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Sammenfatning av bildesemiotikk

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2 Anvendelse av to hjelpedisipliner – bildesemiotikk og retorikk

2.1.5 Sammenfatning av bildesemiotikk

Depois de 33 meses de guerra — de julho de 1936 a abril de 1939 —, tiveram início quatro décadas de ditadura do General Francisco Franco, considerado o vencedor da guerra de Espanha. Com a ditadura franquista, além da volta da censura, da

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proibição de partidos, de perseguições aos grupos de esquerda e republicanos, as reformas sociais da República foram abolidas e a Igreja retomou sua importância e força junto ao Estado, e reforçou sua influência social com a volta da educação e serviços assistenciais às mãos do clero, que por sua vez voltou a ser financiado pelo governo. No final da guerra, o discurso da vitória de Franco deu um panorama do que foi o conflito, segundo ele, e o que se podia esperar dos próximos anos da Espanha sob seu governo:

Eu quis, espanhóis, que a unidade sagrada que anima o seu comum entusiasmo, e pelo fervor da obra de nossos combatentes, não cairá jamais; foi a base de nossa Vitória, e nela se apóia o edifício de nova Espanha. [...] Eu não posso lhes ocultar os perigos que ainda espreita, nossa Pátria. Terminou o front da guerra, mas continua a luta em outro campo. A Vitória se malograria se não continuássemos com a tensão e a inquietude dos dias heróicos, se desejássemos a liberdade de ação para os eternos dissidentes, para os rancorosos, para os egoístas, para os defensores de uma economia liberal que facilitava a exploração dos fracos pelos mais fortes. [...] Muito foi o sangue derramado e muito custou às mães espanholas nossa Santa Cruzada para que permitamos que a Vitória possa se frustrar pelos agentes estrangeiros infiltrados nas Empresas ou pelo lento murmurar das pessoas mesquinhas e sem horizontes. [...] Para esta grande etapa da reconstrução da Espanha necessitamos que ninguém pense em voltar a normalidade anterior; nossa normalidade não são os cassinos, nem os pequenos grupos, nem os trabalhos parciais. Nossa normalidade é o trabalho abnegado e duro de cada dia para fazer uma Pátria nova e grande e verdade. [...] Mas, para coroar nossa grande obra precisamos que a Vitória militar acompanhe a política; não basta ordenar a unidade sagrada, faz falta trabalhar-la, levar a doutrina e as novas consignas para todos os lugares, que vocês sejam os colaboradores da nova empresa, da qual são forças de choque a juventude heróica13[…].

A vitória da Falange de Franco e o exílio dos vencidos provocaram a inviabilidade de, pelo menos até 1975, se escrever uma história do conflito que contemplasse também os pontos de vista dos perdedores. Além da censura, a cultura saneadora imposta pelo franquismo corresponde ao silêncio dos perdedores, e, curiosamente, este vazio foi preenchido pela historiografia estrangeira que, em muitos casos mesmo da esquerda, "desespanholizou" os argumentos. Esse foi o caso da morte de Lorca. Seu assassinato até hoje é muito mais relacionado a sua homossexualidade ou

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a elementos de sua vida pessoal do que a uma resposta do pensamento franquista à postura política do escritor.

Em especial nos primeiros anos de ditadura, Franco daria continuidade rigorosamente à perseguição àqueles que, de qualquer maneira, pudessem se colocar contra o regime. Muitos presos foram mortos, outros tantos exilados, e muitos dos que puderam deixaram a Espanha; os bens daqueles que ficaram foram confiscados, e seus direitos civis, cerceados. Mais adiante, no final da década de 1940 e início de 50, com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Espanha começou a sofrer boicotes internacionais, e nesse cenário, no ano de 1953, o Estado franquista assinou a Concordata de Santa Sé, regulamentando as relações Igreja-Estado, como os limites das dioceses, a educação nas mãos do clero, assuntos relacionados às leis matrimoniais, ajudas financeiras do governo para a Igreja, entre outros pontos. A ditadura seguiu até a morte de Franco, em 1975, quando foi restaurada a monarquia constitucional, sendo promulgada a nova constituição em 1978. Ao longo dos 36 anos de regime franquista, sob o silêncio da ditadura, somente fora da Espanha a guerra espanhola pôde ser olhada desde muitos pontos de vista, não apenas pela ótica dos falangistas, No entanto, as conclusões viram- se limitadas pela falta de acesso a fontes primárias, afinal, o ideal de limpeza — da memória, do passado, dos indesejáveis — imposto pelo regime do General Franco, pautado no terror, em muitas partes da Espanha vigora até os dias de hoje. Além disso, os perdedores não puderam levar consigo suas bases documentais. Porém, o fato de a Guerra Civil Espanhola ter atingido um grande contingente de jornalistas, escritores e artistas fez com que o movimento ganhasse visibilidade mundial. Além disso, o cinema e as revistas ensaísticas foram, aos poucos, disseminando uma série de saberes que se completavam, possibilitando uma interpretação dos vencidos em relação à Guerra Civil Espanhola.

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A Guerra Civil Espanhola foi, principalmente, um conflito local, uma tentativa de resolver, por meios militares, um grande número de questões sociais e políticas que estiveram presentes entre os espanhóis por várias gerações. Essa guerra está profundamente enraizada na história do país, no fanatismo religioso, em grande parte inspirado na legendária Reconquista e nos 800 anos de lutas para expulsar os mouros da península, no confronto entre o centralismo estatal e os nacionalismos periféricos, nas guerras civis do século XIX, travadas entre carlistas e liberais. Seria possível afirmar também que as sementes do conflito foram plantadas durante o meio século de existência do regime anterior, na Monarquia Bourbon restaurada, de dezembro de 1874 a abril de 1931 (SALVADÓ, 2008, p. 9). Mais modernamente, temas como reforma agrária, centralismo versus autonomia regional e papel da Igreja Católica e das Forças Armadas foram agregando elementos que fizeram eclodir a guerra.

Enquanto os nacionalistas acreditavam que seu dever era a luta em defesa da civilização cristã contra a barbárie comunista, para os milhões de voluntários que lutaram pela República, a Espanha representava a última grande causa — a resistência final contra as forças aparentemente invencíveis do fascismo e da reação política que arrebatou o continente nos anos entreguerras. Alguns estudiosos explicam a Guerra Civil Espanhola como uma consequência da Primeira Guerra Mundial — somado a isso ao agravamento de problemas internos não resolvidos anteriormente — e uma prévia do que seria a Segunda Guerra Mundial, caracterizando a guerra de Espanha muito mais como uma ―guerra de intelectuais‖, de pensadores de diversos campos do conhecimento e de procedência variadas.

De certa forma, a polarização política mundial desde o fim da Primeira Guerra, a participação de expressivos intelectuais envolvidos no esforço de reflexão

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pública sobre o papel do conhecimento na construção de um novo ideário social e o miliciamento de estrangeiros que deram características emblemáticas às tensões da Guerra Civil, colaboram para que, muitas vezes, se ignorem os fatores ―espanhóis‖ da Guerra Civil Espanhola, fatores estes que estavam presentes muito antes do envolvimento de outros países. Há autores que qualificam a Espanha de antes da Guerra como uma sociedade atrasada, em descompasso com o resto do mundo civilizado, moderno e progressista. Em contraste, existem aqueles que percebem a Espanha da década de 30 deste século, como uma sociedade evoluída em termos de relação de produção e trabalho, particularmente no que toca à questão sindical e à autogestão. Assim, simplesmente internacionalizar a Guerra Civil a partir do projeto político- partidário ignora o caráter revolucionário presente no país, fruto de sua história.

Porém, também é questionável o determinismo histórico e a inevitabilidade do conflito. Francisco Salvadó (2008) é um dos que refuta quaisquer ideias de determinismo histórico e de inevitabilidade do conflito. Segundo Salvadó, a despeito do que foi dito pelos oficiais rebeldes, a guerra não foi inevitável, mas sim produto de um golpe ilegal e de seu posterior fracasso parcial que gerou a revolução. Salvadó ainda completa que os pretextos dos conspiradores para justificar sua rebelião eram inaceitáveis. É inquestionável que em 1936 ocorriam tumultos sociais e violência nas ruas, mas a situação não era pior do que em outras épocas da Monarquia. Além disso, como na ascensão fascista ao poder na Itália e na Alemanha, o colapso da ordem pública foi em grande medida causado por sujeitos de direita. Segundo o historiador, ―a maioria dos espanhóis não queria a guerra. Pelo contrário, foram surpreendidos pelo horror e pela tragédia diante de seus olhos‖ (SALVADÓ, 2008, p. 10).

O conflito espanhol foi a batalha mais atroz de uma guerra civil europeia a atingir o continente, desde a conquista do poder pelos bolcheviques em outubro de 1917, a

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ascensão do fascismo na Itália, a tomada da Alemanha pelos nazistas e o estabelecimento de ditaduras monarquistas e militares por toda a Europa central e oriental. A Guerra Civil devastou o país, execuções em massa de prisioneiros eram realizadas dos dois lados, com uma ferocidade que parecia confirmar para o mundo a reputação de fanatismo dos espanhóis. Além disso, as incursões das Brigadas Internacionais tornaram-se legendárias, levando o conflito para muitos outros países, que se tornavam palco de batalhas, e não apenas interventores na Guerra de Espanha.

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Capítulo 2

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