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In document Budsjettforslag 2023 (sider 60-72)

Os estudos de Bakhtin (2006, p. 262) são importantes para as pesquisas relacionadas a gênero. O estudioso utiliza o termo gênero de discurso e o define como tipos relativamente estáveis de enunciados que podem ser orais ou escritos, além disso, ele acrescenta que a natureza do gênero de discurso está relacionada à esfera da atividade humana a que ele pertence. Para ele, o ser humano se comunica, fala e escreve, por meio de um grande repertório de gêneros. Tais gêneros nos são dados quase da mesma forma com que nos é dada a língua materna, a qual dominamos, livremente, até começarmos o estudo da gramática.

Essa grande variedade de gêneros de discurso, que vai desde um breve diálogo do cotidiano a produções literárias e científicas, decorre da necessidade de atender às mais variadas esferas sociais, que fazem uso da língua com fins específicos. Devido a essa heterogeneidade, Bakhtin (2006) classificou os gêneros de discurso de primários (simples) e secundários (complexos).

O primeiro é espontâneo e está relacionado à fala, às conversas do dia a dia; o segundo, por sua vez, surge de um convívio cultural mais complexo e está relacionado à escrita, sendo, dessa forma, mais elaborado, mais organizado, como um romance, texto científico, entre outros. Muitas vezes, o gênero primário, ao ser incorporado e transformado em gênero secundário, perde sua relação com o mundo, é o caso, por exemplo, de um diálogo inserido em um romance, que passa a ser um acontecimento artístico-literário e não da vida cotidiana.

Nesse âmbito, o estudioso deve levar em consideração, para uma análise eficiente, a inter-relação entre os dois gêneros, bem como, seu processo histórico, já que a historicidade é constitutiva de todo enunciado. A partir de sua análise, é possível apreender efeitos de sentidos e maneiras de se ver o mundo.

Por conseguinte, os gêneros de discurso, por serem estáveis, são constituídos de regularidades que estão interligados, como o conteúdo temático, o estilo e a estrutura composicional, que os tornam reconhecíveis em um determinado campo de atividade humana. O conteúdo temático refere-se aos temas que possam ser abordados; o estilo trata-se das escolhas linguísticas feitas pelo enunciador para

a produção de um gênero; a estrutura composicional está relacionada aos aspectos textuais e formais do gênero, é a forma do que pode ser dito.

Desse modo, Bakhtin (op.cit., p. 272) postula, ainda, que os gêneros são elo da cadeia muito complexa de outros enunciados, evidenciando o caráter dialógico de seus estudos. Para o autor, o dito já-aqui possui partes do dito antes, ou seja, partes de outros enunciados usados para a interação humana e implica uma resposta do outro, assim como ocorre no diálogo. Essa dialogia liga o enunciado a outros elos, na corrente complexa da comunicação/interação, sendo, a historicidade, a marca constitutiva do enunciado concreto.

Nessa perspectiva, esse princípio dialógico não considera o outro passivo, no momento da interação, pois, no enunciado concreto, o momento do outro interagir dá-se pela alternância dos sujeitos falantes, que, por sua vez, somente ocorre devido ao enunciado pressupor um sujeito falante, um destinatário dotado de atitude responsiva.

Conforme Bakhtin (2006), cada ato de enunciação é composto por várias “vozes”, ou seja, cada discurso é composto por diversos discursos. A polifonia (vozes que “dialogam” dentro do discurso), é construída, historicamente e socialmente e, a partir dela, é estabelecida/construída a consciência individual do falante. As pessoas pensam devido ao contato permanente com os pensamentos dos outros e estes são expressos no enunciado. Podemos afirmar, então, que os gêneros de discurso mantêm diálogos com outros, produzidos anteriormente a eles e que assim, eles não são criados pelo homem, mas apreendidos por ele. Nesse sentido, os gêneros mudam e têm mais flexibilidade que a língua.

A partir desse cenário, o linguista considera, assim, o enunciado resultante de uma “memória discursiva”, ou seja, repleto de enunciados usados em outras épocas, em outras situações, que o locutor inconscientemente utiliza para formular seu discurso. A enunciação caracteriza-se, dessa forma, pela alternância de atos de fala, numa relação dialógica, sendo esse princípio dialógico da linguagem que orientará a AD.

Verifica-se, então, que Maingueneau segue a noção bakhtiniana para descrever uma variedade de enunciados produzidos na sociedade, no entanto, ele

propõe reflexões sobre o conceito e a categorização dos gêneros de discurso. Para ele, a categoria gênero de discurso é considerada, para além da simples exterioridade entre “texto” e “contexto”, como um dispositivo de comunicação ao mesmo tempo social e verbal, historicamente definido (MAINGUENEAU, 2008a, p. 137).

Maingueneau (op.cit., p. 138) explica, ainda, que serão chamados de gêneros as práticas verbais como o jornal do cotidiano, os programas de televisão entre outros, que estejam relacionadas a uma determinada sociedade e não as categorias como a narrativa, a descritiva, a polêmica etc. Ele privilegia as condições materiais de comunicação, os papéis dos participantes, os contratos implícitos entre eles, o suporte material, entre outros.

Diante dessa perspectiva, para Maingueneau (2011), o texto pertence a uma categoria de discurso e devido à grande quantidade de produções textuais em uma sociedade, sua denominação é apoiada em critérios heterogêneos. As categorias variam conforme o uso que se faz dela e, algumas denominações não pertencem ao léxico corrente, por serem próprias de certas profissões. Para ele, devido ao gênero estar ligado ao cotidiano das pessoas, ele não pode ser desconsiderado pelo analista, pois este deve receber as diferentes maneiras de apreensão do discurso que dão origem a diferentes tipologias. Ele defende que os gêneros pertencem a tipos de discursos diferentes, que estão associados a muitos setores do cotidiano.

O autor explica, ainda, que as categorias correspondem às necessidades do cotidiano e, por isso, os analistas do discurso devem dar atenção a elas, todavia, não podem se contentar com esses gêneros, se quiserem definir critérios rigorosos. O rigor não impede, no entanto, que sejam aceitos variados critérios que correspondam a diversas formas de apreender o discurso, visto que há tipologias de diferentes ordens. Destacaremos as tipologias comunicacionais e as tipologias de situação, já que, para Maingueneau (2011), o analista do discurso não deve ignorá- las.

Para Maingueneau (2011, p. 59 e 2008a, p. 42), as tipologias comunicacionais ou funcionais indicam a orientação comunicacional do enunciado e são classificadas em funções da linguagem e funções sociais, ou seja, os discursos são divididos de acordo com sua finalidade. Essas classificações oscilam entre a

atualização de funções abstratas, como a tipologia de Jakobson (1969): as funções referencial, emotiva, conativa, fática, metalinguística e poética e de funções de ordem social em que antropólogos ou sociólogos distinguem as funções necessárias à sociedade: a charada tem função lúdica, o sermão, a função religiosa.

Por conseguinte, as tipologias de situação de comunicação ou situacionais são construídas a partir de gêneros de discurso definidos a partir de critérios sócio- históricos (Maingueneau, 2008a, p. 42), ou melhor, são dispositivos de comunicação que aparecem quando estão presentes em setores da atividade social, como o telejornal, o sermão, o editorial etc.

Apesar dessa noção de gênero ter vindo dos antigos poetas e retóricos gregos e ser bastante recente, por influência de Bakhtin, tem sido usada para descrever uma multiplicidade de enunciados produzidos na sociedade, conforme comenta Maingueneau (op.cit. p.152). Assim, como a sociedade está em constante mudança, os gêneros de discursos, por seu caráter historicamente variável, diferem- se, desse modo, das tipologias comunicacionais. O estudioso explica que:

‘tipo’ e ‘gênero’ são assim duas faces da mesma realidade: um tipo de discurso é constituído de gêneros, todo gênero se destaca sobre o fundo de um tipo de discurso determinado (MAINGUENEAU, op.cit., p. 42).

Sobre os gêneros de discurso, Maingueneau (op.cit., p. 151), também, explica que essa noção tem papel de destaque nas análises de discurso, já que refletir sobre os textos sem levar em conta os lugares sociais aos quais pertencem ou refletir sobre os lugares sem considerar o texto, significa que o discurso não está sendo abordado a partir do ponto de vista da análise do discurso.

Nesse âmbito, os gêneros de discurso pertencem a diversos tipos e não se limitam a apenas alguns, já que os tipos de discurso são associados a inúmeros setores de atividade social (MAINGUENEAU, 2011, p. 65). Para conceber um

gênero e sua tipologia de discurso, um conjunto de condições de êxito deve ser atendido, para que possa fazer parte de uma atividade de forma eficiente, como:

• uma finalidade: todo gênero é produzido com uma finalidade que é definida, ao se responder à indagação implícita: “estamos aqui para dizer ou fazer o quê?”. Identificá-la é importante para que o destinatário tenha um comportamento adequado perante a uma prática social (gênero de discurso);

• o estatuto de parceiros legítimos: corresponde aos papéis que o enunciador e o co-enunciador devem assumir, daí a necessidade de se determinar de quem parte e a quem se dirige o discurso;

• o lugar e o momento legítimos: correspondem ao lugar e ao momento em que o gênero está inserido: a missa ocorre na igreja, a aula em uma escola, mas, dependendo, da finalidade, esses locais podem ser transgredidos.

Em relação ao tempo de um gênero de discurso, ele implica uma periodicidade: um curso, um telejornal, por exemplo, são periódicos; no entanto, um panfleto não tem essa periodicidade; uma duração de encadeamento, que é a duração da realização de um gênero de discurso, em um jornal impresso, tem, pelo menos, duas durações de leitura de um artigo: verificam-se os elementos destacados em negrito, maiúsculas, para, eventualmente, ser feita uma leitura.

• o suporte material: trata-se do modo de existência, do modo de manifestação material dos discursos.

• uma organização textual que se refere aos modos de encadeamento dos constituintes de um gênero de discursos, em diferentes níveis, da frase a suas partes maiores. Compete à linguística textual estudar essa organização que todo discurso possui.

Notamos a presença desse conjunto de condições de êxito na coluna Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi, conforme demonstramos a seguir:

• finalidade: transmitir os ensinamentos de Taniguchi para a captação de seguidores;

• papéis assumidos: são de mestre, de professor para o enunciador e de aluno para o co-enunciador;

• lugar e momento legítimos: o texto foi inserido na coluna Artigo do Mestre, no entanto, os coenunciadores se deparam com uma aula;

• tempo: a periodicidade da revista Pomba Branca é mensal. No entanto, as

obras de onde foram extraídos os textos - que compõem o corpus para o desenvolvimento dessa pesquisa - podem ser lidas em qualquer época (atemporais). Sobre a duração de encadeamento, são verificadas, inicialmente, as imagens, o ‘olho’ do texto, frases no rodapé das folhas do lado direito, para, depois, se ler os textos. Em relação à continuidade, pode-se ler o texto inserido na revista de uma só vez ou lê-lo de onde ele foi recortado, já que no final da coluna é mencionada a fonte de onde o texto foi extraído. Sobre a duração de validade presumida, ela é indeterminada, pois tanto a revista quanto a coluna podem ser lidas em qualquer período.

Diante desse aspecto, Maingueneau (2011), ainda, aponta três metáforas para caracterizar o gênero: o contrato, o papel e o jogo, tomados, respectivamente, de três domínios: o jurídico (contrato), o teatral (papel) e o lúdico (jogo) que serão explicados a seguir.

• O contrato refere-se às normas de sistematização do discurso, que são usadas pelo locutor e reconhecidas pelos interlocutores. Caso essas regras sejam desobedecidas, o interlocutor precisará saber o motivo.

• O papel se refere aos diversos papeis sociais desempenhados nas atividades sociais, como por exemplo, uma mulher em casa exerce o

papel de mãe, no entanto, na empresa onde trabalha exerce o papel de executiva.

• O jogo é o cruzamento das duas metáforas citadas acima: existe um contrato (as regras) e há papeis (os jogadores). Assim como em um jogo, um gênero implica certas regras preestabelecidas, todavia, suas normas não são rígidas como a de um jogo, pois:

elas (as regras do gênero) possuem zonas de variação, os gêneros podem se transformar. Além disso, o gênero de discurso raramente é gratuito, ao passo que um jogo exclui as finalidades práticas, visando apenas ao lazer (MAINGUENEAU, op.cit., p. 70).

Notamos que o discurso inserido na revista é apresentado como sendo do gênero artigo - Artigo de Mestre Masaharu Taniguchi. O contrato está bem claro entre os coenunciadores, pois o enunciador assume o papel de quem detém o poder, ao se autodenominar mestre e o co-enunciador assume o papel de aprendiz.

Nesse âmbito, devido à diversidade de gêneros de discursos, o autor distingue três regimes para essa noção: os gêneros autorais, impostos pelo autor ou pelo editor; os gêneros rotineiros que são os favoritos para os analistas do discurso como as revistas, as palestras, entre outros, e os gêneros conversacionais, que são instáveis, já que sua estrutura se modifica durante a conversação (Maingueneau, 2008a, p. 155).

O linguista francófono afirma que essa divisão dos gêneros em três regimes pode ser utilizada para fins didáticos, no entanto, não está correta dos pontos de vista terminológico e empírico, por isso ele modifica essa tripartição e propõe dois regimes genéricos, submetidos a regras distintas: gênero conversacional e gênero instituído, este no lugar dos gêneros autorais e dos gêneros rotineiros. Para ele, esses regimes podem estar juntos em um mesmo ato de fala.

Sobre os gêneros instituídos, Maingueneau (2008a, p.155) diz que eles formam um conjunto heterogêneo e que estão associados a uma “cena genérica” que:

atribui papéis a atores, prescreve o lugar e o momento adequados, o suporte e a superestrutura textual para um texto de um gênero particular.

Nesse sentido, o discurso analisado neste trabalho se enquadra como gênero instituído, pois se constitui a partir de um quadro enunciativo formalizado institucionalmente.

O estudioso lembra, ainda, que muitos desses gêneros possuem outro tipo de cena, que depende das escolhas de quem os produz: a cenografia. Para ele, a cena genérica é parte de um contexto, trata-se da cena o que gênero indica, e a cenografia é produzida no texto, no entanto, nem todos os textos a possuem. A lista telefônica, por exemplo, obedece às regras de sua cena genérica, por outro lado, a publicidade escolhe as cenografias conforme as estratégias do marketing. O estudioso, ao levar em conta a variedade de gêneros instituídos, distingue vários graus:

- gêneros de primeiro grau são aqueles que não variam: certidões de nascimento, listas telefônicas, entre outros;

- gêneros de segundo grau são produzidos pelos falantes e obedecem a um rigoroso roteiro: notícias na TV, correspondência de negócios etc;

- gêneros de terceiro grau são tolerantes a variações e dão ao falante a possibilidade de criarem cenografias: um guia de viagens pode ser elaborado por meio de uma conversa, por exemplo;

- gêneros de quarto grau requerem a invenção de cenografias, obedecendo às estruturas do gênero escolhido: propaganda, programas de entretenimento etc.;

- gêneros de quinto grau não seguem formatos preestabelecidos, pois isso depende da maneira pelo qual o autor coloca sua identidade em jogo. Um autor religioso pode chamar seu texto de meditação, por exemplo.

Dessa forma, a proposta feita por Maingueneau, para que partamos para esse “regime de genericidade” em duas categorias, tem como propósito a possibilidade de distinguir regimes de produção textual, no contexto da interdiscursividade, pois assim saberemos que a escolha de um gênero e não de outro, nas atividades discursivas, não é aleatória, mas, com objetivos específicos. Para Maingueneau (2008), todo gênero modifica a situação da qual participa e, para ele, o co- enunciador tem seu comportamento influenciado pela finalidade do gênero produzido.

Então, escolher uma categoria genérica é muito mais que escolher uma estrutura textual, pois é impossível elaborar um gênero de interação a cada situação da qual fazemos parte, para tanto buscamos a estabilidade de alguns gêneros, pois eles podem tornar a interlocução mais eficaz.

Diante desse cenário, as características do gênero de discurso são ampliadas pelo pesquisador, ao estudar as cenas da enunciação, a saber: a cena englobante, a cena genérica e a cenografia, que serão aprofundadas mais adiante. Percebemos assim que, para ele, não se deve priorizar somente os aspectos estruturais do texto, mas o gênero também, pois é por meio dele que enunciador e co-enunciador interagem e desempenham papéis sociais.

No que se refere ao corpus selecionado, vimos que os editores da revista escolhem e recortam textos de obras do fundador e os inserem na seção denominada Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi:

- do livro Lições para o cotidiano, foi extraído O pecado não existe. A obra data de 1954, foi escrita em Tókio, teve sua primeira edição em português, em 1979, sua 11ª edição foi revisada em 1996, estando, hoje, na 16ª impressão. Esse texto foi inserido na revista Pomba Branca de março de 2012.

- do livro Comande sua vida com o poder da mente, foi extraído O pensamento iluminador e as ciências naturais. A obra foi escrita em 1948, editada em 1988, sua

1ª edição, em português, foi em 1998 e está, hoje, na 16ª impressão. O texto foi posto na revista Pomba Branca de março 2013.

Apesar de não serem artigos, de não serem produzidos para o suporte revista Pomba Branca, de não serem escritos para as mulheres do século XXI e não pertencerem ao momento histórico, político e social em que foram publicados os exemplares, eles são inseridos nas publicações, em uma ‘moldura’, em uma estrutura de artigo de revista e recebidos como tal.

Os editores não explicitam seus critérios nem objetivos em relação às escolhas feitas para a publicação, todavia há uma intenção em optar por um texto e não por outro e inseri-lo na seção Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi que tem um propósito implícito. Essa coluna poderia ser identificada como: aula do Mestre Masaharu Taniguchi, dicas do Mestre Masaharu Taniguchi, palestras do Mestre Masaharu Taniguchi etc., no entanto:

sobram, ainda, alguns gêneros para os quais as finalidades, como critério primeiro, são inadequadas, que desafiam as atribuições de propósitos comunicativos (SWALES, apud Maingueneau, 2008a, p. 157).

Sendo assim, a seção Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi não é apenas um espaço para a publicação de textos extraídos de obras do fundador, falecido em 1985, ou uma estrutura textual. Trata-se de uma prática social, já que o gênero artigo de revista traz papéis que são desempenhados por quem escreve e por quem lê. No discurso em análise, como já mencionamos, o enunciador assume o papel de mestre, de quem sabe o que diz e o co-enunciador assume o papel de aprendiz.

In document Budsjettforslag 2023 (sider 60-72)