4. METODOLOGÍA
4.2. Clasificación de las variables y agrupación de los informantes
Antes de passarmos à análise sobre a utilidade operacional dos UAS é importante caraterizarmos três dos sistemas centrais a esta transformação: o MQ-1
Predator, o MQ-9 Reaper e o RQ-4 Global Hawk.53
1.2.1 MQ-1B Predator54
Em 1996 a USAF foi selecionada para operar o RQ-1 Predator.55 Em 2002, a designação foi alterada para MQ-156 com a adição da capacidade de ataque ao solo através do míssil AGM-114 Hellfire. O sistema MQ-1B, concebido para as missões de reconhecimento armado, vigilância aérea e aquisição de alvos, é produzido pela empresa General Atomics e está equipado com um hélice movido por um motor de quatro cilindros com uma potência de 115 hp. Com uma envergadura de 16,8 m e um peso em vazio de 512 kg, pode transportar 204 kg de carga útil para um peso máximo à descolagem de 1.020 kg. Operando a velocidades de cruzeiro na ordem dos 70 KIAS57,
53 No sentido de delimitar o universo de estudo, a análise efetuada incide particularmente nos UAS de
médio/grande porte operados pela USAF. A focalização neste grupo de UAS é justificada pela sua aptidão para criar efeitos transversais a várias componentes e níveis da Guerra, assim como pelo seu impacto na revolução do Poder Aéreo. Centramos, por isso, a investigação em três desses sistemas: Predator, Reaper e Global Hawk.
54 Muitas das características e capacidades dos UAS ainda são mantidas em confidencialidade,
verificando-se algumas discrepâncias consoante a origem dos dados. Os valores apresentados estão disponíveis nas fontes oficiais USAF Fact Sheet (MQ-1B Predator) e USAF Flight Plan (2009:26).
55 O “R” designa a função de aeronave de reconhecimento. O “Q” designa o tipo de aeronave (não
tripulada). O número “1” designa a primeira aeronave deste tipo (USAF Fact Sheet - MQ-1B Predator).
56O “M” designa uma capacidade “multitarefa” (multirole). Idem.
pode alcançar os 112 KIAS e um teto de serviço de 25.000 ft. O alcance próximo das 675 NM e uma endurance superior a 20 horas conferem a este sistema a tão desejada persistência. Os sensores disponíveis incluem uma panóplia designada por Multi-
spectral Targeting System, do tipo IV, câmara TV (EO), iluminador e designador laser. A capacidade de transmissão de vídeo em tempo real durante longos períodos de tempo, a centros de comando, outras aeronaves e mesmo a forças no terreno através de um simples computador portátil, torna-o adequado para missões de ISR de longa duração. A introdução de dois mísseis Hellfire transforma-o numa arma de precisão.
Um sistema consiste em quatro aeronaves (com sensores e armamento), uma estação de controlo terrestre, uma ligação primária de satélite, equipamento sobresselente e pessoal de operações e manutenção para operações H24. A preços de 2009, o custo de aquisição do sistema (quatro aeronaves, estação de controlo e ligação satélite) orçava em 20 mUSD. Pode desempenhar missões de ISTAR, CAS, apoio a Busca e Salvamento em Combate (Combat Search and Rescue - CSAR), ataque de precisão, designação de alvos para outras aeronaves, vigilância de colunas e raides militares, desenvolvimento de alvos e controlo aéreo terminal. A entrega do último MQ- 1 à USAF, a 3 de março de 2011, completou um ciclo de produção de Predators que desde o primeiro voo em 1994 e até essa data efetuaram mais de 900.000 Horas de Voo (HV), mantendo uma taxa de prontidão de mais de 90% (General Atomics, 2011).
1.2.2 MQ-9 Reaper58
Como resposta às necessidades do Departamento de Defesa (DoD) americano na GWOT, foi introduzido em outubro de 2007, um sistema mais eficaz para procurar e destruir os alvos de oportunidade, característicos do novo ambiente operacional, fazendo jus ao seu nome de “anjo da morte”. Os sensores, armamento e persistência do MQ-9 Reaper transformaram-no no ator principal da conflitualidade moderna. Com uma envergadura de 20 m e equipado com um motor a turbo-hélice de 900 hp, pode alcançar velocidades na ordem dos 240 KIAS e tetos de serviço de 50.000 ft, alargando o alcance a 1.000 NM e a endurance a mais de 18 horas. Com um peso em vazio de 2.223 kg pode transportar carga até 1.701 kg (dos quais 1.400 kg externos) para um peso máximo à descolagem de 4.760 kg. Nos seus sete pontos externos pode transportar uma combinação de mísseis AGM-114 Hellfire e bombas de precisão GBU-12 Paveway
II e GBU-38 Joint Direct Attack Munitions. A sua panóplia de sensores inclui IV/EO e radar, assim como designadores para observar e selecionar objetivos mesmo em condições meteorológicas adversas, de dia e de noite, transmitindo as imagens em tempo real. Está organizado modularmente como o sistema MQ-1B, podendo ser operado nas mesmas modalidades e tipologias de missão, dispondo de capacidades superiores. O custo de aquisição do sistema, incluindo quatro aeronaves com os sensores, a preços de 2006, orçava os 53,5 mUSD. Para além da USAF, o Reaper equipa os Departamentos de Homeland Security e de Customs and Border Protection. Os clientes internacionais incluem a Itália, a Turquia e o Reino Unido.
1.2.3 RQ-4 Global Hawk59
O Global Hawk é um sistema de alta altitude e longo alcance, especializado para efetuar ISR a longas distâncias, complementando plataformas tripuladas e espaciais. Transporta uma panóplia alargada de sensores de imagem, entre sensores radar, IV e EO, que lhe permitem cobrir mais de 100.000 km2 de terreno por dia. Com uma envergadura de quase 40 m e um peso à descolagem de quase 15 ton, movido por um motor a jato, consegue alcançar os 60.000 ft de altitude e operar durante mais de 24 horas seguidas a distâncias de mais de 9.000 NM. Estas características possibilitam uma operação global sem restrições. Dispõe de um nível de autonomia substancial, que inclui descolagem, aterragem e navegação em rota em modos automáticos. O custo unitário depende dos sensores transportados, podendo chegar aos 80 mUSD60. Para além da USAF, também a Marinha americana utiliza uma versão naval do sistema, assim como a NASA que emprega dois sistemas para investigação científica. A NATO está em fase de aquisição de cinco sistemas no âmbito da capacidade de vigilância terrestre da Aliança (Alliance Ground Surveillance – AGS), e a Alemanha adquiriu um conjunto de cinco sistemas customizados com a designação de Euro Hawk.
1.2.4 Conceito de Operação
Uma das condições essenciais das operações modernas diz respeito ao conceito de “reachback”, em que é possível obter produtos, serviços, aplicações, forças ou equipamentos de organizações que não estão fisicamente destacadas no teatro de
59 Dados disponíveis em USAF Fact Sheet (RQ-4 Global Hawk).
60 Os custos diferem consoante as variáveis incluídas no cálculo (i.e. sensores transportados, custos de
operações. Este conceito contribui para a redução da quantidade de pessoal, recursos e capacidades fisicamente presentes no teatro de operações, ou seja, possibilita uma menor “footprint” operacional e logística. Assim, é possível maximizar a projeção da força enquanto se minimizam as vulnerabilidades associadas, nomeadamente o risco físico.
O conceito de operações prevalecente nos conflitos atuais maximiza o princípio de “reachback”, ao fazer uso de uma modalidade de operações remotas distribuídas (“Remote Split Operations”). Este conceito de operações distribuídas descreve a modalidade em que elementos independentes participam no planeamento operacional e de tomada de decisão para executarem missões em prol dos comandantes em combate. Por outro lado, envolve uma entidade de C2 que está fisicamente separada entre duas ou mais localizações geográficas (AFDD 2-8, 2007:47). Seguindo este conceito, a operação típica do Predator e do Reaper é feita por um piloto/operador que controla a aeronave, auxiliado por um operador de sensores e armamento, assim como por um coordenador de missão, quando necessário. Normalmente a descolagem e aterragem são feitas a partir de uma estação de controlo localizada nas bases avançadas de operação, no modo de “linha de vista” (Line of Sight – LOS) até 100 milhas de distância, sendo depois transferido o controlo a operadores localizados em zonas fora do teatro de operações, maioritariamente nos EUA, prosseguindo com a missão num modo “para além do horizonte” (Beyond Line of Sight – BLOS) através de ligação satélite.
Esta tipologia de operação permite maximizar a capacidade de combate destacada, através da projeção da totalidade dos meios aéreos, ao mesmo tempo que minimiza a vulnerabilidade da força. Oferece também vantagens quando comparada com a modalidade de atribuição orgânica dos meios aéreos. Ao permitir uma separação entre as plataformas aéreas e a estrutura de força, maximiza o seu emprego operacional. Ou seja, quando um meio é orgânico a uma força, como acontece com os meios aéreos das forças terrestres, este só é empregue quando essa força estiver em operação e em proveito desta. Em contrapartida, numa operação distribuída, os meios são destacados diretamente para o teatro para apoiarem de forma transversal as operações de combate (Deptula, 2008:50).
Esta alteração ao nível do emprego da força assenta num conceito de Combat Air
Patrol (CAP), que equivale a 24 horas de sobrevoo permanente numa determinada área geográfica. O número de CAP aumentou exponencialmente de cinco em 2004 para 39
em 2009 (Tirpak, 2010:38), 50 em 2011, prevendo-se que atinjam 65 em 2013, quase dois anos antes do estabelecido no QDR de 2010.
Em suma, para simplificarmos o discurso ao longo da investigação, iremos essencialmente utilizar dois acrónimos e um termo para designar esta tecnologia aérea: UAV – sempre que nos queiramos referir apenas à aeronave; UAS – quando nos estejamos a referir ao conjunto da plataforma aérea, estação remota, operadores, e processos de C2; e numa tentativa de simplificar este aparato tecnológico, um simples nome – “drone”61. A palavra “drone”, pela sua simplicidade, simboliza as promessas,
mas também os desafios desta nova capacidade. Tendo em consideração a moldura concetual estabelecida é possível iniciar a discussão acerca da operação decisiva no espaço de batalha.