Um dos instrumentos de divulgação dos ensinamentos filosóficos e religiosos da SNI é a revista Pomba Branca. Nela se encontra a coluna Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi que será o objeto de análise para nossa pesquisa. Essa publicação destina-se a mulheres e contém matérias relacionadas ao lar e assuntos considerados como pertencentes ao universo feminino, como educação dos filhos, culinária entre outros. Nela, há artigos, que particularizam aspectos da vida da mulher do ponto de vista espiritual, de autoria do fundador; de sua esposa, Teruko Taniguchi; de sua filha, Emiko Taniguchi; de sua neta Junki Taniguchi e de seu genro e atual presidente, Seicho Taniguchi.
Cabe ressaltar, ainda, que os artigos produzidos, pelos demais membros da família do fundador, são de transferência de ‘sabedoria’ entre o ‘mestre e seus discípulos’ o que permite que a SNI prossiga. Em todas as obras, escritas por outros autores, são feitas menções aos ensinamentos de Taniguchi ou por meio de relatos, de testemunhos, de experiências vividas na doutrina ou por referências a outros títulos traduzidos ou não para a língua portuguesa. Enfim, nenhum autor se posiciona como transmissor de suas próprias revelações, apenas reproduzem, com uma linguagem mais atual, a vivência espiritual do líder-fundador.
No Japão, a Associação Shirohato (figura 4), tradução Pomba Branca, surgiu
em 1935 e de acordo com relato da senhora Tsuneko Matsumoto21, sobre o
surgimento da entidade, ele ocorreu a partir de reuniões informais com algumas mulheres e, entre elas, estava Teruko Taniguchi, esposa do fundador da SNI. Ela ressalta, ainda, que, a partir da segunda reunião, que passou a ser na “casa da colina”, residência da família Taniguchi, o esposo estava presente nos encontros e não obstante de intensos afazeres, passamos a receber orientações, pessoalmente.
Slogan Associação Pomba Branca - Japão
Figura 4
Ela lembra, também, que veio do “mestre” a seguinte orientação de expandirem as reuniões:
a Associação Pomba Branca veio até o momento efetuando atividades internas. [...] doravante, deverá atuar, também, do lado horizontal, trabalhando ativamente em atividades externas, de mãos dadas, seguindo mais as características femininas de amor e paz, assim mantendo um equilíbrio entre o interior e o exterior (Revista Pomba Branca – edição especial – 2004, p.39).
21 Relato extraído da revista Pomba Branca (2004, p.38), edição especial, da comemoração do Jubileu de Ouro
Após ouvirem dele o que tanto esperavam, as senhoras se reuniram, informalmente, na ‘casa da colina’ e, após debates, na presença dele e de sua esposa, decidiram “fazer da Associação Pomba Branca a Associação das Senhoras da Seicho-No-Ie, em âmbito nacional”. A partir daí, surgiu o Departamento das Senhoras e a associação separou-se, da SNI, em 13 de fevereiro 1936.
O nome Pomba Branca, conforme relato da senhora Teruko22, presente em
diversas obras e no site da organização, surgiu na seguinte ocasião:
eu usava, na ocasião, um broche com o formato de pomba branca, para prender a faixa do quimono. O Mestre observou o broche e disse:- Que tal o nome de “Pomba Branca?” Ela simboliza a pureza, a delicadeza a paz [...] uma figura realmente feminina. - Ótimo! Acho muito bom! – respondi. E assim surgiu a denominação Associação Shirohato (Revista Pomba Branca23 - em japonês – nº. 424, p. 58).
22
Informação obtida no site <http://www.sni.org.br/pomba_branca/>. Acessado em 11 de novembro de 2012.
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Capa da revista Pomba Branca, em japonês, de fevereiro 2013. Extraída do site <http://www.ssfk.or.jp/gekkansi/backnom/b/sirohato.htm>l. Acessado em 10 de fevereiro de 2013.
Revista Pomba Branca – Japão – fev.2013.
Sobre a importância da revista Pomba Branca, Masaharu Taniguchi (2004,
p.6),24 no artigo Ensinamentos de Luz para as Mulheres, publicado na primeira
edição dessa revista, diz que é uma publicação que visa a levar felicidade a todas as mulheres, iluminando-as e promovendo a união delas e que, apesar dele não ser mulher, está disposto a liderar um movimento que vise à felicidade de todas as mulheres, porque sou dirigente da Seicho-No-Ie. O lar do crescimento infinito.
Ele, nesse primeiro artigo, orienta as leitoras sobre como deixarem seus maridos satisfeitos em seus lares, afirmando que o segredo de um lar feliz está na expressão sorridente que a mulher mostra quando fala com o marido e com os demais membros da família e que um lar é infeliz quando a mulher, em vez de se mostrar satisfeita com o marido e os filhos, fica reclamando deles o tempo todo.
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Destacamos, também, que o fundador escreveu centenas de textos para o público feminino e, muitos deles, estão reunidos, hoje, em obras que contém coletâneas de seus artigos. Entre eles, destacamos as obras A Razão de ser da Mulher, volumes 1 e 2, que contêm artigos que abordam questões diversas, referente à vida cotidiana, como divórcio, maternidade, sexo, trabalho, traição, entre outros; A felicidade da mulher, volumes 1 e 2, neles há 365 itens, destinado à cada dia do ano, que abordam, do ponto de vista espiritual, a postura mental para a mulher ser feliz.
Destacamos, ainda, que os textos produzidos, para a revista, eram direcionados a mulheres japonesas, da década de 40 do século XX, especificamente, do final, da Segunda Guerra, de 1945, em diante, época, classificada por ele, no prefácio dos volumes 1 e 2, da obra A Razão de ser da Mulher como conturbada, de transição da era antiga para a moderna e por conta disso, são cometidos muitos exageros.
Sua constatação, de que se trata de um período ‘conturbado’, explica-se pelo fato de que a mulher japonesa, até o início dos 1930, aprendia a ser subordinada aos homens (pais, irmãos, esposos, sogros). Mesmo que letrada, os ensinamentos escolares, religiosos e familiares orientavam-nas para que fossem obedientes e servis à sociedade, então, machista.
Além disso, as leis constitucionais, do Japão, reforçavam a diferença entre
direitos masculinos e femininos25, bem como outros aspectos culturais, também, o
fazem, como o casamento arranjado, antes da mulher completar 20 anos e a responsabilidade integral diante da sua família e de seu marido, dando-lhes toda a assistência.
A partir da Segunda Guerra Mundial, a participação do Japão nas lutas, com seus homens indo à frente de batalha, é criado um ambiente favorável à participação feminina, no mercado de trabalho, em crescente industrialização e há um encorajamento pelas notícias do Ocidente, sobre a emancipação feminina. Por conseguinte, a inserção no mundo produtivo, desperta, nas mulheres japonesas, que eram submetidas a condições precárias, o desejo de lutarem por direitos sociais mais igualitários.
Nesse sentido, apesar da ‘conturbação’ social, Taniguchi (2010) diz estar admirado, também, com a conscientização feminina do pós-guerra, pois, a partir desse momento, houve vários movimentos de valorização da mulher, de ampliação dos seus direitos e de defesa à livre expressão.
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A Constituição, de 1947, e o Código Civil, de 1948, favorecem a instituição de igualdade entre homens e mulheres. Em 1985, a título de exemplo, tem-se a primeira lei que prega a igualdade no trabalho entre homens e mulheres, em 1999, houve revisão dessa mesma lei, ampliando os artigos para outros aspectos da sociedade.
Todavia, ele adverte que tal mudança não deve ser apenas de reação ao sistema machista do passado, já que em toda mobilização reacionária, sempre se acaba cometendo excessos (TANIGUCHI, 2010, p. 7). Assim, no que se refere ao movimento feminista, ainda, no prefácio, de 1966, do livro A Razão de ser da Mulher, volume 2, ele, ao continuar sua análise, afirma que:
o verdadeiro movimento [...] deve ser aquele em que a mulher se posiciona em seu devido lugar de mulher e desenvolve naturalmente sua condição feminina, tal como foi criada pela Natureza, reconhecendo a essência da mulher verdadeira e vivificando corretamente essa mulher verdadeira.
Taniguchi (2010, p. 7) explica, ainda, que a verdadeira mulher é aquela que conhece sua missão e vive de acordo com essa missão, pois ela é antes de tudo, um ser humano que é, ao mesmo tempo, do sexo feminino; ela não é um homem.
Ele postula, também, que ela se tornou um ser humano deformado que não é homem nem mulher, quando decidiu reagir ao sexo masculino e, para que não existam essa deformação e a desigualdade feminina ou masculina, é preciso que haja a união das características de ambos os gêneros e não o domínio de uma sobre a outra. Para ele, devido a essa confusão de papéis, as pessoas não têm discernimento sobre o modo correto de viver nem sobre a correta razão de ser das mulheres.
Diante desse contexto, para ensinar sobre esse modo correto de viver e de ser, Taniguchi recorre à mitologia japonesa (2008b, pp. 18-19), segundo a qual da união do deus Izanagi com a deusa Izanani, nasceram as oito ilhas que compõem o Japão e os mais de trinta deuses que nelas habitam, como dos ventos, dos rios, das montanhas etc. Ele explica, também, que o mundo é formado pela união do polo negativo com o positivo, respectivamente, identificados como natureza Izanani (feminino) e natureza Izanagi (masculino). Dessa união, sobressai a natureza
feminina, tal qual ela é, pacífica e com o dom superior no amor; e a masculina, conquistadora e com o dom superior na sabedoria.
Taniguchi, como vimos, recorre, também, à Bíblia para conscientizar a mulher sobre seu papel, fazendo referência a Adão e à Eva – elemento do sincretismo que dá base à composição textual da SNI.
Nesse sentido, dos 40 livros da coleção A Verdade da Vida, escrita por Taniguchi, o volume 29, intitulado Educação da Mulher, é específico para as mulheres. Ele explica, no prefácio dessa obra, que dedicou esse volume às mulheres, devido aos anteriores se destinarem a todos os seres humanos (homens, mulheres, crianças, adultos ou idosos) e não abordarem o “caminho específico da mulher”.
Assim, o autor comenta que o subconsciente de toda a humanidade, durante séculos, admitiu a ideia de que o homem é superior à mulher e exemplifica, citando que no Japão era costume dos pais tratarem as filhas como criaturas frágeis e inferiores, pois na doutrina budista, a mulher não pode alcançar o Nirvana e que na doutrina cristã a mulher (Eva) se deixou enganar pela serpente e seduziu o homem para o caminho do pecado (TANIGUCHI, 2011).
Dessa forma, é preciso tirar a influência negativa dessas idéias que subjugam a mulher para que ela possa evoluir ainda mais, logo orienta as senhoras membros da Associação Pomba Branca que expulsem do subconsciente da humanidade o velho mito de que a mulher é fraca e inferior (TANIGUCHI, 2011, p.28).
No Brasil, a revista Pomba Branca foi traduzida a partir de 1985 (ano do falecimento do fundador). A primeira revista a circular no país foi a Acendedor (1965), hoje, denominada Fonte de Luz, direcionada ao público masculino que aborda assuntos como saúde, prosperidade e harmonia familiar; a terceira, Mundo Ideal, para jovens de 13 a 35 anos. A partir de 2011, foi inserido, na capa dos exemplares, o slogan: A Revista da Mulher Feliz.
A revista manteve as características originais e conseguiu a adesão dos brasileiros, inclusive, dentre aqueles que já professavam outras religiões. Ademais, tornou-se um eficiente meio de divulgação e de arregimentação de novos fiéis, pois essa publicação, assim como toda a literatura da SNI, sistematiza e divulga a doutrina em todo território nacional.
Sobre a importância dos exemplares, Godoy & Castilho (2007, p. 11), em seus estudos sobre a espiritualidade e a cura nas novas religiões japonesas, ao discorrerem sobre a SNI, afirmam que:
esse movimento religioso [...], por meio de uma revista, tornou-se significativo pelo centramento e cultivo da palavra em diferentes direções. Criou-se uma marca de distinção das demais NRJ26: a religião da palavra.
Por ter esse enfoque, a instituição possui associações que são responsáveis por essas publicações. No caso da revista de onde extraímos o nosso corpus, a Associação Pomba Branca é o departamento responsável por sua edição e que atua no Brasil, desde 1954, oferecendo atividades e divulgando os ensinamentos ao público feminino com mais de 35 anos. Inicialmente, os assuntos abordados, nos exemplares, estavam relacionados ao desempenho da mulher no lar como esposa e como mãe. Nos dia de hoje, temas como atuação no mercado trabalho, ganham destaque. Há ainda, nessa associação, os departamentos da Sabedoria, dirigido para mulheres, na 3ª idade, das Mães e o departamento Infantil.
Slogan Associação Pomba Branca - Brasil
Os assuntos tratados, na versão brasileira da revista, são, em sua maioria, os mesmos na versão japonesa. Ainda que a sociedade feminina brasileira apresente nuances diferenciadas como, por exemplo, a luta pelos direitos civis mais igualitários, que datam do final do século XIX, que ocorreu, muito, antes dos direitos femininos japoneses, bem como a participação feminina, em manifestações
públicas, por melhores condições de trabalho, já em meados de 190527, e, tantas,
outras características, relativamente, mais avançadas, em contraposição à cultura japonesa, a Associação, nos idos de 1950, e a revista, em 1980, consegue atingir as leitoras-adeptas à doutrina da SNI.
Em seus aspectos gerais, a revista Pomba Branca possui um total de 35
páginas e é oferecida, na matriz e nas sedes regionais, a um custo de R$ 2,0028,
sendo vendida, também, no site da SNI e por assinatura. Nas palestras proferidas, bem como nas demais publicações, a revista é divulgada e os adeptos são estimulados a adquirirem-na, tanto para uso próprio quanto para serem doadas a outros leitores. Eles, ainda, são orientados a deixarem exemplares, em lugares de acesso público, para que possam ser lidas, como, por exemplo, em balcões e em mesas de consultórios médicos, em salões de beleza, dentre outros.
Nessa média de 35 páginas, a revista é composta, pela capa, geralmente, ilustrada com a imagem de uma flor e, em seu verso, há um fragmento de texto,
27 Não é nosso intuito, detalharmos a situação feminina, no Japão e no Brasil, já que, para uma pesquisa
comparativa, são necessários estudos, mais aprofundados sobre a questão, o que envolve uma leitura, mais atenta, sobre aspectos culturais de um país e de outro. Aqui, apenas, a título de exemplo, são citadas ocorrências factuais, como a da conhecida eclosão, em São Paulo, da greve das costureiras, ponto inicial para o movimento por uma jornada de trabalho de 8 horas, em todo o Brasil, em 1907; como o voto feminino, no Japão, em 1945 e, no Brasil, em 1932.
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extraído de uma das obras de Taniguchi, que pode ser utilizado como mentalização e/ou oração. Na contracapa, são divulgados os eventos dos meses seguintes.
No que se refere à organização dos exemplares, há as seguintes colunas: Editorial, Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi, Artigo do Professor Seicho Taniguchi, Artigo da Professora Junko Taniguchi, Aprimoramento das Mães, Educação, Gastronomia, Nova visão do casamento, Relato de Experiência, Meditação Shinsokan, Cartão de Bênçãos e Biografias do fundador e de sua esposa. Essas seções estão presentes com regularidade, com exceção, de um ou outro exemplar com temas especiais.
Há, no rodapé, das páginas ímpares, situadas do lado direito, frases para reflexão que são extraídas das obras do fundador. Além disso, no espaço publicitário, são divulgadas as programações da SNI existentes nas emissoras de rádio, de televisão e do site e, ainda, são vendidos alguns livros e assinaturas das revistas Fonte de Luz, Pomba Branca e Mundo Ideal, além do Jornal Querubim.
No site da instituição, no link Associação Pomba Branca, é mencionado que há, na organização, um conteúdo vasto para todas as fases da mulher e, além disso, é divulgado que esse departamento ensina, para o público feminino, como manter um clima saudável, no ambiente em que se vive, por meio de uma ‘fisionomia alegre’, pois a face reflete o que se passa no interior das pessoas.
É pertinente destacarmos que, ainda hoje, são feitas traduções de muitos textos originais do fundador e de seus ‘discípulos familiares’ para a língua portuguesa. Contudo, outros textos de colaboradores são veiculados na revista, os quais fazem uma releitura das obras de Masaharu Taniguchi e selecionam temas que mais se adaptam às questões atuais, como aborto, desentendimento entre casais, educação dos filhos etc.
Os vestígios culturais e sociais da época em que foram escritos, originalmente, em meados de 1936, no Japão, e traduzidos, em 1985, no Brasil, pelos seus ‘discípulos’, não afastam as leitoras brasileiras. A cooptação, dessas ‘leitoras-adeptas’, dá-se mais pela maneira discursiva da própria revista, como um todo e pela coluna Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi, objeto desta pesquisa.
Diante desse aspecto, destacamos que uma das características dessas leitoras é a religiosidade, já que, normalmente, as mulheres são mais religiosas que os homens, mesmo diante das mudanças sociais pelas quais lutaram, como por exemplo, a participação no mercado de trabalho. Pesquisas censitárias demonstram que elas são mais sensíveis à mudança de religião, não deixando, assim, de
praticarem uma crença – seja ela qual for29.
Isto posto, contata-se que a SNI comercializa, nas livrarias da sede e dos núcleos, obras cujo conteúdo visa ensinar, na prática, o correto modo de viver, que conforme Taniguchi prega seria viver como um ser espiritual, como um filho de Deus, isento de doença, de pecado e da morte. No site da SNI, no link, intitulado mulher, são divulgadas a assinatura Revista Pomba Branca e diversas obras do fundador e de alguns preletores.
Ressaltamos, ainda, que as publicações de outros autores, apenas, reproduzem os ensinamentos, adaptando-os a contextos do universo feminino, como o desejo de casar, de ter filhos, a sexualidade, entre outros. Dessa forma, é mantida a essência da doutrina, que tem, como já foi dito, base nas ‘revelações divinas’ que o fundador afirma ter recebido.
Em suma, o discurso produzido pela revista Pomba Branca é originado, de acordo com os ensinamentos transmitidos na SNI, por intermédio de uma ‘revelação divina’ e transmitido de ‘mestre’ para ‘discípulos’. Pautado pelo sincretismo religioso e científico, os textos produzem, no leitor, a crença da evolução constante do ser, independente de sua realidade social e cultural – aliás, lembramos que a realidade, para a SNI, é a projeção objetiva de categorias mentais do sujeito, que dão margem para a construção de uma realidade saudável ou não.
Logo, para o analista do discurso, é importante estudar esse conteúdo discursivo, a fim de compreender como o sujeito enunciador se mostra, como ele se constrói e de que forma ele evoca o co-enunciador para que haja a interação. Além dessa análise, examinar como esse co-enunciador se manifesta e como ele adere a
29
Segundo o Novo Mapa das Religiões (2011), análises feitas pela FGV em 2011. In:< www.fgv.br/cps/religião>. Acessado em 10 de fevereiro 2013.
esse conteúdo, sendo questões que serão aprofundadas no capítulo dedicado à análise da coluna Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi. Para tanto, fizemos um levantamento teórico-metodológico, para subsidiar nosso estudo, que será apresentado a seguir.