DEL 1: ARBEIDSGIVERNE
4 Resultater fra virksomhetsintervjuene
4.3 Arbeidsgivernes motivasjon for å tilby arbeidstrening
Os mecanismos de textualização, segundo Bronckart (2003), são aqueles que permitem o desenvolvimento do conteúdo temático e a coerência temática do texto, compreendendo os mecanismos de conexão (os organizadores textuais), os mecanismos de coesão nominal (anáforas) e os mecanismos de coesão verbal que abrangem a temporalidade no texto por meio dos tempos verbais e de auxiliares. Veremos a seguir cada um deles segundo Bronckart (2003).
Os mecanismos de conexão são responsáveis pelas articulações do plano de texto, delimitando suas partes constitutivas e marcando, dessa forma, a transição entre os tipos de discurso, exercendo, nesse caso, a função de segmentação do texto. Esses mecanismos podem marcar também os pontos que articulam as fases de uma sequência ou outra forma de planificação, e, nesse caso, exercem uma função denominada demarcação ou balizamento. Eles podem explicitar a integração entre duas ou mais frases sintáticas que constitui a fase de uma sequência ou outra forma de planificação, cuja função é chamada empacotamento. Como esses mecanismos articulam duas ou mais frases sintáticas em uma única frase gráfica, eles exercem a função de ligação (justaposição, coordenação) ou encaixamento (subordinação).
Diversas categorias gramaticais representam as marcas de conexão: advérbios ou locuções adverbiais com valor transfrástico usados na função de segmentação ou de balizamento (de fato, depois, primeiramente, de um lado, finalmente, além de etc.); sintagmas preposicionais e alguns sintagmas nominais que assumem a função de adjunto adverbial (depois de três dias...) exercendo a função de segmentação ou de balizamento; o conjunto de conjunções de coordenação com a função de empacotamento ou de ligação (e, ou, nem, mas etc.); as conjunções de subordinação com a função de encaixamento (antes que, desde que, porque etc.). Essas marcas são chamadas de organizadores textuais.
Esses organizadores textuais desempenham uma ou outra função de conexão e podem ser dependentes do tipo de discurso em que se inserem. Eles podem assumir um valor mais temporal (depois, antes que), outros com valor mais lógico (de um lado, ao contrário, porque), ou outros com valor mais espacial (no alto, desse lado, mais longe). Os organizadores que assumem um valor mais temporal são normalmente encontrados nos discursos da ordem do narrar, enquanto que os mais lógicos são comuns nos discursos da ordem do expor e os organizadores espaciais são mais comuns nas sequências descritivas presentes em qualquer tipo de discurso. Vejamos um exemplo:
Depois de marchas e contramarchas fatigantes, o exílio, anos de trabalho áspero. E quando, num golpe feliz, vários antigos companheiros assaltaram o poder e quiseram suborná-lo, o estranho homem recusava o poleiro, declarava-se abertamente pela revolução”. (RAMOS, 1953, p. 45, grifo nosso)
Bronckart (2003) afirma que os mecanismos de coesão nominal apresentam uma função de permitir a introdução de uma unidade nova e de organizar sua retomada no texto. A função de retomada consiste em reformular esse antecedente no desenvolvimento do texto. A marcação da coesão nominal acontece a partir de duas categorias de anáfora. Primeiro, a categoria das anáforas pronominais, composta de pronomes pessoais, relativos, possessivos demonstrativos e reflexivos; e, segundo, a categoria das anáforas nominais constituídas por sintagmas nominais de diversos tipos.
As anáforas pronominais de terceira pessoa são mais facilmente encontradas nos discursos da ordem do narrar, entretanto, as anáforas pronominais de primeira e segunda pessoa e também as de terceira pessoa com valor dêitico e anafórico estão presentes no discurso interativo, pertencente à ordem do expor; já as anáforas nominais estão presentes nos discursos teóricos. Propomos, para ilustrar essa categoria, o seguinte exemplo:
O homenzarrão ficou um instante indeciso, revolvendo a memória. Nada achando, estirou-se no chão de barriga para baixo, sacudiu à toa os braços e as pernas, enfim descreveu como pode os movimentos de uma barata. (RAMOS, 1953, p. 155)
Quanto aos mecanismos de coesão verbal, Bronckart (2003) afirma que sua função é manter a coerência do conteúdo temático do texto, assegurando a organização temporal ou hierárquica dos estados, acontecimentos ou ações verbalizados no texto. A escolha dos verbos e os tempos verbais é que determinam essa coerência. Esses mecanismos com características de temporalidade demonstrada pelos tempos verbais, ou mesmo em conjunto com advérbios
atribuem relações de simultaneidade, anterioridade ou posterioridade, de acordo com o momento da produção, o momento do processo expresso pelo verbo e o momento psicológico de referência (duração da produção). Assim, a análise da coesão verbal pode determinar o eixo de referência temporal dos tipos de discurso relacionados ao contexto de produção, como no seguinte exemplo: “naquele momento os dissídios malucos distanciavam-se, embatiam- se, e as nossas relações se adoçavam” (RAMOS, 1953, p. 180, grifo nosso).
Desse modo, nos tipos de discurso do mundo do narrar, nitidamente distante do mundo do ato da produção, portanto autônomo, a coesão verbal comporta dois tempos de verbo: o pretérito perfeito simples e o imperfeito, formando um par perfeito. Esses dois tempos asseguram a organização da temporalidade da narração, ou seja, o desenvolvimento numa ordem de sucessão objetiva da história narrada.
Da mesma forma que acontece com a narração, o mundo discursivo do relato interativo é distante do mundo do ato de produção, entretanto, é implicado, ao contrário da narração que é autônomo. Na medida em que é implicado, o mundo discursivo do relato interativo é ancorado em uma origem dêitica (ontem, o ano passado, há um mês etc.).
Já a coesão verbal nos discursos interativos orienta-se em um mundo próximo ao mundo do produtor do texto, portanto, não é ancorada em nenhuma origem. Segundo Bronckart (2003), o mundo do discurso interativo implica os parâmetros do ato da produção, isto é, tem como base temporal o presente com valor de simultaneidade.
Discorremos ao longo desta seção sobre os elementos relevantes para caracterizar a 2a camada do folhado textual, os mecanismos de textualização. Na próxima seção discutimos os aspectos pertencentes aos mecanismos enunciativos, vozes e modalizações, pertencentes à 3a camada do folhado textual.