6. CASE 3: DA NORGE KOM PÅ NETTET
6.7 N ORSKE BIDRAG
A forma de interação mais comum entre o mundo e o ser humano é aquela proveniente das percepções e sensações, já que o conhecimento sensível é estabelecido sobre tudo que está a sua volta. Sobre os temas sensação e percepção humana, tiveram destaque até o século XX, dois movimentos de maior expressão: a concepção empirista e a concepção intelectualista. Para os empiristas as sensações são independentes uma das outras, cabendo à percepção ordená-las. As sensações são estímulos externos que agem sobre os nossos órgãos dos sentidos, sistema nervoso e cérebro de forma pontual. Diante das atividades do campo exterior sobre o nosso corpo, tanto a percepção como a sensação são agentes passivos. Para os intelectualistas o sujeito é ativo diante dos acontecimentos externos a ele. Assim, sensação e percepção são fenômenos que estão diretamente relacionados à capacidade intelectual do conhecimento do sujeito. Desse modo, quando se processa as sensações ou ocorre uma atividade de entendimento do que se sente, a sensação é processada e conduzida a uma percepção (CHAUÍ, 1995).
A formulação da fenomenologia na filosofia apresentou uma nova concepção do conhecimento sensível, já que sensação e percepção ocorrem concomitantemente e, portanto, não há diferenças entre elas. A percepção é uma comunicação entre o “[...] nosso corpo, o corpo dos outros sujeitos e os corpos das coisas [...]” (CHAUÍ, 1995; p.123). Trata-se de uma compreensão holística da relação ser humano-ambiente. Todo o ambiente que envolve o ser humano, seja físico, social, psicológico ou até mesmo imaginário, influencia a percepção e a conduta (DEL RIO; OLIVEIRA, 1996; p.).
A percepção é também o pensamento de perceber o mundo. Os seres humanos estão no mundo como sujeitos ativos, conferindo sentidos, valores e interpretações novas às coisas percebidas, uma vez que elas fazem parte da vida humana e ocorre interação com o mundo percebido: qualitativa, significativa e estruturalmente (MERLEAU-PONTY, 1994).
O termo percepção ambiental inclui as percepções bio-fisiológicas e as imagens que formamos mentalmente com o mundo vivido, ou seja, nossas interpretações, experiências, memórias, predileções, expectativas e atitudes (DEL RIO, 1991). Desse modo, o contato com elementos externos e internos da experiência está relacionado com a percepção ambiental.
Para Tuan (1980), existem algumas barreiras para se avaliar os fatores responsáveis pela percepção humana com eficácia e precisão:
• deve-se examinar a herança biológica, arredores físicos, educação, trabalho e criação para se compreender a preferência ambiental de uma pessoa;
• em nenhum dos casos é possível distinguir nitidamente os fatores culturais e o papel do meio ambiente físico, já que os conceitos “cultura” e “meio ambiente” se superpõem do mesmo modo que os conceitos “homem” e “natureza”.
Com o objetivo de atender suas necessidades e desejos, o ser humano está constantemente agindo sobre o meio. Alterações no meio que afetam as gerações futuras de diferentes espécies podem ser desencadeadas por essas ações. Para se compreender as inter-relações entre ser humano e meio ambiente e as suas expectativas e condutas, é de fundamental importância o estudo da percepção ambiental. As interações entre ser humano e ambiente estão diretamente relacionadas às percepções, aos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo. A percepção é a resposta dos sentidos aos estímulos ambientais (percepção sensorial) e a atividade mental resultante da relação com o ambiente (percepção cognitiva). Esta concepção traz ao indivíduo, novos dados para a compreensão do seu entorno, ao estabelecer relações com o ambiente no qual está inserido (TUAN, 1980).
A investigação da percepção nas relações ser humano-ambiente contribui para a utilização menos impactante dos recursos ambientais, possibilitando o estabelecimento de relações mais harmônicas entre o ser humano e o ambiente (SANTOS,1996). A partir do estabelecimento de relações afetivas com o ambiente, cada indivíduo obtém informações que interferem nas formas de certo relacionamento dele com seu entorno, podendo promover mudanças de atitudes a partir do grau de envolvimento (TUAN, 1980).
O valor relativo atribuído a um determinado lugar depende de uma complexa relação entre sentimentos e idéias formuladas ao longo da vida do indivíduo, já que as experiências pessoais são individuais (TUAN, 1983). Desse modo, entende-se que cada morador da área do Corredor Ecológico Jalapão, traz informações diferentes sobre o ambiente e a qualidade ambiental do seu entorno. Partindo desse princípio, se faz necessário investigar os níveis de envolvimento das comunidades extrativistas e artesanais na exploração do capim dourado, bem como o seu comprometimento com a preservação ambiental da região em questão.
Através dos sentidos fundamentais (visão, tato, audição, paladar e olfato), toda pessoa percebe seletivamente o que lhe é interessante, ou seja, de acordo com o seu contexto sócio-cultural e, esta percepção leva ao aprendizado de informações sobre a realidade (MACHADO, 1999). As informações são processadas pelos sentidos, selecionadas e armazenadas através da cognição, recebendo então um significado para o indivíduo de acordo com o seu interesse e sua necessidade. A partir da percepção ambiental, busca-se entender a lógica que rege as relações estabelecidas pelas comunidades extrativistas com elementos naturais e a unidade de conservação. Percebe-se, que de acordo com a realidade em que se vive, cada indivíduo tem sua interpretação do espaço. No entanto, não existe percepção errada ou inadequada, mas sim percepções diferentes, ou seja, condizentes com o espaço vivido (RIO; OLIVEIRA, 1999).
A estruturação e a organização da interface entre realidade e mundo se dão por meio dos processos perceptivos, ou seja, selecionando-as, armazenando-as e conferindo-lhes significados, a partir dos interesses e necessidades de cada um (KOZEL, 2001). O conhecimento espacial adquirido pelos homens consiste, sobretudo, em imagens mentais construídas na trajetória de suas vivências e a partir de suas percepções. Nesse processo de percepção do meio ambiente, a fenomenologia fornece subsídios que permitem desvendar o mundo percebido e vivido do ser humano e mostrar que estes estão sempre compartilhando percepções comuns e mundo comum, pelo fato de possuírem órgãos similares. No entanto, para analisar as relações do ser humano com o meio, é necessário compreender como está estruturado esse espaço percebido na mente das pessoas, ou seja, como ocorre a construção das imagens mentais. A percepção que os outros tem do mundo nos deixa sempre a impressão de uma palpação cega, de forma que a percepção do mundo pelos outros, não pode entrar em competição com a de quem está de fora do
contexto. Desse modo, o processo fenomenológico deve analisar a essência dos fatos e não a aparência (MERLEAU-PONTY, 1999).
5.1.1 A importância da educação ambiental como instrumento de modificação das relações homem e natureza
Como acontece com toda a temática em fase de afirmação, a Educação Ambiental recebeu várias definições ao longo de sua escala histórica.
O conceito de Educação Ambiental está vinculado ao ambiente e a forma como este é percebido. Segundo Reigota (1995), a Educação Ambiental não deve se restringir ao ensino da Ecologia e ao ensino das Ciências, e também não deve se caracterizar como um “doutrinamento” para modificar comportamentos ambientais predatórios. Dentro de uma concepção mais crítica, a Educação Ambiental é um processo de construção da relação humana com o ambiente, onde princípios da responsabilidade, da autonomia, da democracia, entre outros estejam presentes (REIGOTA, 1995).
A Educação Ambiental é também uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que imprime ao desenvolvimento individual um caráter social em relação com a natureza e com os seres humanos, com o objetivo de potencializar essa atividade humana, tornando-a mais plena, da prática social e da ética ambiental (TALOMANI; SAMPAIO, 2003).
Em 1970 a IUCN (União Internacional da Natureza) definiu Educação Ambiental como o processo de reconhecimento de valores e de esclarecimentos de conceitos que permitam o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias para entender e apreciar as inter-relações entre o ser humano e sua cultura e seu ambiente biofísico circunjacente.
Na Conferência de Tbilisi em 1977, a Educação Ambiental foi definida como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da Educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente através de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade. Assim, a Educação Ambiental está baseada na conscientização da humanidade, buscando uma forma de vida mais harmônica, promovendo então um
equilíbrio entre sociedade e natureza. É nosso objetivo proporcionar aos educandos e à sociedade, meios para que compreendam a importância do seu papel e de suas responsabilidades no meio em que vive, para que possa ter uma melhor qualidade de vida (DIAS, 1994).
A Educação Ambiental, segundo REIGOTA (1995), FREIRE (1986) e TALOMANI (2003), deve buscar o diálogo como forma de atingir um objetivo desejado, pois se trata de um processo coletivo em alternativas sócio-ambientais que favoreçam a maioria e que integre o ser humano ao seu meio. Em função do atual do modelo de civilização e de suas respectivas influências, o ser humano muitas vezes se desvincula do seu ambiente natural, desconhecendo até os seus mais simples processos. Diante deste desconhecimento ou distanciamento, há uma grande dificuldade na percepção de que cada atitude ou ação humana que corresponde a um efeito sobre o ambiente, seja este natural ou construído. Não se sentindo como parte integrante do ambiente, o ser humano não percebe os efeitos de suas atitudes, ou, se percebe não os avalia. Contrapondo a essa idéia, a interpretação ambiental é uma tradução da linguagem da natureza para a linguagem comum das pessoas, fazendo com que percebam um mundo que nunca tinham visto antes (VASCONCELOS, 1997).
De acordo com a UNESCO (1973), uma das dificuldades para a proteção dos ecossistemas naturais está na existência de diferentes percepções de valores e da importância dos mesmos entre os indivíduos de culturas diferentes ou de grupos sócio-econômicos que desempenham funções distintas, no plano social, nesses ambientes. No sentido de reverter o quadro que diz respeito ao aproveitamento das áreas naturais (protegidas ou não), a educação pode servir como uma das principais estratégias para trabalhar a percepção ambiental, levando-se em conta o envolvimento das comunidades locais e dos visitantes em adequados programas de Educação Ambiental que possibilitem a compreensão mais profunda sobre os recursos naturais e culturas dessas áreas. A implantação de programas de Educação Ambiental em áreas protegidas é fundamental, já que constituem locais ideais e representam verdadeiros laboratórios vivos que propiciam o aumento do conhecimento e uma experimentação direta com o meio, motivando o interesse e a integração das populações onde essas áreas estão localizadas. O estímulo da experiência, juntamente com a transmissão de conceitos ecológicos e o incentivo a um processo de inclusão de todos os segmentos das comunidades locais, pode
trazer novos valores que contribuam para um envolvimento à conservação e ao exercício pleno da cidadania. Para tanto, é necessário o desenvolvimento de um trabalho que leve os indivíduos a refletirem sobre suas ações e atitudes, analisando o seu espaço enquanto lugar de vivência (PÁDUA; TABANEZ, 1997).