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Informasjon til kunden

6.6 Overordnede prinsipper for god

6.6.2 Informasjon til kunden

A nossa proposta de Educação Multicultural baseia-se na fundamentação teórica descrita e se define como um enfoque educativo baseado no respeito e avaliação da diversidade cultural, dirigido a todos e cada um dos membros da sociedade no seu conjunto, que propõe um modelo de intervenção, formal e informal, holístico, integrado, configurador de todas as dimensões do processo educativo em ordem a conseguir a igualdade de oportunidades e resultados, a redução do racismo nas suas diversas manifestações, a comunicação e competência interculturais. Trata-se de um enfoque desde o qual aborda as questões referidas no tratamento da diversidade cultural na educação, entendendo que esta diversidade se manifesta mais para além dos limites estabelecidos por raças, grupos étnicos ou nacionais e na interacção com outras variáveis significativas tanto na intervenção educativa em contextos educativos formais como noutros menos estruturados e informais. A igualdade de oportunidades e recursos supõe que as capacidades, talentos e experiências sejam considerados como um adequado ponto de partida para a escolaridade posterior e exige justiça e a possibilidade real de igualdade de resultados para um maior número de estudantes. Implica equilíbrio entre o formal e informal, individual e de grupo, processo e produto, diversidade e unidade. Exige coordenação entre processos de mudança, auto imagem positiva, autoconfiança, auto afirmação e necessita clareza para se enfrentar a dilemas e paradoxos. A adopção de medidas que favoreçam a igualdade de oportunidades põe à prova a nossa capacidade de tolerância e a apreciação da diversidade como uma força valiosa e não como uma debilidade a superar. É importante que as escolas adoptem medidas que favoreçam esta igualdade de oportunidades, mas não é menos importante que tal igualdade se defenda também em todas as medidas que se adoptem no âmbito laboral, familiar e social.

Vários autores (Aguado Odina, 1995; Banks, 1999; Steinberg & Kinchelo, 2000; Bartolomé, 2003; Massot, 2003; Sartori, 2001), propõem a seguinte definição síntese de educação multicultural: “Uma estratégia multifacetada, orientada para a mudança, que se norteia por seis objectivos interrelacionados, mas distintos“ (Steinberg & Kinchelo, 2000, p. 30). Esses objectivos básicos são os seguintes: (a) igualdade educativa; (b) co- responsabilização de alunos e pais; (c) pluralismo cultural na sociedade; (d) relações interculturais, interétnicas e intergrupais de compreensão e harmonia, ao nível de sala de

aula e comunidade; (e) um conhecimento alargado de vários grupos culturais e étnicos; (f) a formação de alunos, pais e agentes educativos (professores, directores de escola, coordenadores de departamento de áreas disciplinares, pessoal auxiliar), cujo pensamento e acção se caracterizam por uma perspectiva multicultural informada e questionadora.

A Figura 2 sintetiza esses objectivos: Primeiro, a igualdade educativa: é definida em três tipos de condições: em primeiro lugar as condições físicas e financeiras das famílias; em segundo lugar, oportunidades de aprendizagem; e em terceiro lugar os resultados educativos, tanto de indivíduos como de grupos. Assim, por exemplo, quando professores e administradores escolares se esforçam por criar igualdade educativa, na sala de aula ou na escola, procurarão tornar mais ou menos equivalentes o seguinte: (a) as condições físicas em que as crianças aprendem; (b) a qualidade e a experiência de professores e administradores escolares; (c) as oportunidades de aprendizagem proporcionadas a diferentes tipos de alunos; (d) o sucesso escolar de vários grupos de aprendentes dentro da sala de aula, da escola e da área escolar, como por exemplo, rapazes e raparigas, brancos e negros; alunos monolingues e alunos bilingues; os que são economicamente desfavorecidos e os que são mais afortunados.

A formação de alunos pais, directores de escola e agentes educativos numa perspectiva Um conhecimento grupos culturais e étnicos

Figura 2. Objectivos da Educação Multicultural. Adaptado de Steinberg & Kinchelo (2000).

Relações inter culturais e intergrupais de compreensão e harmonia Pluralismo Cultural na Sociedade multicultural Igualdade Educativa Co-Responsabilização de Alunos e Pais

Esta preocupação com a igualdade é, para os autores estudados, o traço mais distintivo da educação multicultural. Deste modo, a questão ética fundamental que cada professor terá que colocar a si próprio é se a sua aula proporciona um ambiente de aprendizagem justo/adequado para a diversidade de alunos que lhe cabe ensinar.

Segundo, co-responsabilização: não se trata somente de investir poder nos alunos mas também nos pais, nos professores e noutros agentes educativos. Este processo de delegação de poderes proporcionará aos alunos uma melhor preparação, no campo das atitudes e competências, no sentido de os capacitar para, por exemplo: desenvolverem estratégias de auto-aprendizagem, serem alunos que progressivamente assumem a responsabilidade da sua formação; desempenharem um papel activo na melhoria da qualidade das várias comunidades que habitam na sala de aula, escola, região, país, mundo; aprenderem a trabalhar de modo independente e interdependente, de forma a levarem a cabo estas tarefas.

Terceiro, o pluralismo cultural: Embora relacionado com igualdade educativa, é um tipo de objectivo diferente. Enquanto a igualdade educativa incide na modificação de condições para promover uma aprendizagem de base equitativa, o pluralismo cultural centra-se nas atitudes. Trata-se de proporcionar a professores, alunos e administradores escolares experiências promotoras de atitudes culturais positivas. A questão que o professor põe a si próprio, quando pretende contemplar o pluralismo cultural, é de como poderá ajudar os seus alunos a desenvolver respeito, e ou tolerância para com indivíduos e grupos que são culturalmente e ou fisicamente diferentes. Quando os alunos descobrem o que têm em comum, através da participação em actividades conjuntas e num clima de entreajuda, verifica-se o desenvolvimento do respeito, do apreço pelo outro e da tolerância, estabelecem-se também relações de convivência harmoniosas. Muitos são os educadores que, nas últimas décadas, têm vindo a criar estes contextos educativos. Um determinado ambiente na sala de aula, facilitador da organização e funcionamento de grupos de aprendizagem cooperativa, tornar-se-á, por sua vez, promotor da igualdade educativa. É nesta medida que pluralismo cultural se apresenta potencialmente ligado à igualdade educativa.

Quarta, a harmonia inter e intra-grupo: No sentido de corresponder a este objectivo, os professores devem proporcionar na sala de aula conhecimentos, desenvolvimento de competências e um clima de aprendizagem susceptíveis de preparar o aluno para a interacção com o seu grupo social, bem como com membros de diferentes grupos culturais e étnicos. Dado que, em todo o mundo, se assiste ao recrudescimento de conflitos étnicos e culturais, torna-se absolutamente necessário implementar um currículo que desenvolva relações inter e intra-grupais positivas. Entende-se, neste contexto, por grupos étnicos e culturais acepções tão amplas como homens e mulheres, hetero e homossexuais, imigrantes e não imigrantes, bem como no caso específico dos Estados Unidos da América, os grandes grupos étnicos normalmente referidos como Afro-Americanos, Euro-Americanos, Hispânicos-Americanos, incluindo, em cada um deles, os respectivos subgrupos étnicos e culturais (Banks, 2004, p. 10). Ser capaz de interagir com outros, aumenta a capacitação do indivíduo, uma vez que lhe permite trabalhar em conjunto para atingir metas e sobreviver em comunidades muitas vezes dominadas pelo tráfico de droga, pelo crime e pela violência. O conhecimento do eu e do grupo cultural, racial e étnico de pertença, contribui para a identidade pessoal e é um elemento vital no desenvolvimento de atitudes positivas de sobrevivência em contextos adversos, como os anteriormente referidos,

Quinto, o conhecimento multicultural e multiétnico: Os alunos devem aumentar continuamente o conhecimento e a valorização das suas raízes étnico-culturais, bem como das de outros grupos culturais. Este conhecimento irá desenvolver a sua auto- estima e a convicção de que, tanto eles como os seus amigos, têm a hipótese de vir a ter um bom futuro. Para além disso, esta valorização e convicção desempenham um papel importante na redução do preconceito. Em última análise, tal conhecimento constitui a base do processo de capacitação, do desenvolvimento do pluralismo cultural e da harmonia inter-grupo e também da capacidade de pensar, planear e trabalhar de acordo com uma perspectiva multicultural.

Sexto, ensinar segundo uma perspectiva multicultural: Entende-se que uma perspectiva multicultural é um estado de espírito, um modo de ver e de aprender que está condicionado por convicções acerca da multiculturalidade na história e na cultura do país onde se vive. Este sistema de convicções ajuda o professor a compreender que a cultura, raça, sexo, religião, estatuto sócio-económico e excepcionalidade são, de forma

complexa, variáveis potencialmente poderosas no processo de aprendizagem de indivíduos e grupos e que estudando sistemas culturais e instituições educativas de diferentes países, bem como culturas coexistentes no espaço nacional, se podem adquirir ideias úteis acerca do ensino e da vida. Uma perspectiva multicultural levará decisores curriculares e professores a seleccionar conteúdos que mostrem aos alunos que arte, música, línguas, história, ética, ciência, matemática, política são áreas que têm sido marcadas por uma multiplicidade de indivíduos, culturas e grupos étnicos.

O professor que trabalha numa perspectiva multicultural deve compreender que o seu modo de ver o mundo influencia a sua acção enquanto educador. Procurará, pois, recolher informação sobre o aluno e a sua família, interpretá-la e tomar, em consonância, as decisões. Compreenderá também a importância da continuidade cultural entre o meio familiar e a escola e, consequentemente, tentará, da forma mais adequada, minimizar ou maximizar o papel dessa continuidade.

Sétimo, criação de um contexto multicultural: ao assumir uma perspectiva multicultural, o professor aperceber-se-á de três questões importantes: em primeiro sobre a eficácia do ensino e educação multicultural são dois factores estritamente interligados; em segundo todas as salas de aula e todas as escolas são potencialmente um contexto multicultural e em terceiro uma sala de aula torna-se um contexto multicultural quando os alunos vivem um currículo multicultural. De realçar que multicultural não significa, necessariamente multiétnico. Qualquer sala de aula normal é multicultural, em termos de grupos e de culturas, uma vez que há aí rapazes e raparigas com as suas respectivas culturas, crianças de vários grupos sócio-económicos, de diferentes religiões e tipos de família, de origem bi ou mono-étnica. Há também o professor que, entre outras coisas, é um representante da cultura da sua formação profissional. Sendo a sala de aula inevitavelmente multicultural em termos dos grupos que nela interagem, a questão mais significativa a colocar é a de saber se os alunos estão a ser confrontados com um currículo multicultural. Se não estão, então o contexto não é multicultural, atendendo ao sentido estritamente educativo do termo.