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6. UNITY

6.2 U NITY IN N ICARAGUA

6.2.2. Claims for Self-government

De acordo com o Edital de convocação para inscrição no processo de avaliação e seleção de obras para o PNLD, o Anexo IX, faz referência ao livro didático de História (LDH), apresentando-o como um elemento que possibilita ao educando “conhecer e problematizar a experiência dos homens no tempo, em sociedade e empreender a compreensão significativa da realidade social [...]”. Além disso, o LDH deve também “despertar para a historicidade das experiências sociais, trabalhando conceitos, habilidades e atitudes, na construção da cidadania” (BRASIL, 2010, p. 33).

Para tanto, o LDH deve tornar possível a compreensão do dinamismo do processo histórico, ao mesmo tempo em que eles possam refletir o seu papel como sujeitos históricos (BRASIL, 2010).

3.1.2.1 Análise dos Textos e Imagens

Da mesma forma que os livros didáticos de Língua Portuguesa, nos de História os idosos estão graficamente representados com características físicas de uma mulher ou homem branco, meio calvo, com rosto enrugado, de cabelos brancos. As mulheres usam vestidos e os homens, calça e camisas de manga com gola. Os objetos que os idosos usam são bengalas, chapéus, óculos, xale e suspensórios (E2, F1, F2, F3, G1, G2). Vale destacar que, nos livros de História, aparecem mais imagens de idosos negros do que nos livros de Língua Portuguesa. As características físicas podem ser evidenciadas no poema “Bisazinha”, descrito no capítulo 2, que trabalha a medição do tempo, no livro F3. A orientação para o professor é destacar que a bisavó e o bisneto vivem no mesmo tempo, porém com idades diferentes. O texto fala do longevo como sendo franzidinho, de cabelos brancos, e de “mãos arqueadas” e enrugadas (Figura 11).

Figura 11– Livro F3, p.18.

Fonte: Pesquisa Documental, 2011.

De acordo com Neri (1991) e Debert (1998), não há um processo único de envelhecimento. Envelhecer é uma produção cultural que deve ser identificada em suas particularidades. A representação social de longevo não é tão homogênea assim. Esta forma

de ver o idoso, segundo Mocovici (2009), está ancorada na sociedade para transformar o não- familiar em algo familiar.

No capítulo 2, LDH F3 fala da atividade canavieira. O texto intitulado “Memórias de um menino de engenho” conta a história de um menino que foi criado no engenho de seu avô por causa da morte de sua mãe e o desaparecimento de seu pai (Figura 12). O texto ressalta que a “avó era implicante e vivia dando bronca” ou “cochilando na cadeira de balanço” e o avô “não perdia tempo com criança” (F3, p. 47).

Figura 12 – Livro F3, p.48. Fonte: Pesquisa documental, 2011.

De maneira geral, os idosos são tidos como pessoas chatas, ranzinzas, que preferem ficar sozinhas para não serem incomodadas e, por isso mesmo, não são sociáveis. No entanto, Moragas (1997) afirma que isso é um mito, pois as estatísticas demonstram que a maioria dos idosos, nos países ocidentais, está perfeitamente integrada à sociedade, mantendo a sua capacidade relacional.

Em relação à ocupação e atividades laborais que os idosos desenvolvem, nos livros de História analisados, quase não há referência aos idosos no seu local de trabalho. Em um dos livros de História analisados, no capítulo que trabalha a formação do povo brasileiro a fim de valorizar a cultura dos imigrantes, aparecem duas imagens de um imigrante de origem sírio-libanesa, que está com a aparência de um jovem, vendendo seus produtos em uma feira na década de 40 e, depois, já estabilizado, com aparência de idoso, em sua loja em São Paulo (Figura 13).

Figura 13 – Livro G2, p. 33. Fonte: Pesquisa Documental, 2011.

No LDH, aparecem várias fotografias que representam personalidades idosas e destacam suas histórias. Entre elas: o poeta escritor Carlos Drummond de Andrade, que nasceu em Minas Gerais (F1); o também poeta Mário Quintana, em um texto que lembra sua história de infância (F3); o arquiteto famoso Oscar Niemeyer, de origem portuguesa, árabe e alemã (G2).

Nos livros de História analisados, há mais referências aos momentos de lazer do que nos livros de Língua Portuguesa. No capítulo 4, do livro G1, cujo tema é “A vida não é só trabalho”, os alunos devem ser estimulados a reconhecer as diferentes formas de lazer. O exercício proposto é observar as fotos e responder oralmente aos questionamentos. Entre essas formas de lazer, as que estão relacionadas aos idosos são: dançar, ouvir música e participar de festas de aniversário (Figura 14).

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Figura 14 – Livro G1, p. 117 Fonte: Pesquisa documental, 2011.

Em relação à composição da família e ao relacionamento familiar, os livros de História trabalham, em sua maioria, com árvores genealógicas. Por exemplo, no capítulo 1 do

livro F2, que trata das origens de cada um, quando se refere às origens das famílias, o texto traz uma árvore que apresenta a ascendência e a descendência das famílias, incluindo avós e bisavós, tanto paternos como maternos (Figura 15). A ideia é que os alunos possam discutir as suas origens familiares.

Figura 15 – Livro F2, p. 10. Fonte: Pesquisa documental, 2011.

Os sentimentos relacionados aos idosos, na família, são os já apontados nos livros de Língua Portuguesa, isto é, sentimentos de carinho, compaixão, principalmente de netos e bisnetos (Figura 16). Já em relação aos personagens infantis, dos contos de fada, não foi encontrada, nos livros de História analisados, nenhuma menção a estes personagens.

Figura 16 – F3, p.19.

Fonte: Pesquisa documental, 2011.

Os exercícios propostos não discutem diretamente a questão da longevidade ou dos direitos dos idosos em situações do cotidiano escolar. Existem, porém exercícios de pesquisa sobre de onde vieram as pessoas da família, que incentivam os alunos a entrevistarem seus

avós para descobrir a origem dos seus antepassados. Porém, a orientação dada ao professor não enfatiza a fonte histórica de sabedoria dos idosos e, sim, que os alunos possam apresentar, em sala, sua pesquisa a fim de evidenciar “a importância da diversidade étnico cultural, do coletivo e o individual na formação da pessoa”. (F2, p. 14).

Figura 17 – Livro F2, p.13. Fonte: pesquisa documental, 2011.

No capitulo 2 do livro G1, que trata do direito das outras pessoas independente do idoso, são discutidos alguns direitos, entre eles, “direito à vida e à liberdade de ir e vir”, “direito à segurança e à propriedade”, “direito à casa, escola, alimentação, saúde e família”. (G1, p. 23) E menciona, inclusive, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Muitos desses direitos são também direitos dos idosos, mas o livro não cita, no texto, que tais direitos são também dos idosos. A única referência aos direitos do idoso, nos livros analisados, está em uma imagem que trata do respeito pelas pessoas de modo geral e espera-se que o aluno, apenas pela observação da imagem, possa responder que ficar sentado em um ônibus, enquanto há um idoso em pé, é falta de respeito (Figura 17).

Figura 18 – Livro G1, p. 29. Fonte: Pesquisa documental, 2011.

Então, a discussão sobre os direitos dos idosos, no livro didático, fica limitada às questões relacionadas ao respeito por essas pessoas. O direito do idoso vai muito além do respeito; envolve considerá-lo como um cidadão. A cidadania implica um pacto civilizatório com toda a sociedade, articulada à construção da democracia, que reduz desigualdades sociais e impõe atitudes não preconceituosas em relação ao longevo (FALEIROS, 2007).