3 Explaining the Sinai Radicalization
3.2 The Emergence of a New Radical Ideology
Ainda no ano de 1949, foi criado em Picos o Ginásio Estadual Picoense. Este foi um dos grandes acontecimentos da cidade, pois a partir de então se teria um lugar adequado para os jovens estudantes darem sequência aos estudos.
De início, não se tinha um prédio próprio para recepcionar os alunos que haviam passado no exame de admissão. A solução que encontraram foi colocá-los no antigo Grupo Escolar Coelho Rodrigues até que se construíssem as instalações do Ginásio Estadual Picoense. Conforme Sousa (2005, p.94),
Inicialmente, a sede do Ginásio foi no Grupo Escolar Coelho Rodrigues, que, embora já desse naquele período claros indícios de decadência com um prédio necessitando de reformas, não
prejudicou a aura de glória que cobria a fundação do Ginásio, uma vez que, para a população, não importava ondefuncionasse a instituição, pois o seu caráter de relevância não se perdia em função da falta de uma sede ou do estado do local de seu funcionamento. Picos agora tinha o Ginásio, e isso representava uma conquista importante no conjunto das cidades piauienses. No ano seguinte, em março de 1950, iniciaram-se as atividades escolares do Ginásio Estadual Picoense. Os jovens matriculados tinham a certeza do encontro com o que havia de melhor em termos de cultura e educação. Conforme relembrou Silva Albano (2017, p.421),
O ginásio foi um período muito rico para Ozildo. Eu entrei na 2ª turma do ginásio. Eu era meio ameninada. Mas Ozildo tinha uma cabeça, ele era mais experiente. [...] Naquela época, morar na cidade de Picos, onde não tinha estradas e nem comunicações. [...] Ozildo, pelo menos saiu para o seminário, teve a experiência de sair de Picos. [...] Esse ginásio quando veio foi mais importante do que a chegada da Universidade para a época. [...] Os jovens ficaram entusiasmados com aquilo ali. E teve uma coisa muito importante nisso tudo, a figura do educador Vidal de Freitas. Ele incentivou esses jovens. Ele foi o diretor do ginásio. Ele contribuiu demais. Era um Juiz de Direito educador. Onde Doutor Vidal passava, ele contribuiu, em todas as cidades por onde passava. Doutor Vidal era uma figura além do seu tempo. Ele tinha experiência. Eu admirava o contato dele com os jovens. Era como se fosse tudo a mesma coisa. A conversa dele, o contato dele.
Silva Albano (2017) destacou que a etapa de estudos no ginásio foi um período muito rico para a trajetória de vida de Ozildo. Com isso, há de se fazer algumas anotações referentes a essa passagem de Ozildo Albano por essa escola. Primeiro, trazia consigo uma bagagem cultural acumulada pelos conhecimentos adquiridos no Seminário Sagrado Coração de Jesus e isso o ajudou nesta nova caminhada no Ginásio Estadual Picoense. Segundo, encontrou um espaço educacional onde pôde se deparar com professores preparados para exercerem o magistério, dentre eles, o professor e diretor José Vidal de Freitas que, na época, também era o juiz da Comarca de Picos.
Durante o período em que esteve à frente do Ginásio Estadual Picoense, sugeriu aos estudantes que criassem um Grêmio Literário, pois sabia da importância de uma agremiação para os estudantes. Foi aí que Ozildo Albano passou a liderar os movimentos estudantis dentro daquela instituição escolar. De acordo com Rafael Filho (2016, p.409):
O Doutor Vidal de Freitas, que era muito preparado, deu a ideia de criação do Grêmio Literário da Costa e Silva e o Ozildo Albano foi dos primeiros a abraçar essa ideia. Depois, nós nos reunimos para discutir. A aprovação foi unânime. Ozildo Albano presidiu o Grêmio Literário Da Costa e Silva com toda dignidade, com toda sabedoria, com toda ordem. No Grêmio Literário da Costa e Silva não tinha bagunça, não. A gente levava muito a sério, seguia o exemplo do presidente.
Ozildo Albano se mantinha como um líder dos estudantes do Ginásio Estadual Picoense. Abraçou a ideia do professor José Vidal de Freitas e todos foram unânimes em aceitá-lo como primeiro presidente do Grêmio Literário.
O nome do Grêmio Literário Da Costa e Silva foi também uma sugestão do professor José Vidal de Freitas, uma homenagem ao poeta da cidade de Amarante, no Piauí. Rafael Filho (2016, p.409) explicou as razões do nome dado ao grêmio:
O Grêmio Literário da Costa e Silva recebeu este nome porque o Doutor Vidal de Freitas falava muito no Da Costa e Silva, aquele de Amarante/PI, o famoso poeta “ringe e range”. Era difícil ter um aluno do Ginásio, naquela época, que não soubesse a história da “moenda”. Então, ele era muito festejado lá no Ginásio Picoense, o Da Costa e Silva. Ele era o principal vate para nós.
O Grêmio Literário da Costa e Silva era onde Ozildo Albano fazia as reuniões com os colegas do ginásio e também onde se articulavam no sentido de daremmais dinamicidade ao ambiente estudantil. Além disso, essa agremiação servia para divulgar a literatura nacional e estrangeira.
Durante o período em que esteve como presidente do Grêmio Literário Da Costa e Silva, levou para a comunidade estudantil inúmeros eventos culturais, dentre eles, as peças teatrais que eram encenadas dentro e fora da escola. E, nisso, procurou envolver todos os alunos.
Transcrevia no papel todos os personagens que iriam entrar em cena e, depois, separava para cada um dos colegas do ginásio para decorar as falas e apresentar em público. Rafael Filho (2016, p.408), rememora as peças de teatro que apresentaram em Picos:
Nós apresentamos uma peça teatral no salão do Instituto Monsenhor Hipólito em 1952. Eu não me lembro do nome da peça, mas era sobre a Revolução Francesa. Inclusive, o Ozildo Albano foi quem apareceu com essa peça. Falava-se muito em Paris, em guerra. Eu era uma espécie de bandido na peça. Eu era contra os revolucionários. [...] Era uma obra clássica, era muito boa a peça. Ela já era mesma uma peça adaptada, mas Ozildo Albano era quem
dirigia naturalmente. Ozildo Albano era quem contratava com as irmãs lá, ele se entendia, na qualidade dele de seminarista, de bom comportamento. Esse entendimento era com ele, o Ozildo, [...]. Pode-se fazer algumas leituras sobre as práticas educativas desenvolvidas por Ozildo Albano, quando esteve como presidente do Grêmio Literário Da Costa e Silva. A princípio, tudo era feito no âmbito da escola, mas algumas atividades foram realizadas em outros espaços, como no Instituto Monsenhor Hipólito.
O Diretor do Ginásio Picoense incumbiu Ozildo Albano de fazer os eventos no Instituto Monsenhor Hipólito tanto pelo acesso que ele tinha naquela escola quanto por ser um espaço central, em que a sociedade picoense poderia experimentar o clima cultural que estava acontecendo, no Ginásio Estadual Picoense.
A ilustração 09 traz a fotografia do professor José Vidal de Freitas, que contribuiu na formação de muito jovens picoenses, dentre eles, Ozildo Albano. Assim como houve a apropriação dos ensinamentos da professora Hilda Policarpo, Ozildo levou para si traços do perfil do educador que marcou sua trajetória ginasial, a ponto de seguir a carreira jurídica, tornando-se, posteriormente, juiz de Direito.
Ilustração 09 –Fotografia: Professor José Vidal de Freitas
Fonte: Museu Ozildo Albano
Foi no teatro que ele, juntamente com os seus colegas do Ginásio Estadual Picoense, puderam levar para a sociedade um pouco dos eventos históricos e
produção literária que se evidenciaram em contextos culturais diversos. Alguns textos, ele mesmo adaptava e, quando fazia isso, separava as partes, pensando naquele que iria interpretar no palco. Conforme Lélis (2016, p.375), ao rememorar sobre as peças teatrais organizadas por Ozildo Albano informou que:
Ozildo Albano fazia essas peças, arranjava aquele tempo para isso. Pegava esses livros, tirava e escolhia as personagens para a turma. Então, Ozildo levava aquela peça e ensaiava. Não foi só a peça “O Avarento” que ele dirigiu, não. Até a gente brincava com ele, os meninos todos, e diziam: - Nós não vamos ser artistas de segunda classe, não, nós vamos ser de primeira grandeza. [...] Ozildo Albano se enveredou pelo teatro foi por causa dessas leituras dele. Ele se encantou com aquilo e ele gostava. Eu não sei como era que guardava tanta coisa. Ozildo fazia a peça, a parte de cada um e depois convidava e distribuía aquelas partes que ele tirava um para cada um, um era Albertino, Alfredo Albano, José Bezerra Rodrigues. Ozildo dirigia as peças e apresentava o drama, como a gente chamava. Ele fazia isto tudo e ensaiava. Ele tinha todo cuidado, ele se dedicava nas coisas que fazia e bem feito.
O capital cultural de Ozildo Albano, ainda jovem, contribuiu na educação literária e teatral de seus colegas e daqueles que participaram dos eventos culturais por ele organizados. O educador emergia, sem ser percebido e sem perceber.
Além das apresentações teatrais com textos por ele adaptados, Ozildo dirigia e participava com os demais colegas, no salão nobre do Instituto Monsenhor Hipólito de Picos, no início da década de 1950, da organização dos eventos para escolha da rainha dos estudantes picoenses.
Os estudantes se mobilizaram para arrecadarem fundos para a criação de um jornal estudantil em Picos. Mais uma vez, o Diretor e professor José Vidal de Freitas foi um dos incentivadores da aquisição da máquina tipográfica e a circulação de um periódico no município.
No começo do ano letivo de 1953, a primeira turma do Ginásio Estadual Picoense já se preparava para a grande festa de formatura que iria ser realizada no final do mesmo ano. Segundo Lélis (2016, p.375),
Ozildo era um cara que tudo ele sabia fazer, ele dava um jeito. [...] Quando nós começamos o 4º ano, lá no Ginásio Picoense mesmo, nós combinamos que não ia ter patrocinador. Nós íamos arrumar um jeito de arrecadar o dinheiro pra fazer a festa de colação. Aí, fizemos, fizemos um pacto primeiro na turma. Tudo que a turma designasse para um fazer, todos tinham que fazer. O que o presidente dissesse, todos tinham que fazer. Como a presidência ficava com [...] o Ozildo mesmo, aí, eu era o tesoureiro. [...] Aí, nós fomos fazer a festa, a
festa de São João. E nós comemoramos no local onde se localiza os Correios de Picos.
Os concludentes do curso ginasial optaram em realizar as atividades da formatura sem o auxílio do patrocínio dos políticos locais. Isso implicou em esforço do grupo em adquirir fundos suficientes para as despesas. Sob as orientações de Ozildo Albano, organizaram festas para obterem o dinheiro necessário para terem o baile, no final do ano de 1953.
Ozildo Albano foi o orador da primeira turma de ginasianos de Picos. A formatura se deu entre os dias 06 a 13 de dezembro de 1953. A programação do dia 06 de dezembro de 1953 foi a Missa de Ação de Graças realizada na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, pelo padre José Ignácio de Jesus Madeira.
No dia 13 de dezembro de 1953, às 9 horas, ocorreu a sessão de despedida dos colegas ginasianos, no prédio da Prefeitura Municipal de Picos. Às 19 horas, foi a sessão solene realizada no Instituto Monsenhor Hipólito, com a entrega dos certificados aos concludentes da primeira turma de ginasianos da cidade.
Ao término da cerimônia de formatura, às 22 horas do dia 13 de dezembro de 1953, realizou-se o baile de formatura, no salão recreativo Ideal. E, por fim, às 24 horas, foi servido um coquetel oferecido pelos concludentes aos seus padrinhos, ao paraninfo da turma, o professor José Vidal de Freitas, e demais homenageados.
Ilustração 10 – Imagem: Convite de formatura do Ginásio Picoense (programação)
A ilustração 10 contempla parte do convite de formatura da Turma Vidal de Freitas, concludentes do ano de 1953, com a programação completa dos eventos que seriam realizados. Tratava-se de convite simples, contendo o nome do paraninfo, patrono e homenageados, assim como a programação dos dias 06 e 13 de dezembro de 1953.
2.7 A formação escolar no Liceu Cearense e na Universidade Federal do Ceará: