidade está localizada na região denominada como Baixo Tocantins, que se constitui pelos seguintes municípios paraenses: Baião, Mocajuba, Cametá, Igarapé-Miri e Limoeiro do Ajuru. Todos estes estão situados na jusante do rio Tocantins e da barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (IDESP, 2011).
O município é conhecido e reconhecido como a capital mundial do açaí, visto que é o município com maior produção mundial do fruto, portanto, se constitui, “atualmente a maior fonte de renda da população” (MIRANDA LOBATO, 2008, p. 20). As ilustrações que precedem demonstram o fruto e sua importância para a comunidade local. O fruto representa a possibilidade de remuneração e sustento, como, também, o alimento diário (como, por exemplo, o mingau de açaí), sendo indispensável na culinária miriense.
Ilustração 2 – Açaí: fruto típico da região Fonte: Jaime Souza
Ilustração 3 – Mingau de Açaí Fonte: Jaime Souza
Outrora conhecida como “a cidade das palmeiras imperiais” (LOBATO, 2004, p. 13), o nome atual do município deriva de nomes indígenas, fato muito comum na região amazônica. Traduzido do tupi-guarani, significa igara = canoa, pé = caminho, miri = pequeno.
Ilustração 4 – Mapa da localização de Igarapé-Miri dentro do Estado do Pará Fonte: http://pt.wikipedia.org
Conforme o censo do IBGE (2010), em Igarapé-Miri vivem 58.023 pessoas. O aspecto interessante é a forte presença rural (onde estão contemplados os ribeirinhos), representando mais da metade da população municipal, conforme é possível perceber na tabela abaixo:
IGARAPÉ-MIRI/PA
População
Urbana Rural
26.209 31.814
45,17% 54,83%
Tabela 1 – População municipal – Comparativo urbano X rural
Fonte: IBGE (2010)
No aspecto geográfico, o município de Igarapé-Miri (sede) está atualmente dividido em oito distritos administrativos, sendo eles: Distrito de Anapu, com sede na Vila de Menino Deus; Distrito de Pindobal Grande, com sede na Vila de São José; Distrito de Alto Meruu, com sede na Vila de Santa Maria do Icatu; Distrito de Caji, com sede na Vila de Igarapezinho; Distrito de Igarapé-Miri, com sede na Cidade de Igarapé-Miri; Distrito de Maiauatá, com sede na Vila de Maiauatá; Distrito de Panacauera, com sede na Vila de Cara Fina, e o Distrito de Meruu-Açu, com sede na Vila Mutirão (IDEPLAN, 2010).
3.1.3 Caracterizando o contexto de Igarapé-Miri/PA
A Amazônia é caracterizada por contemplar grande extensão territorial, se acrescentar- se a significativa presença de diversos tipos de rios (GONÇALVES, 2010). Na região tocantina, tal configuração também é uma realidade, destacando-se como uma região marcada pela forte presença de aspectos hidrográficos. Neste contexto, destaca-se o município de Igarapé-Miri, que se caracteriza, também, pela expressiva influência que exercem os rios sobre o modus vivendi da população, já que “parte da população está concentrada nas regiões das ilhas” (FERREIRA, 2011, p. 5). Os rios Igarapé-Miri e Maiauatá, além de algumas ilhas, como de Serraria, Cueca e Cuequinha, são marcantes na geografia do município (IDEPLAN, 2010).No entanto,
O principal rio de Igarapé-Miri é o Meruú, coletor de quase toda a bacia hidrográfica do Município. Seus principais afluentes pela margem direita são o rio Igarapé-Miri, em cuja margem está localizada a sede municipal, e o rio Itanambuca, que limita o Município, a nordeste, com Abaetetuba. Pela margem esquerda, o principal rio é o Cagi, limite natural a sudoeste, com o município de Cametá, desde as nascentes até seu curso médio. O rio Maiauatá, que banha a Vila do mesmo nome, serve de ligação entre o rio Meruú e a foz do rio Tocantins (IDESP, 2011, p. 8).
Por tais características hidrográficas, conforme ilustração cinco, o município é contemplado por cerca de cem ilhas, banhadas pelas águas do rio Tocantins, entrecortadas por uma série de outros pequenos rios conhecidos como furos e/ou igarapés (MIRANDA LOBATO, 2008). A cidade, portanto, apesar de apresentar relativos aspectos urbanísticos, é considerada como uma “sub-região tradicionalmente ribeirinha” (IDEPLAN, 2010, p. 25). Tal concepção é importante porque o desenvolvimento urbano do município perpassa, minimamente, por concepções infraestruturais próprias às cidades ribeirinhas.
Ilustração 5 – Mapa hidrográfico de Igarapé-Miri/PA Fonte: IDEPLAN (2010)
Neste sentido, a ligação com o rio é significativa e marcante, caracterizando a identidade local e interferindo na dinâmica econômica/social da região. A própria formação da cidade se dá a partir das margens dos rios, fazendo com que o padrão de estruturação urbana tenha como referência principal as vias fluviais (PDM, 2006). Em relação à disposição territorial, “pode-se dizer que o município tem a via fluvial como elemento orientador do traçado, considerando-se este como padrão de ordenamento do tipo ribeirinho” (IDEPLAN, 2010, p. 37). Tal característica é muito comum no desenvolvimento das cidades localizadas no Baixo Tocantins, conforme aponta o relatório do Diagnóstico Regional do Plano Diretor Municipal quando diz que
O padrão dendrítico[2] conferido à rede urbana do Baixo Tocantins está relacionado ao sentido da penetração do colonizador e à conquista do território amazônico. Nessa perspectiva era importante e estratégico que as cidades estivessem junto às margens dos rios. Também se fazia necessário estabelecer uma unidade entre o povoamento, os rios e os destinos dos fluxos. As áreas portuárias dessas cidades cumpriam assim um papel fundamental que até hoje estão presentes como espaços mais dinâmicos dessas pequenas cidades (PDM, 2006, p. 30).
Diferenciado pela presença de rios, igarapés e furos, o município apresenta uma região predominantemente “caracterizada por matas de terra firme e várzeas” (MIRANDA
2 Dendrítico é um regime hidrográfico fluvial caracterizado por uma grande quantidade de afluentes e subafluentes.
LOBATO, 2008, p. 20). Em relação ao terreno, uma “média de 63% está em áreas alagáveis, tanto na sede quanto nos distritos, entretanto nos distritos existem localidades ribeirinhas que são permanentemente alagadas” (IDEPLAN, 2010, p. 97). Estas áreas apresentam uma vegetação característica de “espécies hidrófilas (que gostam de água), latifoliadas (de folhas largas), intercaladas com palmeiras” (IDESP, 2011, p. 8), com destaque especial ao açaí, que, como já relatado anteriormente, contribui para que o município seja reconhecido como o maior produtor e exportador do produto (LOBATO, 2004), sendo, portanto, de grande importância para a economia e alimentação da população miriense. A produção média do açaí nesta última década variou entre 6 a 9 toneladas/ano (IDESP, 2011).