6 A New Policy Towards Sinai and the Bedouins?
6.1 A Comprehensive Socio-Economic Development of Sinai
No poema Recado a Ozildo Albano, da poetisa Olívia Rufino Borges e disponível em Albano; Silva (2011, p. 127-129), encontra-se uma homenagem a Ozildo Albano. Trata-se de um poema da saudade, em tom de conversa a alguém que partiu para a eternidade e a quem o eu poético se dirige, pedindo que procure o seu amigo Ozildo e lhe dê um recado.
Você, que no infinito foi morar Procure, mas procure com atenção, O meu bom amigo Ozildo Albano Que partiu, e ano após ano, Eu não sei como vai, se é feliz, Que amigos encontrou ele não diz, E nem se pode guiar a nossa mão.
Ele que esbanjava sentimento, E afinava o tom do pensamento À história e ao convívio da leitura, Até o seu dia é também o da cultura, E a santa virgem, a sua devoção. - e conte que sentimos muita falta, [...]
- e conte a ele. Logo que o encontrar: Que o Elízio ainda gosta de cantar, Mas o trio acadêmico está calado Como a retreta, a banda e o reisado. [...]
Dizer a Ozildo que o Trio Acadêmico, assim como a retreta, a banda e o reisado estão calados, era dizer-lhe que sem ele, impossível a música, pois ele era a vida do trio, quem os guiava.
Quando a escrita poética aludiu ao Trio Acadêmico, tem-se um dos registros que ficou marcado na memória coletiva do picoense, uma vez que Ozildo Albano foi um dos integrantes desse trio, juntamente com os então professores Elízio Serafim de Souza e Olívia Rufino Borges.
O Trio Acadêmico surgiu na década de 1970 e não tinha como propósito fins lucrativos, mas apenas cultural. Teve por objetivo inicial alegrar as festinhas da escola, as cívicas e os aniversários dos professores.
Devido à aceitação e o repertório musical, passaram posteriormente a cantar em bodas de pratas e de ouro dos familiares picoenses, na Igreja e demais eventos da cidade. Borges (2016, p.457) sintetizou a história da formação do Trio e seu repertório:
Ozildo Albano, eu e o Elízio Serafim formamos o primeiro trio de seresta da cidade de Picos. O nome Trio Acadêmico não fomos nós que colocamos, foram os professores. Nós éramos três professores. Então, botaram o nome trio acadêmico. Enquanto Ozildo não estava lá ainda, eu já estava no ginásio. Eu cantava para alegrar as festinhas do ginásio com o Fogoió. Aí, depois que Ozildo Albano chegou ao ginásio, naturalmente que nós íamos cantar, nós dois. Aí, nós chamamos o Elízio Serafim, que cantava muito bem e trabalhava lá também. Elizio chegou depois de nós. Em 1971, o trio já estava formado. Foi o primeiro trio de seresta da cidade de Picos. Nós começamos no ginásio para alegrar as festinhas. Depois, nós já íamos para a missa, aniversários, bodas de prata, de ouro, a agenda era cheia. Eu não posso te garantir se a ideia de montar o trio acadêmico foi minha ou de Ozildo. O objetivo deste trio acadêmico era alegrar as festinhas da escola, lá do ginásio. Eram as festinhas cívicas que a gente fazia, hasteava a bandeira, eu cantava o Hino
Nacional. Ali, nós íamos cantar “terra virgem”, uma música que fala do Brasil, “Oh, meu Brasil, para aumentar a tua glória”, nós três cantávamos.Cantávamos “Aquarela do Brasil”, essas músicas mais metidas a cívicas. A música que Ozildo mais gostava era “Ontem ao luar”: “Ontem, ao luar/ Nós dois em plena solidão/ Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão/”. Era a música de abertura do nosso grupo. Quando a gente ia cantar nas festas por aí, abria sempre com esta música.
Ressalta-se que o Trio Acadêmico era composto somente por professores e eles não tinham a preocupação de angariar dinheiro com as apresentações. Eram muito requisitados no ginásio e nos eventos locais.
O repertório do Trio Acadêmico era constituído por músicas cívicas e da MPB, trazendo títulos conhecidos pelos ouvintes de suas apresentações. A agenda do Trio Acadêmico começou a ficar cheia a partir do momento que deixaram de fazer os eventos somente entre os muros do ginásio.
A música que Ozildo Albano mais gostava era “Ontem ao luar”, dos compositores Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara, e interpretada por Vicente Celestino. Em todos os lugares que o Trio Acadêmico fazia apresentações, essa música era a de abertura.
A Rádio Difusora de Picos marcou uma etapa importante na difusão do Trio Acadêmico. Foi neste espaço da mass media picoense em que muitos ouvintes entraram em contato com as vozes musicais de Ozildo, Olívia e Elízio. Foi Elízio Serafim, por sua vez, quem abriu as portas dessa emissora de rádio para as apresentações, por possuir um programa semanal que durou cerca de vinte anos, de 1979 a 1999, que se chamava “Saudade não tem idade”.
Por ser pesquisador da cultura musical brasileira, Ozildo Albano conhecia os cantores que plantaram as primeiras raízes musicais no país. Prova disso é que no seu museu é possível encontrar uma discoteca com discos de vinil de coleções de cantores da história da música no Brasil.
Quando o Trio Acadêmico se apresentava na Rádio Difusora de Picos, Ozildo Albano aproveitava o momento para apresentar o nome do compositor, do intérprete, quando foi escrita a letra. Essa sua atitude era o momento exato do desempenho da sua prática educativa, no campo cultural.
Sabia da necessidade de educar os ouvintes tanto em relação ao repertório de qualidade escolhido, quanto da história da própria música cantada. Educação para o bom gosto musical, em uma rádio AM, implicava em atingir um universo
expressivo de pessoas, pois a Rádio Difusora de Picos tinha cobertura não apenas em Picos, mas em outros municípios. Segundo Souza (2016, p.381),
Muitas vezes nós nos apresentamos na Rádio Difusora de Picos com o Trio Acadêmico. Muitas fitas gravadas nós três cantando. Ozildo participando. A música que ele mais gostava era „Ontem ao luar‟. Nós temos gravado uma fita, ele dizendo: - Esta música, que acabamos de ouvir, dita de 1913, era muito cantada por Rui Barbosa. Ozildo fazia a apresentação da música. Rui Barbosa era quem gostava dessa música que ele também gostava. [...] Eu tenho três ou quatro fitas nós três cantando, eu tenho até no CD: Ontem, ao luar/ Nós dois em plena solidão/ Tu me perguntaste o que era a dor/ De uma paixão/ Nada respondi!/ Calmo assim fiquei!/ Mas, fitando o azul do azul do céu/ A lua azul eu te mostrei/ Mostrando-a a ti/. Era de Catulo da Paixão Cearense. Essa música era muito cantada. De vez em quando saia na Rádio Difusora de Picos.
O trecho acima, narrado por Souza (2016), mostra o trio em ação. O registro deles na Rádio Difusora de Picos e o arquivo sonoro que foi deixado por eles quando se apresentaram nessa emissora. E, um ponto de destaque, foi quando Ozildo Albano fez alusão ao intelectual Rui Barbosa antes do Trio se apresentar, mostrando assim, o gosto musical de personalidades brasileiras.
Ainda sobre a composição do Trio Acadêmico, deve-se informar que o nome acadêmico está relacionado ao fato de dois dos componentes, Olívia e Elízio, na época, serem estudantes universitários; ele, acadêmico de Letras, ela, pós- graduanda em Educação. Ozildo Albano formou-se em Direito, em 1961, como dito anteriormente. Falando sobre o Trio Acadêmico, Souza (2016, p.380) informou que:
O objetivo do trio acadêmico era que, primeiro era sem fins lucrativos, a gente cantava, tocava nos aniversários. Nas festinhas cívicas, em aniversário de professor, a gente ia fazer seresta lá, na porta dele, à meia-noite. [...] Nós tínhamos até uma música que Ozildo dizia: - Elízio, tá demorando. Vamos cantar a música? A música era “Filosofia barata”: Ninguém faz graça/ Com a barriga vazia,/ E passar fome/ Nunca foi filosofia/ Vai trabalhar!/ Vai trabalhar/ Primeiro comer,/ Depois filosofar!/ Nove dias tem a vida,/ Sendo três dias de amor,/ Três dias de dor./ E, na lousa do destino,/ Depois da conta somada/ Vem a morte tirar a prova./ Noves fora, nada!”. Aí, não, já havia comida. Traziam bolo, refrigerante. Ele era muito comilão. O Dr. Ozildo [...] era brincalhão, no bom sentido. Como intelectual, uma personagem altíssima. Ali, dentro da farra, ele era um meninão. Ozildo se divertia. [...] Ele dispensa adjetivos, a gente não têm palavras para enaltecê-lo.
Destaca-se, na fala de Souza (2016), o estilo brincalhão de Ozildo Albano que se divertia com o Trio Acadêmico e, quando demoravam em servi-los um
lanche, nas suas apresentações, pedia logo para cantar a música “Filosofia barata”, dos compositores Ari Monteiro e Peter Pan.
Em momentos de diversão, como as apresentações musicais, o homem comum se revelava. O lado brincalhão e piadista de Ozildo emergia e sua condição de homem simples podia ser observada por todos, entre uma piada, um pedaço de bolo e um copo de refrigerante. O mediador cultural comunicava saberes por onde passava, mas não apenas através dessa lente era visto.
No Museu Ozildo Albano, o visitante tem acesso a vários cadernos contendo letras de músicas, de compositores diversos, que Ozildo Albano escrevia de próprio punho, sem usar a máquina de datilografia. Segundo informou Santos (2017, p.389), advogado e amigo do educador picoense:
Ozildo preferia aquelas músicas mais velhas, como as de Vicente Celestino, Chico Alves, Ataufo Alves, Anísio Silva. Eu presenciei, várias vezes ele ouvindo essas músicas. Aquelas músicas com a composição de Catulo da Paixão Cearense, ele gostava muito. O Grupo Acadêmico fundado por Ozildo, Olívia e Elízio Serafim cantava preferentemente esse tipo de música. Eu cheguei a assistir eles cantando. Eles chegaram a fazer participações na rádio. [...] A música de Catulo da Paixão Cearense, “Ontem ao luar”, linda simplesmente. Ozildo tinha um gosto muito afinado para a música. Diante dessa narrativa, foi possível conhecer o gosto musical de Ozildo Albano. Por onde o Trio Acadêmico fazia as suas apresentações, ele levava os cadernos com as letras das músicas que iriam ser cantadas por eles.
Na época, talvez poucas pessoas tenham percebido a proposta do Trio Acadêmico. Ozildo, Olívia e Elízio estabeleciam uma educação musical por onde eram convidados a cantar. Levavam ao público o que era consagrado pelas instâncias de difusão cultural brasileira.
Um dos eventos realizados pelo Trio Acadêmico aconteceu na comemoração das bodas de prata do casal Benjamim e Olívia. Na ocasião, Ozildo Albano fez uma surpresa que chamou a atenção de todos que estavam presentes na Associação Atlética Banco do Brasil, em Picos. Havia produzido um texto que intitulou “Duas vidas, muitas lutas, um só destino” para homenagear os seus amigos. Nele, fez uma retrospectiva da vida do casal, desde quando se conheceram até aquele momento de plena conquista.
Por ter presenciado vários momentos da trajetória do casal, Ozildo Albano trouxe de tudo um pouco para a sua narrativa: um pouco dos usos e costumes
locais, um pouco do que a Rádio Amplificadora de Picos levava aos ouvintes da cidade, um pouco também de humor e o registro de monumentos históricos que já não existem mais, como o Cine Ideal, o jipe de Vicente Rodrigues e a fubica de Divino. Enfim, um texto feito com muita criatividade e que foi lido entrelaçado com músicas que encaixava com o contexto da sua produção. E foi assim a narrativa feita por Ozildo ao casal Benjamim e Olívia Rufino Borges:
Ele nasceu em Palmeiras. Ela em Picos, no Povoado Coroatá, precisamente. Nasceram com encontro marcado. Esse encontro aconteceu anos depois, em uma manhã de maio calma e serena, de 1952. Olívia tinha ido ao Bairro Bomba, levar a irmã Iva que viajava para Teresina. Estava parada na esquina de Manuel Janjão, quando viu Benjamim pela primeira vez. Saia ele de uma casa suspeita. Trajava calças de linho azul clara, camisa listrada, sapatos, cabelos encaracolados. Passou por ela sem vê-la por que trazia o lenço nos olhos, morto de ressaca. À esquina parou, voltou-se, olhou-a de relance e seguiu seu caminho. Vinha de um boteco, um som de violão e voz cansada de alguém que cantava: (Qui nem Jiló)
Ao chegar a casa, Olívia declarou para Idelzuite, sua colega e confidente: - Vi, hoje, o homem com quem vou me casar. Não sei quem é... Só não me caso com ele se for casado. Mas mesmo que seja ladrão ou criminoso, tenho certeza de que caso com ele. – E se for da polícia? – mesmo sendo da polícia, caso-me com ele.
Mas depois, viu-o entrando na delegacia. Será mesmo preso?
Mas Líria que estava a par de tudo mandou que Olívia ouvisse a Rádio Amplificadora de Picos, na voz de Djalma Padinha que anunciava: - “Alô!, Alô!, Cabo Benjamin!, ouça esta gravação que a morena do sinal lhe oferece com muito amor e paixão”. Olívia ficou duplamente surpresa. A identificação do Príncipe Encantado e a certeza chocante de que havia alguém entre os dois. Esse alguém, soube mais tarde, era uma “ave de arribação” da Rua Coronel Raimundo Macedo.
A paixão crescente e os conselhos chovendo: - Não te serve, além de ser da polícia, é arruaceiro. Alguém chegou a detalhes: - Vive com a tal do sinal há cinco anos. Mas, Olívia, firme e altaneira, enfrentando o contra dos parentes e amigos, persistia: - Caso-me com ele.
Um certo dia, Raquel Lacerda deu uma mãozinha no namoro. Estrumou os cachorros, como se diz. Sem os dois saberem, disse para Olívia que o Benjamim mandara convidá-la para irem ao cinema e vice-versa. Encontraram-se na Praça, lembram-se? A Rádio Amplificadora de Picos tocava: (Dez Anos).
Foram ao cinema. Não sabem o que se passou na tela. Só sabem que aquele encontro foi o marco inicial de mais uma história de amor. A oposição declarou guerra sem quartel. O Curriculum Vitae do Cabo Benjamin estava em evidência. Na ocasião, ganhara as fitas de cabo aos 18 anos. De lá para cá, sua vida era o trivial: arruaças, problemas, transferências. O Cabo Benjamim, em pouco tempo, já conhecia quase todos os recantos do Piauí. A polícia não sabia o que fazer. Expulsar, não podia, por que no quartel e a serviço, era um militar correto e exemplar. Fora da farda, um farrista, arruaceiro,
mulherengo. Com a inauguração da BR 316, Picos tornou-se uma cidade aberta, de população flutuante. Surgiram os primeiros pistoleiros e a polícia, mandando o Cabo Benjamim para cá, lavou as mãos, na esperança de que em uma de suas badernas, ele encontraria o fim de sua carreira artística. Tudo isso diziam, mas Olívia não se abalava, ou ele ou ninguém.
Da família, embora a contragosto, Olívia contava com o pai, sua irmã Iva e sua tia Raimunda (Mãeinha). O resto da tribo do Coroatá ficou todos contra, inclusive sua mãe. As amigas se dividiam: umas contra; outras, a favor. Cerrando fileiras ao seu lado, estavam Idelzuite, Raquel, Líria, Iraci e outras. A voz de Cascatinha e Inhana tornou-se porta voz obrigatório dos apaixonados da época: (Primeiro Amor) A Rua Santo Antônio virou cenário natural desse romance de amor. Olívia morava na casa da tia Raimunda. Benjamin no Hotel de Dona Maria de Cícera. A delegacia também era na Rua Santo Antônio e o delegado, o pai de Olívia. Namoro em casa (avançado para a época), passeio pela praça, sessões no Cine Ideal.
Uma música que marcou aqueles bons tempos: (Beija-me muito) E o tempo foi-se passando...
Apesar de apaixonado, Benjamin quase não mudou. Certa feita, alta madrugada, em um boteco da zona norte da cidade, pelo simples motivo de madame Adélia não querer passar o disco, já dezenas de vezes repetidas, enfureceu-se. Sacou do revólver atirou na vitrola, na geladeira, no candeeiro, nas garrafas. Tudo por causa de uma música. A música era... (Pensando em ti)
Finalmente resolveu mudar de conduta e para mudar só havia uma solução: CASAR! Arranjou um cavalo e tocou-se para o Coroatá, com o fim de enfrentar o Sargento Bita com o pedido de casamento. (Pé de Manacá)
Perante o Sargento Bita, cadê a coragem do homem para fazer o pedido? Onde estava a arrogância, a empáfia do valentão? Passou três dias no fundo de uma rede, comendo do bom e do melhor. Finalmente, já sua hora de saída, recalcou o medo e fez o pedido. O pai de Olívia, embora receoso pelo futuro da filha nas mãos de um Valdivino. A mãe foi mais categórica: o seu maior medo era ele viver surrando Olívia. Voltou satisfeito da vida. Enfim, noivos, suspirava Olívia.
Mas, um dia, nem tudo são flores, Olívia visitava a cadeia, e alguém, sem perceber a sua presença, dirigiu-se a Benjamim, com certos afagos. Era a tal, a fulana chamada Jesuína. Ao ver Olívia, retirou-se. Tirando a aliança do dedo, Olívia ia terminar o noivado, mas Benjamim pediu que ela só terminasse se, no futuro, ainda a encontrasse. Nunca mais a cena se repetiu. Jesuína desapareceu do mapa.
E a vida continuava. Às vezes, brisa, céu azul, flores, risos, às vezes, céu escuro, espinhos, soluços, ciúmes, dessa vez foi ele. Chegara um rapaz de São Paulo que tinha um retrato de Olívia e que chegou mesmo a querer que Olívia terminasse o noivado. Benjamim enfureceu-se, mesmo sabendo que Olívia não tinha culpa, deu uma carreira no indivíduo que tomou um chá de sumiço. Mesmo assim, passou a agir com mais frieza o noivado. E quem passasse naqueles dias pela Rua Santo Antônio, ouviria uma voz apaixonada que cantava: (Dois Estranhos)
Na colação de grau de ginásio Benjamim foi o padrinho de Olívia, mas na festa do Clube Ideal fez a maior confusão porque ela dançou com um primo.
Finalmente, o dia tão esperado chegou: 20 de abril de 1955. E a tarde, receberam-se como esposo, na Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, Benjamim e Olívia, não antes de mais uma briguinha por que os carros da praça só existiam dois: o jipe de Vicente Rodrigues e a fubica de Divino. Tiveram que ir á pé. (Somos dois)
E a vida começou. Uma vida nova, mais cheia de altos e baixos, de responsabilidades, lutas, dificuldades. Cinco meses após o casamento Benjamim passa 8 meses detido no quartel em Teresina. Depois vai fazer curso em Fortaleza. Enquanto esperava, em Teresina, Olívia, já com filho, fazia o curso de enfermagem e foi com alegria que ao receber a touca de enfermeira, ouviu: (Ave Maria) Passaram 6 anos em Teresina. Depois, com 3 filhos já, vão para Jaicós. Benjamin, promovido a Sargento, como delegado. Olívia como enfermeira. Lá passaram 4 anos. Voltaram para Coroatá para uma longa estada de 4 anos. Benjamim como Delegado do povoado, não queria outra vida: boas caçadas, poucos problemas e uma rede debaixo de uma quixabeira. (QUIXABEIRA)
Finalmente, em boa hora, Benjamim e Olívia são arrancados daquela apatia, daquele comodismo em que viviam no Coroatá e voltam à sua cidade querida para o nosso meio amigo, para servir e darem conta de novas missões que a vida e a comunidade exigem.
Dentro dos planos insondáveis da divina providência, Olívia e Benjamim, souberam responder sim à vocação para que foram chamados.
O texto traz o enredo da história do casal Olívia e Benjamim, mas também desenhou, aos olhos do leitor, várias espacialidades picoenses da década de 1950 e apresentou o repertório cantado pelo Trio Acadêmico, entre parênteses. Cada pausa anunciada por um nome de música era o momento em que cantava em homenagem ao casal e educava aos convidados tanto no campo musical quanto sobre a história local.
Relacionou dez músicas para serem cantadas por ele, a saber: “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga, “Dez anos”, de Emilinha Borba, “Meu primeiro amor”, de Cascatinha & Inhana, “Beija-me muito”, de Teixeirinha, “Pensando em ti”, de Nelson Gonçalves, “Pé de manacá”, de Isaurinha Garcia, “Dois estranhos”, de Nalva Aguiar, “Somos dois”, de Dick Farney e Claudete Soares, “Ave Maria”, de Franz Schubert e, por derradeiro, a música “Quixabeira”, de Caxangá.
Dentre os destaques em torno de Picos, que podem ser encontrados no texto e que mostram um pouco sobre a vida da cidade, encontra-se a referência à Rádio Difusora de Picos, monumento de um tempo social que ficou guardado na
memória coletiva daqueles que ouviam cotidianamente as notícias através deste