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Reform av de russiske Luftstridskreftene

Apesar de, em sua estrutura de linguagem e organização de programação, a televisão aproximar-se do rádio, Machado (1988, p. 40) afirma que, “[...] numa visão superficial, uma câmera de vídeo deveria produzir uma imagem figurativa idêntica, no essencial, àquela gerada por sua antecessora: a câmera cinematográfica”. Esta expectativa se dava principalmente nos primeiros anos da produção de vídeo, pois os equipamentos de filmagem eram, tecnicamente, bastante próximos. “De fato, a câmera de vídeo utiliza na codificação da imagem o mesmo princípio fundador da câmera obscura e objetivas semelhantes àquelas construídas para os aparelhos cinematográficos”. Entretanto, quanto a esta aproximação, Machado (1988) faz a seguinte observação:

[...] um olhar mais atento aos processos significantes que definem o código televisual pode perfeitamente perceber que as semelhanças com o cinema não vão além da constituição da imagem pelas lentes. A partir daí o ‘texto’ pictórico

construído através de cada meio passa por tratamento técnico diferenciado, fotográfico no caso do cinema e eletrônico no caso do vídeo ou da televisão. (MACHADO, 1988, p. 40)

O autor explica, de modo sucinto, que “uma imagem eletrônica é a tradução de um campo visual para sinais de energia elétrica”, por meio do “retalhamento total da imagem em uma série de linhas de retículas que podem ser varridas por um feixe de elétrons”. (MACHADO, 1988, p. 40)

Neste sentido, “[...] a primeira diferença básica entre a constituição da imagem fílmica e da imagem televisual ou videográfica está no fato de a primeira ser gravada em quadro físico e na sua totalidade de uma só vez enquanto a segunda é ‘escrita’ sequencialmente por meio de linhas de varredura, durante um intervalo de tempo”. Enquanto no filme, tradicionalmente, a imagem é inscrita em fotogramas separados, o vídeo faz retalhar e pulverizar “a imagem em centenas de milhares de retículas, criando necessariamente uma outra topografia que, a olho nu, aparece como uma textura pictórica diferente, estilhaçada e multipontuada, como os olhos das moscas”. (MACHADO, 1988, p. 41)

Uma imagem eletrônica é comporta por cerca de duzentos mil pontos de luz que preenchem a tela compondo70 525 linhas (no padrão americano e na sua adaptação brasileira) ou 625 (no padrão europeu), à velocidade de cinquenta ou sessenta campos por segundo (dependendo da tensão ou rede elétrica), e constituindo respectivamente 25 ou trinta imagens completas por segundo. [...] Não existe obturador na câmera de vídeo. O que quer dizer que o mecanismo de varredura é contínuo, sem o intervalo negro entre os fotogramas que caracteriza a imagem cinematográfica. [...] O vídeo, por consequência de sua própria constituição, é a primeira mídia a trabalhar concretamente com o movimento (isto é, com a relação espaço-tempo), se considerarmos que o cinema permanece na sua essência uma sucessão de fotogramas fixos. A diferença parece ser irrisória, mas basta que uma câmera de cinema efetue um movimento um pouco brusco (panorâmica rápida ou ‘chicote’) para borrar a imagem ou produzir o incômodo fenômeno de trepidação ou flicagem. No vídeo, isso não acontece, porque nele um movimento rápido – o da câmera – é seguido sincronizadamente por outro movimento – o de varredura do suporte fotocondutor. (MACHADO, 1988, p. 43-44)

Ao buscar realizar um paralelo na pintura com a técnica constitutiva da imagem eletrônica, o autor descarta a pintura renascentista, citando McLuhan – que fala de imagem mosaicada a propósito do vídeo –, e concordando com Pignatari que compara o vídeo “[...] aos mosaicos das igrejas bizantinas, em que as pedrinhas de cristal colorido com que se forja a imagem nunca estão no mesmo plano, o que faz variar a incidência de luz”. (MACHADO, 1988, p. 44)

Ora, a imagem da televisão não faz senão automatizar a técnica constitutiva dessa pintura. Também ela dissolve a figura numa chuva de retículas e depois pede o concurso do espectador para realizar a operação final de combinação desses

estilhaços de imagem numa gestalt inteligível. [...] Diante da fúria pulverizadora do mosaico eletrônico, não há relevo perspectivo que consiga se sustentar: no vídeo, a profundidade de campo é sempre precária, porque a partir de um certo nível de afastamento do primeiro plano (foreground) as figuras tendem a se desmaterializar e a se confundir com as retículas. (MACHADO, 1988, p. 44-45)

Desta forma, pode-se inferir que, tanto a tecnologia que envolvia a produção televisiva nos primeiros anos, quanto a de recepção influenciavam nas escolhas narrativas e imagéticas, pois certos planos não seriam inteligíveis aos olhos do telespectador. Neste sentido,

O conceito de tela pequena nada tem a ver com o tamanho da tela propriamente dito, mas com as condições de sua percepção. A tela do vídeo é pequena porque é constituída por uma malha reticulada, exigindo certo afastamento físico do espectador para que as retículas possam se difundir e resultar inteligíveis. Se o espectador se aproximar muito de um aparelho receptor, a realidade constituinte da imagem eletrônica se imporá com tal poder que ele não será capaz de ver nenhuma figura articulada. (MACHADO, 1988, p. 46)

Por conta de sua estrutura não permitir a composição de imagens com muitos elementos, o autor denomina a televisão de pequena tela: “[...] uma tela pequena significa uma tela em que se pode colocar pouca quantidade de informação, já que há sempre o perigo que uma imagem demasiado abundante se dissolva na chuva de linhas de varredura”. (MACHADO, 1988, p. 47)

A imagem eletrônica, por sua própria natureza, utiliza uma linguagem metonímica, em que a parte, o detalhe, o fragmento é articulado para sugerir um todo, sem que esse todo, entretanto, possa jamais ser revelado de uma só vez. Isso a torna o meio próprio para o primeiro plano (close-up): se no cinema o primeiro plano é o quadro estranho que mutila a continuidade da cena ilusionista, na televisão trata-se do quadro natural, sem o qual nenhuma imagem figurativa se sustenta. (MACHADO; 1988, p. 48)

Este elemento marcou a forma de se fazer televisão, pois mesmo depois da chegada das câmeras digitais e do aprimoramento da tecnologia televisiva, o primeiro plano ainda é a marca visual da televisão, tanto dos programas ficcionais quanto nos factuais.

Se o vídeo trabalha com gêneros narrativos, ainda assim, o primeiro plano comanda o recorte dos quadros, já que a precariedade da profundidade de campo impede o aproveitamento de quadros abertos e a ocorrência de paisagens amplas. Isto não quer dizer evidentemente que só existam primeiros planos na tevê, mas que aí todos os planos fechados tendem sempre para o recorte fragmentário cujo modelo é dado pelo primeiro plano. [...] por consequência, a televisão tem de delimitar o número de personagens que aparecem a um tempo na tela e trabalhar sempre em espaços pequenos, de preferência em interiores; daí, quase por fatalidade, a predominância de temas íntimos, ligados a problemas cotidianos de pessoas comuns. (MACHADO, 1988, p. 50)