• No results found

9 Forankring, kompetansebygging og andre effekter

9.2 Samordning som måloppnåelse

grande aventura, mesmo que em vida jamais realizada. Se a velha chama se apagou, o amor é tudo o que não se pode deixar para trás. Por isso, fazer flutuar a morada de sempre e carregá-la suspensa por balões por sobre as costas é o mínimo que se pode fazer.

Toda a vida de Carl Fredericksen foi dedicada sua esposa Ellie. Conheceram-se

ainda criança, ela o instigando em sua timidez indissociável. Eles, juntos, nas pequenas tarefas domésticas, nas pequenas conquistas e nas tragédias cotidianas da vida a dois, madura e repleta de pequenos momentos em princípio tão insignificantes, depois tão memoráveis. Carl e Ellie, sempre juntos, no intento jamais realizado de conhecer o Paraíso das Cachoeiras, situado na longínqua Venezuela.

E é lá que o herói de infância de ambos, o ganancioso explorador Charles Muntz, vive recluso em busca da grande ave que restituirá sua glória perdida e desbotada de grande desbravador.

Um amor de vida inteira que, por construção conjunta da vida a dois, despreza as altas aventuras em prol da segurança material, representada pelo cofre sempre esvaziado para o custeio das necessidades diárias. Até que chega a velhice. E na hora de concretizar o sonho registrado desde a infância no álbum dos desbravadores juvenis, a amada falece. Carl compra a passagem para a tão esperada visita ao Paraíso das Cachoeiras, mas já é tarde demais. O bilhete fica inválido, pois Ellie morreu.

Viúvo, sobra-lhe a solidão e a especulação imobiliária que o faz réu por agressão contra quem quer lhe tirar de sua casa e obriga-lo a ir para o fim em um asilo. Resta-lhe também um menino gordinho e escoteiro tão carente quanto Carl, a espera de uma medalha que um pai ausente nunca lhe entregará mediante a solidão de um amor paterno jamais sentido ou vivenciado pelo garoto.

Diante de tanto tédio e desrazão, um ato de amor e de devoção faz o velho se livrar das amarras concretas ou imaginadas: na iminência de ir por consentimento forçado para o temido asilo, o vendedor de balões Carl Fredericksen faz sua casa flutuar amparada em incontáveis balões que sobem ao ar plenos de gás hélio. O destino é, final mas não tardiamente, o venezuelano Paraíso das Cachoeiras.

Mas o menino escoteiro, de nome Russell, sem querer embarca na viagem. Que trará surpresas e descobertas para todos.

Enfrentando tempestades e intempéries, Carl Fredericksen e Russell avistam o tão aguardado Paraíso. A promessa que o viúvo fez à esposa morta esta prestes a se concretizar. O marido vai fincar a casa no local imaginado e querido desde a infância. Findará seus dias feliz por ter, mesmo post mortem, realizado o desejo de ambos, dele mesmo e da esposa falecida, que fundiam-se em um só como amigos, companheiros e amantes. De quebra, Russell realizará a tarefa do escoteiro de ajudar um idoso e, assim, ganhar a medalha que em sua mente resgatará o amor de seu pai sempre ausente.

Só que o pouso se dá em local diferente do apropriado, e cabe à dupla inusitada “carregar” a casa suspensa por balões até a proximidade da cachoeira. Só que, no caminho,

cães com coleiras eletrônicas que os permitem falar interceptam a dupla. Só que, sem advertência, cobiça

ou intenção, Carl e Russell encontraram o que Charles Muntz buscou, também, por toda a vida: a ave gigante e colorida, fruto da avidez de décadas do explorador mítico.

Um embate entre Carl e Muntz se inicia. O viúvo vendedor de balões logo descobre que o ídolo da infância é um vilão sem caráter, repleto de cobiça e soberba. Em questão, coloca-se ou realizar o desejo de Ellie primando por firmar morada no Paraíso das Cachoeiras, ou salvar a rara espécie de ave da ânsia do explorador.

Posto o conflito, Carl se decide pela missão de vida em defesa da quase extinta e ameaçada ave Narceja, abandonado a casa que carregara no local desejado, e se lançando por inteiro na luta contra a famigerada sanha do antigo ídolo Charles Muntz. E o menino ingênuo Russell se torna um auxiliar importante nesta missão.

Um amor de vida inteira que, por uma contingência, vê seus planos alterados. No embate entre Carl Fredericksen e Charles Muntz, o vendedor de balões vence. A ave se vê livre para viver e se multiplicar no Paraíso das Cachoeiras. A casa do casal, solitária, ficará fincada no solo do Paraíso como registro da missão cumprida, mesmo que com atraso de décadas e de vidas, porém jamais sem paixão, e com restos de remorso acumulados pelo tempo perdido.

Na volta para casa, novos aprendizados e a redescoberta de novos amores e novos horizontes. Os quais, certamente, perdurarão para a vida inteira da dupla. E Russell será o epicentro desta nova devoção. Carl, que nunca teve filhos com Ellie e viveu a dor do luto de um filho natimorto, assume, aos poucos, a figura paterna que para o pequeno escoteiro permanece e permanecerá distante.

O ranzinza vendedor de balões, viúvo após um amor de vida inteira, vai, aos poucos, reaprendendo a sentir. Volta a sorrir e passa seus dias a brincar com Russell, seu filho não concebido, mas vivente por obra do acaso, por força de uma grande e alta aventura.

A vida com Ellie ganha sentido, mesmo que paradoxalmente sem a presença física de Ellie. Carl Fredericksen já é outro. O passado não mais lhe pesa e o futuro, o devir, o aguarda com um amor de vida inteira que não morreu, mas que, sim, transmutou-se.

Prova de que, em matéria de viver, o caos e o acaso revelam incertezas. E é necessário vive-las, justamente, para experimentá-las.