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6 A New Policy Towards Sinai and the Bedouins?

6.2 Increased Deployment of Military and Security Forces

Aos cinco dias do mês de julho de 1989, na cidade de Picos, faleceu José Albano de Macedo, o educador Ozildo Albano, de infarto, no Hospital Regional Justino Luz, em uma tarde de quarta-feira.

Aquele que foi mediador cultural desde tenra idade e que contribuiu em tantas áreas do conhecimento humano, na tentativa de deixar um legado simbólico à sua cidade, mas que também fora duramente injustiçado, sem saber das razões de sua punição, que o levou por anos, a não gostar do sabor que a vida causava, até conseguir sublimar a dor e prosseguir, morreu de forma sutil, como sutil foi a vida cultural e educativa que engenhosamente construiu.

Muitas homenagens foram feitas ao incansável educador em seu velório e sepultamento. Telegramas chegaram de vários Estados do país, oriundos de amigos, políticos, autoridades diversas e admiradores. A Câmara dos Vereadores de Picos, através do Ofício nº 366/1989, enviou os votos de pesar do legislativo municipal aos familiares.

Ilustração 21 – Imagem: Ofício da Câmara dos Vereadores de Picos com votos de pesar (1989)

Fonte: Museu Ozildo Albano

Os telegramas não conseguiram contemplar o susto pela morte e o relato sobre a vida do educador que partia e deixava um legado cultural e educativo sem precedente, na História de Picos. Abaixo, nas ilustrações 22, 23 e 24, têm-se alguns telegramas recebidos pela família Albano, em virtude do falecimento de Ozildo Albano que serão transcritos, para uma melhor compreensão.

A ilustração 22 contempla o telegrama do Secretário de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí com a seguinte mensagem: “Sinceras condolências extensivos ilustre família, passamento prezado amigo José Ozildo. Abraços. Professor Antônio de Noronha Pessoa Filho. Secretário de Cultura, Desportos e Turismo”.

Ilustração 22 – Imagem: Telegrama do Secretário de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí (1989)

Fonte: Museu Ozildo Albano

O Prefeito Municipal de Picos, através de telegrama, ilustração 23, também se solidarizou com a família Albano, com a seguinte mensagem: “Perdemos grande amigo e nossa cidade sua maior cultura. Nossas condolências. Abel e Alaíde”.

Ilustração 23 – Imagem: Telegrama de Abel de Barros Araújo – Ex-prefeito de Picos (1989)

Fonte: Museu Ozildo Albano

O historiador picoense Renato Duarte também prestou sua solidariedade à família Albano através de mensagem telegrafada, conforme ilustração 24: “Consternados enviamos abraços profundo pesar falecimento nosso amigo Ozildo. Lourdinha, Renato e Francisco Alfredo Duarte”.

Ilustração 24 – Imagem: Telegrama da família Duarte (1989)

Fonte: Museu Ozildo Albano

Os relatos dos amigos mais próximos, sobre a morte de Ozildo Albano, informam tanto o impacto da perda quanto a significação de quem foi o educador que ajudou, com a sua própria vida, a escrever a História de Picos. Segundo Souza (2016, p.381-382),

Quando eu recebi o telefonema de Dona Olívia dizendo: - Pode anunciar que nosso amigo morreu. Eu chorei, chorei foi muito. Eu senti muito pela amizade, pela nossa vivência. Ozildo ia lá para casa, ele saia lá da sua. Eu tenho três ou quatro retratos dele tomando refrigerante e comendo um pedaço de bolo, lá em casa. Ozildo saia para ir a minha casa comer pedaço de bolo. Então, eu senti, não só eu, mas a cidade de Picos inteira e a circunvizinhança sentiu a falta e chorou a morte de Dr. Ozildo. E eu toquei no funeral dele e eu fiz o pedido dele. Toquei “Carinhoso”, eu em cima de um túmulo. Um pedido que ele tinha feito, assim: “- A música que eu quero que toque quando eu morrer é Carinhoso”. Ele não me pediu direto, mas nas conversas dele, ele pedia. Aí, eu toquei Carinhoso. A voz desse saxofone parece que vinha de outro mundo. Marcou demais. Eu fiz isso pra ele.

Souza (2016) era uma das vozes do Trio Acadêmico. Prestar a última homenagem ao amigo de vivências musicais e encontros familiares foi uma das tarefas mais difíceis. A música Carinhoso, em solo de saxofone, foi o adeus ao Trio, ao amigo, ao intérprete, ao historiador, ao educador, ao entusiasta do saber e da cultura, ao mediador cultural.

O cerimonial fúnebre do educador Ozildo Albano foi marcado por emoção. Segundo Teixeira (2016, p.443):

Eu lembro-me do dia que perdemos Ozildo Albano, de todos os detalhes, eu não me esqueço do velório, da música e do que foi cantado, da música predileta dele. Inclusive, o hino da padroeira que era uma das músicas que ele gostava demais, de Nossa Senhora dos Remédios. Eu chorei demais, a missa todinha. [...] Nós não estávamos perdendo uma pessoa só. Nós estávamos perdendo uma instituição, uma entidade. Nós estávamos perdendo algo valoroso e não sei se Picos vai ter um dia alguém que vai, pelo menos, parecer com Ozildo Albano, no sentido de querer registrar a cultura, valorizar essas coisas.

Constata-se, neste depoimento, que Ozildo Albano foi para Picos uma instituição viva, aquele que, ao se voltar para a cultura, educou uma cidade com suas práticas educativas.

Após sua morte, através da Lei municipal 1795, datada de 29 de novembro de 1994, foi instituído, no seu artigo 1º, o Dia da Cultura Picoense, em homenagem a Ozildo Albano e, no parágrafo único, consta que compete ao Departamento Municipal de Cultura viabilizar atividades culturais integrando todos os seguimentos da sociedade picoense.

Trata-se, assim, de personagem ímpar caracterizada e identificada pelo nome. Nome que se apresentou a partir de seus enredos educativos e de suas relações sociais variadas.

Colocou-se o nome Ozildo Albano em foco para não apenas historiar a sua vida formativa e profissional, mas também para, a partir dela, dar visibilidade aos acontecimentos que atravessaram a história local. Fez-se uma biografia a partir de fontes escritas e orais de homens e mulheres que com ele conviveram e foram testemunhas de suas práticas educativas e do que seu legado educativo foi capaz de promover após a sua morte, com a manutenção do museu por ele criado.

Não se pretendeu atingir a totalidade de vida de Ozildo Albano, uma vez que o anseio da totalização inevitavelmente esbarra-se na realidade da fragmentação dos discursos, mas destacar, pelo que foi possível resgatar, a importância de suas práticas no contexto social e cultural picoense, descrevendo “o que é significativo em uma vida”, conforme pontuou Levi (2006, p. 172).

A partir do retrato biográfico traçado, pelo mapa formativo de Ozildo Albano, deve-se questionar sobre como ocorreram suas práticas educativas no magistério privado e público, em municípios diversos do Estado do Piauí, proposta a ser desenvolvida na seção seguinte.