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In document Kap. 1 Innledning (sider 171-174)

Para Chua (1986) são os pressupostos teóricos e filosóficos do investigador que determinam o paradigma teórico da investigação que serve de princípio orientador aos resultados da pesquisa. Na investigação em contabilidade podem ser adotadas diferentes perspetivas teóricas, de forma a explicar as práticas contabilísticas e cada uma delas oferece diferentes perceções (Hoque, 2006). A forma como o investigador aborda a natureza do fenómeno a estudar afeta a forma de obtenção do conhecimento (Vieira, 2009).

As práticas contabilísticas são objeto de estudo há várias décadas e as metodologias utilizadas na investigação da contabilidade têm vindo a diversificar-se nos últimos tempos. Na segunda metade do séc. XX, a abordagem tradicional foi sendo substituída por novas abordagens a que se chama “Nova História da Contabilidade”.

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Segundo Stewart (1992, p. 61) tradicionalmente a história da contabilidade era examinada e compreendida como o reflexo da ascensão do capitalismo ou da industrialização. A contabilidade desenvolvia-se e adaptava-se aos vários negócios e necessidades das organizações, estava em constante mudança e evolução. Com a “Nova História da Contabilidade” a contabilidade é analisada no seu contexto social e organizacional (Hopwood e Miller, 1994; Carnegie e Napier, 1996, 2012; Gomes, 2008), não é um fenómeno autónomo mas é influenciada por fatores sociais, políticos e económicos (Hopwood, 1990, p.8). O contexto social e político da contabilidade passou a ser tão importante como o contexto técnico e económico (Stewart, 1992, p.57).

Hopwood e Miller (1994) entendem a contabilidade como uma prática social e institucional, na medida em que a contabilidade é vista como uma tecnologia, uma forma de intervenção para fazer agir indivíduos, ela concede visibilidade aos eventos e processos contribuindo assim para mudá-los. Segundo os mesmos autores, a contabilidade foi moldada ao longo dos tempos por pressões e inovações da sociedade. Estas pressões foram exercidas devido a conflitos de interesses e influenciaram as práticas contabilísticas.

Por outro lado, a contabilidade também pode ser considerada um “dispositivo de legitimação” (Potter, 2005). Para este autor, quem adota esta vertente tende a retratar o papel influente que a contabilidade ocupa no desenvolvimento das sociedades racionais, identificando-a como um meio eficaz ao alcance das organizações na resposta às pressões da envolvente organizacional por forma a aumentar a sua legitimidade.

O investigador pode optar pela investigação narrativa ou descritiva, seguindo a linha dos historiadores que defendem que “os factos falam por si mesmos”, ou optar pela investigação interpretativa e segue a linha dos historiadores que defendem que se deve “procurar identificar e classificar a informação de uma forma sistemática de acordo com explicações e interpretações sobre o objeto de pesquisa histórico” (Gomes e Rodrigues, 2009, p.231). Neste contexto, neste trabalho será utilizado o estudo interpretativo, que vai ser explicado de seguida.

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3.1.1. Estudo interpretativo

O paradigma teórico inerente a este estudo é o da investigação interpretativa (Hopper e Powell, 1985; Chua, 1986). A investigação interpretativa preocupa-se em compreender a natureza social das práticas contabilísticas e analisar fenómenos sociais. O seu objetivo é compreender os acontecimentos diários, as estruturas sociais e os significados que as pessoas atribuem aos seus comportamentos e aos dos outros (Vieira, 2009). Ainda segundo o mesmo autor, os pressupostos do paradigma interpretativo assumem uma visão subjetiva dos fenómenos contabilísticos, tentando compreender as interações que neles ocorrem.

As práticas contabilísticas são construídas socialmente e são influenciadas pelos próprios atores sociais (Ryan et al., 2002). Ainda segundo os mesmos autores, a realidade é entendida como o resultado de um processo de construção social e assume-se que os atores sociais podem alterar as regras sociais e as práticas que guiam os seus comportamentos, as práticas sociais, não são um fenómeno natural, mas antes um fenómeno socialmente construído. Na investigação interpretativa procura-se identificar e classificar a informação e utiliza-se os factos para suportar uma hipótese sobre o fenómeno a ser estudado (Previts et al., 1990).

Atualmente considera-se que a investigação qualitativa está particularmente associada à investigação interpretativa, interpretando-a no seu contexto e sob o ponto de vista dos seus intervenientes (Vieira, 2009). Assim, neste estudo sobre as práticas de contabilidade e de relato financeiro na Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses os métodos qualitativos são os mais adequados para tentar explicar os fenómenos em estudo.

3.1.2. Estudo caso

De acordo com Yin (2009) o estudo de caso tem sido largamente utilizado na investigação em ciências sociais com o intuito de se compreender a complexidade dos fenómenos sociais, ou seja, quando procuramos compreender, explorar ou descrever acontecimentos e contextos complexos, nos quais estão simultaneamente envolvidos

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diversos fatores. O estudo de caso tem ganho aceitação como método de investigação na área da contabilidade (Ryan et al., 2002, p.142), sendo particularmente adequado para a pesquisa histórica devido à ênfase na análise holística, permitindo que o investigador olhe para os problemas como um todo (Previts et al., 1990).

Pelo facto de este estudo se debruçar sobre uma instituição, e procurar explicar a organização da sua contabilidade, considera-se adequado utilizar o método de estudo de caso, pois este tenta explicar o “como” e “porquê” de determinados acontecimentos (George e Bennett, 2004; Yin, 2009). Neste estudo pretende-se estudar a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses e compreender “como e “porquê” eram utilizadas as práticas contabilísticas e de relato financeiro da empresa.

Yin (2009, p.18) afirma que “um estudo de caso é uma inquirição empírica que investiga um fenómeno contemporâneo em profundidade e dentro do seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre fenómeno e contexto não são claramente evidentes”, quando o investigador não tem total controlo pelos acontecimentos reais e quando o campo de investigação se concentra num fenómeno natural.

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