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D IGITAL INTERAKTIVITET

6. CASE 3: DA NORGE KOM PÅ NETTET

6.5 D IGITAL INTERAKTIVITET

A estrutura econômica dos municípios da Mesorregião da Chapada das Mangabeiras é sustentada basicamente por atividades do setor agropecuário, com destaque para a produção de milho, mandioca, arroz, soja, e a criação de bovinos (IBGE/PNAD, 1996).

Verifica-se, na agricultura, o predomínio dos pequenos produtores e/ou agricultores familiares que conciliam o cultivo de subsistência com a venda de excedentes da produção. Nota-se, ainda, a expansão do plantio de grãos em vastas áreas da mesorregião, o que sugere a realização de ações que beneficiem os produtores com menos acesso a tecnologias e com menor aporte de recursos de modo a conferir-lhes capacidade competitiva, permitindo a obtenção de melhores resultados no que diz respeito ao volume de produção e à qualidade desta. A realização de ações de capacitação e a criação de condições favoráveis aos empreendimentos associativos dos pequenos produtores surgem como opções estratégicas adequadas ao desenvolvimento da agricultura local (IBGE/PNAD, 1996).

Dados de 1996 indicam que cerca de 17% dos empregos formais são gerados pelo setor agropecuário (IBGE/PNAD, 1996).

O setor de serviços, cujas principais atividades são aquelas ligadas ao comércio e à administração pública, é responsável pela geração de cerca de 47% dos empregos do setor formal, o que expressa de forma bastante clara o grau de importância do setor para a economia mesorregional (IBGE/PNAD, 1996).

O setor industrial, por sua vez, apresenta baixo dinamismo, tendo sua estrutura baseada, sobretudo, em setores tradicionais, sendo responsável pela geração de apenas 4% dos empregos formais da mesorregião (IBGE/PNAD, 1996).

A Chapada das Mangabeiras possui um grande potencial para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao setor turístico. Neste contexto, percebe-se a existência de amplo espaço para a expansão de atividades ligadas ao ecoturismo, que apresenta os benefícios de permitir o uso não predatório do patrimônio natural e cultural da mesorregião, o incentivo à formação de uma consciência favorável à conservação ambiental e a elevação do bem-estar das populações envolvidas. Destaca-se, em particular, a microrregião do Jalapão, com extensão de 34 mil quilômetros quadrados, que tem na exuberância de sua paisagem um indicador preciso do potencial da mesorregião para as atividades turísticas (IBGE/PNAD, 1996).

A mesorregião caracteriza-se, ainda, pela existência de elevados níveis de desigualdade sócio-econômica. A análise de alguns indicadores referentes à

educação fundamental, saneamento, saúde, distribuição de renda e desenvolvimento humano evidencia um quadro no qual grande parte da população

possui dificuldades significativas de acesso a serviços sociais básicos (IBGE/PNAD, 1996).

Dados do IBGE (PNAD, 1996) sobre escolaridade indicam alguns fatores determinantes da estagnação econômica da mesorregião. Em 1996, aproximadamente 84% das crianças na faixa entre 5 e 9 anos encontravam-se fora do sistema escolar (contra 60% da média brasileira). Isso evidencia a existência de uma grave situação, na qual parcela significativa da população mesorregional não consegue preencher condições mínimas que garantam o exercício da cidadania e o acesso ao mercado de trabalho.

4.3 Geologia

Há aproximadamente 135 milhões de anos, durante o período cretáceo superior da Era Mesozóica, formaram-se como parte integrante da geologia do Jalapão, as rochas sedimentares areníticas. A região é caracterizada predominantemente pela unidade extratigráfica definida com formação Urucuia. De acordo com a concentração de argila e a presença de óxido de ferro, pode apresentar coloração variada entre o branco e o róseo e textura arenosa. Apresenta seqüencial basal de conglomerados, siltitos, argilitos e folhelhos provenientes de sedimentação (BEHR, 2004).

A formação de grandes depósitos de áreas quartzosas é decorrente do processo de erosão provocado pela ação dos ventos e das chuvas devido à grande fragilidade das rochas. Um exemplo são as dunas do Jalapão, localizadas na Serra do Espírito Santo, município de Mateiros (TO). Como o arenito possui uma elevada porosidade e permeabilidade, possibilita uma rápida infiltração da água da chuva nas areias quartzosas, permitindo um alto grau de armazenamento. Segundo Gilvandro Simas Pereira, em sua expedição realizada em 1942, o Jalapão seria um “Oásis no Cerrado”: “[...] nascendo do subsolo, nos mostra uma continuação do grande lençol d’água subterrâneo, naturalmente por fácil infiltração das águas de chuva no seu arenito formado” (PEREIRA, 1942 apud BEHR, 2004, p.149)

Figura 2 - Dunas do Jalapão - Serra do Espírito Santo

4.4 Relevo

No início da formação do Jalapão, a aproximadamente 350 milhões de anos, a referida área de estudo se encontrava no fundo do oceano. Durante o período de glaciação e do conseqüente esfriamento da Terra, o nível dos mares diminuiu em função da água aprisionada nos pólos. A partir de um longo período foram se formando os continentes, as montanhas e, no leste da América do Sul, uma extensa planície, região onde se encontra o Planalto Central Brasileiro. Durante milhões de anos, por meio de processo erosivo, esses gigantescos terrenos foram gradativamente sendo desgastados, originando no Planalto Brasileiro serras baixas. Há 60 milhões de anos, no período Cretáceo, emergiram dentre outras do Planalto Central Brasileiro, a Serra Geral e a Chapada das Mangabeiras, demarcando no seu interior o Jalapão. Na parte mais alta da região, onde se encontram os planaltos e chapadões, a altura média é de 800 metros acima do nível do mar (GUERRA, 1980).

Figura 3 - Pedra Furada

4.5 Clima

De acordo com o geomorfólogo Ab’Saber, o clima do Jalapão é bastante transitório devido o contato de três grandes domínios morfoclimáticos: depressões recobertas por caatingas (leste-nordeste); chapadões recobertos por cerrados penetrados por florestas-galeria (sul-sudeste); e terras baixas florestadas da Amazônia (noroeste). Em função da ocorrência de áreas menos chuvosas do nordeste semi-árido para as mais chuvosas do Centro-Oeste e do Norte do Brasil, o Jalapão está localizado em uma faixa de transição e seu tipo climático é o tropical semi-úmido (VON BEHR, 2002).

A pluviosidade anual é de 1662 mm e sua temperatura média é de 25,8°C. A temperatura mínima ocorre entre os meses de junho e julho, atingindo 10,6°C em julho. Durante o período seco, a pluviosidade é de 4,6% do total anual, o que representa 77 mm. Os meses de agosto a novembro correspondem às máximas de temperatura, atingindo 39,6°C em setembro. Cabe ressaltar que nos períodos compreendidos entre outubro e abril a precipitação atinge 558 mm, o que representa

34% do total anual (SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO, 1996).

4.6 Solo

São encontrados os seguintes tipos de solos no Jalapão: latossolo vermelho- amarelo (LV), latosso vermelho escuro (LE), areias quartzosas (AQ), solos litólicos e solos concrecionários (SC) (SEPLAN, 1996).

Solos minerais com horizonte B, latossólico, denominados latossolo vermelho- amarelos, possuem como características principais textura média, são geralmente profundos, ácidos e friáveis. Sua ocorrência se dá sobre os remanescentes da intemperização do arenito urucaia, sobre um relevo plano com altitudes entre 900 e 1000 metros. Apresentam baixa saturação por bases (inferior a 20%) já que é originário de sedimentos de textura média do cretáceo. Tem como conseqüência imediata a pobreza mineral do material, levando a uma baixa fertilidade e concentração elevada de alumínio, o que torna necessária a correção do solo por meio de aplicação de calcário e fertilizantes, caso seja utilizado para o cultivo (SEPLAN, 1996).

O latossolo vermelho-escuro (LE) é resultado da intemperização de argilitos, folhelhos ou conglomerados da base da formação urucuia. Apresenta características semelhantes ao latossolo vermelho-amarelo, possuindo um significativo conteúdo de argila natural e pequena capacidade de troca de cátions, sendo que sua ocorrência se dá em áreas dispersas a altitudes que variam entre 450 e 500 metros. Diante da baixa fertilidade natural e dos elevados teores de areia, se torna necessária a aplicação de fertilizantes, corretivos e adubação orgânica para aumentar a capacidade de retenção da água e de nutrientes, para o desenvolvimento de práticas agrícolas (SEPLAN,1996).

Figura 4 - Latossolo vermelho-escuro (LE)

A maior parte da superfície do Jalapão é ocupada por areias quartzosas (AQ), derivadas da intemperização dos arenitos cretáceos da formação urucuia. Condicionados pelos baixos teores de argila e matéria orgânica, esses solos são extremamente arenosos e, portanto, possuem baixa capacidade de agregação de partículas. Em função de suas fortes limitações, são recomendados para pastagem natural ou culturas permanentes (01reflorestamento, fruticultura) (SEPLAN, 1996).

Figura 5 - Areias quartzosas (AQ)

Os solos litólicos (R) ocorrem com os afloramentos rochosos em áreas mais dissecadas em relevo forte ondulado e/ou montanhoso. São considerados solos minerais de formação jovem, rasos (espessura geralmente inferior a 40 cm), bem drenados, pouco desenvolvidos, com textura franco-argilosa a argilosa e fertilidade natural de baixa a alta. Podem ser utilizados em projetos florestais ou pastagens naturais e não são recomendados para o cultivo agrícola. (SEPLAN, 1996).

Em áreas de relevo plano e suavemente ondulado, ocorrem os solos concrecionários (SC). São caracterizados por uma textura média e argilosa, com fertilidade natural baixa e com ligeira susceptibilidade a erosão. Nesse tipo de solo há a predominância de concreções ferruginosas desidratadas. Não são indicadas para o cultivo agrícola, podendo ser utilizadas para projetos florestais e/ou pastagens naturais. (SEPLAN, 1996).

4.7 Vegetação

A maior parte da cobertura vegetal do Jalapão é composta de cerrado strictu sensu (sentido amplo), caracterizado por árvores de altura média de 4 a 8 metros e cobertura arbórea entre 20 a 60%, associado a um estrato herbáceo contínuo e bem desenvolvido, formado predominantemente por gramíneas (ARRUDA, 2002).

O segundo tipo de formação mais significativo da região é o campo cerrado, dominado por exuberante camada graminosa e marcada pela presença de árvores e arbustos que resultam de 20% de cobertura de copa (UnB, 2001, IBAMA, 2002, SEPLAN, 1996 apud ARRUDA, 2002).

Há a presença de outras formações vegetais como os campos sujos (pequenos arbustos separados entre si) e campos limpos, compostos por gramíneas, arvoretas e plantas lenhosas baixas. Em menor escala, ocorre também o cerradão, a mata ciliar e de galeria (ao longo de córregos e rios) sendo que esta última se apresenta fechada em cima, campo úmido, campo de murunduns e veredas (UnB, 2001, IBAMA, 2002, SEPLAN, 1996 apud ARRUDA, 2002).

As veredas são comunidades vegetais que ocorrem em áreas de nascentes na região do Brasil Central, tendo em sua periferia o cerrado (sentido amplo) (EITEN 1983, 1994).

Estes ambientes são caracterizados principalmente pela presença da palmeira Mauritia flexuosa L.f. (buriti) que ocorre, em geral, na parte mais alagada da vereda. A maior parte dessa comunidade é ocupada por uma densa vegetação herbácea, principalmente por espécies das famílias Cyperaceae, Eriocaulaceae e Poaceae e por um estrato arbustivo e subarbustivo de Melastomataceae e Rubiaceae (MAGALHÃES 1966; ACHÁ-PANOSO 1978; CARVALHO 1991).

As veredas têm o seu papel reconhecido no equilíbrio geoecológico do bioma Cerrado, protegendo nascentes e fornecendo água, alimento e abrigo para a fauna silvestre (CASTRO 1980).

A grande riqueza florística encontrada nas veredas deve-se, possivelmente, à existência de diferentes ambientes edáficos sob essas comunidades vegetais, especialmente devido às condições de umidade. A ocorrência de um gradiente de umidade da borda (solo mais seco, próximo ao cerrado) para o fundo da vereda (solo mais úmido) pode ser o responsável pela zonação das espécies vegetais. O

hábito herbáceo-subarbustivo predomina em todas as zonas das veredas amostradas conferindo-lhes uma fisionomia predominantemente campestre com limites bem definidos com a vegetação arbustivo-arbórea do cerrado (ARAÚJO, 1997).

Quando os vales tornam-se mais encaixados e o lençol freático é rebaixado, as veredas dão lugar às matas ciliares (MELO, 1992) A camada herbáceo-arbustiva de Cerrado, com predominância de ervas graminóides, apresenta grande riqueza de espécies e ainda carece de estudos sobre a sua ecologia e composição florística (TANNUS; ASSIS, 2004, MUNHOZ; FELFILI, 2004, MUNHOZ; FELFILI, 2006).

Diante da proposta do presente trabalho, vale destacar a região de ocorrência das veredas, devido à presença do buriti e do capim-dourado, que servem de matéria-prima para as práticas artesanais em estudo. As veredas são espécies de várzeas, áreas úmidas e sujeitas as inundações. Possuem uma alta vulnerabilidade ambiental sendo fortemente instáveis e, em função da grande presença de água e vegetação fechada, possuem uma enorme riqueza em termos de fauna. Outro aspecto relevante é que a população local realiza práticas extrativistas do capim- dourado e do buriti, utilizados na produção de artesanatos e em materiais de construção, como telhados para a construção das casas (palhas de buriti), e adobe para as paredes, retirados do solo úmido (BEHR, 2004).

Aspectos de conhecimentos tais como época de floração, produção de sementes e dispersão, bem como a de germinação, são elementos essenciais na proposição de estratégias voltadas para um uso econômico sustentável do capim dourado (Syngonanthus nitens).

A colheita de hastes, feita em outubro, não tem efeitos a curto prazo sobre as populações , parecendo não provocar modificações nas taxas de natalidade e mortalidade do capim dourado. No entanto, não se pode prever se haverá ou não efeitos, ao longo prazo, da colheita de grande volumes de hastes de capim dourado. Porém, provocar a morte de indivíduos adultos (mais freqüente nas colheitas precoces) e retirar sementes do ecossistema, antes que estas possam estar em estágios de potencial germinação, são caminhos que levam a declínios populacionais (SCHIMIDT, 2005).

A planta adulta constitui-se de uma roseta de folhas que fica próxima à superfície do solo e tem cerca de 4 centímetros de diâmetro. As hastes usadas para o artesanato são produzidas uma vez por ano e, em sua extremidade estão as

inflorescências onde após a polinização pelo vento formam-se as sementes. Nem todos os indivíduos adultos florescem todos os anos, os que florescem produzem de uma a 20 hastes e cada inflorescência produz em média de 30 a 50 sementes. As sementes de capim dourado são extremamente diminutas (menores que 1 milímetro) e têm alto potencial de germinação (85 a 100% das sementes germinam em condições de laboratório) ( BORGHETTI, 2001 ).

A produção de sementes inicia-se em setembro e a maior parte da dispersão ocorre entre outubro e novembro. A acidez e a hipóxia não afetaram negativamente a germinação em relação ao controle. As sementes são fotoblásticas positivas e mantêm a germinação após congelamento a -20 ºC. A colheita de escapos após a frutificação (a partir do final de setembro) e a dispersão manual das sementes pelos próprios extrativistas no momento da colheita são estratégias importantes para o manejo da espécie e não prejudicam a atividade artesanal que está focada nos escapos e não nas flores, como ocorre para outras sempre-vivas (BORGHETTI, 2001).

Figura 7 - Coletor de capim-dourado

5 REVISÃO DE LITERATURA