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5. Resultater og analyse

5.2. Målvalidering

5.2.2. Faktoranalyse

5.2.2.2. Faktoranalyse Blogg

Boff (1999) ao falar sobre a ética do cuidado, afirma haver algo no Humano que nos convoca ao sentimento, à capacidade de envolvimento, de afetar-se e de ser afetado. O mundo

se constrói, portanto, a partir dos laços afetivos, por meio dos quais dedicamos tempo e valor às pessoas, nos responsabilizamos por elas.

A categoria Cuidado envolve, portanto, todo esse modo de ser, intrinsecamente

humano. “[...] Constitui, a existência humana, uma energia que jorra ininterruptamente em cada momento e circunstância” (BOFF, 1999, p. 01).

Considerando as relações entre ética e cuidado, na pesquisa os aspectos éticos envolvem toda a realização da pesquisa em si, não apenas o cumprimento de uma formalidade burocrática na etapa metodológica. O cuidado ético perpassa desde a escolha do tema; passando pela relevância do mesmo na sociedade; pelos critérios de escolha dos sujeitos; pela

explicação clara dos objetivos da pesquisa na “linguagem” dos entrevistados; pela escuta atenta e cuidadosa das histórias de vida; pelo reconhecimento da “interpretação da interpretação” na análise das entrevistas; até as possibilidades devolutivas da pesquisa.

No decorrer da pesquisa, mais precisamente no momento de realização das entrevistas, reconhecemos que uma característica do processo de construção/produção das narrativas é ser

um discurso voltado para um “Outro” ouvinte, que pode ser uma pessoa, um grupo, um

profissional, um pesquisador. A presença de outra pessoa já é elemento suficiente para co- construir a história narrada, mesmo sem uma interferência direta por meio da fala.

Uma das premissas da pesquisa qualitativa se refere à impossibilidade de garantir uma postura de não interferência e de neutralidade por parte do pesquisador em um momento de entrevista, mesmo que supostamente não diretiva. Ao lançar uma pergunta para um entrevistado, não só a própria pergunta, mas a sua presença, o seu olhar, ou somente sua existência, já provoca uma intencionalidade de narração. Só há história porque alguém lançou

um “disparador” inicial para que ela acontecesse e há alguém disposto a escutá-la.

Valentim (2011, p.112) afirma que “Dentro de um contexto marcado pela

interanimação dialógica, ambos os participantes da entrevista concorrem para sua construção,

já que neste processo, a posição assumida pelos participantes influencia a narrativa.”

Sobre esse aspecto, concordamos com Cunha (1997) quando afirma que:

A explicitação desta complexa simbiose, acoplada ao necessário distanciamento reflexivo do objeto próprio da pesquisa, requer, do pesquisador de narrativas, uma certa desenvoltura intelectual que lhe garanta o rigor, sem deixar de perceber o entrelaçado de relações. Não deixa de ser um jogo, em que cada jogador tem uma posição. O êxito da partida dependerá da habilidade com que cada um exercerá o seu

papel, mesmo entendendo que é o coletivo que produzirá o intento de chegada (p. 192)

O cuidado ético envolve não só esse momento específico da entrevista, referente à posição de entrevistador e pesquisador. É preciso reconhecer também a influência de nossa própria história de vida ao analisar os fenômenos da pesquisa. Nossa forma de olhar, de avaliar, de dar importância a certos aspectos em detrimento de outros, tudo isso direciona nossas análises. A mudança em nossas experiências nos torna capazes de avaliar nossos dados de forma diferente (ANDREWS, 2008).

Ao falarmos de ética em pesquisa também fazemos referência à função reflexiva da redação de um texto científico, os modos pelos quais nos expressamos em nossas escritas e a que audiência elas estão direcionadas. Bruner (1993, p.1052 apud FLICK, 2004, p. 255) traz a

importância da “autoridade do texto”, ao ressaltar que qualquer texto deve ser verossímil e

tratar dos interesses não só dos pesquisadores, mas também daqueles que são estudados. Para

tal objetivo, ao escrever os pesquisadores devem sempre se perguntar: “Será este um texto fiel

ao contexto e aos indivíduos que ele se propõe a representar?”.

Consoante às sugestões de Denzin e Lincoln (2009) a ética é considerada um processo e não apenas um desfecho. Na pesquisa qualitativa ela é cuidadosamente negociada com os participantes, à medida que as situações vão acontecendo.

Ainda segundo esse autor, a pesquisa garantirá o anonimato dos colaboradores, por meio da utilização de pseudônimos para identificação dos relatos, se assim o desejarem; garantirá a confidencialidade das informações prestadas; bem como utilizará o consentimento informado para a explicação dos usos potenciais da pesquisa.

Considerando os aspectos éticos institucionais necessários à pesquisa, seguimos os preceitos da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisas com seres humanos (BRASIL, 2012). São eles: atender às exigências éticas e científicas fundamentais, observando os possíveis riscos e danos associados ou decorrentes da pesquisa; utilizar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE A); justificar a relevância social da pesquisa com as devidas vantagens para os sujeitos da pesquisa; garantir a confidencialidade, a privacidade das informações, a proteção da imagem, o respeito aos valores culturais, sociais, morais, religiosos e éticos; solicitar a anuência dos participantes; garantir a apreciação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) designado.

Assim, as atividades de coleta de dados só foram iniciadas após o consentimento verbal do colaborador da pesquisa e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e após a submissão à Plataforma Brasil e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa indicado, com número de parecer 1.233.675.

Comprometemo-nos também, ao final do estudo, com a devolutiva da pesquisa ao serviço de saúde mental que participou indiretamente da pesquisa, por meio da indicação dos sujeitos a serem entrevistados, e com os próprios sujeitos participantes da pesquisa, que serão convidados para participar de uma roda de conversa sobre o tema estudado.