Vedlegg: Beskrivelse av satsingsforslagene 2023
1.6 Petroleum på vei mot et nullutslippssamfunn
Abordaremos a noção de ethos discursivo, a fim de verificarmos como a imagem do enunciador é projetada no discurso da SNI e como ela articula os valores e os modos de vida, na dimensão religiosa, proposta pela instituição. Diante desse aspecto, Amossy (2011 a, p. 9) afirma que todo ato de tomar a palavra implica a construção de uma imagem de si. Ressaltamos que a imagem não está relacionada a papeis sociais, mas ao que se diz no discurso.
Desse modo, Charaudeau & Maingueneau (2008), para esclarecerem essa noção, explicam que o termo ethos vem da retórica aristotélica e, traduzido, significa personagem. Trata-se da imagem de si que o orador constrói na interação com o outro, não de sua pessoa real.
Consequentemente, Eggs (2011), ao discorrer sobre o ethos na retórica Clássica, diz que essa ideia começou a ser discutida por Aristóteles em seus trabalhos sobre a Arte Retórica, nos quais ethos corresponde a um meio técnico de persuasão, em que o orador, por meio de sua maneira de dizer, pode conquistar a confiança do público, mostrando, em seu discurso, um caráter honesto.
Nota-se que essa perspectiva se distancia da definição apresentada pelos retóricos tradicionais romanos para quem ethos corresponderia ao caráter real do locutor, um dado preexistente fundado na autoridade individual e institucional do orador (sua reputação, seu estatuto social) e não ao caráter representado por meio do discurso, conforme explicam Charaudeau e Maingueneau (2008, p. 220).
Por isso, Eggs (op.cit., p. 40) comenta, também, que Aristóteles inovou ao incluir essa noção como uma possibilidade persuasiva, ao postular que o ethos constitui praticamente a mais importante das provas. Para o retórico, o discurso é
construído com base na trilogia comunicativa: logos, pathos e ethos. O logos refere- se à linguagem, ao discurso; o pathos diz respeito ao convencimento do ouvinte e o ethos refere-se ao aspecto moral ou ético que o orador deixa ‘transparecer’ pelo discurso.
Essa trilogia das provas de persuasão mostra que um discurso se apoia no orador que revela uma imagem ao auditório e esse público, por sua vez, é sensibilizado por emoções e por paixões movidas por quem está com a palavra. O orador, dessa forma, alcança o seu objetivo: conseguir a adesão dos ouvintes, devido a seu discurso ser eficiente. É nesse sentido que o ethos corresponde ao caráter do orador representado por meio do discurso e não essencialmente ao seu caráter real.
A partir desse quadro, Eggs (op.cit., p. 31) explica, também, que, nessa perspectiva, o lugar que engendra o ethos é, portanto, o discurso, o logos do orador, e esse lugar se mostra apenas mediante às escolhas feitas por ele e as formas de se expressar resultam de escolhas entre as inúmeras possibilidades linguísticas e estilísticas. Segundo o autor, ainda, para Maingueneau, essas escolhas referem-se às maneiras do orador se exprimir, ou seja, o ethos é mostrado e não dito, explicitamente.
Assim, essa ideia inspira as ciências da linguagem, devido à evolução ocorrida nas condições de exercício da palavra proferida em público e Maingueneau (2008 a, 2008 b, 2010, 2011) leva essa noção para a AD, reinterpretando-a e acrescentando a ela um caráter discursivo.
Logo, segundo Maingueneau (2008 a, 2008 b), o ethos é uma noção discursiva, pois se constitui por meio do discurso, não sendo uma imagem do locutor exterior à fala; é um processo interativo de influência sobre o outro e é uma noção híbrida (sociodiscursiva), um comportamento socialmente avaliado, já que está integrada a uma conjuntura sócio-histórica determinada.
Por conseguinte, o ethos está crucialmente ligado ao ato de enunciação, mas é inegável que o público construa uma imagem (ethos) do enunciador antes que ele se manifeste (MAINGUENEAU, 2008 b, p. 15, 2011 a p. 71). Por isso, o linguista distingue o ethos discursivo (mostrado) do ethos pré-discursivo ou ethos
prévio, sendo esse entendido como imagem construída antes do enunciador tomar a palavra.
Ressaltamos, ainda, que o estudioso reconsiderou essa diferença e não contempla mais a distinção ethos discursivo/ethos pré-discursivo, pois para Maingueneau, tudo se dá no discurso, devido a termos uma noção prévia de quem é o enunciador e, com esse conhecimento, criamos uma instância com a qual se interage.
Nesse sentido, Maingueneau (2008 a, p. 64 e 2008 b, p. 17) deixa clara sua perspectiva de estudo ao afirmar que o ethos será considerado para além da persuasão por meio de argumentos, essa noção de ethos permite refletir sobre o processo mais geral de adesão dos sujeitos a determinado posicionamento, trata-se de uma noção discursiva constitutiva da cena de enunciação. O foco da AD não é o orador ou escritor empírico, pois se analisa, observa-se a imagem construída pelo enunciador com a qual o co-enunciador interage na cena de enunciação.
Dessa forma, Maingueneau (2008a, 2011) postula que a noção de ethos permite articular corpo e discurso em uma dimensão diferente das oposições empíricas: oral e escrito. A instância subjetiva que se manifesta por meio do discurso é concebida como uma ‘voz’, associada a um ‘corpo enunciante’.
Para ele, todo texto escrito possui, mesmo quando o nega, uma vocalidade que pode ser relacionada a um ‘fiador’, uma instância subjetiva (não se trata do locutor extradiscursivo) que, por meio de seu tom, atesta o que é dito. O tom serve para o oral e o escrito, sendo responsável por fazer o co-enunciador construir uma representação do corpo do enunciador, ou seja, por fazer emergir essa instância que afiança o que diz.
Percebemos, assim, que, enquanto a retórica relacionou o ethos à oralidade, Maingueneau (2008 a, p. 65) aborda-o em uma concepção mais encarnada, pois além de recuperar a dimensão verbal, considera o conjunto de determinações físicas e psíquicas associadas ao fiador pelas representações coletivas. Dessa forma, ao fiador são atribuídos um caráter e uma corporalidade, a esse último, está associada uma aparência física, ao primeiro, traços psicológicos. Ademais, o ethos implica uma forma de mover-se no espaço social, uma disciplina tácita do corpo, apreendida por
meio de um comportamento. Ele é apreendido pelo co-enunciador que possui representações sociais, estereótipos, que são reforçados ou transformados na enunciação.
Diante dessa circunstância, a apreensão do co-enunciador implica um “mundo ético”, sendo muito mais que uma simples identificação a uma personagem fiadora, pois o co-enunciador “incorpora” o fiador que, por sua vez, acessa e faz parte de um “mundo ético”, ativado por meio da leitura, que se trata de um estereótipo cultural composto por determinado número de situações estereotípicas relacionadas a comportamentos.
Sendo assim, Maingueneau (2008a,) cita, como exemplo, a publicidade moderna que se apóia em estereótipos (mundo ético dos executivos, dos artistas entre outros) e explica que se incluíssemos um cantor em um clip, ou seja, em um mundo musical, isso teria o efeito de inserir o fiador em um mundo ético específico.
Logo, a maneira pela qual o co-enunciador, em posição de intérprete, apropria-se do ethos ou a ação do ethos sobre o co enunciador, é chamada por Maingueneau (2008 a, p. 65, 2011, p. 99) de incorporação, que ocorre em três registros: a enunciação da obra dá um corpo ao fiador; o destinatário, por sua vez, incorpora-o e essas duas incorporações permitem a constituição de um corpo da comunidade imaginária daqueles que aderem ao mesmo discurso. O corpo do fiador nem sempre está explicitado, todavia, o texto o “mostra” por sua maneira de dizer, ao fazer o co-enunciador entrar em determinado mundo ético que, por sua vez, ativa o fiador pelos estereótipos existentes.
Para o pesquisador, o fiador é uma imagem construída pelo co-enunciador com base em indícios textuais de diversas ordens, pelos estereótipos que ele traz e pelo tom do discurso. Nesse sentido, em nível discursivo, é possível criar uma imagem de um fiador que não tem semelhanças com o enunciador.
Portanto, não se trata de um autor empírico, que decide desempenhar um papel de sua escolha, em função dos efeitos que pretende produzir sobre seu auditório. Tudo está em nível do discurso, pois é o posicionamento, no qual o enunciador está inserido, que o faz assumir um determinado modo de enunciação, um ethos. O discurso “cria” o corpo de um fiador que, por meio de sua enunciação,
produz certos efeitos na comunidade discursiva pressuposta que, ao mesmo tempo, é validada por aquele discurso.
Para Maingueneau (2008b, p. 29) não se deve reduzir a interpretação dos enunciados a uma simples decodificação, já que alguma coisa da ordem da experiência sensível se põe na comunicação verbal. O co-enunciador é:
apanhado por um ethos envolvente e invisível [...] ele participa do mundo configurado pela enunciação, ele acede a uma identidade de algum modo encarnada, permitindo ele próprio que um fiador encarne.
Nesse âmbito, o ethos implica uma experiência sensível do discurso que mobiliza a afetividade do co-enunciador. Trata-se de um comportamento que articula verbal e o não-verbal, provocando, no co-enunciador, efeitos multissensoriais. Maingueneau explica, ainda, que essa adesão ocorre pelo apoio recíproco do conteúdo apresentado e da cena de enunciação. Para ele, a AD deve se interessar pelo construído, com seus possíveis efeitos de adesão, e não com a persuasão exercida por ele.
Assim, Cano (2012), ao comentar sobre a adesão, afirma que o co- enunciador adere a um ethos, a um fiador e não a uma ideia e essa percepção não está em um nível linguístico, mas em um nível interdiscursivo. O corpo aderido está no interior de formações discursivas que possuem traços ideológicos que se opõem a um corpo localizado em outras formações discursivas que possuem outros traços.
Diante do exposto, esse trabalho visa a depreender os efeitos de sentido da seção Artigo do Mestre Masaharu Taniguchi, por meio da construção da cenografia e do ethos discursivo, pois esse discurso, marcado, predominantemente, pela presença do discurso pedagógico e de outros, influencia o comportamento das leitoras. Terminado esse percurso teórico, iniciaremos a análise do corpus, a seguir.