5.5 Ideology and curricular challenges
6.1.1 How do internally displaced children experience the public Colombian
Por potencialidade, entende-se algo que seja possível de realizar, é a capacidade de desenvolver algo, a possibilidade que algo ou alguém tem de transformar a realidade. Nessa categoria, foi exequível a identificação de potencialidades da MP pela observação e diálogos com os docentes, no conjunto das quatro séries do curso de Enfermagem.
Nas indagações realizadas aos professores em entrevistas, estes também entenderam como potencialidades o mesmo que fortalezas desenvolvidas na experiência com a MP. Vale lembrar que a identificação das potencialidades pela técnica da observação se deu a partir das práticas realizadas no conjunto dos atores envolvidos, discentes e docentes.
Desse modo, se revela, pela observação, em face dos cenários de prática do professor no desenvolvimento da MP, algumas potencialidades a serem destacadas: o desenvolvimento da iniciativa do estudante, a capacidade de resolver problemas, a percepção da necessidade na mudança de atitude perante situações complexas, sendo compatíveis com as características da própria estratégia de ensino e aprendizagem, descritos por Marin et al. (2010), quando destacam como ponto forte o estímulo constante ao estudo, a independência e a responsabilidade do discente.
Configura-se, assim com essas potencialidades, a autonomia, o pensamento crítico e reflexivo, o levantamento de questões de cunho social, econômico e cultural, direcionados a problemas individuais e coletivos, a fim de integrar as disciplinas e as dimensões biopsicossociais, considerando aspectos fundamentais na utilização de MA.
Ainda durante a observação, foram reveladas por parte de alguns docentes, as incontáveis oportunidades existentes para relacionar teoria e prática, bem como a infinidade de problemas e as possibilidades de transformação da realidade e transformação do estudante como participante ativo desse processo. Para significar essa relação teoria e prática, Costa et al. (2008) acentuam sobre o fato que a utilização de MA motiva o ensino e aprendizado, na medida em que aproxima o estudante e o professor da realidade tangível, verdadeira, tendo a teoria e prática enfaticamente desenvolvida.
Diante dessas observações destacadas e os teóricos relacionados, permite- se compreender que as potencialidades das MAs, estão impressas nos cenários do ensino em Enfermagem, mesmo da maneira não sistematizada, em que vem sendo trabalhada a MP com o Arco de Maguerez.
Vale ressaltar outras potencialidades observadas nos cenários, diante da atuação dos atores (discente e docente), assim citadas: a MP apresenta como potencial a auto-organização, autoaprendizagem, ou seja, a gestão do aprendizado, tanto para o professor quanto para o discente. Nesse sentido Moraes (2008, p. 71) sublinha que “[...] a auto-organização, implica, portanto, a capacidade de se autoproduzir, de se auto-organizar, condição que todo sistema vivo possui [...]”. Essa capacidade acontece a partir do desenvolvimento do trabalho coletivo, cooperativo e harmonioso, condição que influencia o processo de autoaprendizagem ou não, caso essa cooperação não aconteça no âmbito dos cenários de aprendizagem.
Percebe-se, então, que a auto-organização e a autoaprendizagem resultam em uma gestão do aprendizado que está presente nas atividades dos professores, sendo identificadas como potencialidades da MP.
No que diz respeito à conversa com os docentes, as potencialidades somam às observações. Praticamente todos os professores das séries do curso comentaram sobre duas potencialidades mais comuns da MP, o poder que a metodologia tem de desenvolver a capacidade crítica e reflexiva, condição que leva ao raciocínio clínico, sendo uma característica essencial para a assistência de Enfermagem. Essas potencialidades são ilustradas na fala de um professor:
[...] vejo como grande potencialidade dessa metodologia a capacidade crítica e
reflexiva. Chega a um ponto que eles mesmos já identificam suas lacunas, ‘olha,
falhei nisso e nisso’, então eles falam, ‘preciso melhorar’. No início do processo
eu destaco as fragilidades e lacunas, mas no final eles mesmos já conseguem fazer esta reflexão crítica [...]. (VIRGÍNIA HANDERSON).
Os estudos sobre a MP, enfatizada principalmente por Berbel (1998, 1999, 2012) e Freire (1996, 2011) sobre a problematização, sabiamente trazem a capacidade crítica e reflexiva como uma qualidade imperiosa na constituição da MP, em que o professor deve conduzir o estudante a pensar a realidade e criticamente. Por meio da MP, os discentes são encaminhados a visualizar a realidade e pensar sobre ela e sobre os problemas ali encontrados, para, então, escolher uma ação ou solução capaz de mudar essa realidade. E para fundamentar a importância do pensamento crítico e do raciocínio clínico na utilização de MA, vários autores compartilham o mesmo pensamento de compreender que a tríade ação-reflexão- ação torna-se condição indispensável para compreender a realidade e nela agir de forma a transformá-la. (BERBEL, 2011; TACLA; BERBEL, 2000; GIANNASI; BERBEL, 1998).
Infere-se, diante das referidas potencialidades e dos autores destacados, a presença relevante do desenvolvimento da capacidade crítica e reflexiva na prática docente junto aos discentes, nos cenários de ensino em Enfermagem, embora em algumas atuações essas potencialidades estejam presentes de maneira superficial e menos frequente.
Outra potencialidade da MP, expressa no diálogo com os docentes, evidencia a capacidade de conhecer melhor o outro, assim citada: [...] essa metodologia
favorece você ver o estudante de forma mais integral, não só como estudante, mas, apontar as suas fragilidades e fortalezas de forma individual [...] (ANA NERY). Outra
expressão aponta mais uma potencialidade:
[...] outra potencialidade importantíssima, mas que eu acho que nós, como Escola, temos dificuldade, é que a metodologia permite que cada estudante tem seu tempo e momento. Ela pede isso, ela propõe isso. Mas na nossa prática existe uma tendência de uniformizar, em tentar colocar todo mundo igual, em seguir um padrão de pessoas, e não é bem assim! É o contrário, a problematização trabalha com pessoas diferentes, em momentos diferentes e tempos diferentes. Ela permite que cada sujeito se desenvolva no seu tempo para poder se transformar [...]. (DOROTHEA OREM).
Ao pensar sobre essa fala, o docente afirma que a MP requer respeito ao tempo do discente, no processo ensino e aprendizagem. Porém, é imprescindível relatar que a organização curricular da IES pesquisada, talvez não permita isto.
Ainda, compreendendo essa fala docente, nos escritos de Moraes (2008), ao enfatizar sobre o olhar atencioso e acolhedor que o docente deve direcionar para o sujeito, objeto e ambiente, no desenvolvimento do ensino e aprendizagem; ambos estão imbricados, relacionados e não podem ser renegados. A experiência de cada sujeito é única e intransferível, porque é realizada no seu espaço delimitado por suas ações e reflexões, bem como no seu tempo. É preciso compreender melhor as relações sujeito/objeto, indivíduo/contexto e as influências da sociedade, do ambiente ou da comunidade sobre os sujeitos em formação. E acrescenta sobre o perfil esperado do professor: “[...] o perfil desejado é, portanto, de um docente capaz de discernimento, de atitude crítica e criativa diante dos problemas, um sujeito pesquisador, interdisciplinar e transdisciplinar em suas atitudes, pensamentos e práticas [...]”. (MORAES, 2008, p. 213).
Nesse sentido, dos escritos da autora e das falas apresentadas, de certa forma, existe o educador problematizador incluído nesta IES, ou seja, aquele que apresenta características peculiares de um educador emancipado. O sujeito (discente) é visto, e o professor é capaz de desenvolver o diálogo, a escuta qualificada e respeitar o tempo de cada um para aprender. Essa potencialidade torna-se inegável. Porém, percebe-se que alguns docentes ainda se valem da pedagogia tradicional e, às vezes, têm uma atitude como se o sujeito aprendente estivesse ausente no processo de construção do conhecimento e o conteúdo se tornasse mais importante nesse processo.
No decorrer da conversa com os professores, ao serem abordados sobre o Arco e suas potencialidades, um docente declara o seguinte:
Eu sempre busco usar uma palavra dentro do Arco, que é a avaliação, pois ela está em todas as etapas, e é muito difícil você avaliar e ser avaliado, é muito doloroso e esse é o grande potencial dessa metodologia. Você, no papel de docente, precisa aprender a fazer autoavaliação e ouvir a avaliação, isso é muito difícil. Eu acho que não é para quebrar o conhecimento que o docente já tem, mas é para reformular e reconstruir. (MARIA MONTESSORI).
Emerge dessa fala outra potencialidade da MP, a autoavaliação para ambos os atores da aprendizagem. Compreende-se então que, para o professor, a
autoavaliação deve ser um exercício diário e fundamental para o processo de desconstrução e reconstrução da sua prática docente. Nesses termos, Demo (1999) afirma que, para aprender bem com um professor, é preciso que ele saiba aprender bem, quer dizer, ele tem que ser capaz de construir, desconstruir e reconstruir o conhecimento sempre que necessário.
Isso posto, questiona-se: os professores aqui investigados fazem autoavaliação em busca da desconstrução e reconstrução da sua prática? Infere-se que grande parte ainda não está habituada a se colocar nessa posição. Entre as causas que possivelmente estão atribuídas, destacam-se a formação profissional e a experiência docente no modelo tradicional de ensino. A impressão obtida, nesse contexto, é que essa potencialidade de autoavaliação, infelizmente, poucos a utilizam, muitos visualizam como barreiras que podem comprometer seu trabalho como docente.
Como última potencialidade dessa categoria, uma frase que chamou a atenção, dita por um docente, quando inquirido sobre as potencialidades da MP, foi:
a segurança do saber, do fazer e o entendimento do sentir (MICHEL FOUCAULT).
Essa frase permite significar o que Delors (2000) brilhantemente traz sobre os quatro pilares da educação - Aprender a conviver, Aprender a fazer, Aprender a conhecer e Aprender a ser: o conviver com o outro de forma harmônica, relacional, respeitando sua cultura e divergências; o fazer é mais do que ensinar e aprender, mas construir competências capazes de desenvolver o trabalho em equipe e o enfrentamento de situações tidas como complexas; o conhecer, as culturas, os ambientes, a sociedade como um todo; o ser valorizado de cada indivíduo, a autonomia, o raciocínio, os talentos, a comunicação, a postura ética, tudo isso contribui para conhecer a si mesmo.
Compreende-se, então, que os quatro pilares da educação trazidos por Jaques Delors estão diretamente relacionados ao que propõe a MP com o Arco, mas que estão presentes, em parte, no trabalho desenvolvido por alguns professores nos cenários de prática na formação de enfermeiros, tendo mais um ganho, visto como uma grande fortaleza nesse processo de ensino e aprendizagem, e que contribuem sumariamente para uma formação de um profissional de Enfermagem emancipado.
4.1.4 As dificuldades inerentes à aplicação da MP com o Arco de Maguerez