4. Toward a Model of Interreligious Track-II Diplomacy
4.4 Goals of Track-II Interreligious Initiatives
4.4.2 Shifting the Narrative to Support Peace
A investigação permitiu compreender que o processo de inclusão escolar da pessoa com deficiência física foi efetivado parcialmente na escola. Para tanto, o estudo realizado para se chegar a essa conclusão, apontou obstruções físicas e atitudinais para a efetivação da plena inclusão no contexto escolar.
O estudo identificou no cenário escolar, obstáculos advindos do desconhecimento dos atores educacionais para compreenderem e executarem ações coerentes com o processo de inclusão, acrescentando-se a) a rejeição social pelos pares; b) a inadequação dos espaços físicos; c) desconhecimento e formação inadequada dos professores para lidarem com pessoas com deficiência; d) ineficácia da sala de recursos; e) baixa reciprocidade nos processos proximais no microssistema escolar; f) a extensão do microssistema familiar ao ambiente escolar em virtude da ausência de técnicos da área de saúde para executarem procedimentos quanto aos cuidados pessoais da pessoa com deficiência física; g) problemas no mesossistema caracterizados pela relação conflituosa entre a escola e a família; h) a pessoa com deficiência física sendo excluída do processo decisório no que compete às ações para assisti-la considera- se que ela é a melhor agente conhecedora de suas necessidades; i) do exossistema, na administração dos serviços públicos e na escassez de capacitação profissional; j) a interferência de elementos do macro por meio de crenças, estigmas, concepções e preconceitos culturais.
Esta pesquisa propiciou de forma inovadora evidência de elementos que permitiram numa perspectiva bioecológica, uma melhor apreensão do processo de inclusão escolar. Além disso, buscou aproximação da realidade dentro da escola considerando a pessoa, o processo e o contexto. A análise da dimensão tempo limitou-se a reconstrução da história de vida e escolar da participante.
A análise aprofundada do processo de inclusão, realizada por meio da pesquisa qualitativa, constatou adversidades para a construção das relações interpessoais onde os atributos pessoais da participante focal, a rejeição dos pares; o modo de atuação dos atores educacionais; e a conduta da mãe refletiu contradições presentes no macrossistema onde o conceito de normalidade, crenças e preconceitos estão consolidados. O macrossistema influenciou indiretamente a forma de ser e de viver das pessoas, mas por outro lado, também determinou, por meio de políticas públicas, o combate à exclusão escolar e social. A incoerência entre aspectos culturas e as políticas públicas é repassada a outros contextos (exo,
meso e micro), inviabilizando sentido e, assim, compreensão das pessoas do que venha ser o processo de inclusão e de como devem proceder para efetivá-la.
Dessa forma, ressalta-se que E percorreu um caminho marcado pela desinformação, estigma e preconceito existente na cultura e disseminada mediante relações estabelecidas tanto em contextos imediatos quanto nos mais distantes onde a indisponibilidade das pessoas e dos diversos contextos para propiciar a interação e inclusão plena da participante focal produziu parcialmente sua exclusão social, logo, reduziu os potenciais para seu desenvolvimento, e, ainda, conduziu o microssistema familiar a um maior empenho para garantir ambiente propício ao desenvolvimento saudável.
Neste sentido, cabe ressaltar a importância de políticas públicas voltadas para apreensão da sociedade sobre os direitos da pessoa com deficiência, com vistas a, eliminar toda forma de discriminação. Buscando assim, a modificação da realidade e, consequentemente, o modo de agir das escolas. No entanto, a escola pode construir um espaço para fomentar discussões em torno das expectativas da família e dos atores educacionais com temáticas que respondam seus anseios face às necessidades educativas especiais da pessoa com deficiência buscando desmistificar crenças, preconceitos e concepções limitadoras.
Ainda, cabe às políticas públicas transformar o sistema educacional e assegurar o acesso à capacitação de todos os profissionais de educação, a adequação física dos ambientes escolares, a disponibilidade de técnicos de saúde, bem como, recursos de adaptação, materiais pedagógicos que de fato atendam às necessidades do público com necessidades educativas especiais. Certificando assim, o seu direito à educação em igualdade de condições. Cabe aos atores educacionais propiciarem elementos favorecedores da inclusão na escola e do desenvolvimento biopsicossocial de todos os estudantes incluindo a pessoa com deficiência.
Pode-se ainda, incluir na dinâmica curricular a efetivação da adequação do currículo não somente nos componentes curriculares, mas nos eventos e saídas pedagógicas a fim de garantir uma das atribuições da escola que é de ensinar e assegurar o direito da pessoa com deficiência de expandir suas capacidades acadêmicas, sociais e pessoais.
Como esta investigação tem limitações seria aconselhável que pesquisas posteriores contemplassem no método, todos os elementos propostos no Modelo Bioecológico (pessoa, processo, contexto e tempo), bem como, ampliassem os contextos de análise a fim de compreender o objeto de estudo no que tange a sua complexidade.
Para mais, ressalta-se que a Teoria Bioecológica foi apropriada para conduzir pesquisas sobre desenvolvimento em ambiente socioeducativo especificamente em relação à
inclusão escolar, sendo adequada para compreender esse fenômeno por envolver a análise de diferentes fatores. Nesta investigação, podemos evidenciar incoerência no macrossistema para conduzir políticas públicas e, assim, transformar a realidade social de forma que tenha significado para os indivíduos impedindo oportunidades de desenvolvimento da pessoa com deficiência física.
Para estudos conseguintes considera-se a importância de comparar pessoas com deficiência física com e sem necessidades complexas na área da linguagem, influências do sexo e da faixa etária no processo inclusivo, pesquisa-ação para verificar impactos no desenvolvimento da pessoa com deficiência física com a retirada de algumas das barreiras ao processo de inclusão escolar citadas na presente pesquisa.
Este estudo foi relevante porque demonstrou a forma de viver e de se relacionar de uma pessoa com deficiência física retratando a sua exclusão escolar decorrente de obstáculos físicos e atitudinais que a impediram de ser integrada plenamente como sujeito de direito e, ainda, permitiu o levantamento de hipóteses sobre barreiras sendo inviabilizadoras do processo de inclusão na escola e como a não inclusão impacta no desenvolvimento acadêmico, social e pessoal.
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