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3. CONTEXTO HISTÓRICO Y SOCIO-CULTURAL

3.2. El perfil de los inmigrantes

Numa perspetiva analítica, qualquer atividade de investigação científica procura racionalizar a realidade através de procedimentos testáveis. Ao reduzir a complexidade da realidade, tornando-a inteligível através de esquemas interpretativos, é possível verificar a validade das teorias. Ao equacionarmos as metodologias de investigação relacionadas com a temática da Guerra deparamo-nos com uma panóplia abrangente de processos e instrumentos, que poderão ser aplicados isoladamente ou combinados, sob a

forma de um método científico de produção de conhecimento. Será por isso redutor pensarmos que apenas um método de investigação possa dar resposta à problemática.

Nesse sentido, amparados pelo método básico de investigação em Ciências Sociais (Quivy et al., 2003) procuramos expandir o nosso percurso de descoberta. Cientes da diversidade metodológica, optamos por uma perspetiva pragmática que encara as problemáticas de Relações Internacionais como uma ferramenta de apoio à decisão política. Logo, como um instrumento prospetivo que através do conhecimento do passado informa as decisões do presente para formular ações estratégicas futuras. Assim, este ensaio foi guiado por um método indutivo com carácter prospetivo, tendo em vista mapear futuros plausíveis, recorrendo à análise histórica e ao estudo de tendências futuras.

De forma paralela e no sentido de estabelecer um processo estruturado de recolha e análise de informação, recorremos à aplicação de um Modelo “Strengths,

Weaknesses, Opportunities and Threats” (SWOT) para fazer emergir os aspetos

nucleares desta temática e antecipar futuros plausíveis. Esta ferramenta analítica exercita o pensamento proativo, melhorando dessa forma a discussão, o conhecimento e o processo de tomada de decisão, permitindo igualmente maximizar as vantagens e oportunidades, enquanto se identificam os desafios e se mitigam os riscos associados à solução proposta. Pretende-se, por isso, que a estrutura deste trabalho se desenvolva segundo uma perspetiva descritiva, prospetiva e prescritiva. Partindo de um estudo bibliográfico exaustivo no sentido de reconhecer a função evolutiva dos UAS no âmbito da Guerra, procuram-se indicadores que permitam identificar alterações fundamentais no futuro da conflitualidade hostil. O estudo do registo histórico e as lições aprendidas nos conflitos recentes fornecem os dados empíricos que sustentam o estabelecimento de tendências futuras.

A análise deste processo de inovação deverá ser enquadrada segundo uma trilogia de contexto, liderança e modelo operacional. O contexto revela os desafios estratégicos, nomeadamente os obstáculos que se entrepõem à introdução dos UAS. Por outro lado, a dimensão da liderança consiste na influência do comandante sobre o sistema de comando, incluindo aspetos como as relações (com os superiores, subordinados e aliados), experiências de formação (profissional e técnica), e de confiança (Creveld, 1985:10). Finalmente, modelos operacionais são projetados pela liderança para resolver os desafios estratégicos e envolvem pessoas, processos e

tecnologia. Será de acordo com este filtro analítico, e segundo um carácter prospetivo, que tentaremos relacionar os diferenciadores estratégicos identificados com a realidade nacional. Em primeiro lugar, aquilatando sobre o contexto nacional, fazendo emergir desafios estratégicos. Em segundo lugar, avaliando a influência da liderança estratégica e operacional sobre a adoção deste novo paradigma. Por fim, avançando com uma proposta de modelo operacional no sentido de consubstanciar uma visão da liderança para responder a esses desafios estratégicos, seguindo as diversas linhas de desenvolvimento de uma capacidade, agrupadas segundo as dimensões de pessoas (inclui as vertentes de pessoal, liderança, educação e treino); os processos (a doutrina, a organização e interoperabilidade); e a tecnologia (equipamento, infraestruturas, integração em rede).

Para além disso, a operacionalização de um conceito estratégico revela possíveis vulnerabilidades e dilemas. Nesse sentido, e para determinar a validade e o risco de tal modalidade, é importante submeter esse conceito a um teste empírico segundo três vertentes (Yarger, 2006:63): adequabilidade (alcançará os efeitos pretendidos?), exequibilidade (as ações podem ser executadas com os recursos disponíveis?) e aceitabilidade (os métodos, recursos e efeitos são justificáveis?). Em síntese, estabelecer um modelo nacional de edificação da capacidade UAS e avaliar de que forma é que a FAP poderá contribuir para a sua implementação.

Usaremos como prisma de observação a realidade da United States Air Force (USAF) na medida em que, como maior utilizadora destes sistemas de armas, fornece um universo alargado de estudo. Apesar da proliferação de UAS, os EUA mantêm a sua posição hegemónica no que concerne ao desenvolvimento e emprego de drones. Assim, o modo americano de fazer a Guerra Aérea Remota define e sustenta as tendências mundiais no âmbito dos UAS, contagiando as iniciativas aeroespaciais, tanto ao nível global, como no âmbito da NATO e da FAP. Será sobre estas inquietações que a investigação se centrará. Não com a veleidade de encontrar respostas definitivas, mas antes do mais num exercício prospetivo que propicie uma maior claridade sobre o impacto, efeitos e consequências da crescente utilização destes sistemas aéreos.

Estamos certamente conscientes das limitações da investigação, mas também da sua originalidade. Em primeiro lugar, apesar da novidade desta temática, a enorme curiosidade dos mais atentos ao fenómeno da Guerra, traduz-se numa exuberância académica, característica da descoberta de novo conhecimento científico, não

permitindo certezas, mas acima de tudo muitas dúvidas. A tarefa de analisar um domínio que apresenta constantes alterações afigura-se como dantesca, arriscando por isso eventuais lacunas analíticas resultantes da mutabilidade do tema. Assim, procuraremos analisar de forma rigorosa e profunda as causas e os efeitos da introdução de UAS na conflitualidade hostil, para partirmos depois ao estudo de uma realidade pouco explorada ao nível nacional. É neste contexto que esta investigação se torna original, procurando avançar com uma visão estratégica nacional e um modelo de edificação de capacidades UAS que estimulem a colaboração conjunta e interagencial, criando sinergias de exploração do produto operacional disponibilizado. Cientes da diversidade de barreiras organizacionais e financeiras, tentaremos captar a essência desse debate, extraindo lições adequadas para a aumentar a relevância do Poder Aéreo nacional.

No sentido de indagar possíveis respostas para a questão central, propomos o seguinte roteiro de análise. Na Primeira Parte, procuramos apurar os limites concetuais da temática, sondando o momento crítico da mudança e compreendendo quais os

drivers das tendências futuras, ou seja, pretendemos discorrer sobre de onde viemos e para onde vamos, expondo os aspetos nucleares da Guerra e do Poder Aéreo. Ao efetuarmos um enquadramento concetual sobre o carácter, a natureza e a utilidade do Poder Aéreo é possível sustentar a análise multidimensional subsequente, sobre a realidade e o futuro da Guerra Aérea Remota. Na Segunda Parte, pretende-se averiguar como estamos, extraindo constatações sobre a conduta da Guerra Aérea Remota e efetuando o levantamento de indicadores operacionais para o futuro. A Terceira Parte irá perspetivar sobre como estaremos, expondo os efeitos desejados e indesejados de forma transversal à interação humana, nomeadamente explorando o impacto nas dimensões política, legal, moral e ética, bem como ao nível social e cultural, resultantes do recurso crescente à Guerra Aérea Remota. A Quarta Parte irá transportar para a realidade de um pequeno poder os efeitos resultantes desta revolução, perspetivando sobre o que podemos fazer e prescrevendo como devemos fazê-lo, destacando algumas recomendações aplicáveis ao contexto de Portugal. Concluiremos esta investigação com uma síntese das principais linhas de força evocadas ao longo deste processo de descoberta, clarificando as dúvidas fundamentais associadas à problemática enunciada.