3.2 Generelt om handelsplasser
3.2.2 Definisjoner og sentrale begreper 46
Os processos migratórios são uma das múltiplas formas em que se estabelece contacto entre culturas diferentes. Certamente o objectivo final das pessoas que emigram não é buscar o intercâmbio cultural, a sua presença confronta-nos com a diversidade do nosso planeta.
As formas de estabelecimento de contacto entre culturas são muito peculiares, tais como: A palavra imigração vai associada ao trabalho e à melhoria das condições de vida. A migração do terceiro mundo, é aquela que mais nos interessa, nutre-se de pessoas que vem a melhorar suas condições de vida, e satisfazer umas expectativas de consumo que não pode cobrir nos seus países. Os Estados do primeiro mundo necessitam dos emigrantes para trabalhar, como mão-de-obra barata. Os Estados não
investem na formação destas pessoas, exploram-nos quando são mais produtivos e perdem seu interesse quando deixam de trabalhar. Os trabalhos que realizam os imigrantes no nosso país situam-se na escala mais baixa do mercado laboral. Geralmente as condições de trabalho, que para os autóctones já são difíceis, para eles são realmente precárias. As condições de vida dos imigrantes são as derivadas das condições laborais daquelas que se submetem. Isto faz com que em muitos casos habitem em bairros com más condições e não tenham seguro médico (Gay, 1986; Rosales, 1994; Aldecoa, 2008).
Por outro lado, o contacto que se estabelece entre as comunidades de imigrantes e as povoações autóctones, é um contacto entre uma maioria e uma minoria. As primeiras dispõem das leis, dos meios de comunicação, dos bens de produção, e as segundas pertencem a países muito diversos, não conhecem o meio, apenas estão organizados.
Tentou-se demonstrar as premissas do contacto que pode estabelecer-se num processo migratório, entre uma minoria formada por grupos de imigrantes e a maioria que constitui a sociedade autóctone. Vou agora mostrar um esquema teórico de integração cultural que mostra as diferentes possibilidades que podem surgir quando uma minoria e uma maioria se juntam, ou seja para responder à questão, o que pode acontecer quando uma minoria e uma maioria se juntam? Berry (1994), desenvolveu um modelo que considera duas dimensões nos resultados das relações interculturais ou aculturação: a) A manutenção da identidade cultural; b) A manutenção de relações com outros grupos. As possíveis combinações entre estas duas dimensões podiam dar lugar a quatro estádios: 1) Integração, 2) Assimilação, 3) Marginalização, 4) Segregação (Cf. Quadro 1).
1ª Variável (Conservam a identidade cultural e os costumes)
Sim (Alta interacção com o outro grupo)
Não (Baixa interacção com o outro grupo)
Identidade Alta
Integração Assimilação
Identidade
Baixa Segregação Marginalização
2ª Variável (a busca e valorização de relações positivas)
Como podemos observar, o autor utiliza duas variáveis, o respeito pela identidade cultural e a busca de relações positivas, para definir os quatro estádios:
a) A Integração é o resultado das intenções por manter a identidade cultural específica do grupo e ao mesmo tempo luta-se por ser parte integrante da sociedade de acolhimento. Se dá quando há muitos grupos étnicos no sistema social geral (modelo do multiculturalismo do Canadá, Kymlicka, 2003), por um lado respeita-se a diversidade e por outro lado, buscam-se e potenciam-se relações positivas. Desta forma os conceitos de integração e interculturalidade aparecem como sinónimos. No entanto, o conceito de integração tem em muitos âmbitos conotações negativas, podendo-se associar a assimilação. A integração é algo difícil e complicado. Estamos perante um processo que passa pela legalização dos imigrantes, o conhecimento da língua, a equiparação do acesso ao trabalho, à educação, a todas as condições de vida com os autóctones, e por parte desta, o interesse e o desejo de encontro com as culturas das pessoas que chegam até nós.
b) Na Assimilação produz-se quando não se conserva a identidade cultural e os costumes mas buscam-se e valorizam-se as relações positivas. Portanto há a tendência para abandonar a identidade cultural de origem na fusão do grupo não dominante no seio de um grupo estabelecido como dominante. Estamos perante o modelo mais comum de relações entre imigrantes e autóctones. É aquele que se desenvolveu nos países como a França e os Estados Unidos. Interessa manter relações com os imigrantes enquanto trabalhadores, o demais não interessa, pelo contrário se lhes exige que se americanizem ou se tornem afrancesados, na medida em que o façam serão melhor aceites.
c) A Segregação produz-se quando se conserva a identidade cultural e os costumes mas evitam-se as relações positivas. A segregação é um dos defeitos do relativismo cultural. Estabelece-se uma base de respeito à cultura das minorias étnicas, mas sempre que não incomodem. Hoje em dia os guetos dos imigrantes que se produzem nas grandes cidades, e os ciganos na periferia, são reflexo desta segregação pelo menos no que se refere à habitação.
d) Na Marginalização produz-se quando nem se conserva a identidade cultural e os costumes nem se favorecem as relações positivas. Há um afastamento, cultural e psicológico, com respeito à cultura de origem juntamente a uma rejeição ao incorporar- se ao grupo maioritário da sociedade de acolhimento; caracteriza-se por retraimento e distância com a sociedade de acolhimento, além disso do sentimento de alienação assim como perda da identidade e dos interesses ligados à aculturação. Se a sociedade de acolhimento é quem a impõe é denominada exclusão.
É importante recordar a influência da categoria dos diferentes grupos culturais na hora de valorizar e interpretar estes estádios, sobretudo desde a perspectiva do grupo cultural dominante. Não fazê-lo seria, possivelmente, delegar demasiada responsabilidade sobre seu estádio final de aculturação num grupo minoritário como são os imigrantes, os refugiados, que se encontram numa clara situação de inferioridade. Assim que se dá a integração quando os membros da cultura dominante aceitam que os grupos da cultura não dominante mantenham sua própria herança cultural. Assim mesmo os estimulam e permitem tomar parte activa da sociedade, estabelecendo relações com eles. E desde a perspectiva do grupo não dominante, seus membros estão interessados em manter suas próprias raízes e identidade cultural, ao mesmo tempo se apoia e se reforça o estabelecimento de relações com o grupo dominante.
Seguindo as concepções de Popkewitz (2000), quando se conceptualiza a aculturação como um processo na qual intervêm tanto os grupos dominantes como os grupos não dominantes, é necessário ter em conta que a principal diferença entre eles é o poder derivado de suas características maioritárias ou minoritárias. Deste modo as orientações culturalista do grupo dominante costumam assinalar em que medida se permitirá ao grupo minoritário conservar sua própria identidade e fomentar que o grupo minoritário estabeleça relações com eles. A orientação do grupo minoritário orienta-se para a autorização ou direcção da conduta que seus membros deveriam manter. No caso de que ambas as orientações coincidem, isto é, no caso de que ambos os grupos tracem estratégias culturais semelhantes as relações entre ambos os grupos poderão ser conciliadoras. Mas se há diferenças entre as estratégias de ambos os grupos, a probabilidade da existência de conflitos pode ser alta.
Portanto, nenhum destes modelos se dá em estado puro, trata-se de modelos teóricos que servem para organizar a realidade. Os imigrantes podem experimentar elementos de vários destes modelos ao mesmo tempo, já que a realidade não é tão dicotómica. Nesta classificação de modelos de contacto, na qual a maioria prevalece, porque é ela que tem o poder e que poderá definir pela integração, assimilação, segregação ou marginalização. Contudo, penso que as minorias étnicas podem decidir o tipo de contacto que querem estabelecer com a maioria e exercer os poderes que tenham para consegui-lo.