4. METODOLOGÍA
4.3. El cuestionario y las frases actitudinales
A necessidade operacional tem sido o fator histórico determinante para o desenvolvimento acelerado e introdução de novas tecnologias e táticas no espaço de batalha. A necessidade de minimizar baixas, aumentar a persistência e diminuir o risco tem funcionado como catalisador da inovação. Esta procura de maior eficiência e eficácia da componente aérea tem conduzido ao desenvolvimento de soluções que aumentem a distância entre os combatentes, ao mesmo tempo que reduzam o risco físico do combate. Tal foi o caso dos mísseis e munições de longo alcance ou dos aviões
stealth. Mas nenhuma tecnologia até hoje tinha oferecido uma resposta tão satisfatória, alargada e acessível como os UAS.
Poderá ser essa uma possível explicação para a explosão no desenvolvimento destes sistemas na última década, dado que os EUA possuem o maior laboratório do mundo para a experimentação de novas tecnologias: o Afeganistão e o Iraque. Nestes dois laboratórios de escala global, tem sido possível desenvolver, operar e avaliar, ao longo de mais de 10 anos, milhares de UAS. Movidos por necessidades operacionais urgentes e sustentados por um financiamento de tempo de guerra, os EUA foram capazes de inovar, adaptando novos sistemas a táticas inovadoras em prazos reduzidos. Por exemplo, num curto espaço de tempo, converteram o MQ-1 Predator, até aí uma aeronave de reconhecimento, num sistema eficaz de ataque com mísseis. Esta inovação foi validada operacionalmente em novembro de 2001 com o ataque a Mohammed Atef,
chefe militar da Al-Qaeda em Cabul. Logo depois em novembro de 2002 outro míssil foi disparado de um Predator sobre um carro que transportava seis operacionais da Al- Qaeda. A novidade consistia no local da ocorrência, o Iémen, e nos operadores do UAS, a CIA. Estes avanços operacionais abriram caminho para a introdução de um drone especializado para ataque, o MQ-9 Reaper.
O sucesso dos conceitos de operação atuais assenta em grande parte num maior conhecimento situacional do espaço de batalha, através de um abastecimento contínuo de informações. Na última década, em resultado do ambiente operacional, o conceito das operações aéreas alterou-se significativamente. O ambiente é agora mais complexo, porque dinâmico. Anteriormente, grande parte dos alvos atribuídos a cada missão de ataque permanecia inalterável desde o planeamento até à sua execução. Por exemplo, durante a ODS, em 1991, as tripulações recebiam novos alvos durante a missão em apenas 20% dos voos. Na Operação Allied Force (OAF), em 1999 o valor duplicou para 43%. Na Operação Iraqi Freedom (OIF), em 2003, em 90% das missões, as tripulações recebiam novos alvos após a descolagem (Isherwood, 2009). Recentemente, durante a OUP na Líbia manteve-se esta tendência dinâmica na seleção de alvos, onde mais de 90% das saídas de ataque descolaram sem alvo atribuído (Deptula, 2011b). Este requisito obriga a uma capacidade de persistência dos meios aéreos só alcançável por UAS. Varrer vastas áreas, detetar atividades suspeitas, monitorizá-las durante horas ou dias, e atacá-las com precisão. Por exemplo, no ataque a al-Zarqawi, líder da Al-Qaeda no Iraque, foram necessários apenas seis minutos para que dois F-16 largassem duas bombas, mas em contrapartida, obrigou a um esforço acumulado de ISR que excedeu as 6.000 HV de Predator, que culminou na localização do alvo (Isherwood, 2010:58).
A compressão do ciclo de identificação/destruição do alvo (procurar, identificar e atacar um alvo) é uma das competências centrais para se ter sucesso nas operações aéreas modernas. Atualmente, a tipologia prevalecente de operações de COIN obriga a que os processos de identificação e destruição dos alvos ocorram em tempos cada vez mais reduzidos. Para além disso, a ligação em rede de todos os participantes através de
data-links permite uma partilha de informação, que se requer precisa e oportuna.67 Neste âmbito, o valor operacional destes sistemas é revelado por duas qualidades fundamentais: a persistência e a transmissão de vídeo em tempo real. A adição de
67 Em 2000, cerca de 400 plataformas da USAF tinham data-links. Em finais de 2009, mais de 3.400
armamento a bordo veio concentrar numa única plataforma as capacidades essenciais para lidar com a complexidade crescente do ambiente operacional.
Apesar dos UAS não terem revolucionado a competência fundamental da cadeia de ataque aéreo (kill chain), ou seja, procurar, localizar, seguir, selecionar, atacar e avaliar, a natureza remota e a persistência características dos UAS proporcionam uma maior flexibilidade de emprego, ao ponto de numa única missão, e numa única plataforma, poderem ser executadas a totalidade das funções dessa cadeia, reduzindo desta forma o intervalo entre o sensor e o atirador. Em consequência, o ciclo de decisão passou de dias para horas e minutos. Desta forma, os UAS constituem um instrumento altamente eficaz contra Time Sensitive Targets (TST).68 Esta utilidade operacional na Operação Enduring Freedom (OEF) foi sintetizada pelo então Comandante do Comando Central, General Tommy Franks, ao referir-se ao Predator como “sendo o sensor mais capaz para caçar e matar a liderança Taliban e Al-Qaeda” (Callam, 2010). Esta relevância operacional conduziu a que pelo menos nove países69 operassem UAS no Afeganistão em apoio das operações terrestres, realçando a importância destas capacidades nas estruturas de forças atuais.
Os UAS desempenham também uma função essencial no esforço da coligação para contrariar os efeitos dos IED70, através da identificação e ataque da rede de produção e distribuição, ou localizando e neutralizando os dispositivos já colocados e as equipas que procedem à sua instalação nas linhas de comunicação (Nolin, 2011:13). A importância da ameaça IED assumiu tal prioridade que conduziu ao desenvolvimento de equipas e táticas especializadas, integrando sensores aéreos e forças especiais, com o objetivo de neutralizarem esta modalidade de ação dos insurgentes.71
A combinação de imagens e a interceção de comunicações fornece indicações valiosas para localizar insurgentes em qualquer parte do teatro de operações. A transmissão desses dados diretamente a forças no terreno, a centros de análise, ou a estações de controlo de UAV, permite um resposta rápida e com surpresa. Mais
68 Alvos que requerem uma resposta imediata, quer por causarem perigo iminente a forças amigas, quer
por serem alvos altamente lucrativos.
69 Austrália, França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Reino Unido e EUA.
70 Por exemplo no Afeganistão foram responsáveis até finais de 2011 por cerca de 50% das baixas da
coligação (cerca de 1.200 em 2.300 totais) (Icasualties.org, 2011).
71 Um exemplo desta capacidade mista de UAS e forças especiais é a força-tarefa ODIN (“Observe,
Detect, Identify and Neutralize”) empregue desde 2006 no Iraque para localizar e eliminar ameaças insurgentes. Mais recentemente em 2010, no Afeganistão, uma força similar eliminou 43 insurgentes responsáveis pela instalação de IED, diminuindo a utilização destes dispositivos nas principais vias de comunicação em mais de 50% relativamente ao ano anterior (Nolin, 2011:14).
recentemente, no caso do raid contra Bin Laden, a monitorização continuada do local do ataque pelo mais recente UAV furtivo da USAF, o RQ-170 Sentinel que sobrevoava a 15.000 ft sobre Abbottabad, permitiu uma redução do risco operacional para as equipas de forças especiais americanas, enquanto transmitia imagens do desenrolar da operação em tempo real diretamente para a Casa Branca (Schmidle, 2011).
A utilidade dos UAS foi também comprovada durante operações de estabilização no Iraque. Por exemplo, em Sadr City em 2008, o Predator forneceu aos comandantes do Exército americano capacidades de vigilância persistente e de ataque que se mostraram cruciais na estabilização da cidade (Callam, 2010). A sua função na identificação das táticas dos insurgentes ou na localização e destruição das posições de lançamento de rockets aumentou a utilidade operacional.
A vantagem oferecida por uma vigilância persistente antes de efetuar um ataque permite melhorar a distinção entre combatentes e civis, minimizando os danos colaterais. Também neste domínio assistimos a uma mudança de paradigma. Neste novo ambiente operacional, fortemente restringido por Regras de Empenhamento (ROE) que procuram limitar os danos colaterais, o emprego de munições de precisão por si só não é suficiente. É necessário conjugar ISR persistente e relevante com letalidade de precisão, onde os efeitos da força letal são dirigidos e os danos colaterais são minimizados através de munições de baixo teor explosivo, especialmente desenvolvidas para uso urbano. Outras soluções, não letais, como operações psicológicas ou demonstrações de força, prometem diminuir os efeitos indesejados associados aos danos colaterais.
Não poderemos esquecer que a presença de UAS nos teatros de operações tem também efeitos secundários ao nível psicológico. A operação em altitude, sem serem visualmente identificados, mas com um som inconfundível que se estende por várias horas, afeta o moral dos adversários, incapazes de anteciparem e reagirem a ataques surpresa (Quintana, 2008:21). Apesar disso, os insurgentes adaptam a sua conduta para minimizar a eficácia dos UAS, como por exemplo movimentando-se em grupos mais reduzidos ou utilizando a camuflagem para iludirem a deteção. Todavia, a persistência, imprevisibilidade e letalidade da ação dos UAS, condicionam fortemente a movimentação e comunicação dos adversários, reduzindo o seu impacto operacional. Por outro lado, também a população sente a sua presença, causando, de forma ambivalente, tanto um sentimento de segurança, como uma sensação de vulnerabilidade associada ao risco de danos colaterais. De qualquer forma, a presença persistente de
UAS tem efeitos psicológicos positivos nas forças amigas, transmitindo maior confiança na rapidez de apoio aéreo próximo, assim como maior segurança e proteção da força.72
A operação ininterrupta e crescente dos UAS na última década tem provado a importância destes sistemas nos conflitos irregulares, desempenhando funções cruciais de ISTAR, tanto em apoio das forças no terreno como ao nível estratégico. O emprego simultâneo por parte dos EUA de UAS no Afeganistão, Iraque, Paquistão, Somália, Iémen e mais recentemente no conflito da Líbia demonstra a relevância destes sistemas no portfolio de capacidades militares, indicando também a propensão gradual para recurso exclusivo à Guerra Aérea Remota como instrumento de resolução de conflitos.
No caso da Líbia, as primeiras aeronaves a sobrevoar a área de operações foram os UAS Global Hawk para efetuar a recolha de imagens de alvos situados em áreas protegidas por mísseis terra-ar73. A solicitação da NATO aos EUA para o fornecimento de Predator armados ocorreu no momento em que as forças de Qadafi recorreram a táticas de insurgência, dissimulando-se entre a população e dificultando a sua identificação e ataque por aeronaves tripuladas (Shanker, 2011a). Após a satisfação do pedido, um Predator disparou o seu primeiro míssil Hellfire em 23 de abril de 2011 (AFP, 2011). Três meses após a primeira solicitação, a NATO reafirmou a necessidade de mais UAS americanos para colmatar a deficiência de capacidades europeias (Cloud, 2011a). O Predator revelou-se como a aeronave de ataque americana com maior participação na OUP após a transição do comando dos EUA para a NATO. Isto porque, desde 1 de abril, dos 397 ataques americanos, 145 foram efetuados pelos Predator (Ackerman, S., 2011b), incluindo o ataque à coluna de veículos onde se deslocava Qadafi, colocando um ponto final ao impasse.
Em agosto de 2011, as duas CAP estabelecidas no teatro forneciam cobertura contínua das áreas de interesse, demonstrando a função essencial desta capacidade para a condução da Guerra Aérea. A vigilância persistente associada à capacidade de ataque dos Predator tornou-os essenciais para este conflito de baixa intensidade, em que após três meses de bombardeamentos aéreos e ataques de mísseis Tomahawk contra as forças militares e estruturas de comando de Qadafi, já tinham sido esgotados os alvos militares que permitiam atingir os pontos decisivos para esta operação. Esta dificuldade acrescida
72 Saliente-se os vários exemplos de UAV a sobrevoarem continuamente bases militares no Afeganistão
procurando detetar potenciais ameaças.
em identificar novos alvos decorre, por um lado, da rarefação de alvos tradicionais (estruturas de C2, sistemas de defesa aérea, depósitos de armamento, etc) e por outro, da proliferação de alvos de oportunidade, em virtude da ameaça acrescida aos civis pela maior dispersão de forças no terreno (Nogueira, 2011). Neste aspeto, a vigilância torna- se ainda mais crítica, se considerarmos a dinâmica do movimento das forças no terreno e a distinção, em tempo real, entre as forças leais ao regime e os civis.