• No results found

3 Explaining the Sinai Radicalization

3.1 The Policy of the Mubarak Regime

3.1.2 Discrimination and Suppression

Em 1949, aos dezenove anos de idade, serviu no Tiro de Guerra 201, nome que se dava ao Batalhão de Identificação do Exército Brasileiro em Picos. Foi uma experiência a mais na vida de Ozildo Albano, uma vez que a cidade não dava ainda condições para que os jovens picoenses pudessem sequenciar os estudos. Consoante às observações de Silva Albano (2017, p.420-421):

Ozildo gostou quando fez o tiro de guerra. Logo, foi o período que ele saiu do seminário. [...] O tiro de guerra, na época, representou muita coisa para Ozildo. [...] Devido à formação dele, foi logo escolhido para redigir no tiro de guerra. Ozildo era o homem de confiança para escrever. O arquivo de lá, [...] ele contribuiu, fazia as anotações. Ozildo tinha o português muito correto, a caligrafia dele era muito bonita e ele tinha muito conhecimento. Os amigos do tiro de guerra ele sabia o nome de todos os atiradores e o número deles. [...] Foi um período muito rico para Ozildo, daquele convívio com aquelas pessoas, desde aquelas pessoas mais simples e tudo. Foi muito bom para ele.

O Tiro de Guerra 201 surgiu em um momento importante para Ozildo Albano, justamente porque a cidade não oferecia oportunidades de trabalho para os jovens e

o provincianismo ainda era a regra que fazia parte da cotidianidade do picoense. Então, esse período em que ele esteve a serviço do Tiro de Guerra foi produtivo.

Os conhecimentos e a disciplina que havia obtido, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, davam a ele as condições para estar à frente das atribuições que eram postas para fazer.

Ilustração 05 –Fotografia: Ozildo Albano com uniforme militar (1949)

Fonte: Museu Ozildo Albano

Contribuiu com a organização do arquivo, fazia todas as anotações da corporação e era requisitado pelos superiores hierárquicos para tirar dúvidas referentes a alguma documentação ou os serviços destacados para algum aluno do Tiro de Guerra.

Sabia o nome e o número de todos que estavam servindo o Tiro de Guerra 201. Devido a isso, Ozildo Albano passou a ser uma referência dentro da guarnição. Era respeitado e, em pouco tempo, adquiriu a confiança de todos os colegas que estavam matriculados ali. Segundo Silva (2016, p.369):

Ozildo gostava do Exército, porque quando ia completar 40 anos da turma do Tiro de Guerra ele, Dimas Lélis, Santinho Xavier e outras pessoas, justamente no ano que ele morreu, em 1989, estavam preparando uma festa. Era a celebração dos 40 anos. Por sinal, Ozildo [...] sabia o nome de cada atirador, o nome completo e o número. [...] Na época, não era lá no 3º BEC. O Tiro de Guerra funcionava ali na Avenida Getúlio Vargas, pegado na casa de Raimundo Leandro, próximo ao paredão, de quem vem da Igrejinha, do lado direito, naquela casa do senhor Júlio Rodrigues. Ali, funcionava o Tiro de Guerra. Na época deles, do Ozildo e do Dimas. Depois, funcionou na esquina, de frente à atual Caixa Econômica Federal. Por último, funcionou lá onde é a Alerp.

Quando possível, Ozildo Albano mantinha contato com os colegas que com ele serviram no Tiro de Guerra 201. Uma das suas metas era organizar o encontro dos 40 anos dos que serviram juntos na corporação, mas faleceu antes de realizar esse desejo.

Ilustração 06 –Fotografia:Ozildo Albano em treinamento no Tiro de Guerra 201 (1949)

Fonte: Museu Ozildo Albano

Foi no Tiro de Guerra que aquela geração de homens cumpriu suas obrigações junto ao Estado brasileiro, frente ao Exército. Essa instituição visava formar atiradores, mas também cidadãos que tenham conhecimento de seus direitos e deveres em relação ao lugar em que estavam inseridos. Servia ainda para preparar lideranças locais em várias áreas, dentre elas, a educação.

A ilustração 06 contempla um instante fotográfico em que Ozildo Albano, com colegas reservistas, estavam em treinamento no Tiro de Guerra 201. Todos uniformizados com as vestes militares e Ozildo, deitado no chão, próximo a uma metralhadora.

Ilustração 07 – Imagem: Certificado de Alistamento Militar de Ozildo Albano - Capa (1948)

Fonte: Museu Ozildo Albano

Ilustração 08 –Imagem: Certificado de Alistamento Militar – Verso (1948)

Fonte: Museu Ozildo Albano

As ilustrações 07 e 08 mostram a documentação de Alistamento Militar de Ozildo Albano. A ilustração da capa traz informações sobre o número do alistamento, a saber, 890285 e a validade que se estenderia até fevereiro de 1949, ano em que prestou o Tiro de Guerra. Além disso, à direita, os dados do Registro

Civil de Nascimento, constantes no Cartório de Picos, termo 77, livro nº 6, mas não informa as folhas. À esquerda, os dados do órgão militar em que fez o alistamento, a saber, 10ª Região Militar, 26º Companhia Regional, no Estado do Piauí, em Teresina.

Na ilustração 08, há os seguintes dados: o nome completo, filiação, data de nascimento, naturalidade, endereço, estado civil, profissão (estudante), especialidade (nenhuma), questão sobre ser motorista e mecânico, se sabia ler ou escrever, se tinha curso ginasial, cor da pele, estatura, cor dos olhos e cabelos, sinal particular e observações de que pagou multa, por fim, o documento encontra-se datado de 20 de agosto de 1948 pelo militar alistador. Afora esses dados, uma fotografia ¾ do alistando, na parte inferior à direita do documento.

Lélis (2016, p.376), relembrando o período em que serviu com Ozildo Albano, o Exército, discorreu sobre a organização de Ozildo Albano, quando prestou o Tiro de Guerra:

Quando a gente fazia o tiro de guerra, tinha alguma molecagem. Um dia, esconderam o ferrolho do meu fuzil. Aí, eu tirei o ferrolho do fuzil de Ozildo Albano. Eu pensei, certamente Ozildo vai se queixar sobre isto e o meu vai aparecer. Só sei que Ozildo olhou para mim e disse: - O meu ferrolho estava aqui e você não viu, não?.

Através do relato feito por Lélis (2016), percebe-se o quanto Ozildo Albano era atento ao que acontecia na guarnição.

2.6 A formação do ginasiano Ozildo Albano: A importância do Ginásio Estadual