• No results found

Plastiske og piktoral-plastiske metaforer

In document Metaforbasert tegning  (sider 103-121)

2 Anvendelse av to hjelpedisipliner – bildesemiotikk og retorikk

2.2.7 Plastiske og piktoral-plastiske metaforer

Garcia Lorca escrevia sobre o que ele via, vivia e sentia. Desde seu primeiro livro, Impresiones y Paisajes, escrito quando o poeta tinha 20 anos, já era possível notar uma das mais fortes características de sua obra: tem algo a dizer sobre a sociedade espanhola que ele fez questão de conhecer de perto. Mas, alguns pontos da vida do escritor influenciaram sua criação artística, dando a sua arte um caráter social, como no caso de Impresiones y Paisajes, resultado das visões sobre o território Espanhol que ele conheceu em viagens universitárias, quando ainda morava e estudava em Granada. O caráter social está presente nas obras de Lorca desde seu primeiro livro, em que expõe o profundo interesse pela multifacetária Espanha. Em Impresiones, notamos um Lorca diferente do autor da fase adulta, mas o tom de denúncia que se expressa em

Impresiones y Paisajes repete-se em muitas de suas obras poéticas e na dramaturgia. Há mais que ―impressões‖ e ―paisagens‖ neste primeiro livro de Lorca; há uma forte ânsia de recusar toda a alienação, independentemente de que ordem seja: religiosa, social ou mesmo estética.

Alguns trechos do livro mostram a preocupação de Lorca com a indiferença na qual vivia as classes baixas da sociedade espanhola da época. No capítulo ―Méson de Castilla‖, por exemplo, ao descrever a pousada e as pessoas do local, Lorca transcreve o seguinte diálogo presenciado por ele:

- Você veio da cidade?...

Não. Venho da casa da minha irmã, que está com essa doença nova.

- Se ela fosse rica o médico já a haveria curado… mas... Já os pobres! Mas os pobres!... (LORCA, 2008, v. VI, p. 268)

93

Essas palavras certamente causaram forte impacto no escritor, que sentiu necessidade de colocá-las em seu livro com a intenção de fazê-las ecoar, mostrando para o resto da sociedade a situação das pessoas sem recursos, que ficavam doentes e, assim, se viam sem saída.

Impresiones y Paisajes foi censurado pela ditadura franquista, só podendo ser publicado na Espanha na década de 1980, após a morte do ditador. Muito provavelmente o livro foi censurado pelo fato de conter algumas denúncias sociais e religiosas que certamente o nacional-catolicismo de Franco não tolerava que se espalhassem. No segundo capítulo, ―La Cartuja‖, Lorca descreve a paisagem que encontrou em visita a um seminário para padres.

El paisaje muestra toda su intensidad de sufrimiento, de ausencia de sol, de pobreza pasional [...] El río lleno de agua da impresión de sequedad […] Este paisaje asceta y callado tiene el encanto de la religiosidad dolorosa […] amargura y desolación formidables. La visión de Dios es en este paisaje la de inmenso temor […] angustia en su hablar […] en su temor al diablo […] antes los cuales rezan los campesinos con la trágica fe del temor. ¡Inquietante paisaje de las almas y los campos!... [...]

Estos hombres sepultan aquí sus cuerpos, pero no sus almas. El alma está donde ella quiere. Todas nuestras fuerzas son inútiles para arrancarla donde se clava. Además… ¿Qué sabemos nosotros lo que desea nuestra alma?

¡Qué angustia tan dolorosa estos sepulcros de hombres que se mueven como muñecos en un teatro de tormentos! […] Lloran los ojos, rezan los labios, se retuercen las manos, pero es inútil; el alma sigue apasionada, y estos hombres buenos, infelices, que buscan Dios en estos desiertos del dolor, debían comprender que eran inútiles las torturas de la carne cuando el espíritu pide otra cosa. […] Ansían vivir cerca de Dios aislándose… pero yo pregunto ¿qué Dios será el que buscan los cartujos? No será el Jesús seguramente […] Es verdaderamente anticristiano una Cartuja. […] Sólo se hablan los domingos un rato, y sólo están juntos durante los rezos y la comida. No son no hermanos. Viven solos… (LORCA, 2008, v. VI, p. 94)

A essa imagem que Lorca teve do seminário: local de sofrimento, temor, amargura e a sensação de uma religiosidade dolorosa e incondicional a Deus e à instituição.

94

A crítica de Lorca refere-se à instituição da Igreja Católica, causando algum desconforto na sociedade espanhola. Ao criticar a Igreja, Lorca coloca em questão a criação do homem, e não Deus, e assim separa a visão que o escritor tinha do catolicismo da relação com Jesus, imprimindo às palavras de Lorca não um distanciamento do sentimento espiritual, mas uma crítica à instituição. Dessa maneira, o primeiro livro de Lorca já mostra o quão perigosas podem ser as palavras do escritor. E certamente essa possibilidade de ler Lorca, sua crítica à Igreja, mas podendo não se afastar da relação com Jesus é um dos elementos na obra do poeta com que os grupos católicos da Espanha mais se assustaram. No momento em que o livro foi lançado, Lorca não foi diretamente alvo de críticas dos setores religiosos ou conservadores da sociedade, mas isso também se deve à pouca repercussão que o livro teve. É fato que o primeiro livro de Lorca já traz à tona muitas características do poeta que estarão presentes em toda a sua obra, como a prosa em estilo poético e o próprio texto comprometido com o social, mas ainda está bem distante do Lorca que vai para Madri e que viaja pelas Américas. O livro isoladamente não teve grande impacto na produção literária da época, mas tornou-se um espinho no momento em que passou a fazer parte de um grupo de poemas e obras dramáticas que atingiram maior êxito dentro e fora da Espanha.

Os dois momentos de Impresiones y Paisajes citados acima mostram que a atenção de Lorca estava voltada para as questões sociais, tanto pela diferença de classes quanto pelas imposições da sociedade sobre o indivíduo, como na relação do homem com Deus, sendo intermediada pela Igreja. Mas, antes mesmo de seu primeiro livro, Lorca escreveu um panfleto na época da I Guerra Mundial, cujo título, ―O patriotismo‖ (29 de outubro de 1917), já mostrava que o escritor estava atento — incomodava-se — com as relações sociopolíticas que ele via em sua sociedade e em seu

95

tempo. ―O patriotismo‖ não foi publicado, tem pouca carga poética, mas uma forte contestação à ideia de pátria, um importante questionamento sobre o que o indivíduo deve aceitar por causa da ideologia do patriotismo:

Quantas vezes nos falaram do patriotismo…! Sempre entendemos, desde criança, o patriotismo como um sentimento que tem por espírito um trapo de cores, a voz de uma corneta desafinada e, por fim, defender as tumbas, as casas, etc., de nossas famílias. Os encarregados de dançar frente ao sacro fogo de suas ideias são uns senhores ordinários com bigodes esticados e vozes ressoantes que fazem a nós, os jovens, beijar uma cruz infame formada por uma bandeira e uma espada; ou seja, a cruz da ignorância e da força. Há que pensar para que serve toda essa multidão de bonecos grotescos que são sacerdotes do patriotismo e que vão atropelando a doçura e o amor. Não se pode imaginar porque todo um povo se lança outra outro unicamente por essa paixão [...]

Há que arrancar as nefastas ideias políticas da juventude, assim como há que arrancar dos patrioteiros, por honra de nossas mães, o conceito da pátria mãe.

Nunca pode ser nossa mãe aquela que diz que temos que dar nosso sangue, até a última gota, por ela. [...]

Ai, infeliz Espanha! País de negruras, de fogo e horror. Apoteose da imbecilidade dirigida por padres luxuosos, toureiros, cafetões, prostitutas sem alma, ladrões de fraque e ignorantes de fé.

Como dito acima, o panfleto não foi divulgado na época, e até hoje não consta nas publicações das obras completas de Lorca, mas é fundamental para mostrar que o escritor não era indiferente ao que acontecia ao seu redor e no mundo — no caso de ―O patriotismo‖, trata de questionar o sentimento que move os homens a guerrear entre si por causa de uma ideologia que parece não ter sentido para o autor. ―O patriotismo‖ é um forte argumento para a ideia de que Lorca não se envolvia com a política institucional, mas essa recusa não é sinônimo de apoliticismo. Ao contrário, ao expressar sua ideia política contrária às instituições, contra o conceito de pátria que nutre os exércitos, Lorca se torna um opositor à ordem vigente, identificando-o com a esquerda.

No ano de 1919, Lorca foi a Madri para viver na Residência dos Estudantes, onde morou até 1928. A vivência do escritor neste local foi fundamental, pelo ambiente

96

que esta proporcionava, pela liberdade que Lorca experimentou estando longe da família e também pelas relações que ali viveu e que, boas e ruins — como a complicada relação amorosa que Lorca teve com o escultor Emilio Aladrén —, foram igualmente fundamentais para Federico. Entre as pessoas importantes nesta fase da vida de Lorca, estão os artistas da Geração de 27, o cineasta Luis Buñuel e o pintor Salvador Dalí. Na época em que viveu na República dos Estudantes, Lorca escreveu suas obras poéticas de maior êxito: Livro de Poemas (1921); Ode a Salvador (1926); Canções (1921-24);

Romancero Gitano (1924-27); Poema do cante jondo (1921-22) e Primeiras canções (1922), atingindo maturidade em sua produção poética. No mesmo período, escreveu três de suas primeiras obras teatrais: Mariana Pineda (1925), Amor de Dom Perlimplim

e Belisa em seu jardim (1926) e Dona Rosita, a solteira (1927), que expressam pouca desenvoltura de Lorca na dramaturgia, porém, já anunciam elementos do estilo de Federico – obras que carregam críticas sociais em sua temática principal e mulheres como protagonistas, além do frequente tema da anulação do indivíduo pela sociedade.

Nessa época a política já rondava a arte de Lorca e, pelas cartas que o poeta enviou à família, nota-se que vincular suas obras com algum posicionamento político não era de interesse do escritor. Em 1924, quando Lorca estava organizando a estreia de

Mariana Pineda — peça sobre a história real de uma mártir republicana —, de Madri

escreveu a seus pais que moravam em Granada:

As circunstâncias estão complicadas, mas nós vamos fazer os cenários, figurino, tudo, e estudá-la. Eu acredito, e todos acham o mesmo, que este ano estará em cartaz, e o êxito da obra, me convenci de que não é e nem deve, como queria dom Fernando [de Los Ríos] ser político, pois é uma obra de arte pura, uma tragédia feita por mim, como sabem, sem interesse político e eu quero que seu êxito seja um êxito poético (LORCA, 2008, v.VII, p. 844).

A ideia de que Lorca queria ser reconhecido por sua arte, somente, se completa em outra carta, no ano seguinte, na qual ele diz ―sempre serei um artista puro, que é o

97

máximo que pode aspirar o homem que tem tanto trabalho quanto mocinha em conservar sua honra‖ (Idem, p. 848).

Essas cartas de Lorca são importantes para compreender a afirmação por parte da família de que o escritor não se envolvia com a política — ideia defendida pela família até os dias de hoje. No documentário Lorca, el mar deja de moverse (2006), no qual o diretor tenta mapear os motivos para o assassinato de Lorca, Emilio Ruiz Barrachina pergunta ―Foi Lorca, de fato, um homem político?‖. Manuel Fernandéz Montesinos, sobrinho e presidente da comunidade dos herdeiros do poeta, responde:

politicamente, ele já disse e ficou famoso, ―não quero que me encarcerem, não quero pertencer a nenhum tipo de organização política‖ que tivessem uma série de estatutos, que o obrigassem a se comportar de uma maneira determinada, mas estava no meio de um grupo importante, que naquele momento tinha muita atividade política, e ia às vezes, eu acredito, um pouco arrastado. Se o chamassem pra assinar um manifesto e o parecesse correto, que devia assinar, ele o fazia, mas na maioria das vezes levado, um pouco, por seus amigos que estavam muito envolvidos na atividade política, principalmente, pelo partido comunista.

De fato Lorca assinou alguns manifestos. Em 1936, quando a Espanha se preparava para novas eleições, depois do período de governo de direita, o Biênio Negro, Lorca assina o manifesto ―Os intelectuais com o Bloco Popular‖, publicado no jornal

Mundo Obrero, em 15 de fevereiro de 1936, e cujas primeiras palavras eram:

Partido que separa consideráveis divergências de princípios, mas, defensores, todos, da liberdade e da República, souberam somar seus esforços em uma ampla Frente Popular. Faltaríamos com nosso dever se nessa hora de autêntica gravidade política, nós, intelectuais, artistas, profissionais de carreiras livres, permanecêssemos calados sem dar publicamente nossa opinião sobre um fato de tal importância. Todos sentimos a obrigação de unir nossa simpatia e nossa esperança ao que sem dúvida constitui a aspiração da maioria do povo espanhol: a necessidade de um regime de liberdade e de democracia, cuja ausência se deixa sentir lamentavelmente na vida espanhola de todos nós (GIBSON, 1979,p. 28).

98

A primeira assinatura do manifesto era a de Federico García Lorca, seguido de Rafael Alberti, Emilio Prados, María Teresa León e mais de trezentas assinaturas. É claro que o manifesto acima tem intenção eleitoral, visto que mostra à população espanhola que aqueles que o haviam assinado estavam ao lado da Frente Popular. Lembrando que 1934 e 1935 foram anos de intensa repressão na Espanha e no início de 1936, antes que eleições tirassem a direita do poder, o próprio Lorca teve uma mostra de que ele era um dos alvos mais certos da repressão conservadora. Em janeiro de 1936, chegou uma intimação judicial a Lorca por causa do poema ―Romance da Guarda Civil‖. O tenente coronel da Benemérita, que não conhecia Federico, o havia denunciado por considerar seu poema ofensivo. Manuel Iglesias Corral, fiscal geral da República e chefe do Ministério Fiscal, foi quem contou. Iglesias Corral, informado pelos fiscais da disposição do processo, e depois de ter verificado o expediente, conseguiu que fosse anulada qualquer atividade processual ou judicial contra Lorca (GIBSON, 1998, p. 412). Lorca não deu atenção ao caso, mas ele serve para mostrar até que sua obra de fato ofendeu a direita e que seus representantes estavam dispostos a punir o autor por causa do caráter "subversivo" da denúncia da Guarda Civil, por denunciar a repressão preconceituosa dessa instituição.

Oh! Cidade dos gitanos! Nas esquinas bandeiras. Apaga as tuas verdes luzes Porque vem a benemérita. Oh! Cidade dos gitanos‖

Quem te viu e não se recorda de ti? Deixai-a longe do mar

Sem pente para suas riscas. Avançam de dois no fundo Para a cidade da festa. Um rumor de sempre-vivas Invade as cartucheiras. Avançam de dois no fundo Duplo noturno de tela. O céu parece a eles

99 Uma vitrina de esporas.

A cidade, livre do medo, Multiplicava as suas portas. Quarenta guardas-civis Entram nelas para o saque. Os relógios pararam, E o conhaque das garrafas Se disfarçou de novembro Para não infundir suspeitas. Um vôo de gritos longos Se levantou nos cata-ventos. [...]

No portal de Belém Os gitanos se congregam. São José, cheio de feridas, Amortalha uma donzela. Teimosos fuzis agudos A noite toda soam.

A Virgem cura os meninos, Com salivinha de estrela. Mas a Guarda Civil

Avança semeando fogueiras, Onde jovem e desnuda A imaginação se queima [...]

(―Romance da Guarda Civil‖, LORCA, 2002, p. 395)

Nessa situação, parece óbvio que Lorca se coloque favorável a um governo democrático e se manifeste a favor da necessidade de liberdade. Levando em consideração que a liberdade é um dos grandes temas de toda a obra lorquiana, de maneira direta ou pela denúncia da opressão, pode-se afirmar que o escritor assinou o manifesto em favor da Frente Popular muito mais pela ânsia de promover a liberdade do que pelo ensejo de participar da campanha pela Frente Popular. Mas essa não foi a única participação de Lorca em manifestações populares políticas.

Em maio do mesmo ano, o grupo espanhol ―Comitê dos Amigos de Portugal‖ publicou no jornal El Socialista o manifesto que dizia: ―este comitê propõe popularizar na Espanha os métodos brutais de repressão da ditadura fascista de Salazar em Portugal, organizando uma campanha de protesto entre as massas populares espanholas, assim como a ajuda em todas suas formas às vitimas do fascismo

100

português‖ (Ibidem, p. 310). Ainda contra o fascismo, Lorca participou de um ato organizado na Casa do Povo de Madri em favor de Luís Carlos Prestes, que havia sido preso e corria o risco de ser fuzilado. O ato recebeu o nome de ―Comício de solidariedade com os antifascistas do Brasil‖. O nome de Lorca consta como a primeira assinatura no manifesto espanhol ―um chamado aos amigos da América Latina pela ocasião da visita da mãe do lutador brasileiro‖, publicado em 21de maio de 1936 no jornal Heraldo de Madrid (Ibidem: p. 33).

De acordo com o depoimento de Manuel Fernandéz Montesinos, pode-se pensar que Lorca assinou esses e outros manifestos levado por seus amigos. Mas então, não se justificariam as palavras de Lorca em entrevista concedida em 1931, poucos meses antes do inicio das atividades de La Barraca:

Gente alegre e despreocupada em La Barraca, não?

- Alegre, sim, muito alegra. Mas não despreocupada, muito pelo contrário. Muito preocupada com uma grande ideia política, que é a que os empurra. Uma ideia de grande política nacional: educar o povo pondo ao seu alcance o teatro clássico e moderno e o velho. Esse teatro tão tristemente abandonado pelos espanhóis (LORCA, 2008, v. VI, p. 510).

Lorca se posicionava politicamente: a favor da liberdade individual e de uma sociedade espanhola que levasse a educação e a arte para todos os cantos do país. Era pela arte que Lorca conseguia vislumbrar a melhora social da Espanha, e por isso o escritor, ao longo de sua vida e de seu trabalho, foi se afastando do conceito de arte pela arte, como ele mesmo deixou claro em outra entrevista, no ano de 1936, expondo seu pensamento sobre o papel do artista na sociedade:

Este conceito da arte pela arte é uma coisa que seria cruel se não fosse, afortunadamente, brega. Nenhum homem de fato ainda acredita nesta ladainha da arte pura, arte pela arte mesmo. Neste momento dramático do mundo, o artista deve chorar e rir com seu povo. Há que deixar o ramo de açucenas e se meter na lama até a cintura para ajudar aos que procuram açucenas. Mas a dor do homem e a injustiça

101 constante que emana do mundo, e meu próprio corpo e meu próprio pensamento, evitam que eu transporte minha casa às estrelas (LORCA, 2008, v. VI, p. 734).

Onze anos se passaram da carta de Lorca para sua família, na qual ele dizia que ―sempre seria um artista puro‖ para a entrevista acima, afirmando que não era possível crer na arte pela arte, na arte pura, mas que o artista precisa deixar de estar longe de seu povo, para estar junto com ele. Pode-se pensar que Lorca tenha mudado sua visão da importância da arte ao longo dos anos que separam as citações, mas é fundamental entender que o encontro entre a política e a arte não se dá de maneira simples e, portanto, não se pode simplificar a arte de Lorca caracterizando-a como política ou não política, simplesmente.

Em primeiro lugar, deve-se ter em conta que os principais movimentos de vanguarda artística do século XX, como dadaísmo, surrealismo e construtivismo russo, apresentavam marcada influência marxista, deixando-se impregnar fortemente pela dimensão política. Desta maneira, os artistas se engajavam em projetos políticos de transformação da sociedade e lutavam pela formação de uma nova consciência sensível da arte (CHAIA, 2007, p. 18). Lorca assumiu a influência de alguns pensadores, como Karl Marx, sobre seu pensamento em seu ―Discurso ao povo de Fuente Vaqueros‖:

E a alma e o corpo, a saúde e as fazendas se subordinam e dependem

In document Metaforbasert tegning  (sider 103-121)