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Bør fattigdom måles gjennom direkte eller indirekte indikatorer?

KAPITTEL 2: FATTIGDOM – BEGREPSAVKLARING OG ANALYTISK RAMMEVERK

2.2 T RADISJONER INNENFOR FATTIGDOMSFORSKNINGEN

2.2.3 Bør fattigdom måles gjennom direkte eller indirekte indikatorer?

A busca do ser humano por meios e mecanismos de comunicação vem de muito longe. Segundo Lima (2012), o desejo e a vontade de se comunicar com os membros da comunidade ocorre desde os primórdios e, ao longo da história, ela se tem reinventado e melhorado. Os métodos arcaicos (fumaça, tambores, pombos-correios) foram cedendo lugar a outros mais sofisticados até chegar-se à comunicação por cabo e por ondas. No começo do século XXI, ainda se está convivendo com a era analógica, mas, também ela está desaparecendo, para dar lugar à era digital. Segundo Castro (2010), as pessoas vivem o “estágio da ponte”, ou seja, no meio do caminho entre o mundo analógico e o digital.

Na América Latina, um longo caminho foi percorrido até chegar-se ao mundo digital. Antes da chegada dos europeus, as civilizações Astecas, Incas e Maias55 consolidaram-se como impérios. Mas foram os Incas (Equador/Chile) e os Maias (México/Guatemala) que mais contribuíram para o desenvolvimento da comunicação e da escrita. Segundo Balbino (2013), os Incas desenvolveram um eficiente sistema de comunicação entre as várias partes do Império: construção de uma rede de estradas e manutenção de postos de informações percorridos por mensageiros, que iam passando as notícias de um a outro posto. Os Maias usaram a escrita hieroglífica cujos sinais pictográficos e símbolos representavam sílabas: foi o início da palavra escrita no continente americano. Mas foi somente por volta da década de 30, do século XIX, que começaram os primeiros estudos sistemáticos de comunicação na América Latina (Argentina e Brasil).

Pesquisas de Trigueiro (2011) revelam a nítida influência da indústria cultural nos EUA e na Europa nos anos 50 (séc. XX). Para isso, contribuíram os estudos funcionalistas e frankfurtianos como também as polêmicas entre “apocalípticos e integrados”, cujos conceitos foram elaborados pelo semioticista italiano Umberto Eco. Nos anos 50, já havia escolas de comunicação em vários países da América latina (Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela), e na década de 60, o número de escolas e centros de pesquisa triplicou.

55 Astecas, Incas e Mais - Foram povos que dominaram boa parte das Américas antes da chegada dos europeus ao continente, no século XVI. Disponível em:: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-foram-os-incas-os-maias-e-os-astecas. Acesso em 13 ago. 2013.

Antes de falar da comunicação na década de 80, é importante ressaltar a importância dos centros de estudos, das publicações e dos autores que fundaram e deram rumo ao estudo da comunicação. Exemplo disso é o Centro Internacional de Estudos Superiores de Periodismo para a América Latina (CIESPAL), criado em 1959 no Equador com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) 56.

Diversas pesquisas e conquistas foram realizadas pelo CIESPAL: desenvolveu o modelo difusionista, adotado na comunicação rural; formou um centro de documentação especializado; apoiou o Centro de Estudos da Realidade Nacional (CEREN), vinculado à Universidade Católica do Chile; favoreceu, no Brasil, a criação das rádios rurais, com grande repercussão nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

No início da década de 80, após as ditaduras militares (Chile, Brasil, Argentina etc.), um grupo de pesquisadores do CEREN fundou no México o Instituto Latino Americano de Estudos Transnacionales (ILET). Com estrutura transnacional, o ILET tinha como objetivo difundir a informação e democratizar a comunicação.

Para Somavía (1980), o ILET desenvolveu reflexão e estudos em torno de um tema que se apresentava como sendo de crescente importância para a comunidade internacional, especialmente para o Terceiro Mundo: os sistemas de comunicação que se encontravam concentrados nas mãos dos países desenvolvidos. Seus pesquisadores compreenderam a necessidade de modificar a ordem informativa internacional. Politicamente, o Terceiro Mundo empreendeu a batalha por sua libertação da estrutura dominante em matéria de informação internacional participando ativamente do projeto por uma Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação (NOMIC).

Conforme o autor, no início da década de 80 se forjava a consciência de que não é possível aceitar somente quatro agências transnacionais de notícias controlando majoritariamente o fluxo informativo, a partir de/e em direção aos países do Terceiro Mundo. Não era possível “continuar aceitando uma situação jurídica, nas quais as agências de notícias não eram, legal nem socialmente, responsáveis pelos erros e distorções que podem cometer na seleção, elaboração, transmissão e apresentação das notícias” (SOMAVÍA, 1980, p. 9).

56 UNESCO - embora não conte mais com o apoio da Unesco, a Ciespal segue em atuação como referência nos

Em 1980, nasce um projeto internacional de reorganização dos fluxos globais de informação por meio de diversas ações de governo e do Terceiro Setor: a Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação (NOMIC), fruto do relatório Mac Bride, documento da Organização das Nações Unidas para Educação e Cultura (UNESCO), conhecido através do livro: “Um Mundo e Muitas Vozes”, redigido por uma comissão presidida pelo irlandês Seán Mac Bride (vencedor do Prêmio Nobel da Paz). Da comissão participaram vários representantes da América Latina, entre os quais o escritor Gabriel García Marques.

Segundo CASTRO (2005), a NOMIC, entre seus objetivos, propunha a democratização da comunicação e da informação; a redução dos desequilíbrios nas trocas nacionais e internacionais de informação e a formulação das chamadas Políticas Nacionais de Comunicação (PNCs) 57 voltadas para o interesse da maior parte da população.

Recorda-se que no Brasil, em meio a uma ansiedade pela volta da democracia e a uma vida digna para todos, a dimensão “libertadora” tomou conta do continente latino-americano, abrangendo a cultura, a educação, a religião e a vida política. Segundo Berger (2012), as concepções de mundo eram duplas, opostas ou polarizadas:

Frente ao exército oficial se propunham milícias populares; frente à Igreja oficial, a Teologia da Libertação; frente aos sindicatos pelegos, organizações de base; frente aos meios de comunicação e a cultura transnacional, a denúncia e, ao mesmo tempo, a criação de formas alternativas na comunicação popular (ENTEL, 1995 in: BERGER, 2012, p. 278).

É nesse contexto que a comunicação de massa, com investimento econômico e objetivo de dominação, cria raízes e se desenvolve. As “revistas acadêmicas” eram eficazes para a divulgação de pesquisas, novos conceitos, juízos de valor e críticas. Nos meios acadêmicos e centros de pesquisa, era notória a insatisfação em relação aos modelos de comunicação na América Latina.

Era necessário, segundo Trigueiro (2011), mudar o enfoque dos estudos, relacioná-los com as novas matrizes culturais e configurá-los com as identidades locais e globais. Nos primeiros anos da década de 80, os estudos estavam direcionados para a pesquisa sobre produção e circulação da comunicação. Pedia-se que, no contexto latino-americano, a comunicação e a informação ajudassem a estabelecer relações sociais comprometidas com a

57 Políticas Nacionais de Comunicação (PNCs) - Conjunto de princípios e normas que orientam o sistema comunicacional de um país. O termo não se refere apenas às ações dos governos neste campo, mas também ao conjunto de práticas que constituem o sistema de comunicação vigente em cada país. CASTRO, Cosette. A Convergência Digital e os Atores Sociais: um panorama das iniciativas brasileiras. V ELEPICC. 2005, p.3.

realidade dos países em desenvolvimento e a reduzir a dependência econômica e cultural em relação aos países desenvolvidos.

Os pesquisadores latino-americanos, segundo Berger (2012), preocupavam-se com a estrutura e a função mercantil dos meios: estrutura de poder dos meios de comunicação (transnacional e nacional) e estudo sobre as formações discursivas e as mensagens de massa.

A facilidade da comunicação e a larga difusão de informações suscitaram uma nova questão que, mais tarde ou mais cedo, teria que se colocar: “Será que o receptor está recebendo a mensagem que o emissor quer ou tem a intenção de enviar?” Ao final dos anos 70, início dos anos 80, essa questão tornou-se objeto de estudo.

As lutas populares estavam sendo redimensionadas pelos grupos políticos e a atividade do receptor revista pelos estudiosos da comunicação. O receptor deixava de ser identificado com a massa amorfa e uniforme, passiva e manipulável, passando a ocupar o lugar do dominado – o trabalhador organizado, a feminista, o militante – cujas apropriações expressavam um receptor crítico (BERGER, 2012, p. 264).

Para estudar a comunicação popular, foi necessário ir aonde tinha suas raízes e vida: o meio do povo. A pesquisa não se fazia mais apenas no espaço universitário, mas também nas ruas e nos bairros populares. A incorporação do popular propiciou rever a noção de comunicação de massa. Os estudiosos reconheceram, então, a comunicação popular e alternativa como um “dado” e paradigma comunicacional da América Latina.

O debate político tornou-se mais frequente no meio universitário e nos movimentos populares. Um dos fatores que mais contribuiu para a mudança de rumo nos estudos de comunicação na América Latina foi, segundo Trigueiro (2011), o “segmento progressista da Igreja Católica com a Teologia da Libertação”.

Foi com a Teologia da Libertação (concebida como libertação de toda a escravidão querida, desejada e sustentada por Deus) que se organizaram campanhas populares contra o analfabetismo, a miséria e a dependência do capital imperialista. Nos debates populares que eram promovidos, os meios de comunicação de massa e a indústria cultural eram objeto de análise, juízo e, muitas vezes, crítica, porque eram demasiado submissos ao poder instituído, faltando a eles o apelo à libertação do jugo que oprimia o povo, deixando de ser “voz profética”58.

58 Voz Profética – Conceito informado no capítulo anterior. Outras fontes: Voz dos profetas - pessoas que expressam a exigência de justiça de Deus. As promessas são para os que praticam a justiça, e os castigos para os que praticam a injustiça. O profeta é escolhido e enviado por Deus. Não recebe nem mandato, nem autoridade de nenhum poder humano – nem dos reis, nem dos sacerdotes, nem dos doutores. Não é profeta por herança ou por ser membro de uma casta. Cada profeta é escolhido

Segundo Berger (2012), a década de 80 coabitou com duas linhas de pesquisa: uma onde existia intervenção em todos os níveis do poder público (financeiro, político, propagandístico); outra de âmbito popular que funcionava como alternativa à “oficial” (indústria cultural) e tinha como objetivo a informação, a formação cultural e a conscientização da comunidade.

Até os anos 80, os contornos que demarcavam os vários campos da comunicação eram bastante nítidos. Era possível identificar com precisão os estudos sobre a estrutura transnacional da comunicação, a comunicação participativa/popular e a problemática das políticas públicas de comunicação. A partir do início dos anos 90, as fronteiras começaram a se diluir e com elas apareceram novos estudos sobre comunicação. Para Barbero (2009), a ruptura da barreira que as fronteiras nacionais ofereciam à concentração capitalista (anos 80) alterou radicalmente a natureza e as funções dos Estados, diminuindo consideravelmente a capacidade que tinham de intervir na economia e no desenvolvimento histórico.

Até os anos 80, na América Latina havia duas correntes de pensamento: a teoria crítica (Anexo A – Teorias Estudadas), ligada à economia política da comunicação, e a teoria da dependência cultural, mais ligada ao campo da cultura. A fisionomia da comunicação na América Latina foi profundamente alterada com a chegada das “novas tecnologias”. Elas representaram uma nova etapa num “processo contínuo de aceleração da modernidade”, dando um salto qualitativo ao qual nenhum país pode estar ausente sob pena de “morte econômica e cultural”.

Ao analisar esse momento histórico, Barbero (2009) afirma que a globalização da comunicação e o acesso à internet possibilitaram – como nunca dantes facilitado – novas ideias, culturas, religiões e modelos de vida. Isso obrigou: a uma tomada de consciência dos valores; a uma identificação cultural nunca tanto questionada; a preservar a própria cultura como elemento da própria identidade e a tomar o original importado como energia potencial a ser desenvolvida a partir dos requisitos da própria cultura.

Os fios da história são tecidos no Panorama da Comunicação/Mídia/Igreja/ Política/Sociedade como uma teia. Interligam-se na década de 80. (Cfr. Gráfico 2).

individualmente e não pode transmitir sua função aos seus descendentes (...). Os livros da Bíblia: Isaías, Jeremias e Ezequiel descrevem narrações da vocação profética. COMBLIN; José. A profecia na Igreja. São Paulo: Paulus. 2008, p. 33-34

Gráfico 2

Siglas:

CF – Campanha da Fraternidade.

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

NOMIC – Nova Ordem Mundial de Informação e Comunicação. PNCs – Política Nacional de Comunicação

TdL – Teologia da Libertação