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2 Historical and Regional Background

2.2 The Freedom and Justice Party

2.2.1 The Party’s Origin: The Muslim Brotherhood

Em 1938, os pais de Ozildo Albano matricularam-no numa pequena escola para cursar o ensino primário em Picos. Foi na Escola Municipal Landri Sales que ele deu os primeiros passos nos estudos e tendo como primeira professora Hilda Policarpo de Melo. Segundo Silva Albano (2017, p.419):

Ozildo entrou cedo na escola. Tinha a Escola Municipal Landri Sales e ele morava na cidade. [...] Ozildo nasceu em 1930. [...] Em 1938 Ozildo estava no 1º ano. Na época, tinha a história de ir para a

escola depois dos 7 anos. Não tinha pré-escolar, a alfabetização, a criança já entrava no 1º ano. [...]O nome da primeira escola que Ozildo estudou foi a Escola Municipal Landri Sales. [...] Ela funcionou onde é a Secretaria da Fazenda. Ozildo falava que a primeira professora dele foi Hilda Policarpo. [...] Naquela época, não tinha concurso para professor, era por nomeação do prefeito e ele era quem indicava.

Foi com a professora Hilda Policarpo de Melo que Ozildo Albano começou a aprender a ler, escrever e contar. Em pouco tempo, ele cativou a confiança e o respeito por todos os colegas de sala de aula. Aprendia tudo com muita facilidade e sempre estava disposto a ajudar os demais.

Quando era requisitado para fazer as leituras em sala de aula, mostrava desenvoltura e habilidade frente aos colegas de sala. Em entrevista feita com um colega de sala de aula, Souza (2016, p.380), assim narrou:

[...] os tipos de leituras que a professora Hilda Policarpo colocava para nós, eu tenho o livro Coração de Criança. Eu tenho este livro lá em João Pessoa. Eu fui pra localidade Vaca Morta com meu filho e lá na família de Mundica Fontes tinha um lugar onde estava guardado um entulho. Daí, eu comecei a mexer e achei o livro Coração de Criança e Mundica Fontes disse: - Pode levar seu Elízio. Aí, eu trouxe aquele livro Coração de Criança. [...] Esse livro Coração de Criança era o livro de leitura. A gente chegava ao colégio e todo mundo tinha de ler uma página do livro, todos nós líamos. Ozildo Albano fazia com muita eficiência, viu. Eu tinha dificuldades, eu e outros. [...] Nós éramos companheiros, mas tinha uma certa divisão. Os mais adiantados ficavam ali. Mas, todos nós cantávamos e lia. Tinha a sabatina, tinha a palmada de régua, na hora da matemática. De qualquer forma, o Ozildo se destacava como nenhum outro. Chegou ao ponto que ele chegou, viu. Ozildo era um pequeno grande homem.

Pela narrativa do colega de sala de aula, Souza (2016), foi possível conhecer Ozildo Albano como aluno. Ele era dedicado e eficiente nas atividades escolares. A prática educativa da professora Hilda Policarpo em torno das atividades de leitura oportunizou aos alunos maior contato com textos de diversos gêneros e, assim, contribuiu na formação de leitores.

A Escola Municipal Landri Sales foi um dos espaços importantes na trajetória escolar de Ozildo Albano, uma vez que foi lá onde ele teve o primeiro contato com as formalidades de uma sala de aula. Consoante o colega de turma de Ozildo Albano, Lélis (2016, p.374), assim relatou:

Eu e o Ozildo estudamos juntos na Escola Landri Sales. [...] Foi lá onde Hilda Policarpo foi a nossa professora, por volta da década de 1938. Era uma casa residencial, tinha mesas e carteiras em pouca quantidade. [...] Hilda Policarpo [...] não era dessas professoras carrasco, não. Hilda Policarpo era muito acessível e moderada. [...]. Tinha a leitura, era um negócio. [...] Hilda Policarpo tinha o desejo de ensinar muitas coisas pra gente. A gente pegava o livro para ler, ficava lendo aqui e os outros, lá perto, prestando a atenção. Eu ia lendo, isso aqui, assim. Daí, a professora Hilda Policarpo dizia: - Fulano? Ele tinha que está acompanhando a leitura. Senão, diminuía a nota. Era interessante. [...] Para ir ao banheiro, tinha uma pedra em cima da mesa da professora, na época do primário. Quem fosse ao banheiro, dizia: - Professora, eu vou ao banheiro. Pegava a pedra e, se tivesse alguma coisa de mal feito lá, o próximo que fosse ao banheiro, se não dissesse nada, ele assumiria.

Lélis (2016) destacou alguns pontos importantes, dentre eles, em primeiro plano, as descrições feitas em torno da Escola Municipal Landri Sales e a cultura escolar nela evidenciada. E mais, a presença da professora Hilda Policarpo de Melo, categoricamente descrita como sendo muito acessível, moderada e, acima de tudo, uma professora preparada e que repassava muitos conhecimentos para os seus alunos.

O discurso de Lélis (2016) trouxe à tona parte da cultura escolar experimentada no contexto da formação primária de Ozildo Albano. O destaque à disciplina é uma marca percebida quando os alunos precisavam ir ao banheiro e deveriam pegar a pedra da licença.

O perfil educativo da professora serviu como um proto-modelo de professor para Ozildo Albano, através de sua prática em sala de aula, não apenas instruía, mas favorecia o olhar para um tipo específico de docente, espeficicamente aquele que posteriormente Ozildo tornou-se: o incentivador.

Mas, um fato merece o devido registro no tocante à professora Hilda Policarpo de Melo e que ficou marcado na memória de todos os seus alunos. Em 1939, afastou-se do cargo de professora municipal de Picos para apresentar-se voluntariamente como combatente na II Grande Guerra Mundial. Nos campos de batalha em Monte Castelo, na Itália, a professora serviu como enfermeira para ajudar os soldados que se feriam nas trincheiras de guerra.

Depois que a professora Hilda Policarpo de Melo deixou de exercer o cargo de professora leiga no município de Picos, assumiu no seu lugar a professora leiga Maria de Jesus Santos. Durante pouco tempo, ela conseguiu ganhar a confiança e o respeito por todos os alunos da turma.

Ozildo Albano e os seus colegas de sala de aula dirigiam-se a ela chamando-a carinhosamente de Maria do Coração de Jesus. Em uma passagem do livro “Relatos e reminiscências do meu Piauí”, do escritor e amigo de sala de aula de Ozildo Albano, encontra-se o seguinte relato sobre a professora Maria de Jesus Santos, conforme Souza (2005, p.46),

Após a partida da professora Hilda, a escola mudou-se para uma casa mais à frente.Vale ressaltar que nesta casa mais tarde funcionou a agência de transporte do Sr. Júlio Rodrigues. A nova professora era a jovem Maria de Jesus Santos, irmã de Chico da Farmácia. Nós, os alunos, a chamávamos de Maria do Coração de Jesus, era um tratamento carinhoso.

Muito dos ensinamentos recebidos através da professora Maria de Jesus Santos ficaram registrados na memória de Ozildo Albano. Nas oportunidades em que ele tinha de se referir a ela, elogiava-a, destacando os momentos em que esteve recebendo os primeiros alicerces escolares.

Depois dos dois primeiros anos de estudo na Escola Municipal Landri Sales, Ozildo Albano concluiu o curso primário no tradicional Grupo Escolar Coelho Rodrigues. Segundo Conceição Albano, Ozildo foi aluno de Benvinda Nunes Santos, conhecida como Dona Lilá e da senhora Ricardina Neiva, diretora da escola.

Ilustração 02 – Fotografia: Grupo Escolar Coelho Rodrigues (s/d)

Fonte: Arquivo Particular de Fábio Neiva

Na ilustração 02, tem-se o prédio do Grupo Escolar Coelho Rodrigues, em sua arquitetura original, preservando o pequeno muro que o cercava. Trata-se de espaço escolar pensado para o ensino primário, localizado no centro da cidade. Nesse prédio, atualmente, funciona o Museu Ozildo Albano.

O Grupo Escolar Coelho Rodrigues, segundo Ozildo Albano, nos seus “Dados cronológicos da história do município de Picos, de 1700 a 1975”, disponível em Albano; Silva (2011), foi fundado em 15 de fevereiro de 1929 e funcionou, inicialmente, em prédio localizado na Praça Félix Pacheco. Posteriormente, teve a sua construção e inauguração de prédio próprio em 1932.

2.4 A formação cristã do seminarista Ozildo Albano: Ampliando o mapa