• No results found

Finansiell handel i varer og

4.1 Generelt om markedet for vare-

4.1.3 Finansiell handel i varer og

O espaço contemporâneo, que não é culturalmente homogéneo, está marcado pelo encontro de diferentes grupos e pelo conflito das desigualdades sociais. De acordo com Thomaz (1995), as diferenças sociais acompanham a história da humanidade ao ponto de existir um mecanismo diferenciador que faz parte da própria humanidade. Quando um encontro entre diferentes grupos parece ter resultado homogéneo, no interior destes aparecem diferenças tão significativas que acabam por marcar fronteiras entre grupos sociais. Podem-se enumerar exemplos de acções que deixaram marcas em função das diferenças e aparente fragmentação dos grupos culturais:

O fim dos impérios Europeus na África e na Ásia representou não apenas o aparecimento de novos Estados, mas também conflitos entre povos no interior das novas fronteiras: antigos grupos étnicos que se reafirmavam em novos contextos; novos grupos que surgiam no interior de uma sociedade cada vez mais complexa. Parece que nos encontramos diante de um processo que vem acompanhando a humanidade desde sempre: se por um lado as sociedades humanas -com raras excepções - não estão completamente isoladas, por outro lado parece que o contacto entre diferentes sociedades, ou a existência de grandes civilizações, vem sempre acompanhado de um processo de diversificação cultural (Thomaz, 1995. pp. 429-430).

De acordo com Marcon Telmo os grupos étnicos e culturais lutam pela afirmação de suas identidades em contraposição aos demais, mas a contradição desse domínio é justamente a diferença que serve de justificativa para a dominação, passando a ser argumento para impor costumes, valores e culturas. Neste sentido “ a diferença se constitui, nesses casos, em ameaça e deixa de ser uma possibilidade de crescimento” (Marcon, 2006, p. 4). Para este mesmo autor (2006), a diversidade é negada e afirma-se a igualdade como estereótipo e não como direito, negando as diferenças. Em contradição à negação da diferença surge a discriminação. O homem vive em relações como grupo ao qual pertence. Esta condição nos remete a uma falsa normalidade, podendo justificar discriminações a partir da ideia de superioridade. Neste sentido, o autor propõe que as reflexões e discussões, “(…) partam do princípio de que a diversidade cultural tem de ser reconhecida não de forma individualista, mas dentro de um contexto histórico de totalidade. Assim evitam-se interpretações equivocadas que produzem mais discriminação ao invés da sua superação” (idem, p. 5). Segundo Marcon (2006), há dificuldade de se encontrar métodos de pesquisa que dêem conta de uma

análise mais detalhada sobre a diversidade cultural, ou seja, a diversidade precisa ser discutida, mas sem constrangimentos, e o desafio consiste em criar novos critérios de formulações que possam explicar a diversidade cultural. Ele continua afirmando que “a ciência que buscou a regularidade e a permanência, primou pelo dominante. O desafio das ciências sociais e humanas é fazer essa viagem inversa” (id., p. 6).

A dificuldade na compreensão da diversidade cultural está no surgimento dos grupos étnico-culturais e em suas contradições internas e relações que foram construídas historicamente. A interculturalidade, como conceito de referência, aplica-se ao contexto europeu para assumir a política de imigração e no contexto latino americano como suporte dos programas bilingue e intercultural, destinados aos povos indígenas, sem aceitar nem assumir na maioria dos casos que a reflexão intercultural é aplicável à gestão da multiculturalidade que impregna as sociedades europeias e americanas, encerradas até hoje em ópticas monoculturais, monolingues e etnocêntricas.

Na história recente, esse conceito foi recolhido pela UNESCO como um conceito de educação, para facilitar a compreensão internacional. Essa concepção se estende a uma educação fundada nos direitos humanos e promotora da democracia e da cidadania. A interculturalidade concebe o processo educativo como aquele que deve estar baseado na participação, para permitir aos indivíduos melhorar sua condiçõs de vida. Uma educação intercultural deve igualmente promover a tolerância e se expressa na capacidade de respeitar cada pessoa como a base ética da paz, da segurança e do diálogo intercultural.

Em Portugal o número crescente da população imigrante, proveniente de 179 países, e diferentes continentes, sobretudo da África, dos países de expresssão portuguesa, da América Latina (Brasil) e da Europa do Leste (Ucrânia), faz com que a sociedade e as diferentes instâncias sociais, particularmente a escola, sejam confrontadas com uma grande heterogeneidade linguística e cultural dos seus alunos, o que exige a adopção de estratégias e políticas adequadas para fazer face a esta nova realidade social, cultural e escolar (Leitão, 1999; Leite, 2002). Assim, a interculturalidade tem vindo a ser estudada no nosso país através do Secretariado Entreculturas um organismo privado criado em Fevereiro de 2001 com o objectivo de preparar a escola da diversidade cultural e da sociedade multicultural. Também se observa a criação, pelo Ministério da Educação em

2004/2005, do “Plano de Português de Língua não Materna”, envolvendo apoio escolar individualizado para o melhoramento das competências na língua portuguesa para aqueles que têm o Português como segunda língua. Ainda de realçar a promulgação do Despacho Normativo (n.º 7/2006, de 6 de Fevereiro) do Ministério da Educação, o qual constituiu um desafio às escolas para que criem condições sociais e pedagógicó- didácticas, as quais promovam a integração dos alunos estrangeiros e facilitem o acesso destes a todas as áreas do saber.

A interculturalidade inclui a ideia de intercâmbio, da interdependência, da inter- aprendizagem, do diálogo e da negociação entre as pessoas de culturas diferentes, baseada no princípio fundamental da igualdade de condições. É uma proposição democrática de diálogo de culturas, dentro de uma perspectiva complementária, alheia à tentação perversa de evitar falsas oposições entre a educação tradicional e a educação moderna, entre a cultura oral e a cultura escrita: um diálogo que nos permite construir um encontro benéfico entre culturas, onde uns aprendem com os outros, facilitando assim o respeito à pluralidade e à multiculturalidade. A partir desses princípios, essa reflexão pode ser aplicada aos campos da educação, da medicina ou da ecologia, entre outros, com a finalidade de imaginar uma compreensão melhor de nossas sociedades tão fragmentadas hoje, para melhor assumir os conflitos culturais e religiosos que as caracterizam (Bartolomé, 2005; Aldecoa, 2007).

A aplicação da reflexão intercultural pode ajudar a enfrentar as arbitrariedades geradas pelo etnocentrismo, pelo nacionalismo, pelo racismo e pelo fundamentalismo religioso que recentemente nos têm levado a confrontações tribais, que vão desde a purificação étnica na ex-Jugoslávia, passando pela emergência do racismo como ideologia política de massas nos países europeus, até à ameaça dramática da guerra de civilizações, promovida pelo fundamentalismo religioso que pretende justificar a ambição desmedida da geopolítica norte-americana (Fermoso, 1992; Elosua, 1994; Castillo, 2007). A interculturalidade se confronta com o processo político de cada país e é determinada pela vontade política com a qual os governos dos diferentes Estados assumem-na em seus programas educativos. Ela requer um contexto democrático activo e real, que permita a igualdade de condições para todos os actores e que supere as limitações e as ambiguidades da democracia formal.

A formação dos formadores e professores é primordial nesse sentido. Para além dos problemas teóricos e metodológicos, é necessária uma profunda tomada de consciência por parte dos formadores sobre alteridade e a necessidade de se colocar na situação e na pele dos outros. Requer-se igualmente uma experiência existencial, para melhor compreender e construir a interculturalidade como uma realidade no campo educativo. Por outras palavras, essa experiência existencial é necessária para se alcançar a descentração cultural dos actores. A descentração cultural __ enquanto trabalho quotidiano sobre nós mesmos em nossa relação com o mundo exterior __ apresenta-se como sendo a única possibilidade de aplicar a perspectiva intercultural: a única que nos permitirá construir um verdadeiro diálogo de culturas. A educação a partir da tomada de consciência do contexto histórico de cada sociedade e baseada na reflexão intercultural requer uma integração num projecto social assumido pela vontade política do Estado.