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educação

ambiental

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO

AMBIENTAL DO CTC (UFSC):

10 ANOS DE EDUCAÇÃO

AMBIENTAL E EXTENSÃO

UNIVERSITÁRIA

Natália Silvério84

Maria Gabriela Knapp85

Eduardo Erpen Fronza86

Eixo Temático e Tema: Educação Ambiental na construção das sociedades

sustentáveis; Espaços de Construção de Saberes, Fazeres e Sentires.

Palavras-Chave: Educação Ambiental; Extensão Universitária; interdisciplinaridade.

Resumo Expandido: O ingresso na universidade é o início de uma jornada de

preparação profissional e pessoal, pois é normalmente nesta fase que o jovem se vê responsável pelo seu desenvolvimento frente ao papel social que escolheu assumir no vestibular. Ao menos é o que se espera... Mas na prática não é bem assim. O que ocorre é que os “calouros” entram na universidade e percebem-se cercados de provas, compromissos e muito pouca orientação sobre o papel social a que estão prometidos. Por isto, a importância da extensão universitária não é só para a sociedade, mas para o próprio aluno que, através da extensão, tem a oportunidade de atuar na prática e perceber o quanto o conhecimento produzido e repassado pela academia tem real importância na vida cotidiana das pessoas. Com o Núcleo de Educação Ambiental do CTC (NEAmb) não foi diferente, tudo começou quando um grupo de estudantes resolveu ir um pouco mais além nas suas rotinas acadêmicas e em 2005 foram incentivados a conhecer a Escola Ensino Básico Getúlio Vargas (EEB GV), localizada em Florianópolis-SC. A partir dessa visita os alunos se sentiram envolvidos pela problemática do espaço escolar, e assumiram o desafio de ajudar a Escola através da educação ambiental (EA). A partir disso, no ano de 2006 o projeto “Potencializando os Recursos Humanos e Naturais na EEB GV” iniciou naquela escola, e na medida em que o projeto foi evoluindo, muitos voluntários e simpatizantes foram se aproximando e o grupo inicial de três alunos foi crescendo. A principal característica do projeto era a construção coletiva das aulas e atividades de construção, plantio e manutenção do espaço escolar. O resultado foi que no ano seguinte o projeto na EEB GV foi renovado, e os voluntários mais experientes procuraram outros professores e novos projetos foram criados em outras escolas. Diante desse crescimento, os estudantes buscaram apoio institucional dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), principalmente no Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental e no Centro Tecnológico (CTC), e em 19 de outubro de 2007 foi criado oficialmente o Núcleo de Educação Ambiental do CTC, que a partir de então, formulou seu Estatuto e se estruturou em: Membros, Conselho Gestor, Conselho Técnico, Conselho Consultivo. Os projetos do NEAmb sempre prezaram pela participação de estudantes e professores

84Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: [email protected] 85Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: [email protected]. 86Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: [email protected].

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de outros cursos, integrando os diferentes saberes e conhecimentos das humanas, biológicas e exatas, sempre com o tema da EA para a sustentabilidade de forma transversal. Por isso o apoio institucional do CTC foi fundamental para que estudantes de diferentes cursos da UFSC pudessem encontrar no NEAmb um espaço para abrigar as suas vontades de realizarem projetos de extensão universitária. Nesse contexto, a relação entre professores e alunos no Núcleo foi acontecendo de forma espontânea, uma vez que o professor tem uma importância central na orientação, de forma a assegurar a qualidade dos projetos realizados. Para além de buscar professores para coordenar cada projeto de extensão, os membros do NEAmb buscam a orientação e conselhos também de outros professores e profissionais criando uma grande rede multidisciplinar de conselheiros. Desde 2007, o NEAmb realizou diversos projetos de EA, como o Projeto na EEB GV, que durou oito anos; os trotes Eco-Solidários no Sítio Çarakura (Florianópolis) que em 2017 completou 10 anos; e muitos outros. Essa interdisciplinaridade ganhou maior destaque com o surgimento de um dos projetos de maior dimensão realizados pelo Núcleo até hoje, o Projeto de Criação de uma Unidade de Conservação (UC) no Município de Itapema-SC, que contou com quatro anos de ações e pesquisas dos meios físico, biótico e socioeconômico. Todo o processo foi conduzido de forma participativa, através de um amplo processo de governança e EA, envolvendo diversos atores sociais e entidades da sociedade civil organizada, autoridades e pesquisadores da UFSC. Como resultado, foi criado em 2012, por decreto municipal, o Refúgio da Vida Silvestre de Itapema, a maior UC municipal de Santa Catarina com 2.604 hectares de Mata Atlântica, protegendo a fauna, a flora, as inúmeras nascentes, rios e os demais recursos naturais da região. Além disso, esta proposta trouxe uma nova dimensão para o Núcleo, articulando inúmeros parceiros institucionais. Em 2017, o NEAmb conta com a participação de estudantes de mais de 10 cursos de graduação e pós-graduação da UFSC, sendo este o ano com maior diversidade de membros, que, engajados, aprovaram 10 projetos de extensão através do Edital PROBOLSA/UFSC, dentre eles, os projetos "Promovendo a economia circular e solidária a partir do Conceito Lixo Zero" e "Viabilizando as hortas urbanas: produção de mudas e assistência técnica para escolas e postos de saúde". Neste ano, o NEAmb comemora seus 10 anos de atuação, e esta grande diversidade de novos membros e parceiros deseja continuar esse importante trabalho para o fortalecimento da EA e da extensão universitária.

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CARTOGRAFIAS DE

EXPERIÊNCIAS COM E NA

NATUREZA

Jane Marcia Mazzarino87

Denise Bisolo Scheibe88

Eixo Temático e Tema: Educação Ambiental na construção das sociedades sustentáveis

- Espaços de Construção de Saberes, Fazeres e Sentires.

Palavras-Chave: Educação Ambiental. Vivências. Natureza. Cartografia

Resumo expandido: Debruçar-se sobre a investigação em educação ambiental por meio

da cartografia das experiências com e na natureza, enfatizando a dimensão estética, é o desafio que nos colocamos como pesquisadoras. Elementos como o imaginário, a emoção, as sensações, o corpo, os compartilhamentos, intuição, os silêncios, a escuta, os desejos, enfim, tudo que é da ordem da experiência sensível ganha força. (BARCELOS, 2003; SILVEIRA, 2009; DUARTE, 2004). A campo as experiências com e na natureza são investigadas em um grupo de estudantes de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário UNIVATES/Lajeado/RS/Brasil, que atuam em escolas a partir do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID) do Governo Federal. O método cartográfico mostrou-se apropriado para a exploração da dimensão estética como pretendido. Tínhamos uma questão disparadora ou problema de pesquisa: como estudantes de licenciatura são afetados pela experiência das vivências quando se colocam no lugar de aprendizes-ensinantes? Essa questão, norteou essa exploração inicial e, a partir dela, surgiram os objetivos que emergiram ao longo da imersão no campo: descrever modos de entrega dos sujeitos nas experiências com a natureza, acompanhar os afetos emergentes, perceber como o ambiente afeta as relações do grupo, mapear a relação mediador x participante, de modo a entender como essa interação altera a experiência. As experiências com a na natureza foram dinamizadas por meio de oficinas baseadas no método de aprendizagem sequencial de Joseph Cornell (2005), segundo o qual o aprendizado se dará se cada atividade for realizada no tempo certo. Por isso, Cornell se preocupou em organizar as quatro fases do método de maneira que uma “flua” para outra naturalmente: despertar o entusiasmo, concentrar a atenção, experiência direta e compartilhamento da inspiração. A fim de analisar a sensibilidade que as vivências ambientais oportunizam, utilizamos como estratégia o método cartográfico, o qual possibilita estar em campo acompanhando o processo de modo atento aos detalhes e afetos que vão sendo constituídos. Entre esses, os afetos do próprio cartógrafo-pesquisador. Dessa maneira, ao estar em campo o cartógrafo vai construindo e reconstruindo seus objetivos e a sua maneira de olhar, conforme a necessidade. Kastrup (2009) coloca que o método cartográfico é um modo de acompanhar processos. Nesse pensar as coisas entre, observamos emergir linhas que os participantes traziam de suas vidas e como isso influenciava no processo, a vontade de descobrir a natureza ou o desinteresse entre as atividades, aquilo que não controlavam e as conexões que faziam. Passamos também a dar atenção às modificações dos grupos e como isso

87Univates, docente do PPG Ambiente e Desenvolvimento e do Centro de Ciências Humanas e Sociais,

Jornalismo. Esta pesquisa conta com o apoio do CNPq, Fapergs, Univates, e-mail [email protected]

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afetava o andar das atividades, delimitando novas rotas e aprendizados. Como resultados finais do estudo por meio deste método movente e dançante, emergiram sentimentos, atravessamentos e potencialidades que contribuíram para que os objetivos tomassem forma ao longo das vivências, surgindo dimensões de análise inesperadas, que formaram agrupamentos de linhas encontradas durante o processo. Um agrupamento refere-se aos espaços e significâncias da experiência e outro ao afloramento durante. Como espaços abordam-se o lago, a sede social da universidade, o jardim, a sala e o parque. Observou- se que ambientes abertos possibilitam experiências de liberdade, de espontaneidade, podendo emergir singularidades potentes entre os participantes das atividades de educação ambiental. A ludicidade emerge. A energia aflora. A espontaneidade marca a vivência. Enquanto que os ambientes fechados, institucionalizados, marcados por lugares definidos a priori, um modo de estar sentado, na classe, uma atrás da outra, e um professor a frente, com o poder de escrever o que quer que seja aprendido, afeta a experiência com linhas duras, limitando as linhas de fuga, que no ambiente livre surgem e tomam o participante. Entre os afloramentos surgiram o olhar do participante, a infância rememorada, o mediador, o olhar do estrangeiro e as linhas duras emergentes. As observações demonstraram que mesmo quando o grupo de participantes não é formado por pessoas que se conhecem bastante, as vivências possibilitam experiência de trocas com o outro que evoluem para o lúdico, mas também deixam emergir medos, confiança e o sentir-se criança. Retomar o contato com a natureza e por ela com a infância gerou uma entrega às vivências e ao que surgiu com elas de lúdico e saudade, assim como seus desdobramentos. Quanto ao mediador, este abria espaço para as discussões nos momentos de compartilhamento, mas pouco problematizava o que surgia, seguindo a orientação apresentada pelo método que sugere valorizar as contribuições dos participantes contribuam. Ao nos deparamos com três alunos da Colômbia exercitamos olhar para a nossa própria terra com outros olhos, já que o estrangeiro trouxe, ao se emocionar com o que percebe diante do que estamos acostumados a ver com olhar acomodado, um estranhamento que nos acertou em cheio. As linhas duras referem-se a vontade de instituir a experiência, percebida nos futuros educadores, que encaravam o vivido como possibilidades de novos aprendizados, levando em consideração que no futuro poderiam trabalhar com esse material em sala de aula.

Referências

CORNELL, Joseph. Vivências com a Natureza. São Paulo: Editora Aquariana, 2005.

KASTRUP, V. O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. In: E.

Passos, V. Kastrup & L. Escóssia (Orgs.). Pistas do método da cartografia:

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