Esta pesquisa objetivou, entre outros aspectos, verificar, na perspectiva de professores gestores e de egressos empreendedores, como os Cursos de Administração de Instituições de Ensino Superior Públicas e Particulares estão promovendo uma formação empreendedora alinhada às atuais exigências do mundo do trabalho.
Realizou-se uma discussão sobre a formação empreendedora do administrador, visando compreender as atuais características do mundo do trabalho no contexto neoliberal, verificar que habilidades e competências caracterizam um administrador empreendedor à luz das novas Diretrizes Curriculares Nacionais e mensurar as possíveis repercussões de tudo isso no Projeto Pedagógico. Para tanto, o escopo teórico foi composto com o diálogo da mestranda e de muitos autores, sendo destacados a seguir aspectos conceituais e paradigmáticos que foram basilares neste estudo.
As mudanças ocorridas no mundo do trabalho no contexto neoliberal têm características singulares. Surgem os novos paradigmas do conhecimento e os processos produtivos nesse cenário, como a formulação do conceito de competência e a discussão sobre o Paradigma das Habilidades e Competências. Nesse sentido, os participantes aduzem que esse paradigma complementa as abordagens conteudista e disciplinar.
Dito isso, há, pois, a imperiosa necessidade de se pontuar a relevância do paradigma emergente no contexto educacional. Tais parâmetros, à luz da pesquisa empírica, sugerem às Instituições de Ensino Superior que ofereçam uma formação educacional voltada para a abstração da realidade e não mais para o fazer fragmentado. Depreende-se daí que o administrador terá que ler cenários de maneira proativa com a percepção das reais oportunidades, bem como das potenciais adversidades. Essa visão alinha-se a uma literatura respeitável como Araújo (2001), Kuenzer (2002), Chiavenato (2008) e Perrenoud (2009).
Ao abordar-se, neste estudo, mesmo que superficialmente, o paradigma denominado por Morin (2004), Moraes e Navas (2010) como emergente, complexo e ecossistêmico, permitiu-se que os atores envolvidos dessem à pesquisa a leveza da perspectiva dialógica, o que os levou a vislumbrar um contexto acadêmico menos
linear, que promova conhecimentos multidimensionais e que possam ser aplicáveis a uma realidade menos estática e mais flexível, a exemplo do mundo do trabalho contemporâneo e empreendedor.
As informações obtidas nas entrevistas forneceram a compreensão sobre as atuais características do mundo do trabalho no contexto neoliberal, assim como a identificar as habilidades e competências que caracterizam um administrador empreendedor tendo como parâmetro as diretrizes curriculares. Os dados coletados permitiram entender se o Projeto Pedagógico dos Cursos de Administração direciona ou não para uma formação empreendedora voltada para o mercado de trabalho.
No que tange às discussões sobre a crise do emprego no Maranhão e no Brasil e, consequentemente, sobre as exigências de mercado para os profissionais egressos de administração, na perspectiva dos participantes da pesquisa, concluiu-
-se que essa crise encontra-se alinhada à concepção de autores como Castel (1998)
e Rifkin (1995). Para esses autores, a reestruturação produtiva é apontada como uma das principais causas, porque preceitua a ideia de fazer mais com menos, ou aumentar a produção com menos trabalho humano envolvido no processo produtivo. Portanto, ficou evidenciado que, para o egresso se apropriar das habilidades empreendedoras ou do perfil empreendedor, deve procurar atingir metas ousadas, atitudes criativas e inovadoras, e ser focado nos resultados, sempre agindo com vistas à conduta ética e social. Entretanto, ainda são muitos os esforços desprendidos, no sentido de ampliar o entendimento acerca do conceito de empreendedorismo, do perfil empreendedor e de como se dará uma formação empreendedora que proporcione, objetivamente, ao trabalhador solução de emprego e renda.
Em matéria de emprego e renda, o resultado da pesquisa converge com o pensar de Frigotto (2006), que contribuiu para a compreensão de que, em meio a toda essa precarização do emprego, oriunda do processo de reestruturação produtiva, não há no Brasil políticas de desenvolvimento voltadas para a ampliação ou proteção da capacitação profissional do trabalhador. Por isso, recai sobre o cidadão a responsabilidade de desenvolver habilidades e competências cognitivas e técnicas que o tornem capaz de competir no atual mundo do trabalho.
Os participantes egressos empreendedores entendem que a formação empreendedora no Curso de Administração é de fundamental importância, todavia a formação acadêmica em São Luís não os conduz à construção de um perfil empreendedor. Segundo eles, isso ocorre, sobretudo, pela ausência de parcerias das academias com as organizações empresariais pequenas, médias e de grande porte.
Nessa mesma linha, o resultado deste estudo confirmou que 80% dos professores entrevistados dos Cursos de Administração não fazem pesquisas relacionadas com o tema empreendedorismo, e outros 60% afirmam não manter nenhum envolvimento com atividades ligadas a este tema.
Em outro momento, a pesquisa refletiu a preocupação dos professores quanto à importância de formar novos grupos de pesquisas voltados para o estudo do empreendedorismo. Os gestores acreditam que a articulação das disciplinas levará ao fortalecimento do perfil empreendedor do egresso e também valorizam a relevância das parcerias entre as IES e as organizações empresariais.
Ficou evidente, portanto, um relativo distanciamento do Curso de Administração das Instituições de Ensino Superior Públicas e Particulares com as demandas de mercado. Tal distanciamento, conforme opinião unânime de egressos empreendedores e professores gestores, torna mais premente a necessidade de estabelecimento de vínculos entre as Instituições de Ensino Superior e o segmento empresarial.
Os participantes tiveram diferentes perspectivas relacionadas à importância das Diretrizes Curriculares e sua adequação à formação do administrador empreendedor. Alguns entendem que o Projeto Pedagógico estimula tal formação, no entanto, é clara a posição de que o docente deve atuar no mercado de trabalho para levar até a sala de aula as problemáticas práticas experimentadas no mundo do trabalho. Depreende-se, mais uma vez, que as Instituições de Ensino precisam encontrar instrumentos que favoreçam a aproximação destas com o mercado, para que possam, de fato, vislumbrar os perfis demandados atualmente, sobretudo no tocante aos administradores.
Parte dos professores entrevistados demonstrou indignação ao reconhecerem que os Currículos dos Cursos de Administração não estão articulados com a realidade regional, muito menos nacional, enfatizando que as Diretrizes Curriculares
Nacionais e o Projeto Pedagógico não acompanham a dinâmica do mundo do trabalho. Na opinião dos atores da pesquisa, mesmo que as DCN e o PP acompanhassem essa dinâmica, não haveria nenhuma diferença na melhoria do processo de formação do profissional de administração, se os professores continuarem a trabalhar de forma isolada.
Partindo dessa perspectiva, os entrevistados afirmaram que esse cenário de descompasso só vai mudar quando houver uma convergência entre as disciplinas específicas e transversais, o que culminaria com um bom Plano de Negócios. Isso demonstraria que a elaboração e implementação de alguns Planos de Negócios levaria a Instituição de Ensino a funcionar também como laboratório, possibilitando ao egresso alinhar teoria e prática.
Acredita-se que a pesquisa aqui desenvolvida contribuirá para que seja melhor analisado o processo de formação do administrador no atual mundo do trabalho, de forma que a construção do conhecimento seja uma ferramenta cognitiva capaz de habilitá-lo a viver em sociedade, exercendo plenamente seu papel produtivo e crítico. Inobstante os resultados representem somente uma parcela da realidade maranhense, alguns indicadores observados poderão, de certo modo, ser aproveitados em outras IES que tenham Cursos de Administração.
Assim, recomenda-se que:
o Projeto Pedagógico busque atender às demandas de mercado e tenha a propositura de valorizar e imbricar as experiências empreendedoras dos professores gestores no ambiente acadêmico, de modo a estimular os egressos à prática empreendedora;
os professores e egressos conheçam e vivam o dia a dia acadêmico a partir do Projeto Pedagógico;
os Departamentos de Administração das IES discutam e façam pesquisas para saber os rumos da economia global, nacional e regional, ouçam dos empresários locais quais são suas expectativas em relação aos administradores e tenham políticas de acompanhamento dos egressos de administração.
Por fim, faz-se oportuno esclarecer que o tema desta dissertação não se exaure, tendo em vista que, a partir das reflexões aqui desenvolvidas, principalmente por meio dos três eixos convergentes, surgirão várias indagações
que resultarão em outras questões de pesquisas, proporcionando novos saberes referentes ao tema aqui abordado. Logo, o desafio posto às universidades, atualmente, é o de alinhar a formação oferecida ao egresso às exigências de mercado ou, pelo menos, diminuir a distância entre esses dois pontos. Cabe, portanto, a cada Instituição Pública ou Particular repensar suas práticas e avaliar se a prática adotada atualmente atende a essa realidade.
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Apêndice A - Entrevista semiestruturada com professores gestores dos Cursos de Administração de IES de São Luís
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU MESTRADO EM EDUCAÇÃO Instituição de Ensino: ___________________________________ Curso: _______________________________________________ Coordenador do Curso: __________________________________ Professor do Curso:___ __________________________________ Data da Entrevista: _____/_____/_____
Questão 1: Na sua opinião, quais as habilidades e competências com que o Curso de Administração deve contribuir no desenvolvimento de seus alunos em função do mercado de trabalho e de uma melhor qualificação profissional?
Questão 2: Qual a contribuição profissional que o egresso do Curso de