• No results found

Facebook

In document Nye naboer, Nye grenser (sider 79-84)

Apesar da crença no “ensinar a pescar”, ao serem questionados sobre as ações sociais da Gerdau para os funcionários, houve contradição entre os trabalhadores ao falarem sobre as oportunidades oferecidas pela empresa. Percebe-se nos relatos que os mais engajados são aqueles que alcançaram postos de supervisão ou chefia, ou que os objetivam. São os que mais obedecem as normas para conseguir se mover na empresa. Em contrapartida, há aqueles conscientes de ter que se capacitar para manter o posto de trabalho. Contudo, sabem que nem todos serão escolhidos e não se entregam a organização, apesar de terem orgulho dela.

O Líder responde sobre o que é necessário para ser um facilitador, hierarquia imediatamente superior a sua. Seu relato revela a consciência de que há necessidade de

83 O bolsa família é um programa do governo federal de repasse direto de renda para famílias em situação de

pobreza. O programa objetiva garantir o direito a alimentação, a saúde e a educação. Além disso, oferece programas complementares de geração de renda, alfabetização de adultos, fornecimento de registro civil e ouros documentos, na intenção de promover a garantia a cidadania.

estudar porque precisa do trabalho, mas sabe que não há garantias de sua promoção por causa desta formação, bem como não acredita nos discursos organizacionais de crescimento profissional.

Você entrou na empresa, tem a chance de você estudar. No meu caso, por exemplo, se eu quiser uma melhora na minha carreira eu tenho que estudar mais, eu tenho que estudar mais para chegar a facilitador. E depois de facilitador chegar, eu acho que aí é só a nível de gerente, tá. Então, quer dizer, no meu caso, no meu caso por exemplo, eu sou técnico, então, para mim chegar a facilitador eu tenho que estudar, fazer curso superior, ter curso superior para chegar a facilitador. Mas não é assim, não quer dizer que eu vou estudar e vou ser facilitador, não é assim tá. Tem um critério, o cara tem que saber, conhecer o processo, entender que interagir com todo o processo. No meu caso que sou um, se eu estudasse era uma oportunidade para mim, mas eu não quero mais, eu estou cansado, não quero saber de estudo mais não. Mas hoje quem quer chegar a nível de facilitador, por exemplo, tem que ter um estudo e a formação superior, sabe, e conhecer do processo da área que trabalha. Não só da área que trabalha mas do processo como um todo. Do processo de, saiu do forno, gaiola e carregamento e resfriamento, tudo, ele tem que saber de tudo. No meu caso, por exemplo, eu sei muita coisa, mas eu não quero. Vou deixar para quem quer. Não quer dizer que você também vai estudar e vai ser não tá, não quer dizer isso tá, você tem que, como se diz, estar na hora certa no lugar certo para isso acontecer (Líder, 2009).

O Chefe era semi-analfabeto ao entrar para a empresa e hoje é formado em administração de empresas, sendo responsável por toda uma área de produção. Ao contrário do Líder, acredita que basta ter força de vontade e se esforçar para alcançar o sucesso junto com a empresa.

Então, a empresa ela tem essa, ela tem esse campo para a pessoa crescer. Basta a pessoa assimilar a cultura, porque também não é, não são todos que assimilam essa cultura. A cultura Gerdau ela é muito firme, ela é muito séria, não é todos que se encaixam nesse processo e a pessoa tendo a formação, ela tem que ter uma formação bem graduada né, ela tem que ter cursos, línguas. Ela tendo esses itens, quer dizer, ela tem o mundo pela frente. Índia, China, que está tentando entrar agora né, nos EUA já está, na América Latina, na Europa. Então a pessoa tem todo esse campo a sua frente (Chefe, 2009).

O Novato, por sua vez, objetiva crescer dentro da empresa, mas também tem consciência de que, apesar de seu engajamento, não há garantias de que será recompensado.

Voluntário é uma palavra que, podemos dizer, se faz se quiser né. Mas não é, é uma autocapacitação. É... a Gerdau ela é muito rígida, em tudo que faz. Ela é rígida e séria. De maneira ou outra eu tenho que estar fazendo né, se não... por exemplo, é, as vezes você vai ver o seu colega de trabalho subindo na sua carreira e você pode ficar estático devido a isso aí. Isso aí, é até um meio de incentivo para que o colaborador não deixe de estudar (Novato, 2009).

Por fim, o Ex-funcionário, que fala do fomento ao estudo e da resposta do trabalhador que, ao não se adaptar está fora do jogo:

Então eles incentivam e muito a formação profissional do pessoal e que todos tenham, até de acordo com normas de investimento, de empréstimo para a empresa, tem que ter isso, essa grade, tem que ter um nível de escolaridade maior. Quanto maior o nível de instrução do pessoal, melhor é o adiantamento, melhor essa, essa liberação de verba para investimento em treinamento e investimento na produção. Isso é um fator predominante que eles têm, por isso eles investem muito e cobram.

Aqueles que não se adéquam, não se adéquo está fora da empresa (Ex-Funcionário, 2009).

Todos os relatos acima, com exceção do Líder, são exemplos de conformismo e resistência dos sujeitos que sabem o que está em jogo na relação empresa/trabalho. Eles podem se submeter às pressões da organização e podem não se organizar para criar novas regras para a relação. Contudo, demonstram ter consciência de que a empresa tem interesses particulares para motivá-los a melhorar sua formação conforme as necessidades da corporação.

In document Nye naboer, Nye grenser (sider 79-84)