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Bildesemiotikk versus kunst-tradisjonen

In document Metaforbasert tegning  (sider 74-80)

2 Anvendelse av to hjelpedisipliner – bildesemiotikk og retorikk

2.1.2 Bildesemiotikk versus kunst-tradisjonen

O regime monárquico, frágil, organizaou eleições, apesar dos riscos evidentes, em busca de alguma base para o poder do rei. O rei apelou às urnas, prometendo o restabelecimento das garantias constitucionais suspensas durante a ditadura, certamente acreditando que o êxito que logrou sobre o ditador Primo de Rivera se repetiria. Além disso, esperava que as estruturas espanholas tradicionais, construídas sobre o reinado de ―caciques‖, assegurariam sua vitória. Um pouco antes das eleições se realizaram, violentos distúrbios estudantis colocaram a guarda civil na defensiva e anunciavam a atmosfera exuberante que circundaria as eleições; acabaram por adquirir caráter de plebiscito.

Para surpresa geral, as eleições municipais contaram com quórum excepcionalmente alto, garantindo a maioria esmagadora de votos para os republicanos nas grandes cidades, principalmente em Madri e Barcelona. Em 12 de abril de 1930, quando começaram a se desenhar os resultados finais das urnas, já era claro que, em todas as cidades grandes da Espanha, os candidatos que apoiavam a monarquia haviam sido derrotados. A pequena burguesia também votou em massa contra a Monarquia, porém, na zona rural a monarquia conseguiu suficientes cadeiras para assegurar uma maioria no conjunto do país, apesar de que nessas regiões era evidente que os coronéis tinham força para impedir a idoneidade da apuração dos votos. Apesar de todas as manobras dos setores direitistas, militares e monárquicos, na tarde de 14 de abril as multidões, cansadas dos setes anos de ditadura, inundaram as ruas de Madri, festejando a chegada da Segunda República Espanhola e pedindo aos gritos a renúncia do rei.

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O governo, intimidado, sugeriu ao rei que aceitasse o conselho dos lideres republicanos e que abandonasse a capital ―antes do pôr do Sol‖. O então Rei Alfonso fez a seguinte declaração no momento de sua retirada:

As eleições celebradas no domingo me mostram, claramente, que hoje não tenho o amor do meu povo [...] eu poderia encontrar meios de sobra para manter minhas prerrogativas regentes, obrigando a ceder, de maneira eficaz, quem as combatem. Mas, decididamente, quero me afastar do que possa lançar a um compatriota contra outro, em fratricida guerra civil [...] (apud GIBSON, 1992, p. 53).

A Guerra Civil não era uma longínqua ameaça, mas uma situação latente que só esperava o momento oportuno para eclodir. Tampouco era simplesmente a influência de elementos externos à Espanha, um conflito ideológico internacional que se expressou no âmbito interno, mas sim um amontoado de questões daquele país, daquele povo, de sua cultura e história, que foi aproveitado pelas relações europeias daquele cenário que antecedia a Segunda Guerra Mundial no momento da eclosão da Guerra Civil Espanhola.

Mas, antes do conflito civil, a Espanha herdada pela República apresentava uma economia agrária sobre a qual gravitava a questão da reforma da terra; uma Igreja poderosa, considerada como um dos maiores latifundiários da Espanha da época, e cujo poder espiritual, por muitos anos, se confundiu com o poder temporal; um exército que durante o primeiro terço do século XX havia escorregado para o militarismo; algumas províncias em destaque, como a Galícia e a Catalunha; uma minoria intelectual cuja preparação contrastava com o atraso cultural da maioria da população, e, por último, um Estado anacrônico, que por anos foi instrumentos de alguns setores sociais. Tornava-se urgente a construção de um novo solo para um novo país.

O primeiro governo da Segunda República era formado por membros de postura claramente anticlerical, quando não ateus, com exceção de Miguel Maura, católico, nomeado ministro do governo. Porém, havia um grupo anticlerical muito mais

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temível que esses primeiros, os herdeiros da Constituição de Cádiz de 18129. Estes homens, pertencentes à classe média espanhola, ou que exerciam profissões liberais, eram os legatários dos reformadores liberais da Espanha do século XIX, cuja atividade intelectual havia formado a Instituição de Livre Ensino — escola ilustrada por um grupo de professores universitários que haviam se negado a prestar juramento de lealdade ―à igreja, à coroa e à dinastia‖, da qual fazia parte a Residência de Estudantes de Madri (grupo de estudos para pós-graduados da Instituição de Livre Ensino). Esses estudiosos tinham forte preocupação com o desenvolvimento da intelectualidade, que levaram cem anos tentando limitar o poder das ordens religiosas, dos latifundiários e de outras restrições à liberdade mercantil, agora passavam a integrar o novo governo espanhol. O ministro da Justiça, Fernando de Los Ríos, professor da Universidade de Granada, e o ministro de Guerra, Manuel Azaña, eram alguns dos intelectuais republicanos, frutos da Instituição e da Residência.

A Instituição de Livre Ensino e a Residência de Estudantes de Madri, no princípio de sua formação, adotaram postura apolítica, mas tal postura só seria possível se expressar-se favorável a liberdade de pensamento fosse um ato politicamente neutro. Porém, na Espanha do início do século XX, esses intelectuais se viram obrigados a adotar atitudes politicamente mais definidas. Antes mesmo da Segunda República, o espírito da Instituição teve fundamental importância, animando a oposição intelectual mais vigorosa que a ditadura de Primo de Rivera enfrentou. Tanto a Instituição, quanto a Residência, foram parcialmente responsáveis pelo renascimento da cultura espanhola que se seguiu à perda das últimas colônias americanas, em 1898.

9A Constituição de 1812, aprovada pelas Cortes Gerais Extraordinárias reunidas na cidade de Cádiz, foi o

primeiro documento constitucional aprovado na Península Ibérica, e um dos primeiros no Mundo. A Constituição contém muitos dos princípios fundamentais que ainda hoje se aplicam, como os princípios de liberdade individual, liberdade de imprensa e inviolabilidade do lar. O documento foi profundamente inovador e, no momento dasua proclamação, significou uma verdadeira ruptura com o que existia antes, o que o tornou fortemente incômodo para o regime da Espanha de 1812.

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A lua de mel da nova República durou apenas um mês. Os anarquistas passaram a aproveitar a postura antiautoritária do novo governo para voltar a se organizar, em especial em Barcelona. O nível de desemprego na Galícia e Andaluzia havia aumentado no período posterior à Primeira Guerra Mundial, e a agitação popular não cessou com a chegada da República. Mas, o primeiro estalo da disputa que continuaria até a guerra civil foi a pastoral, grave e violenta, do cardeal Segura, arcebispo de Toledo, publicada no jornal El Sol, em 7 de maio de 1931: ―Se permanecermos quietos e ociosos e nos deixarmos ir até a apatia e a burrice; se deixarmos aberto o caminho a todos aqueles que tentem destruir a religião ou se esperarmos a benevolência de nossos inimigos para assegurar o triunfo de nossos ideais, não teremos nenhum direito a nos queixar quando a amarga realidade nos mostrar que tivemos a vitória em nossas mãos, mas que não soubemos lutar como corajosos guerreiros dispostos a sucumbir gloriosamente‖ (apud BROUÉ, 1992, p. 69).

A preocupação do arcebispo tinha fundamento. Nos anos 30 do século XX, dois terços dos espanhóis eram católicos não praticantes. Na zona rural de Castela, apenas 5% da população cumpriu seus deveres pascoais no ano de 1931. Em algumas cidades da Andaluzia, apenas 1% dos homens iam à igreja, mesmo que 90% das pessoas alfabetizadas o tivessem sido em escolas religiosas. Nesse cenário, um fato importante é que as mulheres espanholas são muito mais religiosas que os homens, um símbolo a mais da posição da feminina dominante na Igreja, expressada pelo papel atribuído na Espanha à Virgem Maria, tão exagerado que beira à mariolatria.

A Espanha da Segunda República já não era mais tão católica como o foi a Espanha do século XV. No chamado ―Século de Ouro‖, época do apogeu espanhol, impulsionado pelo descobrimento da América, seu ouro e sua prata, a Igreja Católica exercia sua força e influência política por meio da severa e respeitada Inquisição. No

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que diz respeito à intelectualidade, a soberania da Igreja na Espanha se impôs até o século XVIII, quando as universidades ainda discutiam sobre qual língua falavam os anjos, ou de que líquido era feito o reino dos céus. No século XIX, após as guerras napoleônicas, os filósofos franceses começaram a se popularizar no país, e com isso a Igreja se tornou o centro de resistência contra as ideias liberais. O enfraquecimento da Igreja ficou ainda mais evidente entre os anos de 1909 e 1917, quando o governo decidiu, teoricamente, instituir o ensino estatal primário gratuito, mesmo que os professores fossem quase todos católicos. Com isso, a Igreja Católica manteve sua influência sobre a juventude, disseminando um estado de espírito reacionário e pró- oligárquico ao longo de muitas gerações por meio da autoridade das escolas dirigidas por ordens religiosas.

Mas, além disso, a Igreja incorporava longas e importantes tradições na vida dos espanhóis, criando, na verdade, o padrão de vida no país. Assim, era fácil dizer que o anticlericalismo era um elemento da ―anti-Espanha‖, e muitos o diziam. Porém, o anticlericalismo na Espanha dos anos de 1930 não só era crescente nos setores intelectuais de esquerda, mas também ganhava força com as ações dos grupos anarquistas, socialistas e comunistas, enquanto os liberais se esforçavam na causa de liberar o ensino e a cultura da opressão sufocante do catolicismo. Aos olhos de muitos daqueles que estavam despertando para a vida política, a Igreja Católica espanhola era um dos ícones mais fortes da tradição reacionária e do servilismo que, ao longo dos séculos, a população foi obrigada a viver. Poucos dias após o início do novo governo, a Igreja professava suas desconfianças quanto à República laica, e fazia circular a apostila do catolicismo, da qual constava:

54 O que prega o liberalismo? – Que o Estado é independente da Igreja.

Que tipo de pecado constitui o liberalismo? – É um gravíssimo pecado contra fé.

Qual o pecado cometido por aquele que vota num candidato liberal? – Geralmente, um pecado mortal (apud GIBSON, 1992, p. 49).

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Mas uma das maiores batalhas da República seria travada no campo da educação primária e secundária. O novo governo estava determinado a terminar com o monopólio da Igreja sobre o ensino e criou um sistema educacional estatal capaz de enfrentar o grande desafio representado pelo analfabetismo geral. O analfabetismo, em toda a Espanha, era de 50% ou mais; em Madri, o analfabetismo era de 26%, e apenas em duas províncias (Barcelona e Álava, no País Basco) a taxa estava abaixo de 25%. Tendo em conta a alta taxa de analfabetismo que mantinha a população espanhola presa às instituições e a seus modos de pensar, foi na esfera da educação e cultura que a Segunda República atuou de maneira mais forte e decidida. O aumento do número de escolas e do salário dos professores e a fundação de universidades públicas por todo o país foram importantes medidas tomadas pelo governo, que assim mantinha seu prestígio entre os intelectuais da época. Mas a República de 1931 foi mais além do que o ensino formal, obrigatório e das salas de aula. Foram criados e financiados grupo teatrais, como ―La Barraca‖, dirigido por Federico García Lorca, ou ―El Búho‖, dirigido por Max Aub, com as quais foi possível a difusão da cultura clássica espanhola entre os mais diversos setores populares, tanto no campo quanto nas cidades pequenas do interior do país.

Os integrantes da Geração de 27 foram os que de fato constituíram a geração literária da República. O mais combativo, junto com García Lorca, foi Rafael Alberti, membro do Partido Comunista, além de autor de livros de poesia de combate e fundador e diretor da revista Octubre, de clara orientação revolucionária. Alberti foi um

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dos mais ativos promotores das lutas de apoio aos intelectuais perseguidos ou presos pelas ditaduras latino-americanas, como foi o caso do comunista brasileiro Luis Carlos Prestes, condenado a morte pelo ditador Getúlio Vargas. E, juntamente com Alberti, estavam Luis Cernuda, María Teresa León, Emilio Prados e Lorca no apoio à liberdade de Prestes. Mais dedicados à obra poética estavam Vicente Alexandre, Miguel Hernández, Pedro Salinas e Jorge Guillén. Em prosa, se destacavam Pío Barija, Valle Inclán, Rosa Chacel e Ramón J. Sender.

Porém, os intelectuais espanhóis se encontravam desligados do povo, vivendo no etéreo mundo das ideias. A vida intelectual de Madri da época não era concebível fora do ambiente lírico e festivo de suas ―tertúlias‖ — muito comuns nos círculos intelectuais da Espanha. Ao passo que os ativistas estavam com as pessoas do povo, nas ruas, manifestando sua urgente vontade de mudança, seu desejo de assumir o protagonismo histórico que a abertura democrática, em teoria, lhes devia oferecer. Em relação aos grupos políticos ativos, as esquerdas estiveram divididas entre socialistas, que apoiavam o governo, anarquistas e comunistas. Porém, mesmo divididos, estavam nas ruas, encorajando a insurreição popular. Enquanto isso, as direitas formavam a ―Confederação Espanhola de Direitas Autônomas‖ (Ceda), que também aproveitava a abertura do governo democrático para se organizar com a clara intenção de vencer o bloco republicano nas eleições seguintes, em 1933.

A imprensa também estava dividida. De maneira geral, pode-se dizer que à direita estavam os jornais ABC, Informaciones e El Debate, como os de maior importância na época, e à esquerda os jornais El Socialista, Mundo Obrero, El Liberal,

La libertad e El Heraldo de Madrid, os quais eram os mais influentes. O jornal El Sol, outro de grande importância, tentava manter-se ao centro. Com a abertura democrática da República, os jornais espanhóis ganhavam cada vez mais força na luta política, sendo

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usados como importante arma na conquista da população que ainda não se via satisfeita com o novo governo. Era cada vez mais importante ter o maior número de circulações a favor — ou contra — algum dos lados intelectuais e ativistas.

O século XX contemplou um despertar do espírito espanhol: a volatizada política dos anos transcorridos entre 1898 – 1936, ainda mais intensa entre 1931 e 1936, foi a expressão de uma vitalidade que se estendia à maior parte das esferas da vida da população. A primeira parte do século XX foi mais rica, do ponto de vista artístico, que qualquer outro momento depois do século XVII. São desta época os famosos nomes de Picasso, Dalí, Miró, García Lorca, Juan Jamón Jiménez, Antonio Machado, Pío Baroja, Buñuel, Falla, Unamuno y Ortega. No início do século XX, a Espanha estava nas trevas mantidas pelo domínio da Igreja Católica, e neste ―renascimento espanhol‖, tanto os setores de direita quanto os de esquerda eram responsáveis pelo desabrochar no campo do ensino e da arte. O racionalismo da Instituição de Livre Ensino começava a contar com o complemento de um catolicismo reavivado.

Com a Segunda República, em 1931, uma nova constituição foi promulgada, inspirada na Constituição de Weimar, que a proclama como a ―República democrática dos trabalhadores de todas as classes‖ (BROUÉ, 1992, p. 35). Com esta constituição, houve a separação entre a Igreja e o Estado, foi eliminado o orçamento de culto e clero, cortadas as leis especiais às quais as congregações religiosas deveriam se submeter, a proibição de a Igreja dirigir instituições de ensino e a dissolução das ordens religiosas que seguissem voto de obediência diferente das leis do Estado. A nova Constituição espanhola de 1931 foi uma das mais liberais e progressistas da Europa, e indica uma abertura social inédita — e temida — ao país. A promulgação do novo código de leis legalizava o divórcio, a prostituição e a distribuição de terras, além de

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secularizar hospitais e cemitérios (GIBSON, 1992, p. 50). O Vaticano não reconheceu imediatamente a República.

A Constituição de 31 foi um forte golpe contra os privilégios da Igreja, instituição que há séculos se constituía como um dos blocos de poder mais fortes do país. Juntamente com a Igreja, boa parte da classe média foi afastada da República por causa da nova constituição: os latifundiários foram atingidos pela lei de reforma agrária, mas o exército foi o maior afetado, tanto pela promulgação do Estatuto Catalão, que viria em 1932, quanto pelos passos que estavam sendo dados em direção a um Estado espanhol federal. Desde as guerras napoleônicas, os oficiais do exército haviam se acostumado a participar da vida política, e se costumava dizer que o exército espanhol se mantinha, não para combater os inimigos da Espanha no exterior, mas para intervir nos assuntos internos do país. Mas Azaña acreditou que seria possível um apoliticismo no exército, e enquanto foi ministro da Guerra, decidiu reduzir o poder da instituição. Além disso, a nova República abria espaço para as reivindicações operárias e camponesas que as classes no poder não eram capazes de satisfazer e suportar.

Nos anos de 1930, a economia espanhola se caracterizava por um suave declínio na produção industrial, um forte declínio na mineral, estabilidade ou leve aumento da produção agrícola e o aumento da população na taxa de quase 1% ao ano (THOMAS, 2004, p. 213). Além dessas questões internas, é preciso ter em conta que os anos de 1929 a 1932 foram um período de depressão mundial, época inoportuna para qualquer governo que subisse ao poder. Assim, contagiados pela fragilidade do cenário econômico mundial, os espanhóis ricos e a comunidade financeira internacional eram hostis à República, em parte porque os ministros eram inexperientes, em parte porque a política inspirava dúvidas, e ninguém queria colocar em risco seu dinheiro.

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Junto com a República, uma onda de desemprego chegou à Espanha. Em dezembro de 1931, o país contava com cerca de 400 mil desempregados, e 600 mil em dezembro de 1933, aumentando ainda mais as agitações da população. As agitações operárias reforçavam as agitações camponesas, e viceversa. Porém, essas agitações foram reprimidas pelas polícias tradicionais, em especial pela Guarda Civil, que já no primeiro biênio da República iniciou as violentas coibições que seriam sua marca no biênio posterior. Em 1932, começavam a pipocar greves pela Espanha, sendo as de Barcelona, Sevilha e Castilblanco as mais significativas, pois foram duramente reprimidas pela Guarda Civil, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos. Tantas agitações aumentavam ainda mais a resistência das camadas economicamente dominantes contra a República, a democracia e as aberturas que esta abria para as manifestações.

Em 1932, elementos revolucionários do Exército conspiravam contra a República. Para os lideres do Exército — Franco, Queipo de Llano, Varela e Yagüe, que haviam se unido na dominação do Marrocos —, a Espanha republicana se tornava um novo problema marroquino, ―infestada de tribos rebeldes camufladas de partidos políticos e pedindo a gritos uma mão de ferro‖ (THOMAS, 2004, p. 117). A aprovação do Estado Catalão foi um importante estopim no despertar das paixões em muitos oficiais do Exército, não apenas porque a criação do Estado Catalão parecia ameaçar a integridade da Espanha, do poder dos militares, mas a autonomia catalã parecia uma afronta deliberada ao próprio Exército, que, entre 1917 e 1923, tinha Barcelona sob controle marcial.

No plano internacional, o fascismo na Europa era um fato incontrolável. Não apenas por Mussolini na Itália, que em 1932 ajudou financeiramente a falida

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insurreição de Sanjurjo em Sevilha10, mas principalmente a partir de janeiro de 1933, quando Hitler se tornou o chanceler da República de Weimar, na Alemanha. A imprensa espanhola seguiu atentamente os acontecimentos sob o governo de Hitler, e, ―enquanto os jornais católicos aplaudiam, jornalistas republicanos e de esquerda contemplavam com ansiedade o crescimento do fascismo na Alemanha e não tinham ilusões sobre o que estava acontecendo nos bastidores em seu próprio país‖ (GIBSON, 1992, p. 52).

Se para França, Inglaterra e os demais países a situação ficava cada vez mais preocupante, para a Espanha, que do outro lado de suas fronteiras também suportava a hostil ditadura de Salazar em Portugal, a situação adquiria tons de cerco, uma asfixia eminente. Na Espanha, ―os comunistas se tornam os paladinos do antifascismo concebido como o reagrupamento mais amplo possível de todos os adversários do fascismo, mesmo externos ao movimento operário‖ (BROUÉ, 1992, p. 62). Talvez por isso Lorca tenha sido tantas vezes identificado com os comunistas, por sua postura antifascista, sendo agrupado com esses, mas não exatamente por ter uma ideologia comunista.

Neste cenário de inúmeras Espanhas alimentando profundos ódios e rancores entre si, somado à situação europeia que presenciava o fortalecimento do fascismo por vários países, chegaram as eleições de 1933. O maior dos grupos de direita

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