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6 A New Policy Towards Sinai and the Bedouins?

6.4 A Tighter Cooperation with Gaza

O processo educacional em terras piauienses foi marcado por inúmeras incertezas e descompromissos ao longo de sua história. O que a literatura diz é que a educação formal não fazia parte do cotidiano no período colonial. Segundo as lições de Rodrigues (2012, p.231),

No período colonial, praticamente não havia escolas no Piauí. Isso ocorreu por causa do descaso do governo e da população e também pelo fato de que o número de habitantes era pequeno e as pessoas ficavam dispersas nas fazendas. Sem uma concentração populacional maior, era inviável a instalação de escolas.

A realidade esboçada mostra um quadro descompassado de descaso para com o início da educação no Estado do Piauí.

Geograficamente distante de outros centros de povoamento, o Piauí colonial não se desenvolvia. O meio rural era tangido pelo analfabetismo e pelo atraso proporcionado pelas suas próprias condições ambientais. Os núcleos populacionais se aglomeravam em torno das fazendas. Não havia uma estrutura sócio-político-

econômica capaz de oferecer melhores condições de subsistência para a população local que se encontrava inserida nesse meio.

A única oportunidade de trabalho ficava por conta dos fazendeiros que exerciam uma espécie de poder nas localidades onde possuíam as suas terras. Aqueles que ficavam às suas voltas, não tinham outra opção a não ser entregar a sua mão de obra na lavoura e na pecuária.

A família inteira dos colonos se dedicava aos trabalhos das fazendas. Não havia, assim, nenhum interesse dos fazendeiros em ter uma escola pelas pequenas paragens piauienses.

Em trabalho pioneiro desenvolvido sobre a educação no município de Oeiras, antiga capital da Província do Piauí, Reis (2009, p.89) afirma que:

A implantação de escolas em Oeiras, e por extensão em todo o Piauí, se deu por meio de um processo lento experimentando avanços e retrocessos. O Piauí passou por muitos anos pela circunstância de ser subordinado ora à Capitania de Pernambuco, ora à Capitania do Maranhão. A condição de Capitania subalterna, aliada a outros fatores como a baixa densidade populacional, um ensino desvinculado da realidade, o desinteresse da população, na sua maioria constituída por pessoas simples, como vaqueiros e homens do campo. [...] Além disso, havia ainda a dificuldade de se encontrarem pessoas com conhecimentos mínimos para o exercício da profissão de professor e a falta de estímulo salarial.

Foi com esse quadro de atraso e subordinação em relação a outras capitanias que o Piauí foi experimentando, em algumas localidades, o incremento dos primeiros rudimentos escolares.

Sob a condição de Capitania subalterna, o Piauí serviu-se dos mestres- escolas os mais variados possíveis, daqueles que além de oportunizar às crianças o acesso ao mundo das letras e dos números, havia aqueles que ensinavam algum ofício manual.

A educação foi conduzida pelas mãos desses homens-escolas que se incursionavam pelo vasto sertão piauiense. Possuidores dos conhecimentos mais elementares, mas que conseguiram “implantar um modelo de educação dentro dos padrões moldados pelo meio” em que se encontravam inseridos, como bem assinala Pinheiro (2007, p.90).

Por volta do ano de 1757, registra-se a criação de escolas de instrução primária no Piauí, mais especificamente na Vila da Mocha, atual município de Oeiras. Conforme Reis (2009, p.89-91),

As primeiras escolas de instrução primária do Piauí, de que se tem notícias, foram criadas na Vila da Mocha em 3 de maio de 1757. Eram duas escolas destinadas a atender crianças agrupadas conforme o gênero, dirigindo a cada grupo uma educação diferenciada. [...] Essas escolas, porém, não obtiveram êxito. Mas com o desenvolvimento da cidade, em outros setores, os governantes e representantes da terra sentiram de perto a necessidade de desenvolver também a educação. Muitas solicitações foram feitas para a instalação de escolas, além de denúncias sobre o estado de abandono em que se achava a educação no Piauí, mas a Coroa portuguesa permanecia indiferente aos apelos da distante e nascente Capitania. [...] A precária situação educacional do Piauí persistia [...] em 1795. [...] E assim, o Piauí chegou ao século XIX sem escolas públicas para atender à necessidade de educação de seu povo, até mesmo em Oeiras, sua capital. Ter acesso à educação naquela época era privilégio de uma minoria, somente das famílias abastadas que tinham condições de contratar pessoas para introduzirem seus filhos no mundo das letras e dos números. As aulas eram ministradas na casa do próprio professor ou na residência de quem o contratava. Poucos eram aqueles que enviavam seus filhos homens para estudarem em regiões mais adiantadas do Brasil, principalmente na Bahia, Maranhão e Pernambuco, e mais raramente ainda eram os que completavam os estudos na Europa.

Pelo que se percebe, a educação piauiense exercia um efeito sanfona, composta por pequenos avanços e recuos. Isso mostra o total abandono em que se encontrava a Vila da Mocha e, consequentemente, o restante dos agrupamentos humanos do Piauí.

A leitura que se pode fazer é que a Coroa portuguesa estava indiferente ao que acontecia na Capitania piauiense, uma vez que cronologicamente pouco ou quase nada havia sido feito pela educação no Piauí.

Restavam às famílias abastadas contratarem professores para ensinarem os seus filhos nas suas residências ou nas residências de quem o contratava. No mais, foram poucos os que se aventuraram na busca pelo conhecimento em outras regiões brasileiras ou, quiçá, fora do seu território. Para Ferro (1996, p.56), “é no Período Imperial que as primeiras iniciativas de educação acontecem” no Piauí e “logo após a proclamação da Independência, não se registram modificações profundas na sociedade piauiense, e no Período Imperial a província vai crescendo de forma muito lenta”.

Percebe-se que a educação no Piauí Império continuou sendo motivo de descaso por parte das autoridades que o governavam. Nesse período, as iniciativas escolares não chegaram a ter uma repercussão positiva. Ao contrário, algumas

escolas não tiveram a duração necessária para que houvesse um desenvolvimento adequado no processo educacional piauiense. Conforme as anotações de Rodrigues (2012, p.231), sobre a história da educação piauiense:

As primeiras escolas criadas na Capital da Província datam de 1757, sendo uma para meninos – cujo currículo oferecia a oportunidade de aprender a ler, escrever e contar, além da doutrina cristã – e outra para meninas, onde elas deveriam aprender a coser, fiar e fazer rendas. A duração dessas escolas foi bem curta.

Outras iniciativas escolares foram desenvolvidas durante o período imperial no Piauí. Mas, muito do que foi colocado em prática, nas escolas, fugia da realidade social da população local. Como bem esclarece Ferro (1996, p.58),

[...] o ensino, com os conteúdos de leitura e escrita, e até de latim, pouco interessava a uma população de vaqueiros e homens da terra. O ensino, dissociado da realidade, não oferecia atrativos ao povo, que não sentia a necessidade de tais conhecimentos.

Não havia, pois, uma organização educacional. O homem piauiense não tinha uma educação voltada para o seu meio cultural e social. A população não diferiu muito do que se tinha na colônia, eram vaqueiros e os homens da terra que se pode chamar de fazendeiros.

No período imperial, uma das tentativas mais bem sucedidas na criação de uma escola adveio da iniciativa do Padre Marcos de Araújo Costa. E isso foi algo que chamou a atenção não só do Piauí como um todo, mas também, de homens cultos como o botânico inglês George Gardner que, segundo Ferro (1996,p.63), foi “testemunho do alto nível de ensino ali ministrado” quando “[...] visitou o Colégio de Boa Esperança, em fevereiro de 1839, conheceu o seu proprietário, o tipo de ensino ali oferecido e a biblioteca então existente”. Ainda segundo Ferro (1996, p.62-63),

Fato notório, entretanto, é a existência da Escola Boa Esperança, estabelecida pelo Padre Marcos de Araújo Costa em sua fazenda de mesmo nome, no município de Jaicós. Fundada em 1820, [...] a escola teve características singulares. Criada por sua iniciativa particular, oferecia, entretanto, ensino gratuito aos seus alunos. Funcionava em regime de internato, com a orientação constante do dedicado sacerdote. [...] Este colégio teve funcionamento efetivo e ininterrupto por trinta anos, pois só fechou com a morte do seu idealizador e proprietário em 1850. Pode, portanto, ser considerado por muitos dos seus coestaduanoscomo o primeiro mestre-escola do Piauí.

O Padre Marcos de Araújo Costa trouxe para si a responsabilidade de educar em terras piauienses e assumiu o encargo que o governo imperial não conseguiu fazer. Na sua fazenda, instruiu e ensinou aos seus alunos a obterem os conhecimentos necessários a serem utilizados no cotidiano e, também, fez com que muitos alunos fossem em busca de uma profissão quando saíssem da Escola de Boa Esperança.

A Escola de Boa Esperança se destacou por ter sido conduzida por um homem de cultura como o Padre Marcos de Araújo Costa e por ter sido o único a possuir uma vasta biblioteca contendo, dentre outros, livros clássicos de filósofos que não se via em outras paragens do Piauí. Conforme Sousa (2010, p.54),

A próspera Vila, que abrigava a primeira escola regular do Piauí, recebia vários jovens pobres ou ricos advindos de outras localidades. O padre Marcos dedicou-se a educá-los sem a cobrança de nenhum provento, gastando inclusive seus bens patrimoniais. Muitos desses jovens que estudaram na fazenda Boa Esperança seguiram carreira de desembargador, advogado, servidor público, entre outras. A escola Boa Esperança era motivo de orgulho para o Piauí no período em que era bastante valorizada pela população da época – por não ser apenas uma escola de primeiras letras, mas também de ensino de latim, aritmética, francês, retórica, filosofia e teologia; o que possibilitava a alguns jovens mais abastados o sonho de ingressar numa faculdade ou então ocupar cargos da administração imperial. O que destacou a Escola Boa Esperança das outras iniciativas escolares que o Piauí recepcionou foi justamente o empreendimento educacional e cultural feito pelo Padre Marcos de Araújo Costa. Ele não esperou de ninguém, assumiu a responsabilidade de difundir os conhecimentos que tinha e, com isso, adquiriu credibilidade e respeito por todos os piauienses e pessoas de outros Estados que o viram e ouviram falar nele.

Em 1889, com a implantação da República, urgia que se fizessem reformas significativas na educação brasileira. No entanto, o que se pôde constatar na estrutura organizacional do Estado federativo, foi o fortalecimento das oligarquias e do coronelismo.

Foi com esse cenário que a educação brasileira tentou ganhar fôlego. Um e outro modelo de política educacional foram sendo gestados nos gabinetes oficiais, durante a chamada República Velha. Mas, isso não passava de tentativas desconexas de mudança educacional.

Na República piauiense, a educação não foi suficientemente oxigenada para receber o otimismo que pairava na crença de um novo modelo educacional. Nas anotações de Ferro (1996, p.37),

A primeira Constituição Republicana, de 24 de fevereiro de 1891, seguindo a tradição imperial que vinha desde o Ato Adicional de 1834, continuou atribuindo aos Estados a responsabilidade da organização do ensino em geral, e, ao Governo Central, destinava, não privativamente, a atribuição de criar escolas de ensino secundário e superior nos Estados e de prover o ensino no município neutro que era o Distrito Federal. Obviamente, isto acentuou as disparidades educacionais, que ficariam a depender da situação econômica das várias unidades da federação, contribuindo para o agravamento das desigualdades entre Estados e regiões.

E nesse contexto, o Piauí não conseguia fazer mudanças significativas na sua plataforma educacional. Para Ferro (1996, p.87), “se a Primeira República a nível nacional teve a educação caracterizada por reformas, no Piauí também elas se apresentam, e de forma consecutiva e desconexa”.

Em meio a todas as dificuldades existentes, a República piauiense foi de passo a passo tentando dar uma sobrevida ao seu processo educacional e, com isso, a educação foi tomando novos rumos na concretização do projeto republicano, de consolidação do seu ensino. Segundo Ferro (1996, p.94),

Além da escolarização regular, das aulas particulares e ensino no próprio âmbito da família, surgem alternativas de estudos que atenderiam à realidade da época. O formal e o informal coexistem, se mesclam e se complementam. Paralelo às iniciativas oficiais, as famílias tratavam de sanar as necessidades ou falhas, na tentativa de oferecer condições para que seus filhos se iniciassem no mundo letrado.

Nos municípios era comum os alunos estudarem com os vigários paroquiais que, por terem um bom nível de estudo, podiam contribuir eficazmente para a orientação dos alunos. [...] Os que moravam em cidades e vilas do interior, às vezes, após os rudimentos iniciais de leitura, escrita e cálculo, seguiam para Teresina para continuar os estudos, e rumavam para outras capitais.

Nesse quadro educacional, a educação piauiense não atingiu, nos primeiros anos republicanos, o propósito de erradicação do analfabetismo e nem a expansão do ensino formal para todos os municípios do Estado.

Devido ao fato do ensino formal não adentrar nas mais longínquas paragens do Piauí, continuou a atuação dos mestres-escolas. Esses foram os responsáveis

em ensinar as crianças os rudimentos iniciais da escrita, leitura e cálculos matemáticos.

Contratados pelas famílias piauienses por um período determinado, os mestres-escolas participaram ativamente da construção de uma realidade educacional por onde exerceram o seu ofício. Discorrendo sobre esses “homens- escola”, assim se manifestou Pinheiro (2007, p.72),

Muitos povoados e cidades do interior do Estado do Piauí também absorveram a presença do mestre-escola. Em cada aglomerado humano do Piauí ficou o registro desses homens-escola. Com a utilização de métodos rudimentares de educação, modelaram o perfil cultural de crianças e adultos que se estabeleceram no sertão piauiense. Sob o amparo de comerciantes e fazendeiros, os mestres- escolas selaram contratos de prestação de serviços com o objetivo de ministrarem aulas para seus filhos. A estada de um mestre-escola em uma determinada comunidade despertava o interesse de outras famílias para também colocarem os seus filhos no mundo da cultura escrita.

A ausência do Estado no processo educacional piauiense fez com que surgisse a figura social dos mestres itinerantes. Em vários municípios, a presença desses autodidatas do sertão representava verdadeiras autoridades durante o período da escolarização das crianças.

Na literatura piauiense, têm-se uma das descrições feitas pelo escritor picoense Fontes Ibiapina (s/d, p.8-14), no seu livro O Casório da Pafunça, sobre a presença de mestres itinerantes no Piauí:

2ª cena

Uma escola na roça

CENÁRIO: Uma mesa, cadeiras e bancos. Sobre a mesa, uma palmatória, uma pedra e livros.

PERSONAGENS: Professor (Cambute) e diversos meninos sentados em bancos e cadeiras, lendo em cartilhas (em voz alta e cantada). (Ao mesmo tempo, cada aluno lendo lição diferente. Suponhamos que sejam cinco alunos).

1º aluno

- Um b com a, bê a bá; um bê com é, bê é be; um bê com i, bê i bi; um bê com ó, bê ó bó; um bê com u, bê u bu. Ba. Bé. Bi. Bó. Bu. 2º aluno

- Um c com a, cê a cá; um c com ó, cê ó có; um c com u, cê u cu. Cá. Có. Cu.

3º aluno

- Um a com i, a i ai; um é com i, é i ei; um ó com i, o i ôi; um u com i, u i ui. Ai. Ei. ÔI. Ui.

- Um c com cedilha e um a, cê a çá; um c com é, cê é cé; um c com i, cê i ci; um c com cedilha e um ó, cê o çó; um c com cedilha e um u, cê u çu. Çá. Çé. Ci. Çó. Çu.

5º aluno

- M a má, d r idri, p e pé, r o ró, l a lá – madrepérola. C a cá, sa sa, casa. M é mé, t a tá, f ó fo, r a ra, metáfora.

Professor - Está errado! Aluno

- Mas está escrito é assim, professor Cambute! P r o f e s s o r

- Pois deixe eu ver!

A l u n o (entregando a cartilha ao mestre) - Está aqui, fessor!

Professor

- É... Sabido também erra. Só se pode meter dentro.

(E corrige o nome, entregando a cartilha ao aluno, diz: - agora lê:) Aluno

- MéMé, t á tá, d e n den, t r o tró, metadentro. Professor

- Certo!

Levanta-se um aluno, pega a pedra que está sobre a mesa e, mostrando-a ao professor:

Fessor, vou sair pra fazer uma precisão no mato. Está aqui a licença. Professor

- Venha logo! (E mostrando a palmatória ao aluno) – olhe aqui a Dona-da-Cabeça-Amarrada!

Outro aluno

- Fessor, eu também quero ir ao mato. Professor

- Só quando o outro voltar. Você bem sabe que só pode sair com a pedra da licença!!!

(O aluno que saiu há pouco volta, põe a licença sobre a mesa. O outro pega-a, mostra-a ao professor e sai.)

Outro aluno

- Fessor, eu também quero ir ao mato. Professor

- Deixe o outro voltar! Você sabe que só pode sair com a pedra da licença!!!

(O aluno que saiu há pouco volta. Põe a pedra da licença sobre a mesa. O outro pega-a, e sai.)

[...]

Em Picos, a sua história segue praticamente o mesmo enredo de outras paragens piauienses. Evidentemente, com algumas particularidades locais, fruto talvez da sua própria localização geográfica, uma vez que fica próxima de Estados como o Ceará e o Pernambuco. Mas, no que diz respeito à educação, seguiu-se a mesma regra que se evidenciou no Piauí como um todo. Em diálogo com os acontecimentos históricos, assim se posicionou Sousa (2005, p.20),

O início do povoamento deu-se com a vinda de compradores de cavalos, originados de Pernambuco e Bahia. O primeiro lugar a ser devassado foi o atual município de Bocaina, em que Antônio Borges Marinho edificou, em 1754, uma capela, a qual ainda existe. Em 1851, erigiu-se a freguesia no Povoado sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Em 20 de dezembro de 1855, foi elevada à categoria de vila pela Resolução provincial nº 397, sendo desmembrada de Oeiras e ficando na ordem judiciária de Jaicós. Em 1859, a cidade de Picos foi edificada no local onde ficava localizada a fazenda de gado da família de Félix Borges Leal, português vindo da Bahia que instalou a fazenda Curralinho às margens do rio Guaribas. Como a maioria das cidades do Piauí, Picos surgiu da combinação fazenda, curral e capela. Em 12 de dezembro de 1890, foi elevada à categoria de cidade.

Partindo dessas escritas cronológicas, a educação picoense, nos primeiros anos republicanos, foi alicerçada pela iniciativa privada e se perdurou até a criação do Grupo Escolar Coelho Rodrigues. Mas, isso não significa dizer que os mestres- escolas tenham saído de cena. Ao contrário, em Picos, eles também tiveram um papel muito importante na consolidação do seu processo educativo. Nas palavras de Sousa (2005, p.23-24),

Na cidade de Picos, como conseqüência da desatenção da ação pública, ocorria à ampliação do número de escolas particulares, que ensinavam as primeiras letras, amenizando a condição de inúmeros analfabetos, situação conseqüente de uma sociedade de vaqueiros, despreocupada com a instrução escolar. Dessa forma, existiram diversas escolas particulares, anteriores à fundação do Grupo Escolar, como a organizada por Francisco Prota, em 1913. [...] Outras escolas particulares do período foram o Instituto Coelho Rodrigues de propriedade de Mário Martins (aluno de Francisco Prota), fundado em 1921, que funcionou sob regime de internato para jovens do sexo masculino, e o Colégio Felisberto de Carvalho, do professor Miguel Lidiano, que era uma escola mista. Havia ainda a escola de Quirino Pereira Nunes, a de Zezé Eulálio e a de Ulisses Rocha, que ensinavam a ler, escrever e contar. Essa situação perdurou até a fundação do Grupo Escolar, que acreditamos ter contribuído para ocasionar o desaparecimento gradativo daquelas escolas.

Essas escolas particulares, que foram criadas em Picos, mostram a desassistência do setor público, no início do século XX, uma vez que não era toda família que tinha condição econômica para colocar os filhos em estabelecimentos dessa natureza.

Ratificando os dados fornecidos por Sousa (2005), faz-se oportuno trazer ao contexto narrativo um recibo de comprovante de pagamento do Collegio Felisberto de Carvalho, citado anteriormente.

Ilustração 25 – Imagem: Recibo de pagamento ao Collegio Felisberto de Carvalho (1928)

Fonte:Museu Ozildo Albano

A ilustração 25 mostra a assinatura do professor Miguel Lidiano, datada do dia 31 de outubro de 1928, em recibo de pagamento de mensalidade. Percebe-se que o Collégio Felisberto de Carvalho era uma escola mista.

Quando Ozildo Albano elaborou a biografia de Monsenhor Hipólito de Sousa Ferreira, informou que o sacerdote incentivou o professor Miguel Lidiano a criar um colégio em Picos. A biografia foi publicada no Jornal “O Macambira”, ano IV, nº 92, em 30.09.1982, nos seguintes termos:

A Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios teve em Monsenhor Hipólito, um dos seus mais eficientes vigários. [...] evangelizando com palavras e atitudes. [...] quando em 1926, a cidade e o município foram invadidos, três vezes, pela „Coluna Prestes‟ e pelas „Forças Legalistas‟, o Monsenhor Hipólito foi a sentinela avançada e o mediador eficiente junto aos chefes das colunas invasoras exortando-os ao respeito à família e à vida dos pacatos habitantes de