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O “ESTADO DA ARTE” DE

PRODUÇÕES CIENTÍFICAS SOBRE

AMBIENTALIZAÇÃO CURRICULAR

Danielle Monteiro Behrend 175

Claudia da Silva Cousin 176

Eixo Temático e Tema: 2- Políticas, Programas e Práticas de Educação Ambiental-

Ambientalização nas Instituições de Ensino.

Palavras-Chave: Estado da Arte; Pesquisa; Ambientalização Curricular.

Resumo Expandido: Neste resumo apresentamos o resultado de uma pesquisa do tipo

“estado da arte” baseada em uma abordagem qualitativa, que objetivou mapear produções científicas sobre Ambientalização curricular-AC, buscando compreender como vem sendo abordado o termo Ambientalização. As reflexões acerca da construção do “estado da arte” subsidiarão uma Tese de Doutorado em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental- PPGEA, na Universidade Federal do Rio Grande- FURG, a qual tem como objetivo compreender como ocorrem os possíveis processos de Ambientalização dos Estágios Curriculares Supervisionados-ECS nos cursos de Licenciatura da FURG. O mapeamento se deu pela escolha de cinco fontes de consulta: Banco de Dissertações e Teses da CAPES; artigos científicos publicados na Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental-REMEA; publicações na biblioteca eletrônica Scientific Electronic Library Online (Scielo) e na base do Google Acadêmico. Também foram analisados trabalhos apresentados nas reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), especificamente do Grupo de Trabalho - Educação Ambiental (GT 22). A pesquisa nas referidas fontes foram realizadas no segundo semestre de 2016. Para essa escrita optamos por apresentar uma síntese dos resultados de duas fontes. Foram encontrados sete artigos na REMEA e dezesseis na Scielo nos últimos doze anos, sendo que dos dezesseis da Scielo, apenas sete tem relação com a pesquisa em desenvolvimento. Dessa forma, quatorze artigos foram analisados para este trabalho. Apostamos na pesquisa do tipo “estado da arte”, por entendermos que possibilita o reconhecimento de um panorama da produção acadêmica sobre o tema investigado. Concordamos com Ferreira (2002, p. 258), ao apontar que as pesquisas denominadas “estado da arte” são:

reconhecidas por realizarem uma metodologia de caráter inventariante e descritivo da produção acadêmica e científica sobre o tema que busca investigar, à luz de categorias e facetas que se caracterizam enquanto tais em cada trabalho e no conjunto deles, sob os quais o fenômeno passa a ser analisado.

A análise teve início pela leitura atenta dos resumos e dos textos na íntegra. As pesquisas sobre AC investigam processos de Ambientalização nas Instituições de Ensino Superior- IES, com o objetivo de analisar os cursos de graduação. Também constatamos a avaliação de processos de Ambientalização na educação básica, assim como a Ambientalização das esferas sociais. No que se refere a metodologia de pesquisa, os trabalhos apontam que os pesquisadores optam pela pesquisa qualitativa, com observação participante, etnografia de práticas educativas, pesquisa narrativa,

175Universidade Federal do Rio Grande – FURG. [email protected]

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o revista brasileira de

educação

ambiental

entrevistas semiestruturadas e questionários. Percebemos um número expressivo de produções que apresentaram suas pesquisas nas IES, a partir dos indicadores de análise das dez características de um curso ambientalizado da “Red de Ambientalización Curricular de los Estúdios Superiores” – Rede ACES (2002). As produções científicas analisadas em sua maioria evidenciam o entendimento do termo Ambientalização, apresentando referenciais teóricos que embasam tal argumentação, mas também encontramos alguns artigos que apenas destacam como sinônimo de inserção da temática ambiental nos processos educativos, afirmação que nos parece um tanto restrita, por entendermos que “Ambientalização curricular é termo recente na literatura, ganhando força em nossas instituições educacionais [...]” (ORSI, 2014, p.8). Nessa perspectiva teórica de ampliação de processos de AC nas IES percebemos a emergência da “inserção de conhecimentos, de critérios e de valores sociais, éticos, estéticos e ambientais nos estudos e currículos universitários, no sentido de educar para a sustentabilidade socioambiental” (GUERRA; FIGUEIREDO, 2014, p.111). Além das publicações que ressaltam a Ambientalização como uma proposta de inserção da sustentabilidade socioambiental como uma política institucional nas universidades, também encontramos o termo sendo compreendido como processo de internalização nas práticas sociais e nas orientações individuais de valores éticos, estéticos e morais em torno do cuidado com o ambiente. (CARVALHO E TONIOL, 2010). Diante das análises realizadas percebemos que este levantamento contribuiu de forma significativa para que ampliássemos nossos entendimentos acerca da AC, delineando compreensões para pesquisa. Para tanto, destacamos que Ambientalização é um conceito em construção, que não deve ser compreendido apenas como inserção da dimensão ambiental nas instituições educativas e na formação de professores. Pretendemos investigar os ECS, a partir do entendimento de que a Ambientalização se constitui como um processo, respaldado nos princípios da EA (BRASIL, 1999). Assim, compreendemos que a Ambientalização dos ECS contribuirá na construção do diálogo e de ações coletivas entre a universidade e a escola, entendendo-as como lugar de aprendizagem da profissão docente.

Referências

BRASIL. Lei n. 9795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 24 set. 2015.

CARVALHO, I. C. M.; TONIOL, R. F. Ambientalização, cultura e educação: diálogos, traduções e inteligibilidades possíveis desde um estudo antropológico da educação am- biental. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 1, p. 28-39, 2010. FERREIRA, N. S. A. As pesquisas denominadas “estado da arte”. Educação &

Sociedade, Campinas, v. 23, n.79, ago. 2002, p. 257-272.

GUERRA. S. F; FIGUEIREDO, M. L. Ambientalização curricular na Educação Superior: desafios e perspectivas. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, Edição Especial n. 3/2014, p. 109-126. Editora UFPR.

ORSI, R. F. Ambientalização Curricular: Um diálogo necessário na Educação Superior. ANPED-SUL 10. Florianópolis, 2014. Anais. Florianópolis: UDESC, 2014. p. 1-14. Disponível em: http://xanpedsul.faed.udesc.br/arq_pdf/291-0.pdf. Acesso em: 28 fev. 2017.

REDE ACES. Red de Ambientalización Curricular de los Estudios Superiores. 2002.

Disponível em:

http://insma.udg.es/ambientalitzacio/web_alfastinas/castella/c_index.htm. Acesso em: 27 fev. 2017.

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