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2 Historical and Regional Background

2.1 The Sinai Peninsula

2.1.3 After the Revolution (2011-2013)

Para registrar a trajetória profissional, no campo educacional, de Ozildo Albano, foi necessário ouvir pessoas que com ele conviveram e experienciaram a docência e outras atividades educativas. Para tanto, a memória coletiva ajudou a trazer elementos que se encontravam na memória de cada indivíduo, até mesmo esquecidos e os colocou sobre uma nova matriz, o tempo presente, que teve a missão de explicar e reescrever o passado ou, como diz Halbwachs (1990, p.81) “lançar uma ponte entre o passado e o presente e restabelecer essa continuidade interrompida”.

E isso foi feito com o auxílio da memória dos personagens sociais das cidades de Picos, Pio IX e Jaicós, que estiveram com Ozildo Albano. Assim, foi possível restabelecer um tempo que ficou marcado na história de vida de cada um deles. Como afirma Le Goff (2003, p.471) “a memória na qual cresce a história, que

por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir ao presente e ao futuro”.

Salvar o passado com a escrita em torno do educador Ozildo Albano, sua atuação jurídica, cultural, educacional, artística, jornalística e biográfica, nos mais variados círculos em que transitava.

Contar a história de vida de Ozildo Albano, em matéria educacional, foi historiografar a história de uma época e de um povo e ainda trazer à tona o modelo educacional existente nas espacialidades onde exerceu as suas práticas educativas. Fez-se uma narrativa biográfica do educador Ozildo Albano utilizando-se de seção de tonalidade diacrônica associada a seções de tonalidade temática. Nas lições de Dosse (2009, p.67),

[...] o tratamento da temporalidade permite incontáveis variações entre o respeito absoluto ao quadro cronológico, caracterizado por um desfilar contínuo do nascimento à morte da personagem biografada, e as liberdades do autor com o uso do tempo. O empenho em dar mais eficácia ao relato pode conduzir ao rompimento da linearidade cronológica e à adoção das múltiplas vozes narrativas que participam dos vários registros de temporalidade. O mais das vezes, o biógrafo procura alternar capítulos de tonalidade diacrônica com capítulos de tonalidade temática. Resulta daí um relato misto que procura reencontrar duas coerências de temporalidades diferentes, a da lógica própria à sucessão dos eventos e a que emana da unidade da pessoa resgatada pelo biógrafo. A narração biográfica não é, pois, como salienta Madelénat, homogênea. É, bem ao contrário, uma estrutura inelutavelmente compósita, uma convergência de relatos diversos enredados uns nos outros. Nisso, lembra a escrita da história e do romance.

O tratamento da temporalidade utilizado na escrita da história de vida de Ozildo Albano foi construído seguindo uma sucessão de acontecimentos que se desenrolaram durante a sua trajetória humana em diferentes campos de produção cultural.

Longe de querer abraçar a totalidade da existência humana, seguindo rigorosamente o rito cronológico e linear que cercaram Ozildo Albano, fez-se um relato de sua vida e tentou-se unir a distância que separa o presente da narração ao passado vivido.

Abraçar o conjunto biográfico de uma vida é um desafio que muitos têm se aventurado a fazer, mesmo sabendo que o horizonte humano comporta uma

multiplicidade de ações cotidianas que se revelam em diferentes contextos da sociedade.

Mas, mesmo assim, escreve-se a vida do outro acentuando os aspectos mais particulares de sua intimidade, aqueles traços da personalidade que ficaram marcados e o caráter excepcional dos seus feitos que a memória guardou ao longo do tempo.

Na construção biográfica, o sujeito histórico não se reduz ao seu “eu”. Ao contrário, liga-se a uma rede de sociabilidade. E é nela que a história coletiva se mostra através de uma biografia, trazendo uma diversidade de acontecimentos entrelaçados entre si e o seu contexto social. Segundo Levi (2006, p.176), deve-se:

[...] interpretar as vicissitudes biográficas à luz de um contexto que as torne possíveis e, logo, normais. [...] uma vida não pode ser compreendida unicamente através de seus desvios ou singularidades, mas, ao contrário, mostrando-se que cada desvio aparente em relação às normas ocorre em um contexto histórico que o justifica. Essa perspectiva deu ótimos resultados, tendo-se em geral conseguido manter o equilíbrio entre a especificidade da trajetória individual e o sistema social como um todo.

A compreensão de uma vida biografada não se dá de forma isolada, uma vez que o biografado encontra-se inserido em um contexto sócio-cultural. Uma vida não se inscreve em uma nota só, ela está inserida em uma partitura composta por diversas outras notas biográficas.

O conhecimento do contexto social faz com que se compreenda a trajetória do sujeito biografado, uma vez que é nele onde os acontecimentos cotidianos perpassam a sua vida.

Mantiveram-se aqui os contextos sociais por onde Ozildo Albano assumiu as suas práticas educativas. Reuniram-se em torno dele as vozes sociais de seu tempo e os documentos escritos e visuais, tudo com o propósito de manter vivos os registros coletivos de um povo.

De natureza eminentemente híbrida, a biografia se enquadra em um gênero que procura envolver, numa mesma escrita, passagens do real vivido e os traçados imaginativos refeitos pelo processo criativo de um biógrafo. Segundo Dosse (2009, p.55),

Gênero híbrido, a biografia se situa em tensão constante entre a vontade de reproduzir um vivido real passado, segundo as regras da mimesis, e o polo imaginativo do biógrafo, que deve refazer um universo perdido segundo sua intuição e talento criador.

Em virtude da dinâmica que é uma vida e seu atravessamento no tempo e em diversos espaços, em situações várias e com incalculáveis pessoas, elaborar uma biografia passa pelo esforço de apresentar enredos reais de um passado agora cristalizado na memória daqueles que presenciaram as vivências e experiências e isso, por si só, impossibilita o registro em sua totalidade.

O gênero biográfico é tipo textual que se constrói a partir de uma base real e imaginativa em torno do sujeito biografado. A tensão entre o vivido e o imaginado promove o surgimento de um texto que se realiza como histórico e ficcional, sem se negar sua autenticidade, através da força imposta pela documentação e das vozes que elaboram o sujeito narrado.

Entre a realidade e a imaginação, a escrita biográfica se materializa. Mobilizam-se os instrumentais necessários para reviver as inúmeras cenas do passado do sujeito biografado.

Nessa reconstituição, o biógrafo procura exumar o máximo possível de fontes históricas para refazer momentos inesquecíveis que pontuaram o universo humano, em diferentes espacialidades sociais. Mas, como assinala Dosse (2009, p.15),”[...] o biógrafo deve saber manter o justo meio-termo”.

A atuação do biógrafo é, pois, a do filtro que identificará o que é real e o que é imaginário, na luta pela apresentação do enredo que mais se aproxima da vida efetiva do biografado. É a busca de uma escrita a meio-termo.

Uma escrita a meio-termo, eis o que o biógrafo se propõe a fazer. Tudo com o propósito de produzir um relato que seja o mais fiel possível. Conforme assinala Dosse (2009, p.21):

[...] o anseio de totalização e a vontade de não perder nada ou perder muito pouco que justificam semelhante dispositivo. Esse duplo olhar não deixa de haver-se com as lacunas de documentação, as falhas de arquivo. [...] Sua ambição é recriar, graças ao relato, o movimento de uma vida.

É nessa busca que se encontra o biógrafo ao recriar o movimento de uma vida. Pauta-se com o que dispõe em suas mãos e compensa o universo perdido com uma escrita que procura suprir os vazios que a memória e os documentos não conseguiram preenchê-las.

Tudo isso acontece porque o sujeito experimenta inúmeras temporalidades no espaço social. Vive-se o momento da casa, o momento do trabalho, o momento

do lazer. Enfim, torna-se impossível o registro por inteiro de tudo que envolve o enredo de uma vida. Ou, como assinala Dosse (2009, p.56), “o biógrafo é comparável ao retratista, que faz sua escolha sem empobrecer o que há de essencial para a tela”.

Fez-se o mesmo com o texto biográfico de Ozildo Albano. Procurou-se seguir uma narrativa em que melhor se apoiasse todo o conjunto documental que se tinha disponível. Não se descuidou de detalhes significativos e reveladores da sua personalidade. Para tanto, fez-se as escolhas mais apropriadas e procurou-se, no dizer de Dosse (2009, p.67), “[...] valer-se da intuição para ligar traços descontínuos”, respaldados pelos recursos estilísticos que a imaginação criadora empresta para o gênero biográfico.

Por ser a biografia “[...] tributária de um exercício de apresentação de provas”, no dizer de Dosse (2009, p.62), o texto biográfico de Ozildo Albano não se afasta dessa proposta, têm-se ao longo da narrativa um conjunto probatório que informa sobre ele e sobre os contextos em que atuou.

No mais, o texto biográfico possibilita “[...] reencontrar e reviver o clima da época”, no dizer de Dosse (2009, p.20). E isso mostra que a biografia traz em si não apenas a individualidade do biografado, mas também, os enredos que atravessaram o grupo social.

Biografou-se Ozildo Albano alternando escritas da vida com o conjunto temático das realizações empreendidas por ele. Isso trouxe para a tese não só a densidade humana e profissional de um intelectual e educador, mas também, fragmentos históricos do contexto em que estava inserido.

2.3 A escolarização primária do educador Ozildo Albano: Da Escola Municipal