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5.1 Discrimination at Suba: A consequence of stigma

5.1.2 Information control and passing

Alguns estudos (MARIN et al. 2010; COSTA et al., 2008; SCHAURICH; CABRAL; ALMEIDA, 2007; SANTOS-FILHO, 2004;) apontam potencialidades e fragilidades no uso de MAs na formação profissional na área de saúde (Enfermagem e Medicina), precisamente com ênfase na ótica do discente e timidamente na ótica do docente.

Assim, Marin et al. (2010), ao se referirem às MAs, ditam que os estudantes apontam algumas fortalezas na utilização dessas estratégias pedagógicas, pois o ensino, pelo contato direto ou próximo dos problemas reais, possibilita a integração entre os ciclos básico e clínico, entre as disciplinas, as dimensões biopsicossociais e o mundo do trabalho. O contato do estudante com a realidade estimula o estudo, a

responsabilidade, a independência, a autonomia e o poder de decisão de cada um diante dos problemas que serão enfrentados quando estes estiverem atuando profissionalmente.

Por outro lado, fragilidades são apontadas, também por Marin et al. (2010) no uso de MA, no que se refere à ótica do discente. Uma das principais fragilidades se dá pela súbita mudança do modelo tradicional para o modelo ativo, pois os discentes sentem-se perdidos na busca de compreensão do método e conhecimento em disciplinas básicas. A mudança do método de ensino gera insegurança, sendo necessários mais esforços dos atores envolvidos para desenvolver esse novo processo de ensino e aprendizagem, que requer mudança de comportamento, postura e compromisso.

Conforme destacam Silva, Assis e Gentile (2005), especificamente em relação à MP, os discentes narram que as equipes de saúde têm dificuldades em relação à proposta de mudança no modelo de ensino e em entender o papel do discente no uso da problematização, levando a desintegração entre a equipe de saúde e o discente, pois a equipe vê o discente como um empecilho, gerando conflitos entre ensino e serviço. Em função disso, a integração ensino/serviço, na visão dos discentes, ainda está distante da rotina de trabalho dos profissionais.

Nesse conjunto de elementos, torna-se crucial ressaltar os aspectos relacionados à ótica do docente referente à MP e suas fragilidades. Estudos de Chirelli e Mishima (2004), Schaurich, Cabral e Almeida (2007) salientam que as pesquisas sobre essa temática ainda são escassas e incipientes, pois a pedagogia tradicional impera no ensino em que o professor é o centro das atenções, de modo que a pedagogia crítica ou progressista ocupa um lugar ainda embrionário como nova estratégia de ensino e aprendizagem.

A pesquisa de Santos-Filho (2004), ao investigar sobre estratégias metodológicas (problematização) inseridas no projeto curricular e pedagógico em uma disciplina do curso de Enfermagem de uma IES, no estado de Minas Gerais, traz em seu contexto as dificuldades do discente e docente em trabalhar com a problematização nos cursos da área de saúde e as tendências de correntes pedagógicas (tradicional e progressista) como desafios para a educação na formação em saúde.

Desta forma, o autor indica e conclui sobre a necessidade de mais estudos sobre esta temática e ressalta que trabalhar o currículo com uma proposta

pedagógica, como a problematização, traz desafios para os professores, principalmente em relação às suas dificuldades, e cita alguns exemplos: a detenção de conteúdos que se dá pela postura do docente em ir ministrando-os em sequência rígida, sem oportunizar outras formas de aprendizado; a resistência em experimentar outras metodologias, rompendo com o paradigma tradicional de ensino, assim como o método de avaliação; a valorização da distribuição de notas e de pontuações das atividades propostas pelos docentes; não saber administrar conflitos e negociações efetivas entre a instituição, o docente e o discente, para o cumprimento de prazos, atividades escolares e notas; de uniformizar metodologias de abordagem e avaliação entre professores; e a dificuldade de não saber ouvir o discente. (SANTOS-FILHO, 2004).

Nessas circunstâncias, Schaurich, Cabral e Almeida (2007) acrescentam que a problematização precisa ser mais bem exercitada e pesquisada, por meio de repetidas aproximações com a prática, revelando também a necessidade de expor a atuação docente nesse contexto inovador de ensino e aprendizagem.

Nesse caminho, Chirelli e Mishima (2004) trazem uma investigação cujo principal objetivo foi identificar a construção dos discentes no seu processo de formação na direção de um profissional crítico-reflexivo. No desenvolvimento da pesquisa, observa-se também a explanação quanto à formação docente em meio ao contato com a MP. Este estudo, de caráter qualitativo, realizado no curso de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília/São Paulo (Famema), evidenciou, através de relatos dos discentes, alguns conflitos em relação ao papel docente que culminaram em dificuldades no tocante à MP.

Na trajetória para o desenvolvimento da MP, espera-se que os discentes aprendam a conviver com as diversas opiniões, saibam lidar com as diferenças, a trabalhar em grupo, mobilizem conhecimentos, habilidades e atitudes, favoreçam as mudanças na maneira de pensar e agir em seu processo de aprendizagem colabore com os colegas e compartilhem informações, saibam receber críticas e refletir sobre elas, busquem consensos e negociem nas argumentações, tornando-se, assim, desempenhos desafiadores nessa estratégia pedagógica inovadora. (CHIRELLI; MISHIMA, 2004).

Nesse processo construído com a MP, as referidas autoras destacam, através dos relatos dos discentes, as inúmeras dificuldades em aprender a enfrentar o que chamaram de conflitos. Na contraposição dessa proposta, muitos tiveram

dificuldades em trabalhar em grupo, de se comunicar e de receber críticas. Ao passo que os discentes apresentaram tais problemas, também perceberam que os docentes foram pelo mesmo caminho, apresentaram dificuldades equivalentes, ou seja, em lidar com os conflitos e, nesse caso, estes deveriam ser o elemento estratégico para auxiliar os discentes a aprenderem a trabalhar com as situações que geram problemas no desenvolvimento da metodologia. E, em uma de suas considerações sobre a pesquisa, enfatizam que em um projeto de curso, em que se busca um profissional crítico-reflexivo com uma metodologia inovadora, encontra-se o enfrentamento do modelo velho (tradicional) e do novo (progressista), num movimento de superação das dificuldades percebidas entre discentes e docentes no processo de ensino e aprendizagem. (CHIRELLI; MISHIMA, 2004).