5 Freedom and Justice Party’s Policy
5.1 Plan of Action
5.1.3 Make the Bedouins More Loyal to Their Country
Em abril de 1983, devido à notoriedade que exercia no campo da cultura, foi escolhido em sessão da Câmara Municipal de Picos para ocupar o cargo de Chefe de Departamento Municipal de Cultura. Nesse período, angariou esforços no sentido de pesquisar, através de documentos guardados em arquivos públicos e de relatos orais de pessoas idosas, dados necessários para montar uma galeria histórica dos Prefeitos do Município de Picos, de 1890 a 1988.
A galeria contemplou desde o primeiro Intendente Municipal de Picos, Clementino de Sousa Martins até o então Prefeito Municipal, Abel de Barros Araújo. Conforme relatou Silva Albano (2017, p.425),
Ozildo foi Secretário de Cultura no pleito de Abel de Barros Araújo. Ele foi escolhido por unanimidade pelos vereadores, pela notoriedade dele. Não foi por questão de política, não. Aí, ele fez
aquele trabalho, aquela galeria dos prefeitos porque com o passar dos tempos, a gente não sabia mais nada. [...] Não tinha nada escrito. [...] Durante o período que Ozildo esteve por lá, ele citou os prédios públicos que deveriam ser tombados. Ozildo tinha essa preocupação porque era a história e via que estava se acabando e não ia ficar a marca de Picos em lugar nenhum. Em todo lugar a gente vê que tem o chamado desenvolvimento, mas deve se deixar as ruas, uma coisa ali, a marca. [...] Eu sei que é difícil, porque fica para herdeiros e tudo mais. No entanto, tem que ter a preocupação em preservar.
A escolha para ocupar uma função pública de livre nomeação, frequentemente recai sobre correligionários partidários, pessoas que nem sempre estão preparadas para desempenharem com eficiências as atividades próprias do órgão. Ozildo Albano foi uma espécie de exceção, nesse tipo de contexto de nomeações políticas, pois seu nome foi apontado pelo respaldo que possuía. Tornou-se Chefe do Departamento Municipal de Cultura por competência e não por conveniência.
Isso fez com que realizasse práticas educativas variadas, durante o período em que foi Secretário. A organização da Galeria dos Prefeitos foi, antes de qualquer coisa, um esforço de pesquisa, pois não havia dados compilados em torno do tema e Ozildo Albano fez toda a coleta de dados capaz de mapear nomes, datas dos pleitos e fotografias dos primeiros prefeitos do município. Assim fazendo, conseguiu historiar sobre a política local, embora não tenha feito análise dos mandatos.
Após a catalogação dos dados, organizou a Galeria dos Prefeitos de Picos que atualmente encontra-se na Prefeitura Municipal de Picos e no Museu Ozildo Albano.
No Departamento Municipal de Cultura, teve a preocupação com a preservação dos prédios antigos de Picos, uma vez que faziam parte da história arquitetônica dos primeiros habitantes. Com esse olhar, Ozildo Albano objetivava que fossem tombados como patrimônio histórico-cultural o prédio da antiga Prefeitura Municipal de Picos, o Grupo Escolar Coelho Rodrigues, a casa do notável jurista picoense Antônio Coelho Rodrigues, localizada na Fazenda Boqueirão e distante de Picos 15 quilômetros, o cruzeiro localizado na Rua Coelho Rodrigues, a serra da Atalaia, os prédios dos italianos, dentre outros que compunham a escrita antiga da cidade e que podiam, a qualquer momento serem destruídos e, consequentemente, desaparecer uma parte da história.
Dos eventos realizados por Ozildo Albano, quando esteve no Departamento Municipal de Cultura, destaca-se a II Semana Cultural de Picos, nos dias 18 a 24 de julho de 1983, que promoveu várias atividades culturais na cidade. Pelo cronograma de execução da Semana Cultural, constatou-se a presença de elementos tipicamente representativos das tradições locais.
O evento realizou-se com a participação de sanfoneiros, violeiros, repentistas, seresteiros, bandas de músicas, exposições de quadros de pintores da terra, exposições do artesanato local, exposições de fotografias antigas de Picos, apresentação da peça teatral “O propagandista” e de um grupo de teatro da Escola Técnica Federal, grupo folclórico de São Gonçalo, corrida rústica, passeio com a banda de música pelas principais ruas da cidade, palestras sobre literatura piauiense, gincanas por equipes, corrida de jegues e concurso de fantasias de jegues.
Pelas atrações que foram realizadas na II Semana Cultural de Picos, pode- se perceber que Ozildo Albano era um entusiasta das raízes culturais locais. A escolha do repertório cultural mostrou um pouco do trabalho que estava sendo desenvolvido junto à Prefeitura Municipal de Picos.
Resta informar que Ozildo Albano requereu ao Coordenador Estadual do Mobral, em data de 06 de julho de 1983, a Mini Mobralteca com filmes e AVS que retratassem a realidade cultural do Estado do Piauí. Conforme consta na programação da II Semana Cultural de Picos, no dia 19 de julho de 1983, às 20h, no Rotary Clube de Picos/Casa da Amizade, houve a abertura das exposições, sob a organização do MOBRAL, e a apresentação da Mini Mobralteca diariamente.
A solicitação da Mobralteca com filmes temáticos sobre o Piauí teve um objetivo: apresentar aos picoenses a realidade cultural do Estado. Logo, pretendia com isso educar em torno do tema. A visão educativa de suas práticas no Departamento de Cultura mostra a inquietude do educador em canalizar a programação de eventos para a formação do homem local.
A Mobralteca deve ser entendida dentro de seu contexto de execução como um projeto cultural que tinha como finalidade a promoção da cultura local e a descoberta de valores culturais nas cidades por onde passava o caminhão-cultural que levava filmes, livros, pinacoteca, ferramentas para o desenvolvimento de artesanato com materiais diversos como barro, couro, madeira, assim como artes plásticas.
A Mobralteca era a unidade móvel do Centro Cultural do Mobral em que eram desenvolvidas atividades na área de literatura, patrimônio histórico, artístico, cultural, cinema, artes plásticas, arte popular e folclore, além do baú de criatividade.
Entre outros eventos realizados por Ozildo Albano, junto ao Departamento Municipal de Cultura de Picos, um merece registro e destaque. Em alusão ao 93º aniversário do município, organizou-se uma semana cultural que contou não só com a participação da sociedade picoense, mas também, com a presença de prestigiadores culturais de outras cidades que compunham a microrregião de Picos.
O cronograma de execução das atividades que fizeram parte do aniversário da cidade aconteceu entre os dias 08 e 12 do mês de dezembro. O evento contou com as seguintes atrações culturais: a chegada da tocha simbólica conduzida por atletas da cidade de Bocaina até Picos, uma vez que foi na cidade de Bocaina onde se iniciou o povoamento da região.
E, mais ainda, o ativamento do fogo à pira que se realizou durante a semana, em frente à Prefeitura Municipal de Picos. Na abertura dos festejos, o discurso do prefeito Abel de Barros Araújo, dando início à semana comemorativa ao aniversário da cidade. Em seguida, ocorreu, na Praça Félix Pacheco, festa popular animada pelas escolas de samba e por conjuntos musicais.
A semana comemorativa foi marcada por exposição de telas de pintores da região, exposição de documentos antigos e de fotografias preservados no museu Capitão-Mor João Gomes Caminha, retretas nas Praças João de Deus Filhos, Josino Ferreira e Félix Pacheco, apresentações de danças folclóricas na quadra do Picoense Clube, apresentação da peça “Boneca de Pano” pelo Grupo Mutirão, no Instituto Monsenhor Hipólito.
Acrescenta-se ainda ao evento, a alvorada festiva com músicas, fogos e sinos, missa na Catedral Nossa Senhora dos Remédios, entrega de certificado de reservista, uma partida de futebol entre Sociedade Esportiva de Picos e o time de futebol da cidade de Oeiras/PI, realizado no Estádio Municipal Helvídio Nunes de Barros e, por derradeiro, uma festa dançante.
O Secretário de Cultura do Piauí, deputado estadual Jesualdo Cavalcanti Barros, encaminhou ao prefeito de Picos, Abel de Barros Araújo, através da circular nº 01/83, solicitação de informações sobre a existência no município de pontos turísticos. Ato contínuo, em 21 de maio de 1983, Ozildo Albano catalogou os pontos turísticos com as seguintes especificações: 1) Prédios históricos – casa onde nasceu
o jurista picoense Antônio Coelho Rodrigues, localizada na Fazenda Boqueirão, a Capela do Sagrado Coração de Jesus construída por volta de 1830 pela família Borges Leal e a Catedral de Nossa Senhora dos Remédios; 2) Festas religiosas; 3) Festas folclóricas e tradicionais; 4) Museu João Gomes Caminha; 5) Feiras e, em destaque, a existência de furnas com inscrições rupestres iguais às inscrições existentes em Sete Cidades, no Piauí, localizadas a cerca de 6 quilômetros da cidade de Picos.
Em 08 de julho de 1985, Ozildo Albano pediu exoneração da pasta que ocupava na chefia de Departamento Municipal de Cultura do Município de Picos. Segundo Borges (2016, p.459-460):
Ozildo Albano foi Secretário de Cultura nomeado por Abel de Barros Araújo, em 1983. Abel entendeu que Ozildo era a pessoa mais capacitada para ocupar esse cargo. Então, Ozildo foi para lá e ficou ali na Prefeitura velha. Deram uma sala para ele. Eu ia quase toda tarde. Eu levava pasta lá da Câmara Municipal, porque eu era vereadora. Eu arrumava umas pastinhas, papel, alguma coisa para ele, porque lá não tinha nada. Tinha uma máquina de escrever, duas cadeiras, um armariozinho ali para botar as coisas e Chiquinho da Ipueiras era o secretário. Assim mesmo, Ozildo fez o levantamento do aspecto representativo de Picos, na parte de cultura e arte. Por exemplo, na construção dos italianos, a casa de Doutor Fonseca. Ali, ele já fez, já achava que devia ser patrimônio, que não devia mexer muito, o cruzeiro ele fez o tombamento, a casa de Coelho Rodrigues, lá no Boqueirão, a Serra da Atalaia, tombamento dos pontos históricos de Picos. Ozildo sempre falava de tudo, os planos dele, eu tinha. Quando eu andava lá, a gente conversava muito. Ele também fez a foto de cada prefeito, a galeria dos prefeitos. Até quando ele esteve lá, ele fez, com data, com mais ou menos os dados de cada um que ele tinha. Aí, um dia, ele me disse que quando eu viesse eu trouxesse os dados do orçamento do ano para ele vê, para saber o que ele podia fazer. A galeria de prefeitos ele fez por conta dele, com o dinheirinho dele. Ele disse que estava tentando. Ozildo queria envolver a cidade, a educação de Picos, a escola num movimento mais sólido, com teatro, ele disse lá o que queria fazer. E isso, ele precisava de um pouco de sustentação financeira. [...] Foi um desafio para ele. Aí, eu levei para ele, ele pediu. Aí, quando foi a outra vez que fui, ele disse:- Isto aqui é pra você, a pasta com todos os planos dentro da Secretaria de Cultura. O que já fiz e os ofícios. [...] Ele disse que ia voltar lá para a escola que precisavam dele. Aí, ele voltou para o Ginásio.
As condições estruturais de funcionamento do Departamento Municipal de Cultura, conforme o relatos de Borges (2016), eram precárias, a ponto de a ex- vereadora levar material de expediente da Câmara dos Vereadores para ajudar no funcionamento daquele órgão. Havia basicamente, na sala do Departamento, duas
cadeiras, um armário e uma máquina de datilografia para atenderem às demandas culturais do município.
O empenho em realizar um bom trabalho fez com que Ozildo Albano assumisse o ônus financeiro da execução de um de seus projetos, a Galeria dos Prefeitos Municipais. Isso demonstra o nível de preocupação do educador com a sociedade. Queria levar conhecimento, educar a partir do que estivesse ao seu alcance.
O espelho das práticas educativas realizadas junto ao Departamento Municipal de Cultura encontra-se em uma pasta, no Museu Ozildo Albano. São ofícios, requerimentos, pauta fixa de eventos especiais, pequenos registros historiográficos, folclóricos, religiosos, geográficos, culturais, turísticos e artísticos, além de programação de eventos.
Mas, as condições de trabalho inviabilizavam a execução de muitos projetos e, talvez, esse tenha sido um dos fatores para seu afastamento do Departamento de Cultura e retorno definitivo para a sala de aula.
Encerram-se, assim, as práticas educativas de Ozildo Albano no Departamento Municipal de Cultura de Picos. No pouco período em que atuou no órgão, escreveu uma história voltada para o resgate, divulgação e promoção da cultura picoense, abrindo espaço para a educação em torno da cultura imaterial e material tanto local, quanto estadual e nacional.