5.5 Overtid og lang arbeidstid
5.5.1 Omfang av overtid
A praça, juntamente com as ruas, consiste em um dos mais importantes espaços públicos urbanos da história no país, tendo, desde os primeiros tempos da Colônia, desempenhando um papel fundamental no contexto das relações sociais em desenvolvimento. Ela é, portanto, um centro,
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
55um ponto de convergência da população que a ela acorre para o ócio, para comerciar, trocar ideias, e ainda, para encontros românticos ou políticos. Enfim, para o desempenho da vida urbana ao ar livre.
No Brasil, as praças mostram diferentes formas no decorrer dos tempos. Assim, no Brasil - Colônia elas possuíam um caráter religioso determinado pela sua localização em frente de uma Igreja. Nelas, eram realizadas a prática de negócios, mas posteriormente, as praças foram agregadas as práticas comerciais. Com o passar dos tempos, as praças se modificaram diante da dinâmica da vida moderna e dos problemas ambientais, esses espaços desempenham papel importante para a qualidade ambiental das grandes cidades. A partir do século XX, mais precisamente entre as décadas de 1950 e 1960, ocorreu uma grande transformação econômica, social e cultural, o que de fato deu novos significados às praças. Deste modo, com a reestruturação destes espaços, houve também o reconhecimento dos profissionais de arquitetura, engenharia e urbanismo (MARX, 1980).
Marx (1980, p. 49 - 50), afirma que as praças são logradouros públicos, tradicionalmente implantados para abrigar prédios religiosos e cívicos, com a finalidade de reunir pessoas:
Logradouro público por excelência [...]. A praça como tal, para reunião de gente e para exercício de um sem-número de atividades diferentes, surgiu entre nós, de maneira marcante e típica, diante de capelas ou igrejas, de conventos ou irmandades religiosas. Destacava, aqui e ali, na paisagem urbana estabelecimentos de prestígio social. Realçava- lhe os edifícios; acolhia os frequentadores. [...] A praça cívica, diante de edifícios públicos importantes são raras entre nós.
Observa-se que as praças servem para encontros, assembleias que devem ser avaliadas sob a égide e o desafio do planejamento e da construção das cidades do país. Na análise marxista, as praças representam o encontro de homens e mulheres trabalhadores para debater, reivindicar elementos para solucionar os problemas. As praças investigadas são localizadas na área central da cidade de Porto Velho - RO e retratam um estudo a respeito das questões ambientais e suas análises podem ser significativas para compreendê-las diante de uma ótica ambiental:
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
56 Figura 2 – Área de Estudo e a Vista das PraçasFonte: Thaís Milza, 2014 – 2016
A primeira praça investigada na cidade de Porto Velho foi a Praça “Marechal Rondon”, construída em 1930 pela Empresa “Madeira Mamoré” quando Aluísio Pinheiro Ferreira era o diretor da Ferrovia. Nela há um busto de bronze em um pedestal de mármore de Marechal Cândido Rondon com a finalidade de homenageá-lo pelos trabalhos realizados pela comissão das linhas telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas. Ela ficou marcada pelas tarde de domingo em que se buscavam um divertimento com música nas tardes de domingo. Por ser localizada no centro da cidade, a Praça foi cenário de comícios políticos, como o de Adhemar Pereira de Barros, Juscelino Kubitesch, João Goulart, Jânio de Quadros. Além de muitos comícios, a praça também serviu para eventos de projetos de cultura e Esporte, e de outros eventos significativos religiosos e culturais. (BORZACOV, 2007).
A Praça “Três Marias” ou “Três Caixas d´água”, como foi denominada, está localizada entre a Avenida Carlos Gomes, a Rogério Weber e a Rua Euclides da Cunha. Ela é um espaço aberto e contemplativo que abriga as três caixas d´água que emprestaram o seu nome a praça. Elas compõem o acervo histórico da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. A praça foi construída em 1980, mas atualmente em 2006, ela foi revitalizada pela Prefeitura Municipal de Porto Velho. Hoje, ela serve para descansos, encontros, passeios e manifestações. Por seu caráter histórico das três caixas d´ Água, muitos turistas a visitam (BORZACOV, 2007).
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
57 Figura 3 – Praça Marechal Rondon e Praça Três MariasA Praça Aluísio Ferreira está localizada no bairro Caiary em um quadrilátero das avenidas Farquar, Pinheiro Machado, Duque de Caxias e Santos Dumont. Ela foi construída pelo Prefeito Carlos Augusto Mendonça, caracterizando – se por ter um relógio, sendo reformada e ficou apenas um obelisco. Aos sábados e domingos, a praça serve de ponto de alimentação, vendas de produtos artesanais, apresentação de shows musicais, amostras de danças, denominado como “Feira de Porto” (BORZACOV, 2007).
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
58 Figura 4 – Praça Aluisio Ferreira e Praça Estrada de FerroA Praça da “Estrada de Ferro Madeira Mamoré”, caracteriza – se como um espaço da própria Estrada, construída no período de 1908 a 1912 em que abrigava parte da mecânica, fundição, carpintaria, pintura, serraria, funilaria e depósito. Na época, este espaço tinha como função receber do material rodante da ferrovia com a finalidade de realizar os devidos reparos dos motores e da fundição das peças (BORZACOV, 2007).
Em gestões anteriores, a Prefeitura Municipal de Porto Velho construiu um pequeno anfiteatro em que artistas se reúnem para fazer apresentações teatrais e musicais. Atualmente, a praça sofre com um abandono, principalmente no que se refere ao lixo e problemas advindos da má conservação dos galpões, cujo patrimônio está se perdendo (BORZACOV, 2007). Embora, com muitas iniciativas, o projeto de revitalização foi elaborado, mas tanto o Governo do Estado de Rondônia e a Prefeitura Municipal ainda não executaram.
A “Praça Getúlio Vargas” foi construída na década de 50 em frente ao também denominado “Palácio Getúlio Vargas” no Território Federal do Guaporé em homenagem ao então Presidente da República do Brasil “Getúlio Vargas”. A Praça possui uma fonte luminosa que em seu formato original possuía uma flor
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
59e hoje o símbolo que está no chafariz são as Três caixas d´Água (BORZACOV, 2007). Existem árvores que a rodeiam, deixando mais ameno e agradável o espaço, além dos bancos que servem para descansar. A praça também possui um caráter de cidadania, uma vez que muitos debates e reivindicações políticas e sindicais tem ocorrido:
Figura 5 – Praça Getulio Vargas e Praça Jonathas Pedrosa
A Praça Jonathas Pedrosa foi construída na terceira gestão do prefeito Carlos Mendonça (1948 - 1949) em homenagem a um médico baiano, “Jonathas Pedrosa” que sancionou a lei nº 757 de 02/10/1914 de criação do município de Porto Velho. Embora esta praça seja pequena passou a ser um local simbólico de encontro de pessoas aposentadas que ficavam para conversar. Houve reformas realizadas pelos Lojistas da cidade juntamente com a Prefeitura de Porto Velho (BORZACOV, 2007).
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
60Cai N´Água” tiveram que sair do local e acabaram ficando nesta praça com a finalidade de trabalho. Deste modo, observa-se pela figura 5 que a mesma está totalmente invadida pelos camelôs, descaracterizando-a totalmente. Neste caso, evidenciamos a imagem da praça “Madeira-Mamoré” com a cerca de arame que delimitava o espaço da enchente de 2014 serviu para que as pessoas estendessem as roupas, servindo de varal:
Figura 6 – Roupas Estendidas nas Cercas de Contenção
Fonte: Thaís Milza, 2014.
A imagem apresenta a ocupação dos desabrigados da enchente ocorrida em 2014, que tiveram que sair das suas casas em um novo espaço, um território até então desconhecido, servindo também para estender as roupas. O espaço, então representa o modo e a cultura vivenciada pelas necessidades de sobrevivência.
Na visão de Ferrara (1997), a transformação de um espaço em lugar que se torna ocupado evidencia, a partir das percepções do usuário, o local de abrigo, da vivencia comunitária no seu cotidiano levando em consideração as características físico-geográficas e suas modificações, mudanças sociais, econômicas e a história do ambiente.
Ao olhar para as praças de Porto Velho, observa-se que elas sofrem influências de valores sociais nas paisagens constituídas pelos moradores das sociedades. Santos (1997, p. 83) entende que as paisagens são “um conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas formas que a vida anima”. Assim, a paisagem reflete a percepção do sujeito com o mundo exterior, e a forma de perceber são os valores sociais presentes na vida do ser humano.
Ferrara (1993, p. 18) entende que as percepções urbanas, são caracterizadas por práticas culturais formadas por elementos da paisagem constituída nas sociedades, como é o caso da cidade de Porto Velho. A mesma
Revbea, São Paulo, V. 11, No 4. Anais do V CBEAAGT revista brasileira de
educação
ambiental
61recebeu hábitos humanos que sobrepuseram à realidade existente da vida humana em sociedade, pois a imagem perceptiva da cidade é criada a partir do uso e dos hábitos urbanos. Entende-se, pois, que as praças podem ser observadas a partir da realidade histórica e social nos espaços existentes da cidade.
A PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS SUJEITOS: RESULTADOS E ANÁLISES