2 Klima, miljø og miljøvennlig energi
2.4 Grønt skifte –verdiskaping norske fortrinn
Os textos da coluna são considerados, por nós, como o rastro deixado por um discurso em que a fala é encenada (MAINGUENEAU, 2011, p.85) e o discurso, como sendo composto por três cenas: a englobante, a genérica e a cenografia.
Com base nisso, veremos o modo como os discursos instauram a cenografia que, por sua vez, possibilita o desvelamento do ethos discursivo e observaremos a forma como as ações se desenvolvem nela, tendo em vista que o enunciador tem o objetivo pedagógico de ensinar um novo modo de vida ao co-enunciador.
Nesse âmbito, o discurso analisado se coloca em cena, constrói seu espaço de enunciação e é recebido pelo co-enunciador como sendo do tipo filosófico (cena englobante). Essa cena desempenha, metaforicamente, conforme Cano (2012, p.63) a função de um portal de entrada para o interdiscurso que a cena propicia, pois devido à dificuldade de apreender o interdiscurso, em sua dispersão, essa cena nos ajuda apreendê-lo e colabora, também, na identificação dos papéis dos coenunciadores e dos gêneros.
Dessa forma, o gênero de discurso artigo de revista instaura, por sua vez, uma cena genérica que impõe papéis, socialmente, legitimados, pois eles evidenciam posicionamentos e imagens que são determinados pelo campo no qual se desenvolve o discurso. Nesta análise, por exemplo, o gênero artigo, no interior de campo filosófico, traz papéis para quem o produz (defender uma opinião) e para quem o lê (concordar ou discordar do ponto de vista).
Diante desse quadro, à primeira vista, nosso objeto de análise pertence ao gênero artigo e foi produzido para a revista, mas, como vimos, foram os editores da revista que selecionaram os textos de obras de Masaharu Taniguchi e os publicaram como se fossem artigos, como vimos em:
Devido a essa coluna ter o formato, ‘a moldura’ de artigo de revista, os editores têm liberdade para selecionarem discursos que se adaptem a essa estrutura e manipularem de forma criativa com essa cena, conseguindo, assim, avançar para uma cenografia de aula, sem deixar de lado o objetivo do artigo que é o de expressar uma opinião.
O co-enunciador, dessa forma, está diante de opiniões, no papel de aceitá-las ou não, e está diante de uma aula, de uma palestra, no papel de aluno, aprendiz, para aceitar o que está sendo ministrado. Os coenunciadores, portanto, são inseridos não apenas dentro de um cenário, mas, no lugar de onde o discurso surge, a cenografia.
Textos Extraídos de:
O pecado não existe Lições para o cotidiano: obra que contém transcrições de
palestras radiofônicas.
O pensamento iluminador
e as ciências naturais Comande sua vida com o poder da mente: obra organizada para que o leitor pratique mentalizações por trinta dias para conseguir concluir o treinamento básico de
Portanto, a cenografia de aula e a cena validada: ‘quem desobedece é castigado’, remetem-nos a um lugar (topografia) e a um tempo discursivo (cronografia). Esses elementos espaço-temporais fazem parte do quadro cênico e compõem a cenografia que não se trata de um cenário de onde ocorre a enunciação, mas da própria enunciação que se constitui e se desenvolve em si mesma. Portanto, os textos, da coluna analisada, não servem de um simples ‘pano de fundo’ para o que está sendo enunciado, mas colaboram para a construção dos sentidos.
Consequentemente, da cenografia, em análise, depreendemos que o efeito de sentido construído é de uma aula, de palestra, na qual o co-enunciador assume o papel de aprendiz e o enunciador, o papel de mestre, de professor.
Isso se dá, pois o enunciador oferece elementos para que o co-enunciador construa e assuma esse papel na cenografia e para que ocorra, assim, a adesão, pois este assume as características de discente, como já vimos em O pensamento iluminador e as Ciências Naturais, no qual o co-enunciador se depara com a indagação O que é Espírito? que aguça a curiosidade do co-enunciador, para que, assim, preste ‘atenção à aula’.
Nesse sentido, com o intuito de ‘prender’ a atenção do co-enunciador (aluna), são apresentadas, como vimos, anteriormente, várias definições para espírito para que, uma delas, esteja de acordo com as expectativas do co-enunciador para, dessa forma, criar-se um vínculo, uma conexão.
Nesse artigo, ainda, o co-enunciador é orientado a praticar uma mentalização para captar a sabedoria da deusa da misericórdia (Kannon), como se fosse “uma lição de casa” para assimilar o conteúdo transmitido:
Quem quiser visualizar o poder de Kanzeon Bosatsu durante a meditação deve mentalizar como se segue [...].
Em O Pecado não existe, o enunciador, estrategicamente, para enfatizar a cenografia e para chamar a atenção do co-enunciador, de modo que ele assuma o
papel de aprendiz, apresenta o tema de “sua aula” com uma afirmação polêmica: O pecado não existe.
A curiosidade do “aprendiz” é acionada, já que ele traz a idéia de que o pecado existe e relaciona pecado a castigo, à punição, pois aprendeu que são consequências da desobediência ou de uma atitude que contrarie os ensinamentos religiosos, a Deus. O enunciador, para conseguir a aproximação do co-enunciador, confirma essa relação, relatando os seguintes casos:
• O menino que brincava de jogar pedras e, acidentalmente, danificou uma imagem de Cristo e quando adulto, ao ver a luz do sol da tarde refletida cruz da torre de uma igreja, lembrou-se daquele incidente e a ideia de que era pecador, por ter quebrado aquela imagem na infância, e que estava oculta em seu subconsciente, veio à tona, deixando-o cego. (...) Se fosse eliminada de sua mente a convicção de pecador, os seus olhos seriam curados.
• O menino Eddie, de oito anos que era delinquente e, por isso, era sempre “castigado”. Por se julgar desobediente, seria natural ser punido, todavia, ao se conscientizar de que não era pecador, regenerou-se e as punições não foram mais necessárias.
Verificamos, assim, que a crença de que ‘sou castigado por ser pecador/desobediente’ é acionada para que o co-enunciador participe da cenografia, preste atenção ao que está sendo explicado. Isso ocorre, também, em O pensamento iluminador e as ciências naturais quando o enunciador afirma que:
[...] o Sol mata com seu calor abrasador e a eletricidade fulmina as pessoas, quando o ser humano contraria as leis da natureza.
Ele explica, ainda, que se as leis não forem transgredidas, o Espírito beneficia todas as pessoas, ou seja, o enunciador ensina que ser obediente vale à pena, reforçando a ideia propagada em todos os setores da sociedade, inclusive nas religiões.
Dessa forma, o enunciador, por meio da cenografia, ensina o “caminho para a liberdade”, ou melhor, que não há pecado e, por isso, não é preciso a punição, o sofrimento. Todavia, para conseguir se libertar dos infortúnios é preciso “estar preso”, é preciso obedecer aos ensinamentos. A cenografia, portanto, apoia-se na seguinte cena validada, que facilita a interação entre os coenunciadores: quem desobedece deve ser punido, castigado.
Portanto, a diluição da ideia de pecado impregnada na humanidade, é um dos objetivos da SNI, pois, segundo os ensinamentos, as religiões ensinam, exatamente, o oposto, ou seja, que todos são pecadores. Todavia, o estereótipo religioso de obediência é mantido, conforme vemos em:
O pecado não existe O pensamento iluminador e as
ciências naturais
Se consegue obedecer fielmente até aos malfeitores, é porque você é muito obediente. Portanto, basta você trocar de professor. Se tiver um bom professor, você só terá que ser bom, pois é obediente.
Contanto que não se transgrida as leis da Natureza, o Espírito beneficia todas as pessoas.
O sincretismo religioso, marca da SNI, enquadra-se em uma estratégia do enunciador, pois são utilizados ensinamentos de várias religiões, porém, com uma “roupagem” diferente, para, assim, ocorrer uma aproximação do co-enunciador:
Religiões - afirmações SNI –faz a mesma afirmação,
porém, de outra forma.
Se você desobedecer será castigado.
Vemos essa ideia, por exemplo, em Gênesis 3:3 Deus disse que
não podemos comer da fruta daquela árvore, nem sequer tocá- la, senão morreremos.
Você é pecador.
Vemos essa ideia em Lucas 11:4:
perdoe nossos pecados, porque nós também perdoamos aqueles que pecaram contra nós.
Deus está no céu.
Em Lucas 11: 1: Pai-Nosso que
estais no céu
Se você obedecer será beneficiado.
Você não é pecador.
Deus está dentro de nós.
O sincretismo se dá, também, quando o enunciador utiliza os seguintes enunciados, na parte inferior, das páginas, no lado direito:
O pecado não existe O pensamento iluminador e as
ciências naturais
1 - O que me amarra é minha própria mente.
2 - Renasça diariamente. 3 - Viva o amor de Deus agora.
No enunciado 1, o co-enunciador assume o papel de ser responsável, de ser o agente da situações ruins em que vive, ou seja, ele se vê como alguém que faz as
escolhas erradas, além disso, há uma certa semelhança com a afirmação de Jó 3:25 o que eu tanto temia acabou me acontecendo.
Nos enunciados 2 e 3, o co-enunciador se depara com ordens, pois o verbo está no modo imperativo, e, ao ser acionada e reforçada, em sua memória, a importância de se obedecer para conseguir o melhor, o enunciador, toma a palavra e com a sua autoridade (de quem sabe o que diz), dá ordens. O enunciado 2 pode ser relacionado ao que João 3:5 diz para Nicodemos: se alguém não poder nascer de novo, nunca poderá ver o Reino de Deus.
Além disso, o enunciador se inclui no discurso ao usar o pronome pessoal nós, sugerindo que não seja, somente, ele que pense desse modo, mas todos que fazem parte da SNI ou não, revelando, desse modo, a ideologia da instituição.
Esse uso proporciona uma maior aproximação com o co-enunciador, dando a entender que ambos (enunciador e co-enunciador) estão aprendendo juntos acerca da inexistência do pecado e que possuem o mesmo ponto de vista. Esse sentimento de pertencimento a um grupo colabora para que o co-enunciador aceite o que está sendo postulado, como vimos em:
O pecado não existe O pensamento iluminador e as ciências naturais
Como vimos, quando homem mantém o pensamento de que ele é pecador, chega [...] a ferir a si próprio.
Por isso, se ficarmos constantemente falando que o pecado existe, ele jamais poderá ser extinguido.
Vivemos em um Universo vivo.
[...] as leis da Natureza, por ele criadas são generosas e podemos aproveitá-las em nosso beneficio.
O espírito está dentro de nós.
Ao co-enunciador, são apresentados, ainda, palavras generalizantes, que podem se referir tanto a homens quanto a mulheres, como em:
O pecado não existe O pensamento iluminador e as ciências naturais muitas pessoas o homem ser humano mente humana a humanidade o leitor leitor
tudo quanto vemos quem quiser visualizar
E são feitas referências a situações comuns em qualquer época, ou seja, atemporais como em:
O pecado não existe O pensamento iluminador e as
ciências naturais
deparar com malfeitores delinquência infantil
rejeição da sociedade a um ex- presidiário
aluno desobediente
desabrochar das flores
resultados de pesquisas cientificas da era moderna
fogo que destrói casas
O enunciador, no papel de quem ensina, lança mão desses recursos para se aproximar do co-enunciador, no papel de aprendiz e para seu discurso se adaptar a qualquer contexto histórico-social e alcançar, assim, um grande número de pessoas, como, geralmente, os professores fazem: pesquisam o conteúdo, planejam e elaboram a aula para transmiti-la a vários alunos e utilizam, muitas vezes, situações do cotidiano como exemplos, a fim de tornar claro o conteúdo.
Notamos que o enunciador faz isso, de maneira semelhante, para que seja visto no papel de professor conhecedor e bem atualizado sobre os acontecimentos da sociedade.
Portanto, essa é a maneira pela qual o enunciador se apresenta ao co- enunciador e organiza seu discurso, construindo cenas onde os atores desempenham papéis sociais, que possibilitam a transmissão da ideologia da instituição representada pelo enunciador.
Diante desse cenário, nessa análise, depreendemos que o espaço para aprender os ensinamentos se dá no íntimo da pessoa (mudar a mente, o modo de pensar), ou seja, a topografia é o interior do co-enunciador. Na cronografia, observamos que o tempo de aprender é o da obediência ao que está sendo ensinado, porque será essa submissão que trará resultados positivos. A cenografia reforça, portanto, o efeito de sentido de que pelo próprio esforço, pela própria dedicação consegue-se pôr em prática o que se ensina.
A cenografia, dessa forma, revela-nos o ethos discursivo com traços estereotipados de um homem que pode falar como articulista e como um professor, ou seja, profissionais que têm autoridade e seriedade e que, ainda, fazem parte de campos, socialmente, legitimados, como o jornalístico e o pedagógico, respectivamente. Comprovamos isso pelo próprio nome da coluna: Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi.
Além disso, esses campos estão atravessados pelos discursos religioso, científico, pedagógico, jurídico, entre outros, que fazem parte do posicionamento do enunciador ‘ensinamos a viver corretamente’, ao qual haverá ou não a adesão do co-enunciador.
Baseando-nos no primado do interdiscurso, para identificarmos o ethos discursivo, veremos suas características enunciativas que colaboram para traçarmos um perfil do sujeito enunciador e de seu fiador. Segundo Maingueneau (2008 a, 2008 b, 2011), ethos se refere às características do sujeito enunciador que são reveladas pelo seu modo de enunciar e não as que ele próprio atribui a si.
Sobre as características enunciativas, vimos que o discurso pedagógico constitui o discurso da seção Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi, devido à sua
ideologia: transmitir conhecimentos para a formação de sujeitos, influenciando-os. Essa transmissão se dá por meio de um especialista em um assunto que, com base em sua diretriz orientadora, escolhe maneiras e métodos específicos para atingir seu objetivo: ensinar.
Nesse âmbito, o ethos discursivo, da coluna analisada, aproxima-se do ethos pedagógico, do ethos de professor, pois o enunciador se manifesta como aquele que tem o conhecimento, a sabedoria sobre o que ensina. Percebemos essa semelhança no artigo O pensamento iluminador e ciências naturais, quando o enunciador começa seu discurso com uma indagação:
O que é Espírito?
Esse modo de iniciar uma explanação trata-se de uma estratégia muito utilizada em sala de aula, pelos docentes, que formulam uma pergunta para os alunos e ouvem suas respostas para, a partir daí, discorrerem sobre o assunto que será estudado no dia.
Após esse questionamento, são apresentadas várias respostas, por meio de uma longa explicação, repleta de informações complementares, para enriquecer “sua aula” e, assim, atingir seu objetivo:
O que é espírito? Deus é Espírito. E o espírito é
a origem de tudo, é a essência, é a força, Ele é invisível. É a Vida, É a força superior, É a força cognitiva, É onipresente, É amor, É sabedoria.
Isso, também, ocorre em O pecado não existe, quando o enunciador, no papel de professor, de mestre, começa sua ‘aula’ com um tema polêmico: o pecado não existe, a partir de uma afirmação genérica:
Muitas pessoas afirmam que a religião é necessária porque existe o pecado no homem.
Feito isso, o enunciador começa as explicações:
Explicações:
Nós afirmamos que o homem não é pecador e que não há pecado.
Se o mundo foi criado por Deus e se Deus é absoluto e perfeito, não existe pecado.
O pecado não existe porque nunca foi criado. A ideia de que há pecado está causando inúmeras doenças.
Deus é amor, não criou o castigo.
O pecado se extingue quando o homem é libertado da ideia de que ele é pecador.
Notamos, portanto, que o conhecimento é transmitido sem dar margem à contestação, pois são utilizados, pelo enunciador, discursos incontestáveis (paratópicos) como o bíblico e o científico, conforme vimos em:
Discurso bíblico Discurso científico
Artigo: O pecado não existe Artigo: O pensamento iluminador e
as ciências naturais
Cristo nos ensina o seguinte no Evangelho Segundo João: “No princípio era o Verbo (Palavra) e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito se fez sem ele”. A palavra é criadora. Por isso, se ficarmos constantemente falando que o pecado existe, ele jamais poderá ser extinguido.
E, se os seres vivos tivessem surgido de origens completamente diferentes, não seria possível nenhum entendimento entre eles e teriam de viver em eterna desarmonia. E não haveria também nenhuma interação entre os átomos e a matéria, não haveria princípios de fissão e fusão, e os átomos se manteriam “isolados” uns dos outros. Mas as pesquisas científicas da era moderna tornaram claro que os átomos agem segundo o princípio da fissão e da fusão, interagindo de modo harmonioso, e que a estrutura molecular das microscópicas partículas materiais é idêntica a do gigantesco sistema solar.
Apesar de serem discursos antagônicos - no bíblico, predomina o uso da emoção, da subjetividade e no científico, a razão, a objetividade - ambos são utilizados para ensinar ‘o correto modo’ de agir sem criar sofrimentos.
Percebemos o uso de discursos paratópicos em sala de aula, em palestras, em conferências etc., por ser um recurso que confere credibilidade ao discurso e ao sujeito enunciador, de tal modo que o co-enunciador sente-se convencido de que o que está sendo proferido é confiável, é a verdade. Para que haja esse convencimento é necessário um tom, que confere credibilidade ao enunciador.
Assim, um professor, ao mencionar, por exemplo, sua formação acadêmica e os cursos que participou ou ministrou ou, ainda, ao demonstrar seu domínio sobre determinado assunto, com o intuito de reforçar que é conhecedor, é “expert” em sua ou outras áreas, quer influenciar seus alunos, envolvê-los.
De forma semelhante, o enunciador, na construção da imagem de si, utiliza- se de recursos para conseguir a adesão, conforme demonstramos, a seguir:
• em todos os exemplares, na seção, em análise, há uma foto de Masaharu Taniguchi, do lado esquerdo da página. Nela, temos a imagem de um senhor japonês com, aproximadamente, 65 anos, usando óculos e que, aparentemente, está vestido de kimono. Dessa imagem, depreendemos um sujeito que tem conhecimentos, experiência de vida e seriedade.
• além disso, para reforçar tal idéia, em todas as páginas há o nome da seção Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi, que possui o nome do fundador da SNI.
Essa repetição, por quatro vezes, na coluna, enfatiza o papel de mestre e a autoridade do enunciador e, por ser a primeira coluna nas revistas, sua importância é mais evidenciada.
A enunciação da SNI pode ser descrita, então, como sendo uma enunciação de conhecimento, de sabedoria, de autoridade, de credibilidade e, esse tom de confiança, está ligado ao caráter do professor, do mestre ou do palestrante, assim como está no discurso da SNI, como vimos em O pecado não existe:
Como vimos, quando o homem mantém o pensamento de que ele é pecador, chega inevitavelmente a ferir a si próprio. Logo, torna-se necessário eliminar da mente da humanidade a ideia de pecado.
Por isso, se ficarmos constantemente falando que o pecado existe, ele jamais poderá ser extinguido. Por exemplo, se todo mundo se dirigir a um ex-presidiário que já cumpriu sua pena e lhe disser: “Você é um criminoso, é um mau elemento, é um pecador...”, ele nunca poderá regenerar-se. Terá dificuldades para conseguir emprego, e não lhe restará outra alternativa senão a voltar à prática do crime.
E como em O pensamento iluminador e as ciências naturais:
Tudo quanto vemos é a concretização do Espírito. Por trás de todas coisas existe a força superior que as criou cada qual com a forma própria e as mantém em seus respectivos estados. Diante desta afirmação, o leitor certamente compreenderá que o Espírito é a força superior que existe no âmago de tudo.
Podemos também dizer que o princípio da Vida, que confere força vital a plantas e animais e promove o seu crescimento, é a corrente da sagrada Vida imanente no Universo.
É esse ethos discursivo de professor, de mestre que garante a credibilidade do discurso, pois o sujeito enunciador, nesse papel, tem um modo de dizer que faz com que ele se mostre assim no ato da enunciação. Essa ‘aparição’, ao ser captada pelo co-enunciador, mobiliza a sua afetividade e, por meio desse processo interativo, ocorre a adesão.
Dessa forma, o enunciador busca a adesão ao seu discurso, ao transmitir informações novas e ao oferecer meios para que o co-enunciador seja o agente de mudança de sua própria vida e de outras pessoas, como percebemos nos artigos:
O pecado não existe O pensamento iluminador e as ciências naturais
Se fosse eliminada de sua mente a convicção de pecador, os seus olhos seriam curados.
Quando o homem mantém o pensamento de que ele é pecador, chega, inevitavelmente, a ferir a si próprio.
Diante dessa afirmação, o leitor certamente compreenderá que o Espírito é a força superior (...) transcendendo a força da matéria.
Quem quiser visualizar o poder de Kannon (...) deve mentalizar como se segue.
Para que a imagem de um sujeito possuidor de conhecimento para ensinar seja construída e haja a adesão, ocorre um processo de incorporação em que o co- enunciador, com base nesses indícios linguísticos, fornecidos pelo enunciador,