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154 INTRODUÇÃONo panorama atual, as questões ambientais têm lugar de destaque, seja no cenário político ou no movimento em defesa do ambiente, em virtude de suas conseqüências mais preocupantes e que vêm se tornando mais freqüentes. Nas cidades, os problemas são ainda mais evidentes, já que a industrialização e a aglomeração urbana provocam grandes danos à natureza, fazendo com que esses impactos sejam sentidos mais fortemente. Tendo em vista esses problemas, a Educação Ambiental se torna uma ferramenta fundamental no cotidiano escolar. Se faz necessário que exista a preocupação do professor em passar para os alunos essa questão, pois a cada dia se tornam mais visíveis os impactos que o homem provoca no ambiente em que vive. A interdisciplinaridade do tema permite que ele seja discutido em algumas disciplinas escolares, como Geografia e Biologia, e perpasse as discussões nas mais diversas áreas do conhecimento.
As propostas de Educação Ambiental devem envolver não só as escolas, mas sim toda a comunidade, pois segundo Marcatto (2002):
Os problemas ambientais se manifestam em nível local. Em muitos casos, os residentes de um determinado local são, ao mesmo tempo, causadores e vítimas de parte dos problemas ambientais. São também essas pessoas quem mais têm condições de diagnosticar a situação. Convivem diariamente com o problema e são, provavelmente, os maiores interessados em resolvê-los. (MARCATTO, 2002, p.12)
Dessa forma, o presente artigo busca expor um pouco do histórico da Educação Ambiental, a necessidade crescente da abordagem dessa temática dentro de sala de aula e a forma interdisciplinar que o assunto toma. Propõe também trazer como exemplo concreto o Projeto de Olho na água que consegue aliar o processo de educação com uma boa gestão comunitária e assim trazer benefícios para a comunidade de Icapuí-CE, mas ao trazer a Educação Ambiental para o meio urbano vários desafios são postos. Pretende-se aqui pontuá-los e apresentar possibilidades de ação que possam ser desenvolvidas nesse meio, propostas que possam incentivar o aluno a entender que morar em uma área urbana não significa ter que excluir contato com a natureza.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UM BREVE HISTÓRICO
Várias são as definições encontradas para Educação Ambiental. Destacaremos aqui a definição que é dada pela Política Nacional de Educação Ambiental:
Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
(Art. 1º da Lei nº. 9.795, de 27.abr.1999)
A EA se torna essencial nos dias atuais, já que os meios de exploração da natureza para obter a garantia do capital se tornam cada vez mais perversos,
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155e nesse sentido, a escola se torna o local mais propício para que se possa desenvolver uma conscientização, criar um espirito de coletividade e cumprir com êxito o que propõe a EA, tendo como resultado cidadãos conscientes da necessidade de preservação e revitalização do ecossistema.
É necessário nesse artigo destacar os processos históricos que contribuíram para que fossem implantadas medidas voltadas para a EA. Dessa maneira entenderemos em que período o homem começou a se preocupar com o meio em que vive e a partir disso a olhar para a natureza e a saber que cuidar dela também é cuidar da vida humana.
O processo de degradação ambiental que enfrentamos hoje é produto da Revolução Industrial. Isso não significa que antes do século XVIII o planeta vivesse em total harmonia, mas os meios de produção capitalistas influenciaram na ocorrência do que observamos no presente: o nascimento e expansão de indústrias ao longo da história, e como consequência a poluição do ar que prejudica não só o ambiente, mas também a saúde humana, e que é apenas uma das principais problemáticas da perpetuação desse modelo econômico.
Os grandes problemas causados pela Revolução Industrial começaram a ser sentidos com mais intensidade na década de 1950. Landsberg (2011) comenta sobre um dos primeiros episódios associados aos impactos da Revolução Industrial. O que mais impactou a sociedade da época foi “O Grande Nevoeiro” na cidade de Londres em dezembro de 1952, onde fatores climáticos juntamente à poluição ocasionada pela indústria que estava a todo o vapor na época, formaram uma névoa natural carregada de fumaça que encobriu a cidade por alguns dias, totalizando cerca de 4000 fatalidades atribuídas a este evento. Os problemas da poluição atmosférica foram sentidos em várias cidades do mundo nessa década, o que contribuiu para que começassem a ser pensadas iniciativas referentes a esse problema. Marcatto (2002), cita que na década seguinte foram publicadas muitas obras que criticavam as fábricas e as consequências que elas geravam para o meio ambiente. Em 1972, ocorreu em Estocolmo, na Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e o Meio Ambiente Humano, onde foram discutidos os principais problemas ambientais do momento em questão e elaboradas algumas propostas para conter o avanço dos problemas discutidos. Ainda na década de 1970 ocorre na Iugoslávia a Conferência de Belgrado, onde foram criadas propostas para um Programa de Educação Ambiental. Este encontro deu origem à Carta de Belgrado, documento fundamental para os movimentos ambientalistas. Essa década trouxe muitos avanços para as discussões referentes ao meio ambiente. Segundo Marcatto (2002):
Muitos movimentos de oposição também surgiram nos anos 70, no bojo da crítica ao modelo dominante de desenvolvimento industrial e agrícola mundial, e dos seus efeitos econômicos, sociais e ecológicos. Nessa época tem início um processo de tomada de consciência de que os problemas como poluição atmosférica, chuva ácida, poluição dos oceanos e desertificação são problemas universais. (Marcatto, 2002, p.25)
A década de 1980 é marcada pela crise econômica e pelo agravamento de problemas ambientais em nível mundial. Do ponto de vista dos movimentos ambientais, essa década ainda é fatídica por conta do acidente nuclear em
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156Chernobyl, na Ucrânia. Dupuy (2007), descreve algumas consequências do desastre que somou mais de 4000 mortes nas primeiras semanas, e causou o deslocamento da população da área para locais mais distantes. Esse acontecimento, na década de 1980 justifica e torna evidente a necessidade de uma EA capaz de preparar os cidadãos para lidar com o ambiente.
Na trajetória dos movimentos ambientais e das políticas voltadas para o ambiente que fomentaram a EA, se faz necessário destacar o papel das conferências que tratam dessa questão, principalmente as ocorridas após 1990. Nessa perspectiva, no ano de 1992 também ocorre outra importante conferência, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, ou como ficou conhecida ECO-92, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, onde foram debatidos os principais problemas ambientais e firmados acordos entre os chefes de estado na busca por um planeta mais sustentável, como aponta Marcatto (2002).
Da década de 1990 até os dias atuais, as discussões referentes ao meio ambiente estão ganhando mais notoriedade, já que os líderes mundiais têm mostrado interesse em construir propostas que reduzam os impactos ambientais. Em 2012 ocorreu no Brasil, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, ou como ficou conhecida, a Rio+20, realizada vinte anos após a ECO-92, onde foi questionado o cumprimento das metas estabelecidas no encontro anterior.
O que pode ser percebido nessa breve explanação histórica é que a preocupação com o meio ambiente foi crescente nas últimas décadas, ou seja, os governos se preocupam em estabelecer propostas de EA. Porém, essas propostas são realmente efetivas? O que vem ocorrendo ultimamente é que muitas iniciativas se colocam como sustentáveis, mas realmente não cumprem essa meta. Pode-se dizer que, na atualidade, dizer que algo é sustentável ou reciclável já o torna melhor visto. Algumas empresas colocam esses termos nos seus produtos, tornando-os mais caros, mas muitas vezes os produtos não obedecem tais normas e as corporações se aproveitam dessa nomenclatura. Ao criar propostas de EA temos que reavaliar se elas estão funcionando, pois criar propostas só por criar e não efetivar ações que realmente ponham em prática as suas propostas, não trazem resultados eficientes para a sociedade.