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3.7.3 Utvalgets vurderinger
Nos últimos anos, diversas disciplinas estão a interessarem-se pela análise da instituição escolar como ponto de encontro de culturas, contribuindo assim para a compreensão dos processos educativos que tem lugar naqueles contextos caracterizados pela diversidade étnico-cultural. A importância da escola, como ponto de encontro de culturas é recolhida por numerosas disciplinas. Assim:
A sociologia põe em destaque a importância do grupo de pares e a possibilidade de enriquecimento da pessoa através do intercâmbio de valores culturais.A psicologia do desenvolvimento incide no interesse dos primeiros anos de vida na formação da atitude e capacidade social da pessoa. A política ou sociopolítica põe em destaque o interesse da educação num conjunto de valores comuns que facilitem o entendimento e convivência entre as pessoas e os grupos (Rosales, 1994, p. 49).
A escola representa um lugar de encontro para alunos de diferentes culturas, os quais relacionam-se e interactuam entre si através das experiências educativas, formais e informais, que se desenvolvem em diferentes contextos e âmbitos escolares. Em muitas ocasiões, até que os alunos nos cheguem à escola, somente mantiveram interacções esporádicas com crianças de grupos diferentes do nosso. Para algumas destas crianças será na escola aonde, pela primeira vez, conhecem e se relacionam com companheiros de outros grupos étnicos. Para muitas crianças, os procedentes da imigração ou os das segundas gerações, a escola converte-se num dos principais agentes de integração social, pessoal e cultural, exercendo um influxo mediador essencial nos processos de
socialização. Nesse sentido, a escola deve proporcionar aos alunos programas escolares que os ajudem a desenvolver habilidades para compreender este universo de gentes e experiências plurais, e que os ajudem a maximizar suas potencialidades para conseguir vidas socialmente construtivas e pessoalmente realizadas (Gay, 1986).
Os primeiros anos de escolarização constituem o período mais crucial na educação formal das crianças. É o momento em que as crianças são iniciadas nas normas e protocolos escolares, e no desenvolvimento de habilidades formativas essenciais à educação e a escolarização (Piaget, 1972). As experiências escolares subsequentes meramente refinam os processos. Devido a que nos primeiros anos são tanto formativos como directivos na formação das atitudes e habilidades de aprendizagem dos alunos, se deveria tomar especial cuidado em assegurar que tudo aquilo considerado importante para o desenvolvimento educativo compreensivo das crianças está incluído no currículo. Segundo Gay (1986), a escola, dado o seu compromisso em facilitar o desenvolvimento pessoal, a coesão social, a dignidade humana e a cidadania mundial, tem uma obrigação moral e ética de incluir a diversidade étnica e o pluralismo cultural em sua oferta do currículo primário. Ainda que seja importante em todos os níveis de escolarização, este mandato é crucial nos primeiros níveis de escolarização.
Em ocasiões, pretende-se iludir o tema das relações interétnicas e as atitudes para outros grupos apelando à caracterização ou descrição dos alunos como “color-blind”3. No entanto, sabemos que as crianças são conscientes das diferenças de cor em tenra idade (consciência étnica); a partir dos quatro anos mostram atitudes e reacções face aos diversos grupos (esta etapa marca o princípio dos sentimentos e valorização de pessoas de diferentes grupos) e para a idade de oito anos as atitudes se cristalizam. Como aponta Kendall (1983), se não se planeou, será mais um programa para trabalhar o tema das diferenças culturais, pois as crianças espontaneamente suscitarão questões relacionadas com temas culturais e raciais. Banks (1994) assinala que as crianças chegam à escola com muitas concepções erradas, atitudes negativas e estereótipos acerca das pessoas diferentes deles. Se a escola não ajuda aos alunos a desenvolver atitudes mais positivas para os diversos grupos, os estereótipos e atitudes negativas irão aumentando à medida que os alunos crescem fundamentalmente, a partir dos sete ou oito anos quando se
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. Este termo é utilizado, sobretudo na literatura americana, para fazer referência à aparente inconsciência dos alunos acerca das diferenças enquanto à cor da pele, principalmente, uma de outras diferenças físicas entre grupos (Glazer, 1977).
produz uma intensificação gradual do preconceito (Banks, 1994; Houlton, 1986). No entanto, os alunos não se abrem a diferentes grupos étnicos e culturais até que desenvolvam um sentido positivo de si mesmos, incluindo uma consciência e uma aceitação ou reconhecimento de seu próprio grupo étnico (Bennett, 1995). Daí a importância que muitos autores atribuem ao desenvolvimento do auto-conceito dos alunos (Sleeter & Grant, 1994) e do papel que a escola desempenha nesse processo. Nesse sentido, Burns (1982) recolhe e apresenta os resultados de diversos estudos que mostram que os níveis de auto-estima mantêm uma relação directa com a aceitação por parte de pessoas pertencentes a grupos étnicos distintos do próprio.
Cabe assinalar que o grupo de pares joga um papel muito importante nos processos de socialização dos alunos migrantes ou da segunda geração os quais encontram nos seus companheiros seu principal guia no conhecimento e interpretação dos códigos culturais que regem e governam o que acontece dentro do recinto escolar. Assim, desempenham por exemplo um papel muito importante na facilidade da aprendizagem do idioma. Em muitas ocasiões, os mesmos companheiros de classe e de jogos se convertem, também, em amigos que acompanham os alunos imigrantes em contextos extra-escolares.
Quando se formulam planos para uma educação multicultural, os educadores devem conceber a escola como uma micro-cultura que tem normas, valores, papéis a desempenhar, estatutos e objectivos, tal como outros sistemas culturais. A escola tem uma cultura dominante e uma variedade de subculturas, surgindo assim, dinâmicas de interacção cultural entre professores e alunos entre si onde uns e outros vão reciprocamente assimilar visões, percepções e “ethos”.
Quando os alunos confrontam os elementos da cultura dos professores e vice-versa, a cultura da escola transforma-se num sistema cultural global sintetizado que reflecte as culturas de todos os seus participantes, o que constituirá para todos um factor de enriquecimento e fará com que o sucesso escolar dos alunos oriundos de várias culturas aumente, uma vez que verão o seu universo cultural e o seu “ethos” reflectido na escola e aí legitimado. O Quadro 2 sintetiza a interacção de subculturas, ao nível da instituição escolar.
A Cultura do Aluno A Cultura do Professor A Cultura da Escola
Língua e dialecto
Comunicação não verbal Perspectivas e visões do mundo. Estilos de comportamento. Métodos de raciocinar Validação do comportamento Língua e dialecto
Comunicação não verbal Perspectivas e visões do mundo. Estilos de comportamento. Métodos de raciocinar Validação do comportamento A cultura da escola Reflecte os valores, Perspectivas e Comportamentos dos Estudantes e dos Professores
Quadro 2: A interacção cultural como um objecto a alcançar pela escola. Fonte: Carlinda Leite
(2005).