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6. ANÁLISIS

6.1. Correlación de las frases que conforman un mismo eje

A operação real em combate é diferente dos ambientes de experimentação laboratorial onde ocorrem os testes dos UAS. E essas exigências variam consoante as caraterísticas dos teatros de operação e com o tipo de adversário e tática de emprego. Por exemplo, enquanto o Iraque tem grandes áreas desérticas planas, o Afeganistão tem um sistema complexo de terreno montanhoso que dificulta a operação de meios aéreos a baixa altitude, em particular quando se trata de UAV. Se a isto juntarmos um sistema credível de defesa aérea, ao contrário do que se verifica em conflitos irregulares, então rapidamente concluímos que a atrição destes sistemas pode aumentar exponencialmente, transformando-os num alvo bastante remunerador.

Quando se avalia a atrição em combate, pensamos imediatamente em baixas humanas e perdas de aeronaves resultantes das defesas aéreas adversárias. Contudo, a preeminência dos UAS tem-se desenvolvido em ambientes de superioridade aérea existente nos vários conflitos das últimas décadas. Estes ambientes permissivos e benignos em termos de ameaça aérea, permitem aos UAV operar mesmo com reduzida manobrabilidade e sem sistemas de autoproteção.

Assim, apesar das perdas ocorridas na última década, a atrição imposta pela ameaça aérea adversária tem sido reduzida. Contudo, o registo histórico de atrição em combate revela alguns indícios acerca do emprego futuro em ambientes contestados. Durante a operação na Bósnia em 1995, um helicóptero sérvio abateu um Predator com as suas próprias armas ligeiras, após ter voado lado a lado com o UAV (Bowie et al., 2010). Por outro lado, das 30.000 saídas efetuadas pela NATO na OAF, em 1999, apenas duas aeronaves tripuladas foram abatidas, tendo os pilotos sido recuperados (Lambeth, 2001:246). Todavia, nesse período a coligação perdeu 25 UAV em missões de reconhecimento, demasiado arriscadas para serem autorizadas a aeronaves tripuladas, expondo-se ao alcance letal de mísseis terra-ar (Lambeth, 2001:97). De março de 1999 a maio de 2003, as perdas em combate de UAV da USAF traduziram-se em 19 aeronaves (17 Predators e dois Global Hawk). Em contrapartida foram perdidas sete aeronaves tripuladas.88 Em dezembro de 2002, durante a imposição da zona de exclusão aérea no Iraque, registou-se o primeiro envolvimento aéreo entre uma aeronave tripulada e um UAV, onde um Mig-25 iraquiano e um Predator americano dispararam mutuamente mísseis, tendo como resultado o abate deste último (Krane, 2009).89 Mais recentemente, em 2011, três meses após o início do conflito na Líbia ocorreu a única baixa aérea Aliada resultante de fogo inimigo, um UAS MQ-8 americano que efetuava uma missão de ISR.90 Estes registos de perdas por fogo inimigo realçam a fragilidade operacional destas aeronaves em espaço aéreo contestado, com um grau mais elevado de ameaça aérea, tornando embaraçoso o empenhamento inicial de sistemas tipo Predator e Reaper num cenário tipo Coreia do Norte ou Irão, em virtude da elevada taxa de atrição.

Como destacámos anteriormente, mesmo num cenário de conflito irregular, a supremacia aérea não existe a baixa altitude, dada a eficácia do fogo de armas ligeiras, de sistemas portáteis de mísseis ou de lançadores de granadas (RPG) contra aeronaves que voem abaixo dos 10.000 ft. Isto tem sido particularmente notório em teatros como o Afeganistão ou Iraque, onde apesar das aeronaves possuírem sistemas de autoproteção contra mísseis portáteis, os RPG mantêm-se como uma das principais ameaças para os helicópteros a baixa altitude. Pode julgar-se que os insurgentes seriam incapazes de causar qualquer restrição à operação de meios aéreos sofisticados. Contudo, desde o

88 OAF – F-16, F-117 e quatro Predator; OEF – B-1, dois MC-130, sete Predator e dois Global Hawk;

Southern Watch (Iraque) – cinco Predator; OIF – F-15, A-10, Predator (Haulman, 2003:8).

89 Neste tipo de missões o Predator estava armado com mísseis Stinger e era empregue como “isco” aos

caças iraquianos.

início dos conflitos do Afeganistão e do Iraque já foi contabilizada a perda de inúmeras aeronaves devido a fogo hostil, das quais dezenas de helicópteros, que pelo facto de voarem a baixa altitude se encontram mais expostos ao fogo antiaéreo. Nestes casos, não são só as vidas dos pilotos que estão em jogo, mas também dos passageiros transportados. Um último exemplo da eficácia desta ameaça ocorreu a 6 de agosto de 2011, quando um helicóptero transportando elementos de forças especiais americanas foi abatido no Afeganistão por um RPG, causando 38 mortes, o número mais elevado de mortes de forças militares americanas ocorrido em mais de 10 anos de Guerra.91

Dado que os Predator e Reaper operam a altitudes consideráveis, as perdas ocorridas por fogo hostil no Afeganistão e Iraque têm sido bastante mais reduzidas do que as impostas aos UAV táticos que equipam as forças terrestres, como o Raven ou o

Shadow, que operam exclusivamente dentro do envelope das armas ligeiras. Isto mostra que contra adversários mais capazes, a operação dos UAV atuais apenas seria possível em áreas onde estivesse garantida a superioridade aérea local, ou então, remeter a operação para altitudes superiores a 50.000 ft, fora do envelope de alcance de grande parte das ameaças, o que só é possível para um reduzido número de UAV. Mesmo em ambientes irregulares futuros, o nível de ameaça irá aumentar quer pela procura de contramedidas por parte dos adversários, quer pela disseminação de tecnologia comercial que permita essa capacidade (Zacharias et al., 2011:22). Em virtude da operação na última década ocorrer em ambiente não contestado, a necessidade de desenvolver tecnologias ou procedimentos para aumentar a sobrevivência, como sistemas de autoproteção, comunicações seguras, táticas especificas ou plataformas furtivas não foi considerada prioritária. Com a exceção do RQ-170 Sentinel, todas outras plataformas foram desenvolvidas sem preocupações de reduzir a assinatura radar. Dessa forma assistiu-se à proliferação de sistemas vulneráveis.

Todavia, as ameaças à operação não se concentram apenas na plataforma, mas abrangem vários elementos do sistema, como os sensores, as comunicações e mesmo os sistemas de orientação (Ibidem:24-26). As operações de ISR podem ser bastante degradadas através do uso de lasers para cegar os sensores ou a sua deceção através da simples camuflagem. Os ataques cibernéticos podem interferir no controlo dos sensores e provocar uma diminuição da sua precisão. O segmento de C2 pode também ser

91 Em 2011 despenharam-se 17 aeronaves da coligação no Afeganistão, na sua maioria em resultado de

erros de pilotos, condições meteorológicas adversas e falhas mecânicas. No entanto, em 25 de julho foi confirmado o abate de um helicóptero pesado Chinook por um RPG (Moore; Dozier, 2011).

afetado através da interferência (“jamming”) nas comunicações de satélite, com impacto no controlo do UAV, ou nas ligações aos utilizadores da informação, obrigando à sua encriptação. Os próprios sistemas de posição, navegação e guiamento das plataformas poderão sofrer interferências, através do “jamming” do sinal GPS, revelando, uma vez mais, que esta dependência de tecnologias informáticas para a operação pode ser uma vulnerabilidade explorada por futuros adversários. Uma pequena amostra ocorreu em outubro de 2011 quando foi detetado um vírus informático, em computadores das estações de controlo de Predator e Reaper, que efetuava a gravação das instruções fornecidas aos UAV (Jordan, 2011).