5. Opportunities and Obstacles for Interreligious Track-II Diplomacy
5.3 The Conundrum of “Right” and “Wrong” Participants
O presente trabalho consiste em um estudo exploratório sobre o Abuso Sexual de Crianças, tendo a produção cinematográfica “Má Educação” como objeto de investigação. Os dados que compõem o corpus da pesquisa foram coletados com a transcrição dos diálogos narrativos da obra e através de recortes fotográficos das principais cenas referentes ao conteúdo pesquisado.
Para realizarmos a análise da narrativa fílmica, optamos pela Análise do Discurso como ferramenta teórico-metodológica, considerando-se os discursos verbais, compreendidos nas transcrições textuais dos diálogos, assim como o discurso não-verbal composto pelas imagens recortadas fotograficamente visando proporcionar uma melhor qualidade na análise.
Com este estudo pretendemos explorar os sentidos e as significações sobre o ASI que se configuram como um fenômeno humano complexo. O método mais compatível com esta proposta foi o método qualitativo, por apresentar aspectos pertinentes ao campo da subjetividade, que se diferencia da pesquisa quantitativa quando privilegia o caráter interpretativo e descritivo do material que é foco de sua investigação.
Dezin e Lincoln (2000) referem sobre um fato importante na pesquisa qualitativa, que é o uso de métodos variados na realização das investigações. Exatamente por não possuir um conjunto de métodos e práticas exclusivos é que a pesquisa qualitativa utiliza aproximações, métodos e técnicas da etnometodologia, da fenomenologia, da hermenêutica, da psicanálise, estudos culturais, entre outros. O enfoque subjetivo e simbólico, onde a investigação se desenvolve, não privilegia essa lógica consensual. Enquanto falamos de tendências, na pesquisa quantitativa, falamos de processos e simbolismos, na pesquisa qualitativa.
Demo (1995, p. 26) faz reflexões pertinentes sobre a importância da pesquisa qualitativa ser feita com toda seriedade mas sem distanciar-se da totalidade e subjetividade do ser humano. Apresenta seis aspectos que devem ser observados na metodologia científica em ciências sociais, assim descritos: 1. – “continua firme a importância dos critérios formais, da competência instrumental no método e na teoria”; 2. – aparece a “dimensão do cientista como ator político, ao lado de ser pesquisador disciplinado” levando a compreender as “ciências sociais não apenas como forma de abordagem, mas também como espaço de atuação social”; 3. – “aparece a prática como componente do processo científico, nem superior, nem inferior à teoria”; 4. – “aparece a imbricação ideológica intrínseca, marca de qualquer ator político no espaço do poder”; 5 – “aparece a indistinção entre sujeito e objeto, dentro de uma história feita objetiva e subjetivamente”; 6. – “aparece a dimensão da qualidade como desafio imponente, diante de uma atuação pequena e quase sempre apequenante das ciências sociais”.
O método de Estudo de Caso foi escolhido por mostrar-se mais pertinente com a proposta do estudo e, como pontuam Laville e Dionne (1999), por apresentar
grande potencial de aprofundamento na pesquisa e privilegiar a possibilidade de proceder comparações com outros casos já estudados.
Robson (1996) explicita que o estudo de caso é uma estratégia de fazer pesquisa qualitativa que envolve a investigação empírica de um fenômeno contemporâneo particular, dentro do contexto de vida real, usando fontes múltiplas de evidência.
Ludke e André (1999) descrevem que entre as diversas características do estudo de caso está a de representar os diferentes e, às vezes, conflitantes pontos de vista presentes numa situação social, o que permite o exercício da crítica, quando idéias divergentes podem ser apresentadas, enquanto uma determinada investigação está sendo realizada, revelando assim opiniões diferentes a respeito do mesmo objeto de estudo.
Sabedores de que cada indivíduo tem sua forma de entender e dar significado ao que experimenta, é possível afirmar que a liberdade de tirar as próprias conclusões enriquece o ambiente social e, conseqüentemente, traz à tona a complexidade humana.
Segundo Robson (2000):
“O estudo de caso, enquanto estratégia de pesquisa, tem sua força na flexibilidade. Ele pode ser exploratório, tentando encontrar algum sentido como o que acontece em uma nova situação, onde pouco pode ser direcionado para o que deve ser procurado, e por isso uma pré-estrutura rígida não seria possível; e pode também ser confirmatório cujo trabalho prévio, talvez uma experimentação de laboratório, indique a relação entre variáveis ou a explicação de algum fenômeno, e aí então existe espaço para um estudo de caso pré-estruturado detalhado fora do campo” (Robson, 2000, p. 148).
Sabedores da impossibilidade de esgotarmos as questões sobre o fenômeno que pretende-se explorar, o presente estudo coaduna-se com o
pensamento de Demo (1995) ao afirmar que o critério fundamental nos debates sobre cientificidade não se refere a neutralidade, mas a “discutibilidade”. O autor explicita que o discurso, na pesquisa qualitativa, deve fundamentar-se nas seguintes premissas: 1- Não se atinge resultados definitivos, só em utopias totalitárias; 2- As ciências sociais não se restringem aos discursos, mas acrescentar comunicações de conteúdos; 3- Não existe separação de teoria e prática; 4- Estudar os problemas deve se relacionar com sua solução, senão transformam-se em ciências anti-sociais.
Ainda de acordo com o autor, a compreensão da realidade social deve nortear a busca do pesquisador. Neste trabalho, especificamente, o esforço de interpretação será privilegiado tendo em vista o objeto de analise caracterizar-se por uma produção artística, porém retratando um fenômeno social.Como nos remete o autor:
“A realidade social não se ‘entende’ propriamente, mas se ‘compreende’, no sentido de que não se analisa, mas se interpreta. Interpretar é estabelecer com o ‘objeto’ uma relação de dialogo, o que já desfaz, pelo menos em parte, a relação caricata de sujeito-objeto. Interpretação não é apenas decompor nas partes, observar no microscópio, manipular externamente, como se tratássemos de uma ‘coisa’, mas é auscultar, compreender na e pela convivência, saber pela experiência comum, sempre igual e diferente ao mesmo tempo. Não se devassa um fenômeno social, porque já estaria destruído. Por isso mesmo, nunca temos uma explicação cabal, à semelhança de explicações mais ou menos firmes na realidade natural. Tudo depende menos de relações objetivas do que de pontos de vista, já que não há vista sem ponto ” (Demo, 1988, pp. 26-27).