6. ANÁLISIS
6.3. Ejes y sus frases respectivas
6.3.1. Eje 1: Orgullo e identificación lingüístico
Para além do custo financeiro associado à tecnologia, os UAS não eliminam a necessidade do elemento humano. Quando muito fazem-no ao nível do elemento combatente e na redução da pegada logística. Isto porque, apesar de voarem sem piloto, os UAV da classe Predator e Reaper dependem bastante de recursos humanos para as suas operações. Como referido anteriormente, a operação de uma CAP por períodos de 24 horas pode consumir até 168 pessoas. Esse quantitativo humano pode dividir-se em quatro categorias essenciais: PED (31%); manutenção (40%); pilotos (6%); operadores de sensores (6%) (Zacharias et al., 2011:9). Por exemplo, em 2010, estas necessidades representavam 3,6% do total de pessoal da USAF e 9,1% do quantitativo de pilotos
(Black, 2010). Na Tabela 3 é possível verificar essa distribuição dos recursos humanos necessários à operação de UAS, pelas diversas áreas funcionais, relativamente às órbitas de combate (CAP).
Tabela 3 – Recursos humanos associados à operação de UAS (adaptado de Black, 2010)
2010
38 CAP 50 CAP 2011 65 CAP 2013 Total de Pessoal 5300 8500 12000 Pilotos* Operadores Sensores Comandante Missão 535 475 133 1096 500 500 1307 650 650 Manutenção 1900 2500 4891 PED 2394 4150 5395 Aeronaves 167 272 342 Estações de Controlo 84 168 188
*inclui os pilotos necessários para operação distribuída remota (estação de controlo em localização remota e bases avançadas)
Relativamente aos requisitos de pilotos e operadores de sensores, à data de dezembro de 2011, a Tabela 4 mostra os quantitativos necessários e existentes para operar 57 CAP de MQ-1/9 (Predator/Reaper) e quatro CAP de RQ-4 (Global Hawk).94 A Tabela 5 mostra os mesmos requisitos mas para o horizonte de 2015, tendo como ambição operacional 65 CAP de MQ-1/9 e oito CAP de RQ-4.
Tabela 4 – Pilotos e Operadores de Sensores - necessários/(existentes) (US DoD, 2012c:3)
MQ-1 MQ-9 RQ-4 Total Diferença Pilotos 1012 (726) 529 (455) 155 (177) 1696 -338
Op.Sensores 730 (610) 401 (291) 63 (48) 1194 -245
Tabela 5 – Pilotos e Operadores de Sensores necessários em 2015 (US DoD, 2012c:4)
MQ-1 MQ-9 RQ-4 Total Pilotos 902 858 300 2060
Op.Sensores 657 647 150 1454
Esta dependência do fator humano, como garante da relevância operacional dos UAS, afeta mais profundamente as áreas de PED, particularmente nas missões de ISR, em que são sujeitos ao aumento do volume massivo de dados recolhidos do espaço de batalha. Desde 2001 o incremento de horas voadas em missões de ISR pela USAF foi da ordem de 3.100%, obrigando ao processamento diário de mais de 1.500 horas de vídeo e
1.500 fotografias, na sua maioria oriundas das mais de 50 CAP dos Predator e Reaper (Bumiller et al., 2011). De igual forma, a quantidade de informações recolhidas aumentou em 1.600% (Shanker et al., 2011). Por exemplo, só em 2009, a USAF recolheu imagens no Afeganistão e Iraque equivalentes a 24 anos de vídeo contínuo (três vezes mais do que em 2007) (Drew, 2010).
O próprio Chefe de Estado-Maior da USAF reconhece que a dimensão humana necessária para sustentar a operação dos UAS está a drenar os recursos humanos da organização e a sua capacidade para os formar, revelando que a capacidade dos UAS estará de certa forma desaproveitada (Fontaine, 2010). Esse volume continuará a crescer de forma geométrica à medida que novos sistemas, com múltiplas câmaras, são introduzidos em operação. Para dar resposta às necessidades insaciáveis de intelligence, a USAF viu-se forçada a equipar 50 aeronaves tripuladas com sensores semelhantes aos utilizados pelos UAS, enquanto novos sensores estão a ser desenvolvidos para ampliar a capacidade dos Reaper de forma exponencial. A pressão sobre os recursos humanos continuará a aumentar à medida que sistemas mais potentes entram ao serviço. Sistemas como o Gorgon Stare ou o ARGUS, ao multiplicarem por 10 a 65 vezes o número de ligações de vídeo em tempo real, aumentam de forma geométrica as necessidades de análise. Esta pressão sobre os recursos humanos especialistas acabará por obrigar ao desenvolvimento de sistemas automatizados de análise de imagens, com uma eficiência acrescida, selecionando para os analistas humanos uma ínfima porção, mas relevante, da informação recebida.
Relativamente à necessidade de mais pilotos de UAS é possível identificar duas soluções básicas, uma humana e outra técnica: aumentar o número de pilotos formados, e aumentar o número de UAV que cada um pode controlar.
Dependendo da modalidade de formação utilizada e do programa de formação, o custo por hora de treino de pilotos de Predator varia de 150 USD/HV até 2.100 USD/HV.95 Este diferencial de custos exprime a ineficiência do processo atual de treino dos pilotos de UAS, esperando-se que a transição para um sistema ab initio (Beta), mais
95 A USAF tem três modalidades de formação a decorrer: tradicional, especializada e Beta. O programa
Beta foi implementado para responder à forte procura de pilotos de UAS e para diminuir a pressão colocada no treino de pilotagem tradicional. Ao efetuarem menos voos em aeronaves tripuladas (44 HV em vez das 200 HV do treino de pilotagem convencional), esta modalidade, para além de permitir uma redução no custo e tempo da formação de novos pilotos, promove a criação de uma nova especialidade dentro da USAF, reforçando a cultura organizacional associada à operação de UAS (Zacharias et al., 2011:13).
económico e especializado, possa racionalizar os recursos disponíveis. A criação de um Programa de Treino de Pilotagem para Pilotos de UAS assim como um programa distinto para formação de Operadores de Sensores parecem ter dado resposta para os requisitos imediatos. Para além disso, o incremento dos programas de treino operacional contribuiu também para colmatar algumas deficiências imediatas (US DoD, 2012c:4). De forma a complementar o aumento do número de pilotos, desenvolve-se pesquisa nos laboratórios de simulação da USAF, com o objetivo de demonstrar a capacidade de controlo de múltiplos UAV por um único piloto (Austen, 2011). Já em 2005, a USAF avaliou uma demonstração em que um operador controlou o plano de voo de quatro
Predator, durante um exercício em que um UAV atacou um alvo enquanto os outros três permaneciam em espera (Gertler, 2012:20). Os avanços neste campo permitirão uma redução do número de operadores humanos, já que os ganhos potenciais de pessoal em operações autónomas ou de controlo múltiplo de aeronaves poderá chegar aos 64% (Mathewson, 2010).
Em síntese, apesar dos ganhos imediatos associados à remoção do homem do
cockpit, o conceito “não tripulado” aplica-se apenas ao vetor aéreo dado que se
visualizarmos o sistema na sua globalidade poderemos constatar que está ainda, intensamente dependente do elemento humano. É possível extrair destes exemplos a lição de que não basta apenas adquirir os UAS, mas antes do mais, estabelecer uma estrutura, organização e pessoas, que saibam explorar as suas capacidades. Isto terá maiores desafios para pequenos poderes com recursos humanos e materiais escassos.